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A planta da sua empresa em São Paulo recebeu uma notificação do órgão ambiental exigindo a investigação e potencial remediação de uma contaminação detectada no local, já afetando negativamente um corpo hídrico próximo à área da empresa.
Você, preocupado em solucionar a questão o quanto antes e evitar custos ainda mais altos à empresa, recorre ao seu colega da filial em Lima, também gestor ambiental e experiente em desafios envolvendo áreas contaminadas.
Porém, uma surpresa: as exigências legais, padrões de qualidade do solo e prazos que a empresa deve cumprir em Lima são consideravelmente diferentes daquelas apontadas pelo órgão ambiental em São Paulo. E, mais surpreendente ainda, podem diferir também das exigências aplicadas à filial na Bahia, especialmente quanto aos procedimentos, ao nível de detalhamento técnico e à forma de atuação do órgão ambiental, apesar de ambas estarem localizadas no Brasil.
Assim, você percebe que, ainda que a experiência e apontamentos de seus pares sejam extremamente bem-vindos, eles não serão suficientes para solucionar todos os seus problemas. E pior: a sua experiência, no futuro, não poderá resultar em um protocolo unificado da empresa para a América Latina, já que não há uma harmonização regulatória formal na região, apesar da existência de princípios técnicos comuns.
Indústrias dos mais diversos setores produtivos com presença em diferentes estados brasileiros e/ou países da América Latina sofrem desse mal – como não há uma regulamentação e normativas em comum, o trabalho dos gestores ambientais e das equipes de meio ambiente da empresa deve ser direcionado e específico ao estado ou região na qual a planta está localizada.
Isso significa trabalho redobrado, triplicado ou mesmo multiplicado pelo número de plantas e regiões cobertas pela empresa. E na prática, isso se reflete em custo.

A falta de uma harmonização regulatória também afeta negativamente os órgãos reguladores. Em algumas regiões, especialmente onde o tema ainda está em consolidação institucional, pode haver limitações em termos de treinamentos e ferramentas específicas para que os agentes ambientais possam executar suas atividades de forma consistente e eficiente.
Além disso, quando faltam valores orientadores de concentrações de contaminantes voltados especificamente para a região na qual a área de estudo está inserida, se torna necessário o uso de referências estrangeiras: as tabelas orientando o padrão de qualidade do solo desenvolvidas pela EPA (Environmental Protection Agency), dos Estados Unidos, por exemplo, ainda são frequentemente adotadas para diferentes áreas na América Latina.
Essa e diversas outras referências internacionais são excelentes tecnicamente, sem dúvidas, mas podem desconsiderar especificidades hidrogeológicas e pedológicas da região (ou seja: a referência desenvolvida para os Estados Unidos pode fazer muito sentido para os Estados Unidos, mas se encaixa 100% nas realidades e biomas dos países latino-americanos?).
Indo ainda mais a fundo (e talvez em um âmbito mais utópico), há também a falta de bases de dados unificadas que apoiem a troca de experiências inter-regional. Imagina que incrível: percebendo desafios similares enfrentados pelo órgão ambiental colombiano, agentes técnicos de Minas Gerais contatam os responsáveis pelo monitoramento e acompanhamento dessa(s) área(s) na Colômbia para entender quais técnicas foram utilizadas e quais foram as lições aprendidas envolvidas naquela área, tornando assim todo o processo mais eficiente.

Mais importante ainda: uma base de dados unificada e consistentemente atualizada também apoiaria tomadas de decisões dos governos federais, direcionando investimentos e políticas públicas para as áreas do país que mais contam com desafios envolvendo áreas contaminadas. Hoje, no Brasil, por exemplo, a maior parte das áreas contaminadas registradas encontram-se no estado de São Paulo – mas será que é porque o estado realmente enfrenta um maior desafio envolvendo essas áreas, ou por que talvez haja muita subnotificação em outros estados?
Não podemos, é claro, subestimar os desafios envolvendo uma padronização na legislação ou mesmo a unificação de bases de dados para áreas contaminadas. Muitos órgãos ambientais sofrem com a falta de recursos financeiros, de um número adequado de servidores, de treinamento direcionado ou mesmo uma soma de todos esses fatores. Além disso, há desafios e entraves políticos envolvidos nesse processo, o que por si só pode impedir o avanço de uma proposta dessa natureza.
Ainda assim, é válido questionarmos onde podemos começar a melhorar esse cenário. Ao invés de pensarmos em todos os impeditivos que potencialmente incidiriam sobre o objetivo maior (uma unificação regional de bases de dados para a América Latina, legislações estaduais e federais padronizadas que facilitem a troca de experiências ainda respeitando as particularidades de cada local, e referências adequadas às características de cada região), podemos entender o que leva à ausência de um melhor mapeamento de áreas contaminadas em cada região, e o que é necessário para superar essas barreiras. Podemos pressionar governos (federais, estaduais e até mesmo municipais) a priorizar a pauta ambiental, envolvendo também, é claro, a saúde e qualidade do solo e águas subterrâneas, potencializando investimentos e melhorando a governança nesse âmbito. Podemos proporcionar mais trocas de experiências e informações entre órgãos ambientais de diferentes localidades da América Latina, acelerando assim o crescimento do setor.
Uma harmonização regulatória e padronização de bases de dados não vai acontecer “do dia para a noite”; sobre isso, não há dúvidas. Porém, esse é um tema que pode e deve ser cada vez mais debatido no setor do Gerenciamento de Áreas Contaminadas, e que merece uma atenção especial de todos os atores envolvidos no setor.
Em 27 e 28 de janeiro, o Instituto Ekos Brasil esteve em Trinidad e Tobago, na University of West Indies (UWI) – St. Augustine, para participar de um workshop organizado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) sobre o tema “Análise e mitigação da poluição do solo em plantações de cacau na América Latina e no Caribe”. Ana Cristina Moeri, nossa diretora-presidente, Luciana Ferreira, secretária executiva da rede NICOLE Latin America, e Sasha Hart, presidente do setor acadêmico da rede NICOLE e consultor do projeto, representaram a nossa organização.
“O evento envolveu um grande número de especialistas de diversas nacionalidades comprometidos com boas práticas para a mitigação da poluição do solo. E o Ekos Brasil, em parceria com a rede NICOLE Latin America e a rede NICOLE, na Europa, levou sua contribuição de alto nível para duas regiões produtoras de cacau: Trinidad e Tobago e o sul da Bahia”
destacou Luciana.
No primeiro dia, Brasil, Colômbia, Equador, Venezuela, Jamaica e Trinidad e Tobago se revezaram em apresentações de projetos que englobam medidas de redução de riscos para a produção segura de cacau, considerando especialmente o potencial de contaminação do solo por metais pesados nestas áreas. Sasha Hart apresentou os resultados preliminares do projeto do Ekos Brasil para a FAO, incluindo os resultados já obtidos nas amostragens para Trinidad e Tobago, bem como os próximos passos e recomendações. Já Ana Moeri mostrou as impressões iniciais, informações obtidas e os próximos passos e recomendações para o projeto no sul da Bahia.
No segundo dia, o diálogo foi dedicado às estratégias para remediação da poluição do solo, com o protagonismo de Lucia Buve (NICOLE; NICOLE Foundation), Sasha Hart (Instituto Ekos Brasil; NICOLE Latin America) e Ruth Pereira (Universidade do Porto), esta última com apresentação virtual.
Por fim, de forma complementar a este evento, no dia 29 de janeiro também ocorreu uma ação do “Soil Doctors Programme”, um programa da FAO voltado a capacitar produtores (fazendeiros) quanto à gestão sustentável do solo. Essa ação, em particular, foi direcionada especialmente aos produtores de Trinidad, incluindo produtores de cacau, além de outros cultivos. Neste terceiro dia, participou da equipe Ekos apenas Sasha Hart, apoiando a ação.
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Parque Nacional Cavernas do Peruaçu pode ser declarado Patrimônio Mundial Natural pela UNESCO
Por Dra. Adriana C. Velosa, Instituto de Ciências Ambientais, Químicas e Farmacêuticas, UNIFESP-Diadema (acvelosa@gmail.com)
Substancias alquílicas poli e perfluoradas (PFAS) são compostos químicos sintetizados pelo homem e incluem mais de 4 mil diferentes compostos. Tais substâncias possuem como característica química uma cadeia carbônica parcial ou completamente saturada por átomos de flúor, podendo ser ramificada ou linear, sendo representada pela formula química F(CF2)n-R, onde o grupo R representa a parte hidrofílica da molécula. Os ácidos perfluoroalquilicos (PFAAs) constituem-se nos mais comuns e ambientalmente importantes representantes dos PFAS, sendo classificados como ácidos sulfônicos, quando o grupo R é igual a -SO3H, ou ácidos carboxílicos, quando R é igual a -COOH. Os ácidos perfluorooctanóico (PFOA) e perfluorooctanossulfônico (PFOS) são os compostos mais comumente encontrados no meio ambiente. Devido às suas características hidrofóbicas e lipofóbicas, os PFAS são amplamente utilizados como substâncias antiaderentes e em espumas de combate a incêndio, sendo encontrados em concentrações da ordem de ppt (ng/ L) em corpos d’água em todo o mundo. Suas características físico-químicas dependem tanto do comprimento de sua cadeia carbônica quanto do grupamento funcional presente nela, sendo que compostos de cadeia longa (com 8 ou mais átomos de carbono) são mais lipofílicos e quimicamente inertes, enquanto que os de cadeia mais curta são mais solúveis em água e menos propensos a adsorção sendo, portanto, mais móveis no ambiente. A degradação química dos PFAS é bastante dificultada devido à força da ligação C-F, o que leva ao uso de técnicas de adsorção, como em carvão ativado, por exemplo, como solução para a remoção de tais compostos de águas superficiais ou subterrâneas. Neste trabalho foram investigados os efeitos de íons comumente presentes em águas subterrâneas, assim como a presença de matéria orgânica, nas isotermas de adsorção de diferentes PFAS a um carvão ativado coloidal (CAC) usado na formação de barreiras reativas.
O CAC utilizado tem tamanho médio de 500 nm, PI = 4,5, PCZ = 9,5 e foi fornecido pela INTRAPORE (Alemanha). Ao comparar-se a eficiência de adsorção de acordo com o PFAS testado, observou-se que quanto maior o tamanho da cadeia carbônica, maior a afinidade pelo carvão, independentemente da cadeia ser linear ou ramificada (Tabela 1). Observou-se também que compostos com grupo R igual a -SO3H (PFBS) adsorvem mais do que os com grupo R igual a -COOH (PFBA).


Um parâmetro extremamente importante no processo de sorção dos PFAS em CAC é a força iônica, uma vez que propomos um modelo conceitual no qual os compostos de cadeia curta são adsorvidos em microporos mais internos, via interação eletrostática nos sítios básicos, enquanto os compostos de cadeia longa são adsorvidos tanto por ação eletrostática quanto por forças de van der Waals, na superfície mais externa. O efeito da força iônica também é importante para se prever o comportamento de barreiras reativas em áreas costeiras, com ação da água do mar nos aquíferos. Como pode ser observado na figura 1, conforme aumenta-se a força iônica e, portanto o Cl–, ocorre uma menor adsorção para compostos de cadeia mais curta pela competição com o ânion cloreto pelos sítios positivos internos. Compostos de cadeia mais longos, no entanto, não demonstram o mesmo comportamento.

O efeito da matéria orgânica dissolvida (DOM) também foi avaliado usando-se para tanto compostos modelo de massa molecular conhecida. Observou-se que embora nenhum efeito na adsorção tenha sido observado pela presença de qualquer DOM na concentração de 1mg/ L, a DOM de menor massa molecular reduz significativamente a capacidade de adsorção do CAC quando em concentrações tão altas quanto 10 mg/L, sendo o efeito inversamente proporcional ao tamanho da cadeia carbônica do PFAS.

Usando-se um modelo de transporte reativo simulou-se ainda o tempo de saturação de uma barreira permeável feita de CAC, nas diversas condições geoquímicas avaliadas em batelada, obtendo-se um tempo de saturação 1000 vezes menor para PFBA quando comparado ao PFOA. Observou-se ainda que a longevidade da barreira pode ser bastante reduzida ao se ter condições de alta força iônica e/ ou alta concentração de DOM, demonstrando a importância de se levar em consideração a composição da água subterrânea para o sucesso do processo de remediação.
Para maiores detalhes acesse:
MOLE, R. A., VELOSA, A.C. CAREY, G. R., LIU, X., LI, G., FAN, D., DANKO, A. and LOWRY, G.V. (2024) Groundwater solutes influence the adsorption of short-chain perfluoroalkyl acids (PFAA) to colloidal activated carbon and impact performance for in situ groundwater remediation. J. Haz. Mat. 474, 134746. https://doi.org/10.1016/j.jhazmat.2024.134746
Interessou-se pelo tema?
O Instituto Ekos Brasil tem vasta experiência na elaboração de Avaliação de Impactos Ambientais (AIA). Somos frequentemente procurados para atender a essa demanda de diferentes tipos de organizações, sejam públicas ou privadas. Mas, o que é uma Avaliação de Impactos Ambientais? Quando preciso de uma? Para quê serve?
Antes de começar a responder a essas e outras perguntas, é importante entender o que são impactos ambientais. De acordo com o Conselho Nacional do Meio Ambiente, impactos ambientais são “alterações das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam a saúde, a segurança e o bem-estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota, as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente e a qualidade dos recursos ambientais”.
Desastres naturais ou antrópicos geram diversos tipos de impactos adversos que precisam ser devidamente identificados, avaliados e reparados. E é a Avaliação de Impactos Ambientais que avalia a alteração da qualidade ambiental – numa primeira camada da análise – e também se esta alteração é positiva, negativa, qual a sua abrangência e significância. Em resumo, a AIA indica as consequências de um determinado impacto para o meio ambiente, auxiliando no planejamento, na prevenção e na reparação ou compensação de uma área.
Geralmente, as AIA fazem parte de um estudo maior, chamado de Estudo de Impacto Ambiental, que verifica de forma multidisciplinar os aspectos físicos, biológicos e socioeconômicos de uma área.
E quais são os tipos e métodos de AIA?
Existem os estudos de impacto ambiental “ex ant” e “ex post”. No primeiro caso, são estudos , ligados a licenciamento de empreendimentos e auxiliam na prevenção dos impactos decorrentes da implantação de um determinado empreendimento, assim como indica ações de reparação, mitigação e compensação desses impactos. Já no segundo caso, são estudos como os que foram conduzidos após o rompimento da barragem de Fundão, onde o impacto já aconteceu. Neste contexto, servem para avaliar os efeitos e a significância do ocorrido para propor a reparação, mitigação e compensação ambientais.
Para mensurar tais impactos é essencial o emprego de técnicas ou métodos de avaliação que visam identificar, avaliar e sintetizar os impactos de um determinado projeto ou programa.
Dentre as opções, destacam-se estas linhas metodológicas para a avaliação de impactos ambientais: Métodos Espontâneos (Ad hoc), Listagens (Check-List), Matrizes de Interações, Redes de Interações (Networks), Métodos Quantitativas, Modelos de Simulação, Mapas de Superposição (Overlays) e projeção de cenários.
Apesar de existirem diversas leis e regulamentos que regem o uso da Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) no contexto de projetos sujeitos a licenciamento ambiental, não existe qualquer base regulatória para o uso da AIA em avaliações ex-post de desastres.
Dada a falta de base legal e padronização, a identificação e a reparação de impactos de desastres costumam se dar de maneira ad hoc (em conjunto com especialistas preparados e habilitados para a missão específica), com reflexões sobre as particularidades políticas e institucionais das jurisdições afetadas.
Onde as AIAs são necessárias?
Usualmente, as AIA são necessárias em projetos de desenvolvimento urbano, empreendimentos industriais e de infraestrutura, como por exemplo loteamentos, hidrelétricas, aterros sanitários, rodovias, oleodutos, minerações, estações de tratamento de esgotos, dentre outros. E servem especialmente para apoiar tomadas de decisão, tornando as ações mais assertivas, reduzindo custos e adequando-as às leis e regulamentos ambientais.
O Ekos Brasil executou entre os anos de 2018 e 2021 diversos estudos de Impactos Ambientais nas Unidades de Conservação do Rio Doce no contexto do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana.
Os estudos buscaram identificar quais impactos afetaram positiva ou negativamente as UCs, bem como mensurar a significância, a magnitude, a persistência e outros parâmetros do impacto. Todo este trabalho foi um subsídio importante para a elaboração de Planos de Ação da reparação do rio Doce.
Entre em contato com o Ekos Brasil e saiba mais sobre nossa experiência em Avaliação de Impactos Ambientais.