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Entrevista com Reginaldo Bertolo
O ano de 2014 foi marcado por uma severa crise hídrica em todo o estado de São Paulo. A população passou a acompanhar diariamente, na mídia, os índices dos reservatórios de água do estado e se mobilizou pelo consumo consciente enquanto aguardava ansiosamente pelas chuvas.
A falta de precipitações, combinada com uma baixa reservação e com o atraso do poder público em alertar a população para diminuir o consumo foram, literalmente, a gota d’água para o agravamento da crise à época.
Mesmo com índices pluviométricos um pouco acima da média em janeiro deste ano, de acordo com Reginaldo Bertolo, vice-diretor do Centro de Pesquisas de Águas Subterrâneas e professor associado no Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo, o risco de uma nova crise hídrica ainda existe. “Estamos entrando em um período de seca com uma reservação no (Sistema) Cantareira mais baixa que no período da crise anterior. Não temos como prever o ano, mas se tivermos um 2022 seco, vamos entrar em 2023 em uma condição pior que a de 2014”, analisa.
Ao levantar esse alerta, Bertolo destaca que a probabilidade de novas crises é, de fato, consistente, pelo fato de haver cada vez mais fenômenos relacionados com mudanças climáticas.
“A regularidade das chuvas vem mudando e isso é perceptível. Os modelos de previsão indicam que a tendência é dos eventos de chuva serem mais espaçados com períodos de seca mais extensos. E, quando chove, a chance é maior de eventos bem intensos, com chuvas mais localizadas e na forma de tempestades. Nunca foi registrado o que aconteceu em Petrópolis, por exemplo”.
Para o especialista, a grande questão está na irregularidade. Mesmo se chove muito, chove no lugar errado e de forma muito intensa. E, por outro lado, os grandes períodos de seca favorecem a evapotranspiração. “Esse é o problema de termos eventos climáticos extremos. Perdemos água porque não conseguimos estocar e perdemos água no período de estiagem, por evaporação”, completa.
Desde a última crise muitas obras foram feitas para diminuir esse risco, como a interligação entre os sistemas Tietê, Cantareira e Billings. Mas é fato que nem todas as obras do mundo podem resolver um problema complexo e interdependente de diversos setores da sociedade. Além do desequilíbrio entre a oferta e a demanda, que atinge prioritariamente a quantidade de água disponível, a qualidade da nossa água também está em xeque.
Cenas tristes dos nossos rios visivelmente poluídos são a prova de que ainda temos um longo caminho a percorrer por um saneamento adequado, que colete e trate o esgoto. “Com a ampliação do tratamento do esgoto em toda a região metropolitana de São Paulo, teríamos água limpa nos canais e a água do esgoto tratado poderia ser direcionada novamente para usos menos nobres”, explica Bertolo.
Crises hídricas afetam toda a população e a economia de uma maneira geral. O problema começa atingindo as populações das regiões mais elevadas da cidade, onde a pressão da água é mais fraca. Mas sua extensão é a perder de vista. Chega aos produtores agrícolas e às indústrias, mesmo que muitas delas sintam o efeito retardardo por possuírem seus próprios poços.
Os poços são mesmo uma boa opção para reduzir a demanda de água da rede, mas Bertolo alerta: “O estado oferece a outorga desses poços, o que diminui a pressão da demanda do serviço público. O problema é que de cada quatro poços, cerca de três são ilegais. É algo meio predatório e isso tem repercussões de quantidade e de qualidade”.
Além disso, é uma opção pouco viável para o abastecimento público, pois a vazão desses reservatórios é fraca para a demanda das nossas cidades.
Por isso, não temos uma jornada branda pela frente. De acordo com Bertolo, o que podemos vislumbrar são três cenários a longo prazo, a depender da maturidade da população e do setor público.
O primeiro e melhor cenário seria evitar o adensamento populacional, com políticas públicas que espalhem a população criando oportunidades em outros locais, a fim de diminuir a pressão ecológica como a que vemos hoje em uma região com cerca de 20 milhões de habitantes, na Grande São Paulo.
Um segundo cenário, completa o especialista, mais realista do que o primeiro, seria uma pressão consistente da população sobre o poder público, exigindo um maior investimento para o aproveitamento da água de forma mais racional, programas de educação para diminuir o uso per capita, criar meios de elevar significativamente as águas de reúso, de chuva e subterrâneas, e o emprego de inovação em equipamentos mais eficazes, como descargas de banheiros.
Por fim, um cenário possível mas longe de ser economicamente e ecologicamente viável seria buscar água potável cada vez mais distante por meio de adutoras.
Em comum, os três cenários nos deixam claro que é hora de agir: pressionar e economizar para garantir quantidade e qualidade de um bem tão precioso para a nossa existência.
O Instituto Ekos Brasil tem uma relação afetiva e responsável com as cavernas brasileiras por sua proximidade com a gestão do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, com o qual cooperamos há mais de uma década e onde estão algumas das cavernas mais emblemáticas do Brasil.
Não há quem não se encante pela Gruta do Janelão, pela Lapa do Rezar, Arco do André, dentre tantas outras, que sempre nos deixam com aquele sentimento de pequenez e gratidão diante de tamanha beleza da natureza.
No intuito de conhecer um pouco mais sobre as cavernas, convidamos para um bate-papo Clayton Lino, sumidade no assunto, diretor de Cooperação da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, ex-presidente por duas vezes da Sociedade Brasileira de Espeleologia e membro da Comissão Mundial de Reservas da Biosfera da Unesco. A seguir destacamos, em uma linguagem simplificada, alguns dos temas apresentados por nosso entrevistado.
Nosso bate-papo “começou pelo começo”. “Caverna é uma cavidade natural subterrânea penetrável pelo ser humano, como define a Constituição de 1988. Aqui no Brasil adotamos também a nomenclatura de grutas para cavernas predominantemente horizontais e abismos, para aquelas predominantemente verticais”, explica Lino.
Nosso país abriga a maior caverna do hemisfério Sul, a Toca da Boa Vista, com cerca de 115km de galerias, localizada na Bahia. E não é preciso estranhar o nome “toca”. Em se tratando de Brasil, regionalismos são bastante comuns e não escapam às cavernas. Lapa, fossa, toca ou buraco também são denominações dadas às cavernas de norte à sul do país.
Em relação à fauna subterrânea há basicamente três tipos de “moradores” das cavernas. Os Trogloxenos, aqueles que necessitam das cavernas para abrigo, reprodução e/ou alimentação, mas que também saem delas para desenvolver outras atividades do seu dia a dia. Exemplo destes seres são os morcegos e alguns roedores.
Já os Troglófilos são seres adaptados às cavernas, mas que não necessitam delas para sobreviver. Exemplos são algumas espécies de aranhas e insetos que são encontradas tanto dentro quanto fora dessas cavidades.
Por fim, os Troglóbios também chamados dos verdadeiros cavernícolas, são especializados na vida dentro das cavernas. Há Troglóbios albinos(despigmentados), cegos, mas que desenvolvem outros sentidos e órgãos que os adaptam a sobreviverem na escuridão total das cavernas. Exemplos destes seres são alguns peixes, insetos e crustáceos.
As cavernas podem surgir em muitos tipos de rochas, mas em 90% das vezes são formadas em rochas carbonáticas, esclarece Lino, além de aparecerem também em gesso, sal, bauxita, gnaisse, granito, minério de ferro, dentre outras litologias (tipos de rochas).
Ao contrário da crença popular, as cavernas, em sua maioria, não são formadas pela erosão dos rios. “A maior parte é formada por dissolução, quando a rocha é atacada quimicamente”, principalmente pela água, define. De acordo com o especialista, os movimentos tectônicos criam fraturas nas rochas. Por esses pontos frágeis a água, acrescida de gás carbônico advindo das precipitações e outros ácidos presentes no solo, ao entrar nessas fissuras, ataca quimicamente a rocha, ampliando espaços já formados anteriormente pelo mesmo tipo de processo, o que acaba puxando cada vez mais água da superfície, aumentando o tamanho das cavidades. Várias cavernas são formadas inicialmente no nível do lençol freático e só posteriormente passam a ter uma abertura para a superfície devido a desmoronamento dos tetos. Outros tipos de formação de cavernas acontecem nas zonas costeiras, por abrasão marinha, ou no meio de blocos de granito com o carreamento do solo entre eles.
Uma das curiosidades mais fascinantes quando falamos de características das cavernas, na opinião de Lino, é que são um dos raros ambientes do planeta com ausência de luz. “É uma oportunidade para descobrir o que é a treva. Nosso cérebro começa, inclusive, a fabricar imagens pois não consegue acostumar a vista já que não existe nenhum feixe de luz”.
Cavernas também podem ser silenciosas ou não, labirínticas ou não, ventiladas ou não, ter flora ou não (dependendo da presença de luz), mas são consideradas ambientes estáveis, onde mudanças acontecem de forma extremamente lenta. E esta é uma das razões para serem verdadeiros “baús de recordação” da história geológica, climática e da evolução da vida na Terra, inclusive como locais privilegiados para conservação de fósseis da megafauna extinta, e também da maioria dos achados arqueológicos de nossos ancestrais humanos.
Não é à toa que somos “gigantes pela própria natureza”. O Brasil, de fato, tem cerca de 20.500 cavernas cadastradas, mas de acordo com Lino, a expectativa é que tenhamos mais de 300 mil. “Todo ano descobrimos centenas de cavernas no Brasil”, destaca. “Já fui o primeiro ser humano a pisar em um monte de lugares em certas cavernas. Essa percepção não tem preço”.
Apesar de tamanha riqueza, as cavernas se juntam a outros componentes da natureza como os biomas, ecossistemas, espécies que sofrem ameaças constantes à sua existência e proteção. No caso das cavernas a pressão da mineração, das represas e das rodovias é a mais frequente.
“Quando falamos de caverna não estamos falando de um buraco, mas de um ambiente, de um ecossistema muito particular”. Por isso, proteger uma caverna significa proteger a rocha, seu conteúdo hidrológico, biológico, arqueológico, cultural etc.”, alerta Lino. E completa: “Há um choque no Brasil entre o cronograma de empreendimentos, o cronograma político e o cronograma do conhecimento e estudos sobre uma caverna”. O cronograma dos empreendimentos, e o político não consideram nem aguardam os anos necessários para que se entenda sequer o que pode acontecer com a extinção daquele ecossistema, quando estes tipos de empreendimentos estiverem consumados com a destruição de cavernas importantes.
Clayton teve uma participação histórica na formulação do capítulo da Constituição Federal que definiu as cavernas como bens da União e as manteve protegidas por muitos anos. Um decreto no final dos anos 2000 já havia flexibilizado a proteção destes ambientes com a classificação das cavernas em categorias de relevância, para fins de sua exploração econômica.
Agora, Lino presencia a aprovação do Decreto Federal no 10.935/22, recém-publicado, que ameaça inclusive as cavernas tidas como grau de relevância máximo. O Decreto fere a Constituição, sobretudo em seu artigo 225, porque desrespeita princípios do direito ambiental, como o Princípio do Desenvolvimento Sustentável, da Prevenção e da Precaução, e foi elaborado sem a participação de instituições científicas, das ONGs, da comunidade espeleológica e ignorou o parecer do órgão técnico especializado em cavernas, o CECAV-ICMBio (Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas), instituição do governo federal.
O Decreto falha também na promoção de políticas públicas que protejam o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável, a sobrevivência e o bem-estar das gerações futuras, e desconsidera os importantes serviços ecossistêmicos prestados pelas áreas cársticas e suas cavernas, como por exemplo a manutenção da integridade dos sistemas hídricos, o controle de pragas agrícolas, a dispersão de sementes e a polinização de diversas espécies de plantas executadas por morcegos que habitam estes ambientes.
O Instituto Ekos Brasil reforça a importância da proteção e conservação das cavernas brasileiras e entende que não há incompatibilidade entre a preservação das cavernas e o desenvolvimento econômico.
E agradece a participação de Clayton Ferreira Lino para a elaboração deste conteúdo.
Documento do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) alerta o Brasil para drásticas consequências se práticas conjuntas não forem adotadas para a conscientização das mudanças climáticas.
A cada publicação do relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, o famoso IPCC, nos conscientizamos da urgência de colocarmos em prática ações estruturais que estejam em consonância com planos de ação, não apenas direcionado à redução de emissões dos gases de efeito estufa, mas também visando o investimento em projetos de adaptação e resiliência frente aos efeitos da crise climática.
A ideia é que todos os atores envolvidos em ações de mitigação, adaptação e resiliência, unam esforços para não ultrapassarmos a temperatura média do planeta de 1,5ºC.
Para nortear a factibilidade da implementação de projetos de adaptação, a segunda parte do 6º relatório IPCC apresenta seis dimensões que devem integrar nosso planejamento: econômico, tecnológico, institucional, sócio-cultural, ambiental e geofísico.
Ele ainda traz inúmeras possibilidades de soluções trazidas pelo próprio relatório, podemos citar três das mais viáveis para o desenvolvimento sustentável da região Brasileira são:
A perda ao longo da distribuição de água no Brasil atinge níveis de até 38% dependendo do município e precisa de uma drástica redução, por parte das prestadoras de serviços de saneamento, assim como por indústrias, as quais precisam investir em soluções de sistema fechado para reuso da água provinda do próprio sistema eficiente de tratamento de água, além de soluções alternativas, como captação de água de chuva e seu devido tratamento para usos diversos de acordo com o incentivo pelo Marco Legal do Saneamento. ( Lei Nº 14.026)
Importante ressaltar que não apenas a crise climática é uma problemática, mas estamos enfrentando a 6ª extinção em massa no nosso planeta, sendo a 5ª a extinção dos dinossauros, por questões externas à evolução da biodiversidade terrestre. Neste momento, enfrentamos essa problemática devido, justamente, às ações antropogênicas, o que nos coloca também em risco de extinção.
Sabendo dessas linhas de projetos de adaptação, é necessário agir em parceria na implementação das metas de gestão de desenvolvimento sustentável, não somente em esferas governamentais, mas nas instituições privadas. É de responsabilidade de todos os atores a intervenção para voltarmos a uma rota ambientalmente saudável e que naturalmente gerará uma sociedade mais justa e menos opressora, principalmente às populações mais vulneráveis aos eventos extremos os quais já é enfrentado globalmente.
O Instituto Ekos Brasil atua no desenvolvimento e customização de soluções para gestão de sustentabilidade. Sendo assim, convidamos você, leitor/a, a acessar os produtos e serviços prestados pelo Instituto, em linha com adaptação por meio da conservação e também por meio do programa Compromisso Com o Clima, a partir de projetos de compensação de emissões residuais.
Por Danielly de Andrade Mello Freire
Revisão de Jessica Fernandes e Teresa Breda.
O último relatório do IPCC – Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima, chancelado por 270 cientistas e divulgado em fevereiro de 2022, é enfático ao alertar para a necessidade imediata de projetos de adaptação não apenas em pequena escala, mas sim de modo sistêmico e estratégico, e seguir com metas de mitigação dos efeitos, especialmente as empresas, que correm risco de extinção, seja pelas consequências dos efeitos das mudanças do clima, seja pela concorrência de empresas que já estão mais maduras em suas estratégias de sustentabilidade corporativa e ASG.
Há casos e dados concretos decorrentes dos efeitos dessa crise ambiental, a exemplo das inundações na Alemanha e Bélgica que ocasionou a morte de mais de 180 pessoas. Aqui no Brasil, o início de 2022 foi marcado por uma tragédia sem precedentes na cidade de Petrópolis, com chuvas e deslizamentos que tomaram a vida de mais de duas centenas de pessoas.
Ainda assim, há uma ponta de esperança destacada no relatório: a estabilização do aquecimento global entre os níveis almejados pelo Acordo de Paris, mas que isso só se concretiza no mais otimista dos cenários apresentados.
De fato, o IPCC ressalta que, não importa o nível de maturidade em práticas ASG que a sua empresa se encontra. É preciso começar e, efetivamente, fazer. São milhares de empresas que já lideram a agenda, mas ainda é pouco. Precisamos de TODAS as empresas neste barco.
Dado este contexto compartilhamos 3 orientações a serem observadas pelos gerentes de sustentabilidade.
O Instituto Ekos Brasil é protagonista no mercado em soluções inovadoras, especializadas e tecnológicas em boas práticas Ambientais, Sociais e de Governança. Somos gestores da plataforma Ekos Social que contempla o Programa Compromisso com o Clima, hoje responsável por apoiar a estratégia de compensação de grandes empresas conectando-as a projetos de créditos de carbono que geram benefícios socioambientais. Uma jornada completa para empresas que se importam com sustentabilidade e competitividade.
Entre em contato e traga sua empresa para o Compromisso com o Clima.


O Instituto Ekos Brasil anuncia o lançamento do edital 2022 do programa Compromisso com o Clima. Projetos que reduzem as emissões de gases de efeito estufa e geram benefícios ambientais têm de 21 de fevereiro a 10 de abril para realizar a inscrição.
Os projetos selecionados no Edital serão disponibilizados na Plataforma Ekos Social para que as empresas participantes do Programa compensem suas emissões. De acordo com os Princípios de Oxford, a integridade ambiental deve ser assegurada por meio de apoio a projetos de compensação de carbono responsável. Assim os projetos, que integrarão o Ciclo do Edital 2022, passam por uma fase de Due Diligence técnico e jurídico.
Se aprovados, os projetos irão compor o portfólio de compensação de carbono de grandes empresas. Atualmente, o programa conta com o apoio institucional dos parceiros/as Itaú, da Localiza, Lojas Renner, escritório Mattos Filho, MRV, Natura, grupo RaiaDrogasil e da iFood.
Confira o regulamento e inscreva seu projeto.
Todas as informações sobre o edital: regulamento, ficha de inscrição estão disponíveis no link a seguir.
[su_button url=”https://compromisso.ekos.social/” target=”blank” style=”3d” background=”#6094a1″ size=”6″ center=”yes” radius=”round”]Acesse o site do Compromisso com o Clima[/su_button]
Em 2017, Itaú Unibanco e Natura, com o apoio do Instituto Ekos Brasil, se uniram em uma parceria inédita e lançaram o Edital Compromisso com o Clima. O intuito era unir forças para compensar suas emissões inevitáveis de processos produtivos de maneira conjunta ao selecionar projetos que reduzem emissões e geram benefícios sociais e ambientais ao mesmo tempo.
A iniciativa deu muito certo. Em 2022, as empresas lançarão o quinto edital para seleção de projetos socioambientais. Os projetos selecionados pelo Programa são disponibilizados na Plataforma Ekos Social.
Atualmente, a Plataforma conta com mais de 15 projetos vinculados ao Compromisso com o Clima. Estes projetos, que estão localizados nas cinco regiões do Brasil, vêm reduzindo emissões de Gases de Efeito Estufa e gerando impactos sociais e ambientais positivos.
Com a adesão de organizações parceiras como a Localiza, escritório Mattos Filho, MRV, grupo RaiaDrogasil, Lojas Renner e o iFood, o Programa expande seu alcance e segue no propósito de engajar o setor privado em ações de responsabilidade climática.
Instituto Ekos Brasil esteve à frente do plano de manejo das UC ‘s entre 2016 e 2018.
Em decisão recente, o Ministério do Meio Ambiente validou a Área de Proteção Ambiental (APA) da Serra do Palmital e o Refúgio da Vida Silvestre da Mata da Represa, ambas Unidades de Conservação (UC) de Caçapava (SP). O Instituto Ekos Brasil foi o responsável pelo plano de manejo das áreas entre 2016 e 2018.
A ação indica um aceno positivo para a política de conservação ambiental da região, já que passam a ter prioridade no repasse de recursos provenientes da compensação ambiental. Segundo o Art. 11 da Resolução CONAMA 371/2006, tais recursos são destinados apenas para UC ‘s reconhecidas pelo Cadastro Nacional de Unidade de Conservação (CNUC) como pertencentes ao Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza.
A APA é compreendida como uma área que integra as unidades de conservação de uso sustentável. Normalmente são extensas áreas que podem conter certa ocupação humana de forma sustentável.
Por sua vez, a RVS, diferentemente das Áreas de Proteção Ambiental, são unidades de conservação protegidas de forma integral. Isso significa que a presença humana não é autorizada, já que seu objetivo é preservar a diversidade que depende do ecossistema, além de proteger o ambiente natural.
Ficou interessado/a? Entre em contato e descubra mais sobre o plano de manejo e UC ‘s.
Na última década o Brasil sofreu dois dos maiores desastres ambientais de sua história envolvendo atividades de mineração: o rompimento da barragem de Fundão (em Mariana) da Samarco, na bacia do rio Doce, em novembro de 2015; e o rompimento da barragem do córrego do Feijão (em Brumadinho) da Vale, na bacia do rio Paraopeba, em janeiro de 2019.
Ambos causaram uma série de impactos socioambientais inestimáveis e sua recuperação envolve desafios, desde o levantamento e conhecimento dos impactos gerados, que eventualmente irão persistir nos próximos anos, até as próprias ações de reparação junto à sociedade e ao ambiente, que são urgentes e ao mesmo tempo demandam longo processo para medir os resultados.
Uma importante ferramenta nesse contexto é o Monitoramento da Biodiversidade, que permite conhecer e fiscalizar os impactos no ambiente e acompanhar a recuperação ambiental. Tal monitoramento faz uso da ciência e de métodos científicos para construir perguntas plausíveis, elaborar hipóteses e trabalhar com condições testáveis.
À frente desses estudos de monitoramento de Mariana e Brumadinho está Adriano Paglia, especialista em fauna, professor da UFMG e parceiro do Instituto Ekos Brasil.
Paglia compartilha as principais lições aprendidas com esses desastres. “Sempre existe um trauma inicial que afeta todos. E logo depois desse grande trauma, do ponto de vista ambiental, surgem demandas às vezes conflitantes de estudos, análises e coletas de dados que, se feitas de maneira equivocada, podem não ser capazes de dar resposta alguma, como eventualmente produzir respostas que sejam contraditórias entre si e que não contribuem para a compreensão do impacto e para a eventual reparação do dano que foi feito”.
Para o especialista, um bom aprendizado, inicialmente, é “respirar” um pouco, olhar todo o cenário. “Mas a partir disso, usando a ferramenta científica, construir programas que sejam capazes de efetivamente responder às questões. Porque, caso contrário, será um grande desperdício de tempo e recurso”, completa.
Envolvido com tais tipos de estudos antes mesmo dos desastres de Mariana e Brumadinho, Paglia também tem um trabalho consistente ao longo de anos que avalia a qualidade e a consistência técnica de monitoramentos de biodiversidade em áreas atingidas.

De acordo com o especialista, “devemos ser capazes de usar da boa ciência, usar do método científico para construir perguntas plausíveis das quais seja possível extrair hipóteses sólidas que gerem predições testáveis”. De maneira que o monitoramento da biodiversidade em situações como essas deve ter como objetivo a “compreensão das consequências não apenas do rompimento em si, mas da restauração que está sendo realizada” e como a biodiversidade responde a essas consequências.
“Quais seriam esses impactos que ainda persistem na bacia do rio Doce em função do rompimento, quais seriam bons indicadores biológicos para monitorar esses impactos e o que se esperaria que fosse o resultado desse impacto ao longo do tempo”
No caso dos estudos de monitoramento da biodiversidade na Bacia do Rio Doce, Paglia destaca que as análises têm gerado uma grande quantidade de informação biológica. “E alguns resultados são muito interessantes”, diz.
“A quantidade de informação biológica que tem sido gerada sobre a biodiversidade na bacia (do rio Doce) é muito grande. Os resultados são muito interessantes, especificamente os relacionados à biota aquática, mas também alguns estudos sobre padrões de ocorrência da fauna e da flora na bacia.”
Há um aumento do conhecimento sobre a biodiversidade da bacia do rio Doce “e isso precisa estar acessível, disponível, em formato que seja de fácil compreensão”
Por isso, Paglia ressalta que, assim como tem sido feito na Bacia do Rio Doce, “É preciso confrontar sempre com dados, informações, estudos bem qualificados. É preciso investimento na ciência”, finaliza.
O Instituto Ekos Brasil agradece a colaboração de Adriano Paglia.
Mecanismo de Desenvolvimento Limpo e Mecanismo de Desenvolvimento Sustentável são mecanismos que regulam o mercado de transferências de reduções de emissões (mercado de carbono) entre nações e partes interessadas.
O MDL foi adotado como mecanismo regulatório de projetos de créditos de carbono a partir do Protocolo de Kyoto e entrou em vigor em 1997. O Mecanismo de Desenvolvimento Sustentável é o “novo” mecanismo regulatório proposto pelo Acordo de Paris, de 2015, que vem progressivamente substituindo e evoluindo as decisões do Protocolo de Kyoto.
Ainda no final dos anos 1990, o MDL esboçava as características básicas do mecanismo de compensação de emissões entre as partes envolvidas na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC). Apenas no ano de 2004 as negociações evoluíram e, um ano depois, o MDL contemplava, de fato, o primeiro crédito de carbono de redução de emissões emitido por um projeto.
Desde então, o MDL é o mecanismo reconhecido globalmente por regular as compensações de emissões de gases de efeito estufa (GEEs) entre os países que tem metas obrigatórias de reduções de emissões (Anexo I) com aquelas partes (nações) sem metas obrigatórias, mas com alto potencial de reduções (países em desenvolvimento).
Os projetos que atendem aos requisitos e aos padrões do MDL geram as Reduções Certificadas de Emissões (CERs), popularmente conhecidas como créditos de carbono e comercializadas entre as nações. Outros padrões reconhecidos no mercado voluntário de carbono também negociam e certificam os CERs creditados pelo MDL, como os tradicionais Verified Carbon Standard e o Gold Standard.
A partir de 2015, o Acordo de Paris em seu artigo 6º e parágrafo 4 propõe novos acordos para os mecanismos regulatórios do mercado de transferência de reduções incentivando, desta vez, o setor privado a se engajar efetivamente com a agenda climática. Com projetos de eficiência energética, transporte e reflorestamento, por exemplo, empresas privadas podem gerar créditos de carbono, incentivados pelo próprio governo, para que seu país alcance as metas almejadas de redução no Acordo de Paris.
De acordo com o relatório oficial divulgado pelas Nações Unidas na última COP 26, realizada em Glasgow, as partes (nações) decidiram por um mecanismo que privilegie mais a cooperação e abordagens não-comerciais com o intuito de incentivar metas mais ambiciosas de redução de GEEs e de resiliência às mudanças climáticas.
Em resumo, foram adotadas três decisões para implementação efetiva do Mecanismo de Desenvolvimento Sustentável do Acordo de Paris. Duas delas comerciais e uma abordagem não-comercial.
Com o acordo selado entre as partes na última COP, agora os países começam a entregar suas metas climáticas com relatórios detalhados. O objetivo a partir de agora, de acordo com as Nações Unidas, é trazer mais transparência para permitir uma contabilidade mais precisa das transferências de reduções de emissões. Para isso, ainda de acordo com a UN, os dados serão disponibilizados em uma interface pública no site da UNFCCC.
Para este ano, 2022, estão previstas reuniões entre os órgãos que supervisionam os projetos do MDL e, agora, do MDS, para elaborar as novas regras e os processos de transição de um mecanismo para o outro e, também, a implementação de um comitê para as abordagens não comerciais.
Agora que você já sabe as diferenças entre o MDL e o MDS, entre em contato com o Ekos Brasil e conheça o Programa Compromisso com o Clima. Venha engajar a sua empresa na agenda climática e conheça os benefícios de fazer parte deste mercado sustentável.
No último dia 1º, a B3 anunciou a prévia da carteira ISE B3 que vigorará no período de janeiro a dezembro de 2022. A carteira tem como objetivo ser um indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de empresas comprometidas com a sustentabilidade empresarial. Ao mesmo tempo em que incentiva o investimento em práticas ESG, a carteira apoia investidores na tomada de decisão para que levem em consideração a atuação socioambiental das empresas.
De acordo com a notícia publicada pela B3, a nova carteira reúne 34 ações, de 34 empresas de 15 setores que juntas somam R$ 1,6 trilhão em valor de mercado; 35,44% do total do valor de mercado das companhias com ações na B3, e acordo com o fechamento de 2021.
Dentre as contempladas na carteira 2021/2022, o Instituto Ekos Brasil tem o prazer de parabenizar as apoiadoras do programa Compromisso com o Clima: Itaú Unibanco, Lojas Renner, MRV, Natura, Raia Drograsil!
O Compromisso com o Clima integra a estratégia de gestão de carbono dessas empresas e viabiliza o desenvolvimento de projetos socioambientais geradores de créditos de carbono de norte a sul do Brasil.
Almeja uma estratégia simples, segura e eficiente de gestão de carbono?
Entre em contato com o Ekos Brasil!
Começando com o pé direito.
Para fazer parte do mercado de carbono, como vendedor ou como comprador, é preciso ética, transparência e responsabilidade, principalmente pelo fato de que ainda estamos sem regulamentação nacional quanto à gestão de créditos no mercado voluntário de carbono.
Por isso, desejamos trazer à luz boas práticas e recomendações feitas por estudos globais dos movimentos mais importantes relacionados à gestão climática e UNFCCC – Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima – quanto ao mercado de carbono.
Vale ressaltar que a estratégia de compra de REs (redução de emissões) ou créditos de carbono precisa fazer parte do roadmap ou do planejamento estratégico de sustentabilidade da empresa, conectando tal iniciativa com o inventário de gases de efeito estufa, e seguindo, primordialmente, a metodologia estipulada pelo Protocolo GHG.
E mesmo se parece repetitivo, também é importante frisar que os pilares de gestão climática devem se fundamentar na redução das emissões como ponto de partida – criando metas de redução em linha com o SBTi (Science Based Target initiative) – e na compensação das emissões, tendo em consideração o Acordo de Paris e o tratado conjunto global de limitar a temperatura média global a 1,5°C em relação a temperatura que a Terra apresentava na época pré-industrial.
Quanto ao pilar de compensação, há oportunidade de extrapolar o benefício climático e integrar a responsabilidade climática da empresa a seus temas materiais e consequentemente aos seus indicadores sociais, ambientais e econômicos que a própria companhia estabelece como KPIs internos de gestão de sustentabilidade e metas públicas. A estratégia climática da empresa deve estar conectada ao seu modelo de negócio, sendo considerado como um dos aspectos relevantes para as tomadas de decisão, trazendo oportunidade para que essa agenda seja um driver de inovação e de responsabilidade sócio ambiental
Um fio condutor plausível para avaliar se seus créditos de carbono estão alinhados a uma prática de desenvolvimento sustentável é ir além da compra de créditos de carbono, ou seja, buscar projetos que agregam valor social, econômico e ambiental.
Há uma necessidade latente em aprofundar a avaliação da qualidade dos projetos que estão no mercado gerando créditos de carbono e, isso vem sendo exposto em alguns estudos.
1. De acordo com o Carbon Pricing 2021 do Banco Mundial, avaliar e melhorar a qualidade dos créditos de carbono no mercado voluntário é o que trará segurança e confiabilidade aos compradores de créditos, ou seja, além de seguir com compra de créditos que sejam certificados e verificados, será necessário buscar outras qualificações para os projetos, como certificações adicionais como Climate, Community and Biodiversity Standard; Sustainable Development Verified Impact Standard (Verra) e Social Carbon, além da avaliação técnica e jurídica, na região, promovida pelo Compromisso com o Clima – Ekos Brasil.
2. Com uma avaliação técnica adequada dos projetos disponíveis para venda de REs, emerge também a importância não apenas da compensação do carbono na ponta do lápis, mas também dos ganhos sociais e ambientais para além do carbono, com projetos de alta qualidade, selecionados e validados pela avaliação técnica e com baixo risco reputacional por meio de uma avaliação jurídica.
3. Todo crédito tem um número de série único, aprovado e registrado em plataformas referentes às suas respectivas certificações para que não haja dupla contagem, além de realizar a emissão de contratos e apenas compra de créditos verificados e certificados.
4. O crédito de carbono atua como função complementar às estratégias climáticas, pois a prioridade é reduzir as emissões, por isso a importância de avaliar e melhorar a qualidade dos créditos disponíveis (World Bank, 2021).
5. Um bom exemplo de projetos que traz indiscutivelmente benefícios socioambientais são os projetos REDD+ (Redução de Emissões provenientes de desmatamento e degradação). Esse tipo de mecanismo se conecta às metas de redução e compensação que as empresas precisam adotar (NbS, 2021).
6. Para que nenhuma etapa seja deixada para trás, a recomendação é que as empresas realizem seus inventários, contemplando escopo 1, 2 e 3, definam suas metas Net Zero com objetivos e indicadores alinhados ao compromisso de aquecimento global de até apenas 1.5oC e então façam uma estratégia de gestão, comunicação e marketing com esses dados bem estabelecidos.
O Ekos é a única OSCIP que atua em rede com grandes empresas para que os créditos disponibilizados pelo Compromisso com o Clima passem por essa avaliação técnica e jurídica, para que todas as partes envolvidas sejam beneficiadas.
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Por Danielly Mello Freire, Jessica Fernandes e Talia Bonfante
Referências:
SBTi. Disponível em: <https://sciencebasedtargets.org/>. Acesso em: 25 de novembro de 2021.
State and Trends of Carbon Pricing 2021, World Bank. 2021.
Guia para compra responsável de créditos REDD+ no Brasil. Soluções Baseadas na Natureza. Aliança Brasil NBS. 2021.
Future Demand, Supply and Prices for Voluntary Carbon Credits – Keeping the Balance. UCL, Trove Research, Liebreich Associates. 2021.Explicando os mercados de carbono na era do Acordo de Paris. LACLIMA. 2021
