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A fim de criar oportunidades de colaboração para os desafios únicos de terra contaminada da África, além de capacitar práticas de remediação sustentáveis e reunir especialistas de todo o mundo para ampliar os horizontes da remediação sustentável e do manejo da terra, ocorreu nos últimos dias 3 e 4 de novembro a Conferência SUSTREM 2021.
Uma das atrações do evento foi o Workshop de Remediação Sustentável – Soluções no espírito do “Ubuntu”, que contou com a participação de Ana Moeri, Luciana Ferreira e Dr. Sander Eskes, trio do Instituto Ekos Brasil. Também estiveram presentes o Dr. Olivier Maurer, da rede NICOLE América Latina; Fatima Shaik, da Associação de Indústrias Petrolíferas da África do Sul (South Africa Petroleum Industry Association – SAPIA); e Dra. Ola Akinshipe, do programa de “Estratégia Nacional de Gestão do Amianto da África do Sul” (National Asbestos Management Strategy – NAMS).
Um dos pioneiros na área de remediação de solo e água subterrânea, Dr. Sander Eskes nos conta que durante as discussões descobriram muitas semelhanças entre o projeto de Jurubatuba, do Ekos Brasil, e a abordagem da SAPIA. Entre elas:
Já a participação do NAMS rondou em seu objetivo principal: garantir a gestão sustentável integrada do amianto e facilitar a redução dos riscos de exposição desse composto ao meio ambiente e aos seres humanos.
“Também durante essa apresentação, foram compartilhadas lições valiosas que podem ser aplicadas ao caso de Jurubatuba, como a forte ênfase na educação e na conscientização das comunidades afetadas pelo problema (começando nas escolas primárias) e a criação de parcerias público-privadas para financiamento regional e nacional do programa”, compartilhou o Dr. Eskes.
Atualmente, são muitas as tecnologias existentes que podem ser empregadas para a remediação de áreas contaminadas. Profissionais experientes no setor sabem que não existe uma única técnica ideal para todos os desafios encontrados no gerenciamento de áreas contaminadas: cada caso é único em suas características geológicas, hidrogeológicas, climáticas, geográficas e sociais, além de que fatores como o histórico de uso do solo da área estudada e, claro, os contaminantes de interesse nela encontrados constituem apenas algumas das “peças” do quebra-cabeças que devem ser consideradas para que seja possível a tomada de decisão acerca de qual a melhor técnica de remediação a ser adotada (ou combinação destas).
Como exemplos de técnicas comumente utilizadas, podemos citar a biorremediação, a técnica pump and treat (bombeamento e tratamento), a retirada de vapores do solo, a oxidação química e a aplicação de barreiras reativas. Esta lista, porém, está longe de ser exaustiva, especialmente considerando que novas tecnologias e diferentes formas de aplicação de metodologias já conhecidas surgem constantemente neste mercado em ininterrupta evolução.
Dentre as técnicas existentes, entretanto, há uma popular forma de distinção entre o local de sua aplicação: algumas destas mencionadas acima (e muitas outras) são consideradas técnicas in situ, ou seja, aquelas em que o tratamento da contaminação ocorre na própria área de estudo, sem que haja remoção do material contaminado para tratamento. Um ótimo exemplo de técnica in situ é a aplicação de barreiras reativas permeáveis (BRP) em locais específicos da área a ser tratada. A técnica se baseia, de forma bastante simplificada, na passagem do fluxo de água subterrânea contaminada por uma superfície permeável que proporciona reações químicas que atenuam sua carga de contaminantes. Todo o processo ocorre, portanto, no próprio local de estudo, ou seja, na área contaminada a ser tratada.
Já as técnicas ex situ são aquelas em que o material contaminado é levado para outro local para tratamento. Pode ser o caso, por exemplo, da técnica de lavagem do solo (soil washing), utilizada normalmente em casos envolvendo solos com uma concentração muito alta de contaminantes. Neste caso, o solo é retirado mecanicamente da área de estudo, tratado em local adequado e, então, devolvido ao local de origem.
Com o aumento das preocupações do mercado em relação à sustentabilidade nos processos – incluindo, claro, os processos de remediação de áreas contaminadas -, tem havido nos últimos anos uma preferência à aplicação de técnicas in situ, já que estas não implicam no transporte de materiais para fora da área de estudo, poupando o projeto de possíveis impactos como a emissão de gases de efeito estufa (gerado por caminhões executando o transporte dos materiais contaminados, por exemplo). Não há uma “receita de bolo” para esse processo, entretanto: cada área deve ser devidamente estudada e as técnicas viáveis de aplicação devem ser individualmente avaliadas em suas vantagens e desvantagens, para que então possa ser determinada aquela que garantirá os melhores benefícios (sociais, ambientais e econômicos) ao projeto.
Perante temas ambientais que estão em grande destaque nos momentos atuais, a economia circular se mostra uma grande aliada em diversas frentes e traz soluções eficazes e inteligentes para diversos processos, desde a fase inicial (design/escopo) de um projeto, até sua fase final. O conceito “circular” pode, por muitas vezes, causar estranheza e dificuldade de implantação quando falamos de remediação de áreas contaminadas, mas, neste texto, vamos abordar um pouco como esses dois temas podem e devem andar juntos.
Afinal, o que é economia circular? A economia circular é uma alternativa que busca redefinir a noção de crescimento, que visa beneficiar toda a sociedade. Isto envolve dissociar a atividade econômica do consumo de recursos finitos e eliminar resíduos do sistema por princípio. Apoiada por uma transição para fontes de energia renovável, o modelo circular constrói capital econômico, natural e social baseando-se em três princípios:
Em uma economia circular, a atividade econômica contribui para a saúde geral do sistema. O conceito reconhece a importância de que a economia funcione em qualquer escala – para grandes e pequenos negócios, para organizações e indivíduos, globalmente e localmente. Em termos práticos, o conceito envolve a otimização do ciclo de vida de produtos e serviços, onde buscam-se matérias primas dentro do próprio sistema e evitam-se desperdícios.
A transição para uma economia circular não se limita a ajustes visando a reduzir os impactos negativos da economia linear. Ela representa uma mudança sistêmica que constrói resiliência em longo-prazo, gera oportunidades econômicas e de negócios, e proporciona benefícios ambientais e sociais.
Remediação, como já tratamos em textos anteriores, consiste em reduzir os teores de contaminantes a níveis seguros e compatíveis com a proteção à saúde humana, seja impedindo ou dificultando a disseminação de substâncias nocivas ao ambiente.
O SuRF UK define que a remediação sustentável é uma solução ou combinação de soluções cujo benefício líquido para a saúde humana e o meio ambiente é maximizado pelo uso criterioso de recursos limitados. Para conseguir isso, adota-se abordagens sustentáveis para o processo de remediação, fornecendo um benefício líquido para o meio ambiente. São elas (SURF UK):
O intuito de unir economia circular e os métodos e princípios da remediação sustentável se baseia no objetivo de extrair o melhor das duas metodologias e transformar ambientes, cidades, processos e sistemas. Para tanto, é necessário que os projetos estejam sempre alinhados aos princípios sustentáveis e visem, portanto, uma sociedade mais ambientalmente, economicamente e socialmente integrada e desenvolvida.
Um exemplo que une o uso da descontaminação em prol social é a Ostara. É um estudo de caso em escala urbana que trata os efluentes para recuperação de nutrientes e produção de fertilizantes. Através da tecnologia Pearl®, a empresa canadense remove o fósforo, nitrogênio e magnésio de resíduos líquidos industriais, agrícolas e municipais para produção de grânulos fertilizantes concentrados. Depois do processo de cristalização, esses grânulos são coletados, secos, empacotados e distribuídos. Diferente dos produtos convencionais ativados por água, o fertilizante da Ostara só libera o fósforo quando entra em contato com secreções de ácidos orgânicos das raízes das plantas – sinal de que elas precisam do nutriente. Essa solução demonstra como é possível fechar o ciclo de nutrientes biológicos, purificar as águas e aumentar o rendimento agrícola com uma mesma solução, exemplificando o grande potencial das cidades na economia circular.
Em março de 2020, a rede NICOLE Latin America realizou em São Paulo um workshop sobre economia circular e remediação sustentável, onde profissionais do setor ambiental debateram a possibilidade da remediação e aproveitamento de áreas contaminadas para uso e desenvolvimento social e econômico. O evento contou com bastante participação e interesse do público, o que reflete a relevância atual do tema.
De forma a ilustrar estes conceitos, pode-se utilizar como exemplo hipotético uma extensa área que serviu por muitos anos como sede de uma grande indústria. Nesta área, as atividades industriais causaram muitos danos ao solo ao longo dos anos, o que tornou o local inviável para utilização segura para fins futuros. Em casos como este do exemplo, a junção entre técnicas de remediação sustentável e um design circular bem arquitetado pode ser a chave para a recuperação da região, tornando-a segura do ponto de vista ambiental e de saúde. O emprego de um design circular de reaproveitamento e reurbanização da área pode acarretar no desenvolvimento da economia e sociedade no entorno da região, o que consequentemente gera também uma valorização econômica.
Assim, pode-se dizer que a economia circular envolve todo um conjunto de atores da sociedade empenhados em promover a transição em larga escala, trabalhando de forma colaborativa rumo à prosperidade socioeconômica, ao mesmo tempo em que respeitam os limites naturais do planeta. Transformar a sociedade atual em um sistema circular é uma agenda necessária e básica, para que bons frutos sejam colhidos no futuro.
O State of Voluntary Carbon Markets certamente é um dos relatórios mais tradicionais e mais aguardados do setor do Mercado Voluntário de Carbono, anualmente. E em 2021 ele veio trazendo boas notícias.
Em relação a 2020, os mercados voluntários de carbono já apresentaram um aumento de quase 60% em valor nos oito primeiros meses de 2021. Um reflexo da corrida global por emissões líquidas zero no intuito de alcançar as metas do Acordo de Paris até 2030.
E o relatório anuncia um possível recorde, em breve. “Os mercados estão a caminho de atingir US$ 1 bilhão em transações este ano se os atuais níveis de atividade e crescimento continuarem. Não são apenas as empresas que estão comprando créditos de carbono como parte de suas estratégias corporativas. Há um aumento de especuladores comprando créditos. O valor combinado desses negócios está se tornando uma fonte séria de financiamento para projetos verdes em todo o mundo”, disse Stephen Donofrio, principal autor do relatório e diretor do Ecosystem Marketplace, em comunicado divulgado à imprensa.
A compensação por meio do mercado voluntário de carbono tem sido demandada especialmente por empresas do setor de energia, bens de consumo, finanças e seguros, já que boa parte de suas emissões são provenientes de infraestrutura e processos de base tecnológica, mais morosos para reais mudanças na diminuição de emissões. A compensação acaba, portanto, se tornando uma ótima opção para redução imediata das emissões líquidas, enquanto se empenham em encontrar outras soluções para as demais emissões.
Toda essa demanda e a baixa oferta de créditos elevou consideravelmente os preços dos créditos nos últimos anos. Para se ter uma ideia, o valor da tonelada de créditos de carbono de projetos florestais e de uso da terra que removem ou reduzem emissões da atmosfera passou de US$ 4,33 em 2019 para US$ 5,60 em 2020 e agora está em US$ 4,73. Já os preços de créditos provenientes de projetos de descarte de resíduos e de fogões limpos também apresentaram altas consideráveis, de 42% e 16% respectivamente.
De acordo com o relatório, América Latina, África e Ásia continuam sendo os maiores provedores de créditos de carbono para o mercado voluntário.
Nessas regiões, os projetos de soluções baseadas na natureza (NBS) são o grande destaque. Ainda de acordo com o State of Voluntary Carbon Markets 2021, 58% dos créditos comercializados foram provenientes de projetos NBS, sendo 71% desses da categoria REDD+.
Outro dado interessante aponta que mais de 60% dos créditos comercializados para a Europa e Estados Unidos eram certificados, ou seja, estavam atrelados a cobenefícios sociais entregues às comunidades no entorno do projeto, como geração de renda alternativa, educação, cultura, esportes, etc.
A alta demanda por projetos de REDD+ e com certificação é um ótimo sinal para o Brasil que tem um mercado voluntário maduro e promissor, com desenvolvedores de projetos comprometidos com o desenvolvimento sustentável.
É esse o caso do Programa Compromisso com o Clima, apoiado por grandes empresas brasileiras com a gestão do Instituto Ekos Brasil. O programa contempla uma plataforma, a Ekos Social, que torna simples e segura a comercialização de créditos de carbono certificados para compensação de emissões.
Traga a sua empresa para o Compromisso com o Clima!

“Sem vínculo das crianças com a natureza não há conexão, portanto as Unidades de Conservação devem ser ambientes que forneçam experiências agradáveis para as famílias”
Gestora de projetos em Áreas Protegidas, bióloga, mãe de dois filhos e há mais de 20 anos no setor ambiental, Erika Guimarães é entusiasta da relação criança e natureza, e aceitou o convite para conversar com o Instituto Ekos Brasil a respeito da temática. Apesar da vasta experiência, foi na maternidade que Erika se viu envolvida pela importância das Unidades de Conservação para o crescimento cognitivo, físico e emocional das crianças. Com a curiosidade aguçada, começou a estudar e compreender de que forma a natureza é capaz de transformar a vida dos pequenos.
A falta de vivência do ambiente natural é um dos maiores desafios atuais da sociedade, afirma a bióloga. De acordo com a UNICEF, 55% das crianças do mundo estão separadas da natureza e experimentam a falta de contato com a flora e a fauna no dia a dia, já que a maioria das crianças vive em áreas urbanizadas, dentro de apartamentos, convivem nas escolas com grama sintética e passam a maior parte do tempo em frente às telas. “O fato de ter contato com a natureza nos dá o vínculo com ela e sem vínculo você não tem conexão.”

Se a falta de vivência impede a conexão da criançada, ela também pode reduzir de forma significativa a compreensão de pertencimento ao meio ambiente. Para aperfeiçoar essa relação, enquanto mãe, Erika percebeu ao longo dos anos que o importante é começar este contato por onde é possível.
“Caso tenha uma pracinha perto da sua casa, leve a criança para colocar o pé na areia, se sujar e brincar com a terra. Depois amadureça essa relação levando-a em um parque da cidade quando for possível e logo, quem sabe durante as férias escolares que se aproximam, uma Unidade de Conservação seja um espaço excelente para ela descobrir a grandeza da natureza e criar memórias que levará para sempre.”
Ela retrata que neste período de pandemia, uma das conclusões que podemos tirar é que estamos mais seguros em ambientes abertos do que dentro de uma sala fechada. Então, uma boa maneira de incentivar as crianças que tenham dificuldades em se aventurar nos ambientes naturais é fazer piqueniques ou festas de aniversários em parques.
“A lembrança que ela terá naquele espaço será guardada para sempre. Por exemplo, recentemente levei meu filho, hoje com 12 anos, para o parque onde celebramos seu aniversário de seis anos. Quando chegamos lá, ele me olhou e disse ‘como as pedras e o rio diminuíram!’. Cada vez que ele visitar aquele espaço terá uma nova experiência, mas aquele momento, quando pequeno, ele não irá esquecer. Então, coloque sua máscara, chame os amigos e leve os pequenos para uma nova aventura.”
Por fim, durante nossa conversa, Erika comenta que muitas famílias urbanas têm medo da natureza e que, portanto, é preciso que as Unidades de Conservação, as maiores áreas naturais protegidas, sejam ambientes acolhedores para as famílias e onde as pessoas possam viver uma experiência agradável.
Para isso, ela formula três orientações importantes para gestoras e gestores dessas áreas:
“Costumo dizer que nossa sociedade não é muito tolerante com as crianças, porque criança fala alto, mexe nas coisas, então a primeira coisa é lembrar que você já foi criança, que há um potencial muito grande em ser criança.
“Não precisa ser muita coisa, mas por exemplo ter um espaço de piquenique no parque, onde as pessoas possam esticar sua toalha e fazer um lanchinho ou uma festa de aniversário. Muitas vezes a pessoa chega até o parque por aquele convite de festas de aniversário e começa a conhecer a área e quer retornar!”
“Direcionar projetos para, por exemplo, um dia da semana a escola abrir mão da sala de aula e se lançar no espaço aberto, como um laboratório, um espaço de aprendizagem ativa na natureza. Então fazer essas parcerias e mostrar para os outros que os parques estão abertos para todos os públicos, não só aqueles montanhistas, os aventureiros, mas também para os idosos, para as crianças e suas famílias.”
Recordar da potência de ser criança e como a natureza acompanha as transformações da nossa vida podem ser os primeiros passos para conscientizar as pessoas sobre a importância de preservar o meio ambiente e criar espaços acolhedores todos, em especial para o nosso futuro: as crianças.
Berço das águas e coração do país, quem vive no Cerrado sonha com um Brasil que zele pela vida que brota do bioma.
“Acho que minha história mais forte com o Cerrado é a de viver nele, de conviver com ele”. Nas palavras de Adalberto Gomes dos Santos, agricultor extrativista e Diretor da Coopcerrado, encontramos a proximidade, beleza e simplicidade de quem reconhece que não há palavras tão grandiosas para descrever o berço das águas brasileiras e o coração do nosso país: o Cerrado.
Para termos uma dimensão de sua grandeza, oito das 12 principais regiões hidrográficas do Brasil têm suas nascentes no bioma. E como se já não bastasse para ilustrar sua singular importância, dele surgem as nascentes dos rios que formam o Pantanal, o “reino das águas”.
Então, não é à toa que Adalberto, que vive no e do Cerrado, especificamente no município de Lassance, centro de Minas Gerais, diz que “ele é a caixa d’água do nosso país”.

Adalberto Gomes dos Santos, agricultor extrativista e Diretor da Coopcerrado.
Além da riqueza de belezas naturais – reflexos da diversidade de frutas, plantas, animais, veredas e grandes rios – a região proporciona às pessoas que vivem nele fortunas grandiosas de culturas, saberes e sobrevivência usando os recursos naturais sem destruir e, nas palavras do agricultor, “até multiplicando-os.”
“O Cerrado é de uma riqueza que o seu povo não conhece, só aqueles que vivem nele que conhecem um pouco, não tudo. Mas o Brasil precisava conhecer para valorizá-lo mais e saber o quanto ele é importante para o planeta.”
Para ele, viver da terra o fez conhecer este gigante das águas, defendê-lo, enxergar tantos recursos, belezas e qualidades, e ter um olhar especial também à natureza como um todo. Hoje, Adalberto enxerga que o maior desafio para quem vive na região é mantê-la de pé, já que poucas são as iniciativas que defendem e preservam o bioma.
Entretanto, para o futuro, tem a expectativa de que a sociedade conheça seu valor e a sua importância. “E que tenhamos políticas públicas que consigam defender esse bioma tão importante para a humanidade”, acrescenta com esperança.
São histórias de pessoas como Adalberto que nos fazem acreditar que temos apoiadores em todos os cantos. O Instituto Ekos Brasil atua para que o nosso país zele e preserve a vida que brota do Cerrado.
“O Brasil está no coração do mundo e eu vou trabalhar para que ele esteja no coração da IUCN”. Essas são palavras de Razan Al Mubarak, nova presidenta da União Internacional para Conservação da Natureza (UICN), eleita na tarde do dia 08 de setembro.
Representante dos Emirados Árabes, é a segunda mulher a assumir a presidência da IUCN em 14 mandatos e 73 anos de instituição. A presidenta venceu as eleições com 69% dos votos dos governos e 63% das organizações da sociedade civil e se mostrou entusiasmada com as propostas apresentadas pelos membros brasileiros.
Tanto que, ao ouvir a proposta de que o Brasil seja o país sede de um dos Congressos Mundiais da UICN, sugeriu que o pontapé seja a realização de uma das reuniões com os conselheiros da UICN.
Uma carta aberta foi entregue por membros do Comitê Brasileiro da União Internacional para Conservação da Natureza para candidatos à presidência do International Union of Conservation of Nature (IUCN), durante o Congresso Mundial de Conservação da Natureza de 2021.
O documento levado no último dia 04 de setembro apresenta o escopo de ações que devem ser promovidas e apoiadas pelo Comitê Brasileiro de Membros da IUCN, além de parceiros durante o Congresso. Para Ciça Wey, responsável por relações institucionais e coordenação de projetos do Instituto Ekos Brasil e que acompanhou este movimento, este é um momento importante para que haja o fortalecimento das redes de cooperação do comitê, em especial membros da IUCN em todo o mundo.
Assinam a Carta as organizações que são membros do Comitê Brasileiro da IUCN: Arpemg, Apremavi, CEPAN, CI – Conservação Internacional, Direito por um Planeta Verde, Ecoa, Ekos, Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, FVA – Fundação Vitória Amazônica, IDESAM, Imaflora, Instituto Mamirauá, IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, ISPN, Renctas, Save Brasil, Sociedade Civil Mamirauá , WCS e WWF. Ela está disponível em português, inglês, francês e espanhol.
Com a meta de conservar o meio ambiente e promover soluções para desafios globais a partir de recursos naturais, o evento é realizado de quatro em quatro anos e atrai desde líderes e povos indígenas, até membros da sociedade civil e tomadores de decisão do governo.
Para abordar diferentes debates, o congresso é dividido entre Fórum (centro de debates públicos) e Assembleia de Membros (órgão tomador de decisões da sigla).
O evento 2021, que aconteceria em julho de 2020, é promovido pela União Internacional de Conservação da Natureza e pelo Governo francês, além do apoio de parceiros internacionais. Devido a continuação da pandemia da Covid-19, o Congresso foi repassado para o modelo híbrido e acontece entre os dias 03 e 11 de setembro.
Em ritmo de final de ano, o Programa Compromisso com o Clima divulga os resultados do edital de 2021.
No encerramento desta edição, alcançamos a marca de 32 projetos inscritos e 18 projetos cadastrados, que dispunham de 2,8 milhões de créditos disponíveis para comercialização na Plataforma Ekos Social – 800 mil a mais do que no último ano. As iniciativas trabalham com diferentes linhas temáticas: Agricultura, Floresta e Uso do Solo (REDD+, restauro florestal com espécie nativa); Energia (biomassa renovável, energia solar, energia eólica), Manejo de Resíduos, além de outros tipos.
Os projetos passaram por robusta avaliação técnica e jurídica e foram submetidos a etapas que avaliaram elegibilidade, impactos positivos, riscos, verificação de documentos, entre outras.

Desde 2017 conectamos empresas interessadas em compensar suas emissões de Gases de Efeito Estufa e projetos dedicados a gerar benefícios sociais e ambientais.
Com o apoio de grandes parceiros, o programa Compromisso Com o Clima vem expandindo seu alcance e segue com o propósito de engajar o setor privado em ações de responsabilidade climática.
O objetivo do programa é compensar as emissões de carbono das organizações, ao mesmo tempo em que proporciona benefícios socioambientais para as comunidades envolvidas.
Faça parte do Programa Compromisso com o Clima.
Entre em contato para entender como se juntar a nós e fazer a diferença.
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Pesquisador gaúcho fincou raízes há quase quatro décadas na Amazônia e defende que o desenvolvimento sustentável da região passa pelo inquestionável apoio ao conhecimento científico.
Há quase 40 anos, o oceanógrafo gaúcho José Alves Gomes trocou um extremo do país pelo outro. Ainda no final da faculdade se viu apaixonado pela Amazônia, em especial por algumas espécies fascinantes, como o peixe-boi e os peixes-elétricos e desde então, a transição da água salgada para a água doce foi natural e muito rápida.
Hoje, Gomes acumula quase quatro décadas habitando a Amazônia, é pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) – tendo sido seu diretor entre 2003 e 2006 – e acumula ainda dois pós-doutorados no exterior em biologia evolutiva estudando o peixe-elétrico. Mas apesar dos títulos, conquista pela simplicidade e pela boa conversa, típicas de quem mantém um estilo de vida com os pés na natureza.
O Instituto Ekos Brasil entrevistou Gomes com exclusividade para conversar sobre a Amazônia.
O papo logo começou pelo interesse em pesquisar o peixe-elétrico durante todos esses anos. “O peixe-elétrico é um modelo fantástico para se estudar comportamento, porque esse peixe modula o ritmo das descargas elétricas como forma de comunicação. E um segundo aspecto do meu interesse é que esses peixes, a partir do momento que geram e sentem campos elétricos para comunicação e eletrolocalização, são capazes de sentir mudanças físico-químicas na água. Então, se colocarmos poluentes na água, por exemplo, eles mudam o padrão de descarga. Por isso, podem ser empregados como biomonitores de qualidade da água em tempo real”, explica.
Ao comentar sua conexão com o peixe-elétrico fica fácil entender também sua paixão pela Amazônia. E claro, também as dores que afligem nossa majestosa floresta tropical.
“A Amazônia precisa de um carinho especial e ao longo dos governos se tentou fazer vários planos para ela. Mas sempre existiu uma dificuldade muito grande de se pensar a Amazônia de forma estratégica e multifacetada”, comenta. Além disso, os diferentes governos que se sucedem não dão continuidade aos planos desenvolvidos pelos governos anteriores e tentam, continuamente, reinventar a roda.
Para Gomes, todos os atuais modelos de desenvolvimento tradicionais propostos estão defasados. “Não precisamos desmatar mais nada para desenvolver o agronegócio. Já temos terra suficiente e tecnologia de ponta para isso. (…) O barramento completo de rios não é mais necessário, porque o custo ambiental é muito alto em relação ao que se pode obter com outras fontes como energia solar e eólica, que exploramos e investimos muito pouco. Podíamos desenvolver nosso potencial energético com financiamento de pesquisa”.
E também critica a falta de fiscalização na construção de estradas, o verdadeiro problema, de acordo com Gomes, e não a necessidade de conectar dois pontos no mapa. “Até mesmo o garimpo acho que tem solução: com a estatização, com o estado dizendo onde pode e com todo o produto do garimpo sendo vendido para o estado”, completa.
No ponto alto da nossa conversa, Gomes chama a atenção para o que, em sua opinião, é uma crítica e uma proposição. “Acho um erro estratégico enorme pensar que se vai valorizar a Bioeconomia por aqui sem passar pelo fortalecimento das instituições de ensino e pesquisa da Amazônia”, reflete.
Conhecendo de perto instituições como o INPA e as universidades federais e estaduais da região amazônica, o pesquisador não mede as palavras ao criticar as propostas de laboratórios num modelo “Amazônia 4.0”, no meio da selva, de dificílimo acesso, com gestão e manutenção altamente custosos – inclusive pelas condições climáticas que deterioram equipamentos – ao invés de uma séria e completa reestruturação das instituições existentes e hoje depredadas pela falta de investimento financeiro e, tão importante quanto, de pessoal. “Precisamos investir em laboratórios temáticos, para multiusuários e em gente. Precisamos de um plano especial do governo para povoar esses laboratórios e instituições com pesquisadores, técnicos e administrativos para um novo ciclo científico na Amazônia”, completa.
Gomes entende que pesquisa, dados e consequentemente conhecimento sobre a Amazônia são a melhor saída para um desenvolvimento econômico sustentável. Hoje em dia, de acordo com o pesquisador, o Brasil não tem registros consistentes de desembarque pesqueiro, de ciclos de produção sustentável da madeira, os ciclos reprodutivos de espécies economicamente importantes e nem tem feito esforços para negociar acesso a dados em troca de subsídios tecnológicos com outros países. “Nossa soberania na Amazônia só virá quando a dominarmos pelo conhecimento”, afirma.
E acrescenta que apenas o conhecimento é capaz de trazer soluções em bioeconomia e cadeias produtivas locais, como a exploração sustentável das frutas e dos fármacos.
“O homem na Amazônia é uma presença histórica e não podemos negar a ele uma forma digna de rendimento, o que precisamos é um planejamento sério para o desenvolvimento sustentável. E só vamos obter essa capacidade gerencial se conhecermos o sistema. Não dá para gerenciar o que não conhecemos”, finaliza.
O Instituto Ekos Brasil agradece ao pesquisador José Gomes pela disponibilidade e por compartilhar seus conhecimentos sobre a Amazônia.
