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Cinza, azul, branco e verde. Todas essas cores são nomenclaturas de tipos de hidrogênio. A diferença entre elas está, especialmente, na fase de produção. E muito têm se falado sobre o Hidrogênio Verde, produzido a partir da divisão da água – sua matéria-prima -, por meio de um processo químico chamado eletrólise, utilizando apenas energia renovável.
A ideia é utilizá-lo como combustível com possibilidades de gerar zero emissões de CO2 na atmosfera. Já imaginou? Essa é a proposta.
O conceito de zero emissão de carbono é um dos grandes desafios da humanidade em mitigar danos à atmosfera e consequentemente controlar as mudanças climáticas e o aumento da temperatura gradual da Terra.
Por este motivo, vêm à tona as seguintes questões: o Hidrogênio Verde é, portanto, o combustível do futuro? Ele é a chave que procurávamos para um combustível limpo?
De fato, a produção do Hidrogênio Verde pode funcionar como forma de diminuir em grande escala a emissão de GEEs. Entretanto, seu maior obstáculo é o custo de produção hoje: cerca de duas a três vezes mais caro que o Hidrogênio Azul – produzido com base no gás natural, durante um processo bastante poluente (reforma de vapor), onde o carbono resultante é armazenado.
Por outro lado, até 2030, há estimativas para que este custo caia 62% (Fonte: Portal hidrogênio Verde) e chegue entre US$1,4 e US$2,3/quilo. Essa queda está relacionada, em grande parte, ao aumento de investimentos tecnológicos e industriais dos eletrolisadores, dispositivos que permitem a produção do hidrogênio.
E na corrida mundial pela sua produção, o Brasil tem chances de largar na frente. De acordo com o Custo Nivelado do Hidrogênio (LCOH, sigla em inglês) o custo brasileiro de produção do Hidrogênio Verde pode chegar a US$1,50/quilo até 2030.
Além da descarbonização, que por si só já é um significativo passo, a produção de hidrogênio traz benefícios importantes nos âmbitos científicos, econômicos e ambientais, como avanços tecnológicos para o setor e a possível diminuição dos custos de produção.
Além disso, o Hidrogênio Verde é uma ótima alternativa para o armazenamento de energias renováveis, como eólica e solar. Como? A energia excedente pode ser usada para o processo de eletrólise, onde será gerado gás hidrogênio possível de ser armazenado.
E armazenar hidrogênio é simples? Na realidade, é um desafio devido à inflamabilidade do elemento químico, mas há formas seguras:
Enquanto diluído, as tubulações de gás natural levam o elemento até distâncias que ultrapassam 5 mil Km e possuem um potencial de transmissão energética 10 vezes maior do que uma linha elétrica e ⅛ do custo.
Para além disso, a geração do hidrogênio por meio da gaseificação e da reforma de biomassa evita o desperdício e mantém a regularidade no fornecimento de mais de um tipo de energia.
E quando falamos da eliminação a longo prazo da emissão de gás carbônico, ou seja, da descarbonização, isso pode simbolizar um grande salto para as indústrias, principalmente, siderúrgicas e de fertilizantes, rumo ao cumprimento da meta do Acordo de Paris em reduzir até 60% as emissões até 2050.
No setor de transporte, o Hidrogênio Verde também pode ser um importante agente de descarbonização. Cerca de 24% das emissões globais de carbono vêm do setor de transportes, devido à queima de combustíveis fósseis. Justamente por este motivo, aproximadamente 20 países buscam zerar a venda de veículos poluentes até 2035. E para isso, alguns países já estudam a construção de milhares de postos de abastecimento de hidrogênio para a frota de veículos movida à bateria limpa.
Para compreender a potência da tecnologia, no transporte naval, por exemplo, o uso do Hidrogênio Verde sintetizado a partir da amônia verde pode impulsionar até mesmo navios de carga.
Pode parecer distante, mas a efetiva produção do Hidrogênio Verde está batendo na porta. Quem sabe, em alguns anos, já veremos postos espalhados pelas grandes metrópoles?
Se você ficou interessado/a neste combustível do futuro que promete revolucionar, assim como nós, continue a acompanhar os próximos passos conosco.
E conheça o Programa Compromisso Com o Clima.
Hoje, 19 de abril, comemoramos mais um ‘Dia do Índio’, data que foi instituída em 1943 por Getúlio Vargas pelo Decreto-Lei 5.540, como resultado do I Congresso Indigenista Interamericano, ocorrido no México em 1940. Durante os primeiros dias do evento, representantes indígenas boicotaram sua participação por acreditarem que não teriam voz entre os líderes políticos presentes. Em 19 de abril, porém, passaram a tomar parte das discussões e decisões deste importante congresso.
Assim, desde o seu início, a data simbolizou a importância da participação e da voz dos povos originários sobre decisões em nível nacional. Entretanto, ainda hoje, são muitas as ameaças constantes sobre a cultura, direito à terra e até a própria existência dos mais de 200 povos indígenas estabelecidos ao longo do território brasileiro.
De forma a reforçar a importância da celebração e do respeito à diversidade cultural, religiosa, linguística e identitária desses povos, e tornar essa comemoração mais condizente com esses objetivos, foi proposto pela deputada Joenia Wapichana o Projeto de Lei nº 5.466/2019, que altera a expressão “Dia do Índio” para “Dia dos Povos Indígenas”. A alteração, se aprovada, poderá representar também uma ótima oportunidade para quebrar a visão já tão estigmatizada e estereotipada que há sobre os povos originários em território brasileiro
Em dezembro do último ano, o PL foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça de Cidadania (CCJC) da Câmara seguindo, enfim, para deliberação do Senado.
Até dia 14 de abril aconteceu, pelo 18o ano consecutivo, o acampamento Terra Livre, com a mobilização de diversas etnias buscando essa presença ativa na participação política quanto a definição de projetos que afetam diretamente a vida e as aldeias dos povos indígenas, ou seja, projetos em busca do direito à demarcação do passivo de terras indígenas e contenção de violências e invasões nestes territórios.
Neste dia 19 homenageamos os povos indígenas que milenarmente continuam transmitindo sua ancestralidade por meio de muita cultura, medicinas, comida e garra.
Carnaval é período de festa, espontaneidade, celebração da vida e de recolher as energias para iniciar os trabalhos, já que, na linguagem popular, o ano só começa depois do carnaval.
Mas, no Instituto Ekos Brasil, o ritmo foi um pouco diferente. A equipe decidiu comemorar a festança e impulsionar o engajamento ambiental, simultaneamente. O resultado? Um concurso de fantasias com um desafio extra: montar uma fantasia sem gerar impacto ambiental negativo, ou seja, sem gerar resíduos! É curioso pensar nisso, uma vez que a maioria das fantasias carnavalescas são compostas por glitter, purpurinas, arcos de plástico, enfeites de TNT ou EVA, e por aí vai. Entretanto, nossa equipe provou que, para além do talento profissional nos projetos internos, brinda com honra na criatividade.

Apesar do empenho unânime, o pódio foi marcado por fantasias que retratavam o greenwashing, um banho tomado e uma estudante ativista. Vestindo roupas do próprio guarda roupas e objetos de papelaria de casa, Camila Dinat, nossa engenheira agrônoma, se transformou em Greta Thunberg, estudante que luta pelo planeta. Já com um roupão e sua touca de banho, o banho tomado foi obra da nossa cientista ambiental Ciça Wey.
Luciana Ferreira optou por representar o Greenwashing: falta de implementação de uma gestão ambiental social, alinhada com estratégias de desenvolvimento sustentável para o próprio desenvolvimento da empresa. Essa prática negativa foi interpretada com um rodo de casa, um balde esverdeado, folhas caídas recolhidas no jardim e vestida de verde. Arrasou!
A festa intimista do carnaval no Ekos foi regada a um happy hour que também não gerou resíduos plásticos de consumo único, como copos ou pratos descartáveis. Assim como o glitter não apareceu nessa integração, apenas o bioglitter, feito por Dany Mello Freire e compartilhado com quem quisesse, de uma mistura entre Ágar ágar e água de beterraba e também a opção da mistura feita com manteiga de karité com pó de mirra.
A exemplo das três, provamos que é possível curtir com estilo e se divertir sem usar tecidos sintéticos e descartáveis. Esperamos que o carnaval em 2022 seja ambientalmente consciente por parte dos carnavalescos, que compreendam que, cada vez mais, cada ação, inclusive o ato de se vestir e maquiar, pode impactar a conservação das águas e do solo.
O sucesso do CarnaEkos foi imediato e as bocas dizem alala ô, que o CarnaEkos arrasou e vai continuar como uma tradição do Instituto porque, ai ai, ninguém dorme no ponto.
Quarta edição do evento Diálogos sobre a Nova Economia reuniu apoiadores institucionais, especialistas e interessados no mercado de carbono no Brasil.
No último dia 30, cerca de 50 especialistas, apoiadores do programa Compromisso com o Clima e interessados no mercado de carbono participaram do evento promovido pelo programa sobre o Panorama do Mercado de Carbono no Brasil e suas conexões com movimentos empresariais sob a ótica de uma nova economia, aquela de baixo carbono, regenerativa e circular. sobre a nova economia, ou seja, economia de baixo carbono, regenerativa e circular.
Os participantes debateram sobre quatro temáticas de grande importância para o setor privado em sua jornada pela sustentabilidade. Foram elas: o “Panorama geral da regulamentação do mercado de carbono no Brasil”, com a contribuição da especialista Lina Pimentel, do escritório Mattos Filho; o”Panorama do mercado de carbono: tendências de mercado”, que contou com um diálogo entre Petterson Vale da Green Domus e João Teixeira, gerente de Sustentabilidade Natura & Co Latam; “Aspectos técnicos de projetos de uso de solo – AFOLU”, abordado por Mariano Cenamo e João Teixeira; e ainda, os “Movimentos empresariais” debatido por Karina Baratella em conversa com André Borges, head de Sustentabilidade do iFood.
Também participou Ana Moeri, presidente do Ekos Brasil, e Danielly Mello Freire, também do Instituto, responsável pela gestão do Programa Compromisso com o Clima desde a sua concepção.
O IV DIálogo enfatizou a importância de uma atenção plena perante todas as movimentações políticas e econômicas para que o mercado de carbono seja estável, com projetos íntegros. Sob esse aspecto, reiteraram a credibilidade dos créditos de carbono contemplados no Programa Compromisso com o Clima que passam pela avaliação técnica socioambiental e jurídica do Programa, atualmente, o único com essa frente de due diligence na região.
Quer saber mais sobre o tema? Acesse o site do programa e conheça detalhes do trabalho.
Assista o momento em nossa página do YouTube.
Nos últimos anos, principalmente na América Latina, não há espaço para desenvolver projetos de gerenciamento de áreas contaminadas (GAC) sem incorporar os preceitos de remediação sustentável. Como o próprio nome revela, sua base é trazer os princípios da sustentabilidade para dentro do planejamento de projetos, incorporando aspectos dos pilares ambiental, econômico e social.
Desde o início dos primeiros casos implementados de gerenciamento de uma área contaminada, os impactos ambientais e econômicos advindos dessa celeuma tiveram atenção desproporcional em comparação à busca pelos impactos sociais positivos, especialmente devido à visão de muitos stakeholders de que sustentabilidade se resumia à “busca por medidas positivas ao meio ambiente” (ou seja, com foco no pilar ambiental) e ao interesse comum por preços cada vez mais competitivos e pela redução de custos.
Assim, os impactos sociais, por muitas vezes, ainda são esquecidos durante um projeto de GAC. Entretanto, atualmente, o conceito de sustentabilidade e remediação sustentável se encontra em uma fase de maior desenvolvimento e, principalmente, implementação na realidade da América Latina. Esse fato pode ser percebido por meio de resultados de indicadores, aos quais demonstram reflexos significativos em termos de impacto social.
Cabe destacar, nesse contexto, que para todos os pilares que sustentam o conceito da sustentabilidade em um projeto de remediação, os impactos positivos e negativos gerados no processo precisam ser avaliados, e é importante que os impactos positivos se sobreponham ou tragam mais vantagens ao projeto, ao passo que os negativos sejam mitigados ou compensados. Por isso, a importância da tríade da sustentabilidade sempre deve ser considerada nos projetos, bem como serem definidos indicadores que possibilitem o monitoramento e a quantificação dos impactos, à luz dos benefícios ambientais, sociais e econômicos.
Para um melhor entendimento, é interessante conhecer a inter-relação do pilar social com os demais pilares da sustentabilidade, conforme exemplificado a seguir:

Investir no social impacta direta e positivamente todos os demais pilares e planejamentos de projetos de remediação sustentável.
Venha fazer parte da rede NICOLE Latin America e dialogue conosco sobre essa temática.
E para saber mais sobre o assunto, confira o Episódio 8 do nosso podcast!
Autores: Comunicação Ekos Brasil
Revisão: Luciana Ferreira e Joyce Cruz di Giovanni
Consumir podcasts tornou-se um hábito para um público que só tende a crescer. A nova ferramenta de comunicação conquistou o mundo por sua facilidade na escuta, produção e principalmente por sua possibilidade de atrair grupos cada vez mais nichados. E o público interessado nas pautas sustentáveis, de mudanças climáticas e conservação ambiental não fica de fora dessa.
Pela necessidade constante de atualização, precisamos estar atentos às decisões de diferentes vertentes que podem impactar o mercado, desde política, ecologia, setor empresarial à agroindústria.
Por isso, pensando em você, profissional gestor/a, engenheiro/a, pesquisador/a ou apenas curioso da área, separamos 5 dicas de podcasts sobre sustentabilidade com foco empresarial.
Com objetivo de promover o desenvolvimento sustentável através da articulação do governo com a sociedade civil, o CEBDS trabalha ao lado de representantes das demais associações que atuam com projetos a favor da biodiversidade, água, sistemas alimentares, impacto social, entre outras. Além disso, mais de 60 dos grandes grupos empresariais do país participam do Conselho.
Preocupar-se com mudanças climáticas envolve muitos saberes e manter-se atualizado sobre tudo o que acontece no mundo é praticamente impossível. E tendo isso em mente, o TED criou o programa Climate que, em suas palavras, “descompacta os problemas e soluções por trás de grandes problemas sistêmicos”. E tudo isso em episódios curtos conduzidos por Dan Kwartler.
Neste programa da BBC World Service, o propósito é apresentar histórias que nos ajudam a compreender como podemos salvar o nosso planeta e como podemos fazer isso. Vale a pena conferir.
Com Rosana Jatobá, a CBN apresenta as principais notícias da área de ESG e traz convidados para debater temas relacionados. Essas pílulas de informação podem ajudar – e muito – no cotidiano do trabalho.
E já que falamos sobre ESG, que tal um podcast exclusivo para o tema? Proposto pela Exame, este é um programa para “quem quer mudar o mundo”, como eles pontuam. O objetivo de Rodrigo Caetano é entrevistar líderes do capitalismo de stakeholder sobre como pode-se alcançar uma economia mais justa e correta, sem descartar a lucratividade.
Gostou das dicas? Use e abuse desses conteúdos de podcasts sobre mudanças climáticas e compartilhe com sua rede.
Entrevista com Reginaldo Bertolo
O ano de 2014 foi marcado por uma severa crise hídrica em todo o estado de São Paulo. A população passou a acompanhar diariamente, na mídia, os índices dos reservatórios de água do estado e se mobilizou pelo consumo consciente enquanto aguardava ansiosamente pelas chuvas.
A falta de precipitações, combinada com uma baixa reservação e com o atraso do poder público em alertar a população para diminuir o consumo foram, literalmente, a gota d’água para o agravamento da crise à época.
Mesmo com índices pluviométricos um pouco acima da média em janeiro deste ano, de acordo com Reginaldo Bertolo, vice-diretor do Centro de Pesquisas de Águas Subterrâneas e professor associado no Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo, o risco de uma nova crise hídrica ainda existe. “Estamos entrando em um período de seca com uma reservação no (Sistema) Cantareira mais baixa que no período da crise anterior. Não temos como prever o ano, mas se tivermos um 2022 seco, vamos entrar em 2023 em uma condição pior que a de 2014”, analisa.
Ao levantar esse alerta, Bertolo destaca que a probabilidade de novas crises é, de fato, consistente, pelo fato de haver cada vez mais fenômenos relacionados com mudanças climáticas.
“A regularidade das chuvas vem mudando e isso é perceptível. Os modelos de previsão indicam que a tendência é dos eventos de chuva serem mais espaçados com períodos de seca mais extensos. E, quando chove, a chance é maior de eventos bem intensos, com chuvas mais localizadas e na forma de tempestades. Nunca foi registrado o que aconteceu em Petrópolis, por exemplo”.
Para o especialista, a grande questão está na irregularidade. Mesmo se chove muito, chove no lugar errado e de forma muito intensa. E, por outro lado, os grandes períodos de seca favorecem a evapotranspiração. “Esse é o problema de termos eventos climáticos extremos. Perdemos água porque não conseguimos estocar e perdemos água no período de estiagem, por evaporação”, completa.
Desde a última crise muitas obras foram feitas para diminuir esse risco, como a interligação entre os sistemas Tietê, Cantareira e Billings. Mas é fato que nem todas as obras do mundo podem resolver um problema complexo e interdependente de diversos setores da sociedade. Além do desequilíbrio entre a oferta e a demanda, que atinge prioritariamente a quantidade de água disponível, a qualidade da nossa água também está em xeque.
Cenas tristes dos nossos rios visivelmente poluídos são a prova de que ainda temos um longo caminho a percorrer por um saneamento adequado, que colete e trate o esgoto. “Com a ampliação do tratamento do esgoto em toda a região metropolitana de São Paulo, teríamos água limpa nos canais e a água do esgoto tratado poderia ser direcionada novamente para usos menos nobres”, explica Bertolo.
Crises hídricas afetam toda a população e a economia de uma maneira geral. O problema começa atingindo as populações das regiões mais elevadas da cidade, onde a pressão da água é mais fraca. Mas sua extensão é a perder de vista. Chega aos produtores agrícolas e às indústrias, mesmo que muitas delas sintam o efeito retardardo por possuírem seus próprios poços.
Os poços são mesmo uma boa opção para reduzir a demanda de água da rede, mas Bertolo alerta: “O estado oferece a outorga desses poços, o que diminui a pressão da demanda do serviço público. O problema é que de cada quatro poços, cerca de três são ilegais. É algo meio predatório e isso tem repercussões de quantidade e de qualidade”.
Além disso, é uma opção pouco viável para o abastecimento público, pois a vazão desses reservatórios é fraca para a demanda das nossas cidades.
Por isso, não temos uma jornada branda pela frente. De acordo com Bertolo, o que podemos vislumbrar são três cenários a longo prazo, a depender da maturidade da população e do setor público.
O primeiro e melhor cenário seria evitar o adensamento populacional, com políticas públicas que espalhem a população criando oportunidades em outros locais, a fim de diminuir a pressão ecológica como a que vemos hoje em uma região com cerca de 20 milhões de habitantes, na Grande São Paulo.
Um segundo cenário, completa o especialista, mais realista do que o primeiro, seria uma pressão consistente da população sobre o poder público, exigindo um maior investimento para o aproveitamento da água de forma mais racional, programas de educação para diminuir o uso per capita, criar meios de elevar significativamente as águas de reúso, de chuva e subterrâneas, e o emprego de inovação em equipamentos mais eficazes, como descargas de banheiros.
Por fim, um cenário possível mas longe de ser economicamente e ecologicamente viável seria buscar água potável cada vez mais distante por meio de adutoras.
Em comum, os três cenários nos deixam claro que é hora de agir: pressionar e economizar para garantir quantidade e qualidade de um bem tão precioso para a nossa existência.
O Instituto Ekos Brasil tem uma relação afetiva e responsável com as cavernas brasileiras por sua proximidade com a gestão do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, com o qual cooperamos há mais de uma década e onde estão algumas das cavernas mais emblemáticas do Brasil.
Não há quem não se encante pela Gruta do Janelão, pela Lapa do Rezar, Arco do André, dentre tantas outras, que sempre nos deixam com aquele sentimento de pequenez e gratidão diante de tamanha beleza da natureza.
No intuito de conhecer um pouco mais sobre as cavernas, convidamos para um bate-papo Clayton Lino, sumidade no assunto, diretor de Cooperação da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, ex-presidente por duas vezes da Sociedade Brasileira de Espeleologia e membro da Comissão Mundial de Reservas da Biosfera da Unesco. A seguir destacamos, em uma linguagem simplificada, alguns dos temas apresentados por nosso entrevistado.
Nosso bate-papo “começou pelo começo”. “Caverna é uma cavidade natural subterrânea penetrável pelo ser humano, como define a Constituição de 1988. Aqui no Brasil adotamos também a nomenclatura de grutas para cavernas predominantemente horizontais e abismos, para aquelas predominantemente verticais”, explica Lino.
Nosso país abriga a maior caverna do hemisfério Sul, a Toca da Boa Vista, com cerca de 115km de galerias, localizada na Bahia. E não é preciso estranhar o nome “toca”. Em se tratando de Brasil, regionalismos são bastante comuns e não escapam às cavernas. Lapa, fossa, toca ou buraco também são denominações dadas às cavernas de norte à sul do país.
Em relação à fauna subterrânea há basicamente três tipos de “moradores” das cavernas. Os Trogloxenos, aqueles que necessitam das cavernas para abrigo, reprodução e/ou alimentação, mas que também saem delas para desenvolver outras atividades do seu dia a dia. Exemplo destes seres são os morcegos e alguns roedores.
Já os Troglófilos são seres adaptados às cavernas, mas que não necessitam delas para sobreviver. Exemplos são algumas espécies de aranhas e insetos que são encontradas tanto dentro quanto fora dessas cavidades.
Por fim, os Troglóbios também chamados dos verdadeiros cavernícolas, são especializados na vida dentro das cavernas. Há Troglóbios albinos(despigmentados), cegos, mas que desenvolvem outros sentidos e órgãos que os adaptam a sobreviverem na escuridão total das cavernas. Exemplos destes seres são alguns peixes, insetos e crustáceos.
As cavernas podem surgir em muitos tipos de rochas, mas em 90% das vezes são formadas em rochas carbonáticas, esclarece Lino, além de aparecerem também em gesso, sal, bauxita, gnaisse, granito, minério de ferro, dentre outras litologias (tipos de rochas).
Ao contrário da crença popular, as cavernas, em sua maioria, não são formadas pela erosão dos rios. “A maior parte é formada por dissolução, quando a rocha é atacada quimicamente”, principalmente pela água, define. De acordo com o especialista, os movimentos tectônicos criam fraturas nas rochas. Por esses pontos frágeis a água, acrescida de gás carbônico advindo das precipitações e outros ácidos presentes no solo, ao entrar nessas fissuras, ataca quimicamente a rocha, ampliando espaços já formados anteriormente pelo mesmo tipo de processo, o que acaba puxando cada vez mais água da superfície, aumentando o tamanho das cavidades. Várias cavernas são formadas inicialmente no nível do lençol freático e só posteriormente passam a ter uma abertura para a superfície devido a desmoronamento dos tetos. Outros tipos de formação de cavernas acontecem nas zonas costeiras, por abrasão marinha, ou no meio de blocos de granito com o carreamento do solo entre eles.
Uma das curiosidades mais fascinantes quando falamos de características das cavernas, na opinião de Lino, é que são um dos raros ambientes do planeta com ausência de luz. “É uma oportunidade para descobrir o que é a treva. Nosso cérebro começa, inclusive, a fabricar imagens pois não consegue acostumar a vista já que não existe nenhum feixe de luz”.
Cavernas também podem ser silenciosas ou não, labirínticas ou não, ventiladas ou não, ter flora ou não (dependendo da presença de luz), mas são consideradas ambientes estáveis, onde mudanças acontecem de forma extremamente lenta. E esta é uma das razões para serem verdadeiros “baús de recordação” da história geológica, climática e da evolução da vida na Terra, inclusive como locais privilegiados para conservação de fósseis da megafauna extinta, e também da maioria dos achados arqueológicos de nossos ancestrais humanos.
Não é à toa que somos “gigantes pela própria natureza”. O Brasil, de fato, tem cerca de 20.500 cavernas cadastradas, mas de acordo com Lino, a expectativa é que tenhamos mais de 300 mil. “Todo ano descobrimos centenas de cavernas no Brasil”, destaca. “Já fui o primeiro ser humano a pisar em um monte de lugares em certas cavernas. Essa percepção não tem preço”.
Apesar de tamanha riqueza, as cavernas se juntam a outros componentes da natureza como os biomas, ecossistemas, espécies que sofrem ameaças constantes à sua existência e proteção. No caso das cavernas a pressão da mineração, das represas e das rodovias é a mais frequente.
“Quando falamos de caverna não estamos falando de um buraco, mas de um ambiente, de um ecossistema muito particular”. Por isso, proteger uma caverna significa proteger a rocha, seu conteúdo hidrológico, biológico, arqueológico, cultural etc.”, alerta Lino. E completa: “Há um choque no Brasil entre o cronograma de empreendimentos, o cronograma político e o cronograma do conhecimento e estudos sobre uma caverna”. O cronograma dos empreendimentos, e o político não consideram nem aguardam os anos necessários para que se entenda sequer o que pode acontecer com a extinção daquele ecossistema, quando estes tipos de empreendimentos estiverem consumados com a destruição de cavernas importantes.
Clayton teve uma participação histórica na formulação do capítulo da Constituição Federal que definiu as cavernas como bens da União e as manteve protegidas por muitos anos. Um decreto no final dos anos 2000 já havia flexibilizado a proteção destes ambientes com a classificação das cavernas em categorias de relevância, para fins de sua exploração econômica.
Agora, Lino presencia a aprovação do Decreto Federal no 10.935/22, recém-publicado, que ameaça inclusive as cavernas tidas como grau de relevância máximo. O Decreto fere a Constituição, sobretudo em seu artigo 225, porque desrespeita princípios do direito ambiental, como o Princípio do Desenvolvimento Sustentável, da Prevenção e da Precaução, e foi elaborado sem a participação de instituições científicas, das ONGs, da comunidade espeleológica e ignorou o parecer do órgão técnico especializado em cavernas, o CECAV-ICMBio (Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas), instituição do governo federal.
O Decreto falha também na promoção de políticas públicas que protejam o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável, a sobrevivência e o bem-estar das gerações futuras, e desconsidera os importantes serviços ecossistêmicos prestados pelas áreas cársticas e suas cavernas, como por exemplo a manutenção da integridade dos sistemas hídricos, o controle de pragas agrícolas, a dispersão de sementes e a polinização de diversas espécies de plantas executadas por morcegos que habitam estes ambientes.
O Instituto Ekos Brasil reforça a importância da proteção e conservação das cavernas brasileiras e entende que não há incompatibilidade entre a preservação das cavernas e o desenvolvimento econômico.
E agradece a participação de Clayton Ferreira Lino para a elaboração deste conteúdo.
Documento do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) alerta o Brasil para drásticas consequências se práticas conjuntas não forem adotadas para a conscientização das mudanças climáticas.
A cada publicação do relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, o famoso IPCC, nos conscientizamos da urgência de colocarmos em prática ações estruturais que estejam em consonância com planos de ação, não apenas direcionado à redução de emissões dos gases de efeito estufa, mas também visando o investimento em projetos de adaptação e resiliência frente aos efeitos da crise climática.
A ideia é que todos os atores envolvidos em ações de mitigação, adaptação e resiliência, unam esforços para não ultrapassarmos a temperatura média do planeta de 1,5ºC.
Para nortear a factibilidade da implementação de projetos de adaptação, a segunda parte do 6º relatório IPCC apresenta seis dimensões que devem integrar nosso planejamento: econômico, tecnológico, institucional, sócio-cultural, ambiental e geofísico.
Ele ainda traz inúmeras possibilidades de soluções trazidas pelo próprio relatório, podemos citar três das mais viáveis para o desenvolvimento sustentável da região Brasileira são:
A perda ao longo da distribuição de água no Brasil atinge níveis de até 38% dependendo do município e precisa de uma drástica redução, por parte das prestadoras de serviços de saneamento, assim como por indústrias, as quais precisam investir em soluções de sistema fechado para reuso da água provinda do próprio sistema eficiente de tratamento de água, além de soluções alternativas, como captação de água de chuva e seu devido tratamento para usos diversos de acordo com o incentivo pelo Marco Legal do Saneamento. ( Lei Nº 14.026)
Importante ressaltar que não apenas a crise climática é uma problemática, mas estamos enfrentando a 6ª extinção em massa no nosso planeta, sendo a 5ª a extinção dos dinossauros, por questões externas à evolução da biodiversidade terrestre. Neste momento, enfrentamos essa problemática devido, justamente, às ações antropogênicas, o que nos coloca também em risco de extinção.
Sabendo dessas linhas de projetos de adaptação, é necessário agir em parceria na implementação das metas de gestão de desenvolvimento sustentável, não somente em esferas governamentais, mas nas instituições privadas. É de responsabilidade de todos os atores a intervenção para voltarmos a uma rota ambientalmente saudável e que naturalmente gerará uma sociedade mais justa e menos opressora, principalmente às populações mais vulneráveis aos eventos extremos os quais já é enfrentado globalmente.
O Instituto Ekos Brasil atua no desenvolvimento e customização de soluções para gestão de sustentabilidade. Sendo assim, convidamos você, leitor/a, a acessar os produtos e serviços prestados pelo Instituto, em linha com adaptação por meio da conservação e também por meio do programa Compromisso Com o Clima, a partir de projetos de compensação de emissões residuais.
Por Danielly de Andrade Mello Freire
Revisão de Jessica Fernandes e Teresa Breda.
O último relatório do IPCC – Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima, chancelado por 270 cientistas e divulgado em fevereiro de 2022, é enfático ao alertar para a necessidade imediata de projetos de adaptação não apenas em pequena escala, mas sim de modo sistêmico e estratégico, e seguir com metas de mitigação dos efeitos, especialmente as empresas, que correm risco de extinção, seja pelas consequências dos efeitos das mudanças do clima, seja pela concorrência de empresas que já estão mais maduras em suas estratégias de sustentabilidade corporativa e ASG.
Há casos e dados concretos decorrentes dos efeitos dessa crise ambiental, a exemplo das inundações na Alemanha e Bélgica que ocasionou a morte de mais de 180 pessoas. Aqui no Brasil, o início de 2022 foi marcado por uma tragédia sem precedentes na cidade de Petrópolis, com chuvas e deslizamentos que tomaram a vida de mais de duas centenas de pessoas.
Ainda assim, há uma ponta de esperança destacada no relatório: a estabilização do aquecimento global entre os níveis almejados pelo Acordo de Paris, mas que isso só se concretiza no mais otimista dos cenários apresentados.
De fato, o IPCC ressalta que, não importa o nível de maturidade em práticas ASG que a sua empresa se encontra. É preciso começar e, efetivamente, fazer. São milhares de empresas que já lideram a agenda, mas ainda é pouco. Precisamos de TODAS as empresas neste barco.
Dado este contexto compartilhamos 3 orientações a serem observadas pelos gerentes de sustentabilidade.
O Instituto Ekos Brasil é protagonista no mercado em soluções inovadoras, especializadas e tecnológicas em boas práticas Ambientais, Sociais e de Governança. Somos gestores da plataforma Ekos Social que contempla o Programa Compromisso com o Clima, hoje responsável por apoiar a estratégia de compensação de grandes empresas conectando-as a projetos de créditos de carbono que geram benefícios socioambientais. Uma jornada completa para empresas que se importam com sustentabilidade e competitividade.
Entre em contato e traga sua empresa para o Compromisso com o Clima.

