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Ética do cuidado: mulheres no centro da conservação e da ciência

No dia 8 de março, celebramos mais do que uma data no calendário; celebramos uma força vital que sustenta a biodiversidade do nosso planeta: as mulheres , em casa, no campo, na ciência, nas comunidades e na linha de frente da conservação.

Celebrar esta data na conservação é honrar um legado de pioneiras que abriram caminhos quando quase não havia espaço para elas: Bertha Lutz, que já em 1919 articulava ciência e política; Johanna Döbereiner, que revolucionou o uso de bactérias na fixação de nitrogênio e transformou a agricultura; Ana Maria Primavesi, precursora da agroecologia no Brasil; Niède Guidon, que dedicou sua vida à proteção do patrimônio natural e cultural; e tantas outras mulheres que construíram, com coragem e consistência, a base sobre a qual seguimos trabalhando hoje.

Em novembro de 2025, tive o privilégio de vivenciar um momento histórico da agenda climática no Brasil, a COP 30, em Belém. Em meio às negociações e às urgências, foi impossível não perceber a forte participação das mulheres no evento. A mensagem que atravessava corredores, plenárias e encontros paralelos era clara: as mulheres não estão apenas na linha de frente dos impactos; elas estão liderando as soluções mais inovadoras e humanas para enfrentar o colapso climático.

Na Blue Zone, participei do evento “Mulheres na Conservação: guardiãs da natureza e da Ética do Cuidado”, promovido pelo ICMBio, que reuniu vozes poderosas como a de Ana Paula Chantre Luna, ministra do Ambiente de Angola, e Sandra Regina Pereira, do CONFREM. Ali, ficou cristalino que a conservação ambiental não é apenas uma questão de técnica ou legislação, ela é, sobretudo, uma ética profunda de cuidado, frequentemente conduzida por mãos femininas, acostumadas a sustentar a vida mesmo quando tudo ao redor parece faltar. 

A desigualdade de gênero funciona como um amplificador da crise: quando o clima piora, as vulnerabilidades pré-existentes se tornam mais perigosas.

O relatório The Gender Snapshot, da ONU Mulheres, indica que, até 2050, as mudanças climáticas podem empurrar até 158 milhões de mulheres e meninas para a pobreza e levar 236 milhões a enfrentar a fome, especialmente em contextos onde a renda já é frágil e o acesso a recursos é limitado. 

Além disso, também de acordo com a ONU, as mulheres representam cerca de 80% dos deslocados climáticos no mundo. Ao mesmo tempo, cresce a sobrecarga do trabalho de cuidado: o cuidado doméstico não remunerado já recai desproporcionalmente sobre as mulheres e, com ondas de calor, doenças, escassez de alimentos e de água, esse fardo se intensifica, reduzindo o tempo e as condições para participação social, política e econômica. 

Mulheres sul-sudanesas retornam para suas casas com barris vazios após a fonte de água que compartilhavam secar. Foto: © Samuel Otieno/ACNUR

Em regiões de seca severa e desertificação, o impacto se torna ainda mais concreto, com mulheres e meninas percorrendo longas distâncias para buscar água, com prejuízos diretos para a saúde e para a autonomia. E quando a renda familiar cai ou a produção falha, a escola vira a primeira vítima silenciosa: meninas ficam mais expostas ao abandono escolar para ajudar no cuidado e nas tarefas domésticas, perpetuando um ciclo de desigualdades. 

Em cenários de eventos extremos, migrações forçadas e conflitos por recursos, aumenta também a vulnerabilidade a violências baseadas em gênero e a insegurança de mulheres deslocadas. Apesar disso, elas ainda seguem sub-representadas em espaços de liderança ambiental e em delegações de negociações climáticas, justamente onde se decide o rumo dos investimentos, das políticas e das prioridades.

Mulheres na Conservação. Foto: Fundação Toyota do Brasil.

O protagonismo feminino já está aí, vivo e atuante; o que falta é visibilidade, reconhecimento e poder real. Iniciativas como o projeto “Mulheres na Conservação”, apoiado pela Fundação Toyota do Brasil, vêm registrando e valorizando trajetórias de pesquisadoras e lideranças que sustentam projetos decisivos para a conservação ambiental no país. 

E quando olhamos para a ciência, vemos um paradoxo: as mulheres avançaram muito, mas seguem enfrentando barreiras.

Dados recentes apontam que o Brasil tem alta participação feminina na autoria científica, chegando a 49% em séries de longo prazo, o que reforça o tamanho do potencial quando há oportunidade. 

Ainda assim, o reconhecimento, a progressão na carreira e a ocupação de espaços de decisão seguem marcados por desigualdades, sobretudo em áreas historicamente masculinizadas.

A física e professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Rita de Cássia dos Anjos, bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq, foi uma das agraciadas na segunda edição do prêmio. – Foto: Luara Baggi / Ascom MCTI

Essa força também é motor do conhecimento científico e da inovação. Durante o 2º Prêmio Mulheres e Ciência, ficou evidente que diversidade de olhares não é detalhe: é parte da qualidade das respostas que damos ao nosso tempo. Como destacou Deborah Malta, a participação feminina agrega a perspectiva do cuidado e da diversidade, essencial para enfrentar desafios complexos deste século. E a estudante Lara Borges resumiu o espírito dessa caminhada: quando uma mulher avança na ciência, ela não caminha sozinha — ela abre caminho para outras.

Tenho o privilégio de trabalhar com uma equipe formada majoritariamente por mulheres, de diferentes idades, áreas e histórias.

Trabalhar ao lado de mulheres que lideram projetos complexos me ensinou, na prática, que conservar é estabelecer laços de cooperação e respeito pela vida. Eu me inspiro diariamente nas diferentes personalidades, na coragem de enfrentar o improviso do mundo real e na capacidade de encontrar soluções em cenários difíceis, seja no diálogo com comunidades, com empresas, com órgãos ambientais, seja no detalhe técnico que garante que um projeto fique de pé. E os territórios onde atuamos também nos apresentam, o tempo todo, mulheres fortes: nas empresas, nas comunidades e dentro do serviço público ambiental.

A tradição nos ensina que a vida se sustenta no que é repetido todos os dias: o cuidado, o trabalho silencioso, a persistência. E a visão de futuro nos exige ir além do reconhecimento simbólico: precisamos de orçamento, espaço de decisão, políticas de permanência, mentoria e segurança para que mulheres permaneçam e liderem –  na ciência, na conservação, na gestão pública e na economia. Que este 8 de março nos lembre: quando fortalecemos uma mulher, fortalecemos um território inteiro e, com ele, o futuro da própria vida.

Parque Estadual do Rio Doce: um Sítio Ramsar em Minas Gerais e o terceiro maior complexo de lagoas do Brasil

Pouco conhecidas, as Zonas Úmidas comumente impressionam pela beleza e biodiversidade. Esse é o caso, por exemplo, do Parque Estadual do Rio Doce (PERD), na região do Vale do Aço de Minas Gerais, que abriga uma das Zonas Úmidas de maior importância estratégica para o Brasil. Criado em 1944, o PERD é a primeira Unidade de Conservação de Minas Gerais. Mas não só. O Parque reúne mais de 40 lagoas de água doce, formando o terceiro maior complexo lacustre do Brasil, atrás apenas do Pantanal e da Amazônia. Este sistema lacustre, aliado à grande floresta de Mata Atlântica, conferiu ao parque o título de Sítio Ramsar em 2010, reconhecendo suas zonas úmidas como prioritárias para a biodiversidade global.

O que são os Sítios Ramsar?

Foto: Por Evandro Rodney.

O nome Ramsar vem da Convenção sobre Zonas Úmidas de Importância Internacional, também conhecida como Convenção de Ramsar.  É um tratado multilateral assinado em 1971 na cidade iraniana de nome homônimo. O objetivo da Convenção é promover a cooperação entre países para conservar e usar de forma racional as áreas úmidas do planeta.  Um dos compromissos assumidos pelos países signatários é identificar e inscrever zonas úmidas representativas, raras ou únicas na Lista de Zonas Úmidas de Importância Internacional, conhecida como Lista Ramsar. 

Atualmente a Lista Ramsar é a maior rede de áreas protegidas do planeta, com mais de 2 500 sítios espalhados por 172 países, cobrindo quase 2,5 milhões de km². A visão da Convenção, reafirmada em 2005, é “desenvolver e manter uma rede internacional de áreas úmidas importantes para a conservação da diversidade biológica global e para sustentar a vida humana por meio da manutenção de seus componentes, processos e serviços ecossistêmicos”.  

O reconhecimento como sítio Ramsar faz com que a área úmida passe a ser objeto de compromissos oficiais para manter sua biodiversidade, serviços ecossistêmicos e funções ecológicas e garante prioridade na implementação de políticas públicas de conservação.  Ao se tornar um Sítio Ramsar, essas áreas ganham mais atenção do governo, têm mais possibilidades de cooperação e de acesso a pesquisas e recursos financeiros e, podem, inclusive, abrir mercados para produtos com procedência ambiental certificada. 

Por este reconhecimento e por outros contextos importantes, o Parque Estadual do Rio Doce, nosso exemplo aqui, pôde contar com um Termo de Parceria firmado entre o Instituto Estadual de Florestas (IEF) e o Instituto Ekos Brasil para apoio à sua consolidação, garantindo ações que vão da melhoria e conservação da  infraestrutura à proteção e preservação dos recursos naturais, inclusive com a revisão do Plano de Manejo do parque. 

Por que as áreas úmidas são importantes?

Foto: Canva Pro.

Áreas úmidas são ecossistemas na interface entre ambientes terrestres e aquáticos, continentais ou costeiros, permanentes ou temporariamente inundados, com solos saturados e comunidades de plantas e animais adaptadas à dinâmica hídrica.  Esses ecossistemas são cruciais para a regulação do ciclo da água, recarga de aquíferos, filtragem de água e estabilização de zonas costeiras.

As áreas úmidas abrigam grande parte da biodiversidade global. Estima-se que 40 % de todas as espécies vegetais e animais dependem desses habitats. Além disso, são fundamentais para controlar enchentes e secas, oferecer alimento, sustentar comunidades tradicionais e mitigar os efeitos da mudança climática.

O PERD, por exemplo, abriga a maior área contínua de Mata Atlântica preservada no estado de Minas Gerais, com uma rica biodiversidade e árvores centenárias que fazem parte de um universo de florestas altas e estratificadas. Na Unidade de Conservação é possível encontrar, por exemplo, o jequitibá, a garapa, o vinhático e a sapucaia.

É por lá que também encontramos um dos ícones da fauna brasileira, a onça-pintada. Além de bonita e imponente, a presença da onça indica a qualidade ambiental e o equilíbrio do ecossistema do PERD. Além disso, o número de espécies encontradas no parque corresponde a 50% de todas as aves registradas em Minas Gerais e 1/5 do total de espécies de aves registradas no Brasil, sendo algumas bem raras e endêmicas, como o bicudo (Sporophila maximiliani), espécie reencontrada após 80 anos sem registros em Minas Gerais.

Quantos sítios Ramsar existem no Brasil?

Foto: Por Fernando Marino – Panoramio, CC BY-SA 3.0.

O Brasil aderiu à Convenção de Ramsar em setembro de 1993. De lá para cá, o país inscreveu 27 sítios na Lista Ramsar. Desses, 24 correspondem a Unidades de Conservação (ou partes delas) e três são sítios Ramsar regionais, formados por Unidades de Conservação, Terras Indígenas e Áreas de Preservação Permanente.

Fontes: 

https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/biodiversidade-e-biomas/biomas-e-ecossistemas/areas-umidas/sitios-ramsar-brasileiros

https://www.ramsar.org/our-work/wetlands-international-importance

https://www.ramsar.org

Ana Moeri.

Call to action: por que a sustentabilidade será o diferencial competitivo em 2026?

O ano de 2026 começa sob o signo do que líderes globais chamam de “ruptura, não transição”. Em um cenário de confrontação geoeconômica, apontada pelo Fórum Econômico Mundial como o risco número um de curto prazo, a sustentabilidade empresarial deixou de ser apenas uma agenda de conformidade para se tornar o pilar central da resiliência estratégica.

Enquanto observamos movimentos de retração em potências como os EUA, que reposicionaram o clima como uma variável de alta volatilidade política e retrocessos relevantes no debate ambiental, no Brasil (como no licenciamento), observo que o papel das empresas brasileiras torna-se ainda mais crítico e, paradoxalmente, vantajoso.

O custo da incerteza vs. a previsibilidade ESG

Foto: Canva Pro.

A reversão de políticas ambientais e o desmonte regulatório em grandes economias têm gerado um efeito colateral técnico: a redução da previsibilidade institucional. Para o mercado, isso se traduz em maior percepção de risco, impactando decisões de investimento e elevando custos associados a operações e ativos intensivos em carbono.

Com segurança, digo que manter-se ativo nas ações de sustentabilidade não é mais uma questão de “filantropia corporativa”, mas de gestão de riscos e de competitividade. Há anos constato que empresas que mantêm métricas claras e compromissos com a descarbonização garantem um horizonte de investimento mais estável em meio ao caos geopolítico. Quando o padrão regulatório mínimo enfraquece, o padrão exigido pelo mercado sobe — e cabe às empresas preencher esse vácuo com governança, rastreabilidade e integridade.

2026: o ano das barreiras e das oportunidades [comerciais]

Foto: Canva Pro.

Este é o ano em que mecanismos como o CBAM (Taxação de Carbono na Fronteira) e a EUDR (Lei Antidesmatamento da UE) entram em uma fase decisiva de implementação e aplicação.

Vantagem possível para o Brasil (desde que haja consistência e prova). Enquanto produtos de países que abandonaram metas climáticas podem sofrer sobretaxas, o Brasil, ao consolidar seu Mercado de Carbono (Lei 15.042/2024), oferece às suas empresas um “esforço de alinhamento regulatório” que pode ajudar a reduzir exposição e fortalecer a competitividade das exportações em mercados exigentes como o europeu.

Diferenciação no Agro

Neste setor, pontuo que o enfraquecimento de programas de conservação em outros mercados pode tornar o agro brasileiro — apoiado no CAR e no Código Florestal — mais competitivo em mercados que exigem rastreabilidade rigorosa.

O acordo Mercosul-UE como âncora estratégica

Foto: Canva Pro.

A recente assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia trouxe uma inovação jurídica a meu ver: o Acordo de Paris agora é um “elemento essencial” do tratado. Isso significa que a sustentabilidade está “ancorada” no comércio bilateral. Para as empresas, isso abre portas para cadeias de valor inter-regionais em setores de alta tecnologia, como hidrogênio verde, minerais críticos para baterias e biocombustíveis sustentáveis. E, nesse contexto, a reputação ambiental do país e a capacidade de comprovação das cadeias produtivas passam a pesar ainda mais.

O papel da liderança: complacência não é opção

Foto: Canva Pro.

Como bem pontuado no último Fórum de Davos, o custo da hesitação é sempre maior do que o custo da liderança. Pode anotar: empresas que retrocederem agora correm o risco de ficarem defasadas tecnologicamente, especialmente frente à rápida expansão de tecnologias limpas em mercados como o chinês.

Acompanhando há décadas este mercado, posso dizer que  caminho para 2026 é claro: a sustentabilidade é a nova métrica da eficiência operacional e da segurança jurídica. Manter o curso não é apenas “fazer a coisa certa”; é garantir que sua empresa seja vista como um parceiro confiável em cadeias e mercados cada vez mais exigentes e orientados por critérios de risco, rastreabilidade e transição climática.

Sua empresa está pronta para liderar nesta ruptura ou será apenas um espectador da nova ordem comercial?

Programa Peruaçu ganha identidade visual própria

O Programa Peruaçu inicia um novo capítulo em sua trajetória com o lançamento de sua própria identidade visual. Mais do que uma criação estética, a marca representa a consolidação da atuação do Instituto Ekos no Vale do Peruaçu e reforça nosso papel como parceiros de um território pulsante, guardião de saberes ancestrais, biodiversidade única e uma rede de comunidades que constroem, diariamente, um futuro mais sustentável.

Ao longo dos últimos anos, o Programa Peruaçu tem ampliado suas frentes de atuação, consolidando novas parcerias, desenvolvendo projetos inovadores e fortalecendo a participação local em iniciativas de conservação e geração de renda. Por isso, diante desse novo momento, o Instituto Ekos Brasil entendeu que era preciso uma identidade que traduzisse, visual e conceitualmente, essa transformação.

Uma marca que conecta natureza, território e ancestralidade

A espiral, símbolo do Ekos Brasil, permanece como elemento central da composição. Agora, porém, ela se entrelaça às referências das pinturas rupestres que marcam a paisagem do Vale do Peruaçu. Essas imagens milenares, reconhecidas por sua relevância arqueológica e estética, foram a inspiração para a nova identidade visual: uma marca que escuta o território e devolve a ele um gesto de respeito e continuidade.

A paleta de cores reforça essa ligação direta com o chão do Peruaçu. Tons ocres, terrosos e pigmentos naturais foram extraídos da paleta cromática das cavernas do parque, refletindo fielmente a matéria e a memória da região. O resultado é uma marca que não apenas representa o Programa, mas é acolhida pelo território.

Uma identidade criada com quem vive o Peruaçu

Reforçando o compromisso do Ekos Brasil com o desenvolvimento local, a nova identidade foi criada por um artista gráfico da própria região, o Bruno Cantú. A escolha destaca o protagonismo dos talentos locais. 

Para Jéssica Fernandes, coordenadora do Programa Peruaçu, essa conexão é essencial: “Queríamos que essa marca fosse um reflexo verdadeiro do território, não algo imposto de fora, mas algo que nasce daqui. Envolver um artista local foi fundamental para garantir autenticidade e para reforçar nosso compromisso com o desenvolvimento sustentável das comunidades que fazem do Peruaçu um lugar único.”

Uma marca-ponte

A identidade visual se apresenta como uma ponte entre o humano e a natureza, entre a ancestralidade e a ação presente, entre o conhecimento tradicional e as estratégias contemporâneas de conservação. Ela expressa o movimento contínuo do Programa, que se transforma sem perder suas raízes. 

Mais de 20 anos de presença e compromisso

O Ekos Brasil atua há mais de duas décadas na região, em parceria com comunidades, gestores públicos e instituições. A nova marca reafirma esse compromisso histórico e projeta o Programa para o futuro, fortalecendo o alinhamento entre propósito e atuação no território.

COP30: Ekos Brasil leva articulação, ciência e liderança feminina ao centro do debate climático

COP30: Ekos Brasil leva articulação, ciência e liderança feminina ao centro do debate climático

A COP30, realizada em Belém, marcou não apenas um momento crucial para o debate climático internacional, mas também o fortalecimento de vozes e iniciativas que conectam biodiversidade, justiça social e responsabilidade climática, ficando reconhecida como a COP mais diversa de todos os tempos. 

Nesse cenário, o Instituto Ekos Brasil teve participação ativa por meio da nossa diretora-presidente, Ana Moeri, que circulou entre a Blue Zone e a Green Zone articulando diálogos, moderando debates e reforçando a necessidade de integrar conservação e desenvolvimento sustentável. 

Ao longo da conferência, Ana Moeri moderou e participou de painéis estratégicos, como “Brazilian Citrus Program for Climate Adaptation” e Regeneração e Soluções Climáticas – O Potencial dos Biomas Brasileiros, ambos a convite da Citrosuco. “O Brasil tem um papel importante ao mostrar que regenerar áreas degradadas e adaptar paisagens produtivas é parte da solução global para o clima.”, disse. 

Já o painel “Boas Práticas Corporativas para as Pessoas, o Meio Ambiente e o Clima” no Planetary Embassy, além de moderado, também foi organizado por Ana e o Ekos Brasil, em parceria com a Universidade de St.Gallen. Uma boa diversidade de empresas, academia e organizações esteve presente, o que nos permitiu lançar bases sólidas para a construção da grade da Academia, unindo a experiência acumulada ao olhar voltado para os desafios que vêm pela frente.

Em suas intervenções, Ana ressaltou o papel do setor privado como agente essencial na construção de soluções de longo prazo.

“A transição climática acontece quando conseguimos trazer ciência, setor produtivo e comunidades para a mesma mesa. O trabalho do Ekos Brasil comprova isso. Em diversos projetos, vemos que é possível conciliar, de forma harmônica, produtividade e conservação”.

Nos corredores da conferência, sua participação foi marcada por encontros com lideranças governamentais, representantes da sociedade civil e pesquisadores. 

Um dos momentos mais simbólicos foi sua participação no painel “Mulheres na Conservação: guardiãs da natureza e da Ética do Cuidado”, realizado na Blue Zone. Ao lado de Ana Paula Chantre Luna, ministra do Ambiente de Angola, e de Sandra Regina Pereira, secretária de comunicação do CONFREM, Ana destacou projetos e pessoas liderados por mulheres no Ekos Brasil, que se destaca pelo protagonismo feminino.

“Cuidar da natureza é, historicamente, uma missão que muitas mulheres carregam no cotidiano, seja na gestão comunitária, na produção agrícola ou na liderança científica. Quando reconhecemos e incentivamos esse protagonismo, ampliamos nossa capacidade de responder à crise climática”.

Além das agendas formais, Ana participou de outros eventos e visitou o Museu Paraense Emílio Goeldi, numa imersão que, segundo ela, reforçou o sentido da conferência ter sido sediada na Amazônia. “Estar em Belém, rodeada pela potência cultural e ecológica da Amazônia, transformou a experiência da COP. Não falamos apenas de metas, falamos de vidas, de territórios, de um bioma que sustenta o clima do planeta”, completou. 

Museu Paraense Emílio Goeldi. Foto: Arquivo pessoal.

Projeto Florescer no Cerrado incentiva empreendedorismo feminino no Vale do Peruaçu

As mulheres têm um papel essencial na gestão dos recursos naturais, mas sabemos que ainda enfrentam barreiras para acessar espaços de liderança e oportunidades econômicas. Diante dessa realidade, o Instituto Ekos Brasil deu início ao projeto Florescer no Cerrado, com o intuito de apoiar empreendedoras no Vale do Peruaçu. 

O Florescer no Cerrado começou com um mapeamento dos negócios locais liderados por mulheres. O diagnóstico apresentou os desafios e lacunas que elas enfrentam no dia a dia. Esse documento também foi a base para a criação de uma jornada de apoio sob medida para fortalecer seus negócios e promover a inclusão feminina em decisões estratégicas e operacionais. 

“Acreditamos que as soluções mais transformadoras nascem da escuta e da participação ativa, por isso, as 30 mulheres selecionadas participaram da construção do curso”, explicou Camila Dinat, gerente técnica e novos negócios do Ekos Brasil que acompanha de perto o projeto. Agora, as empreendedoras se encontram mensalmente, desde maio, em encontros formativos que endereçam as demandas identificadas. 

No encontro de julho, as empreendedoras viveram uma experiência imersiva no comércio local de Januária (MG). Durante o tour, visitaram lojas, centros de artesanato e restaurantes. Puderam aprofundar conhecimentos sobre preços, produtos, perfis de público e diferenciais.  

Para Dinat, “foi uma oportunidade única de conhecer de perto o turismo regional com suas riquezas e desafios e ainda ter ideias para pensar seus próprios negócios como parte ativa dessa cadeia produtiva”. 

Já no encontro de setembro, participaram de uma oficina sobre Marketing Digital. Na ocasião, cada uma precisou confeccionar um post para divulgar seu trabalho no Instagram. E o Instituto Ekos Brasil fez questão de mostrar todos eles em seu perfil institucional. 

“A cada encontro, sentimos que damos mais um passo para a geração de renda e autonomia das nossas empreendedoras. É incrível vê-las florescendo juntas, com força, cuidado e propósito”

completou Dinat. 

O projeto será encerrado em dezembro, após um processo de mentorias individualizadas, onde cada mulher empreendedora irá desenvolver um plano de ação para seu empreendimento a partir dos conhecimentos gerados, buscando construir um caminho sólido até seu sonho.

O projeto Florescer no Cerrado conta com o suporte fundamental do SEBRAE local e é apoiado pelo CEPF e IEB.

Projeto Árvores do Rio Doce apresenta resultados preliminares no V Seminário de Pesquisa do PERD

O Parque Estadual do Rio Doce (PERD) convidou a equipe do Projeto Árvores do Rio Doce para participar do V Seminário de Pesquisa do PERD, realizado entre os dias 21 e 23 de outubro de 2025. 

O evento foi um importante espaço de encontro entre pesquisadores, gestores e instituições parceiras, voltado à discussão dos estudos científicos que vêm sendo desenvolvidos na unidade de conservação.

O projeto Árvores do Rio Doce: estudos ecológicos para conhecer e conservar espécies ameaçadas de extinção na Bacia do Rio Doce estuda espécies florísticas  ameaçadas da Bacia do Rio Doce, e tem como objetivo principal gerar informações científicas que subsidiem ações de conservação, manejo e restauração florestal na bacia, o que torna os resultados extremamente relevantes para a conservação da biodiversidade local e regional e para o PERD.

Durante o seminário, foram apresentados resultados relativos às respostas das espécies ameaçadas de extinção ao enriquecimento atmosférico de CO2, aumento de temperatura e restrição hídrica considerando cenários atuais e futuros de mudanças climáticas. 

As projeções revelam um panorama preocupante: 19 das 26 espécies avaliadas devem perder mais de 75% de suas áreas atualmente adequadas até 2050, sob pelo menos um dos cenários de aquecimento avaliados. Algumas das espécies-alvo apresentaram risco de extinção local, com áreas projetadas próximas a zero até meados do século. Por outro lado, algumas espécies mostraram maior resiliência, indicando manutenção ou expansão de suas áreas adequadas, possivelmente em função de maior plasticidade ecológica ou caráter pioneiro.

árvores do rio doce

Além da modelagem espacial, o projeto também apresentou resultados experimentais sobre o crescimento e a fisiologia de plantas de sete espécies arbóreas nativas ameaçadas, sob condições simuladas de elevação da concentração atmosférica de CO₂, aumento de temperatura e restrição hídrica. Esses experimentos permitem compreender como tais espécies respondem a mudanças ambientais em termos de crescimento, metabolismo, anatomia e funcionamento fisiológico, demonstrando que as mudanças climáticas não afetam significativamente a germinação das sementes, mas provocam impactos expressivos nas fases juvenis, quando alterações na temperatura e na disponibilidade de água podem comprometer o desenvolvimento e a sobrevivência das plantas. 

O Projeto Árvores do Rio Doce – Estudos Ecológicos para Conhecer e Conservar Espécies Ameaçadas de Extinção na Bacia do Rio Doce é gerido pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade – FUNBIO, com financiamento advindo do Projeto Biodiversidade do Rio Doce, e parceria com os pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa, Instituto Inhotim e Universidade de Salamanca (Espanha).

A participação no seminário representou uma oportunidade valiosa para compartilhar avanços científicos, fortalecer parcerias institucionais e discutir estratégias para a conservação da flora da região, reafirmando o papel essencial da pesquisa como base para a gestão e o planejamento ambiental.

Ekos Brasil leva experiência no Peruaçu ao IV Seminário Parcerias em Áreas Protegidas

O Instituto Ekos Brasil participou da mesa “Monitoramento de parcerias: estratégias e desafios no olhar dos parceiros”, durante o IV Seminário Parcerias em Áreas Protegidas, promovido pelo Observatório de Parcerias em Áreas Protegidas (OPAP)

Representados pela Jéssica Fernandes, coordenadora do Programa Peruaçu, apresentamos a experiência de atuação na APA e no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, destacando como a parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservacao da Biodiversidade (ICMBio) contribui para o fortalecimento do uso público, a conservação e o desenvolvimento territorial.

Levar o Peruaçu e o Cerrado ao centro das discussões sobre sobre áreas protegidas reforça nosso compromisso com a conservação da biodiversidade e a valorização dos territórios. 

Parcerias em Áreas Protegidas 01

Instituto Ekos Brasil marca presença no maior congresso mundial sobre conservação da natureza

O maior congresso do mundo sobre conservação da natureza começa esta semana, em Abu Dhabi. Realizado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), o evento acontece de 9 a 16 de outubro e reunirá tomadores de decisão dos setores público e privado, organizações da sociedade civil, povos indígenas e representantes do meio acadêmico, com o objetivo de avançar em agendas importantes para o desenvolvimento sustentável nos próximos anos.

O Instituto Ekos Brasil, organização membro da IUCN, também estará presente, representado por sua Diretora de Relações Institucionais, Maria Cecília Wey de Brito (Ciça Wey). Ciça, que atualmente preside o Comitê Brasileiro de Membros, está cotada para compor o Conselho Mundial da IUCN, representando a América do Sul. A eleição ocorrerá durante o Congresso, e os membros eleitos exercerão mandatos de quatro anos.

Ciça participará de oito painéis, sendo quatro deles realizados no Pavilhão Brasil. No primeiro, a experiência do Instituto Ekos Brasil será apresentada como uma das contribuições das organizações não governamentais brasileiras para o enfrentamento dos eventos climáticos extremos e da crise da biodiversidade.

“Outra presença marcante do Ekos acontecerá no painel sobre parcerias público-privadas, no qual apresentaremos os cases do Parna Peruaçu e do Parque Estadual do Rio Doce como bons exemplos de gestão de áreas naturais”

destacou Ciça.

Os demais painéis com participação do Ekos abordarão temas como a biodiversidade na América Latina, remoção de carbono e economia da floresta, além de um painel específico sobre a COP 30, entre outros.

Todos os detalhes e a programação completa do evento podem ser conferidos em: https://iucncongress2025.org/

Dia Mundial do Turismo: celebrando o Patrimônio Mundial Natural do Cânion do Peruaçu

No dia 27 de setembro, celebramos o Dia Mundial do Turismo, e neste ano, temos motivos especiais para festejar: além dos 26 anos do Parque, o Cânion do Peruaçu, localizado no interior do PARNA Cavernas do Peruaçu, foi oficialmente reconhecido como Patrimônio Mundial Natural pela UNESCO em 13 de julho de 2025!

Foto de aniversário do PNCP

A importância do reconhecimento e conservação da biodiversidade

Este reconhecimento de prestígio vai muito além de reconhecer a beleza cênica, a geologia e a importância cultural do nosso cânion. Ele é também um motor de turismo sustentável, mostrando que biodiversidade e áreas verdes geram renda quando valorizadas e visitadas de forma ordenada.

Caverna Janelão, Parque Nacional do Peruaçu, Minas Gerais, Brasil.

Com o reconhecimento da UNESCO, o PARNA Cavernas do Peruaçu ganha visibilidade global e poderá atrair visitantes do mundo todo, fortalecendo o turismo local e criando oportunidades para as comunidades locais e reginais.

A exemplo disso, em 2024, 3 dos 10 parques nacionais mais visitados do Brasil já possuíam este selo, prova do seu poder de atração:

• 2º Parque Nacional do Iguaçu

• 5º Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha

• 6º Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses  

O turismo em áreas protegidas é conservação que gera desenvolvimento!

Paisagem cárstica com cavernas colapsadas e dolinas – Vista da entrada da Caverna Janelão (em alemão, “Grande Janela”), Parque Nacional do Peruaçu, Minas Gerais, Brasil

Histórico de visitação no PARNA Cavernas do Peruaçu

Criado em 1999, o PARNA Cavernas do Peruaçu abriu suas portas para visitação oficialmente em 2017, mas desde 2014 já recebia pesquisadores nacionais e internacionais e estudantes das escolas locais. De acordo com gráfico abaixo, é possível observar que o número de visitantes vem aumentando ano a ano (com exceção de 2020 com a pandemia) o que demonstra o potencial turístico da unidade de conservação. Além disso, o aumento de visitantes tem fomentado a economia local, seja na geração de renda dos condutores, comércios locais e serviços hoteleiros. Até o mês de agosto deste ano, o Parque já recebeu mais visitantes que do ano de 2024.

Como visitar o PARNA Cavernas do Peruaçu?

Você sabia que o PNCP não cobra taxa de entrada? As visitações são guiadas por condutores locais credenciados pelo ICMBio. Essa iniciativa não só garante a segurança e a conservação do ambiente, mas também fortalece e fomenta a geração de renda para a comunidade local, promovendo um turismo sustentável e inclusivo.

Atrativos turísticos do PARNA Cavernas do Peruaçu

O parque conta com diversos atrativos turísticos e trilhas com diferentes graus de dificuldade. Além das trilhas você ainda encontra a Exposição Permanente que conta a história do parque e a trilha infantil para os pequeninos. Em breve teremos novos atrativos de aventura!

Além das trilhas você ainda encontra a Exposição Permanente que conta a história do parque e a trilha infantil para os pequeninos. Em breve teremos novos atrativos de aventura!

Planeje sua visita!

O Parque pode ser visitado de terça a domingo, das 8h às 18h, com entrada nos atrativos permitida até as 14h (exceto no Arco do André, até as 12h).

Para agendamentos e mais informações, você pode entrar em contato pelo e-mail cavernas.peruacu@icmbio.gov.br ou acessar as informações de visitação e dos condutores credenciados no site do ICMBio.

E você, já visitou o Peruaçu? Conte-nos sua experiência e o que mais te encantou!