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O que significa regenerar o ecossistema?

O que significa regenerar o ecossistema?

Se você já escutou que “precisamos regenerar o ecossistema global” e não entendeu o que significa, este conteúdo é para você.

Uma cultura humana regenerativa é saudável, resiliente e adaptável; ela se preocupa com o planeta e com a vida, ciente de que este é o caminho mais eficaz para criar um futuro próspero para toda a humanidade.

Daniel Wahl
Fonte: Canva.

Há mais de 20 anos, o Instituto Ekos Brasil tem como propósito colaborar com a regeneração dos ecossistemas. Desde a nossa fundação, compreendemos que era preciso olhar e imitar a natureza para fazer prosperar, em harmonia, as atividades humanas e a evolução do nosso planeta.

Porém, mais recentemente, ao nos debruçarmos sobre a pergunta ‘onde queremos chegar nas próximas décadas?’, percebemos o papel ainda mais central da regeneração no futuro de nossas atividades, considerando a necessidade pungente não apenas de conservar os ecossistemas ainda preservados, mas de recuperar aqueles que já foram degradados pelas ações humanas. De fato, agora a palavra regeneração está no centro da nossa missão corporativa e, cada vez mais, vem ganhando relevo no universo da sustentabilidade.

Daniel Wahl, um dos maiores especialistas no assunto e autor do livro “Designing Regenerative Cultures” defende uma cultura humana regenerativa. Para ele, isso significa pensar a sustentabilidade de uma maneira sistêmica, agindo pela saúde e pela resiliência do planeta. 

Uma maneira bem simples de compreender a regeneração é olhar para os conhecimentos e as práticas dos povos indígenas. Wahl explica que antes do desenvolvimento das sociedades agrícolas e baseadas em combustíveis fósseis, nossa espécie soube imitar a natureza, não só mitigando impactos, mas vivendo de tal maneira que a regeneração local e regional mantinha a saúde dos ecossistemas.

Esse entendimento se relaciona diretamente com o que diz o Regenesis Institute for Regenerative Practice, um instituto de pesquisa e educação referência sobre esta temática. Quem deseja atuar de forma regenerativa, sejam pessoas, governos ou empresas, deve estar comprometido em “pensar como a natureza pensa” e não apenas em valorizar o que a natureza precisa para continuar existindo. Pensar e agir assim, como os povos indígenas, permite um trabalho em “parceria coevolutiva”.

“A coevolução com sistemas naturais não se trata de aprender sobre a natureza como uma força que existe fora de nós mesmos. Isso requer aprender sobre nossa própria natureza para reprojetar ativamente como pensamos e como trabalhamos – e possibilitar essa mudança nos outros”.

(Regenesis Institute, site institucional)
Fonte: Canva.

Hoje, a regeneração tem tomado contornos muito amplos. Além de cultura regenerativa, já se fala em economia regenerativa, agricultura regenerativa, capitalismo regenerativo, etc.

Em artigo publicado pela Forbes, outro especialista no tema, Navi Radjou, instiga as empresas a se reinventarem e a funcionarem “altruisticamente como uma floresta”. Essa seria a base para o que ele chama de “empresas regenerativas”, ou seja, negócios capazes de devolver 10 vezes ou até 100 vezes mais à sociedade e ao planeta do que o que retiram dele.

“Enquanto uma empresa sustentável procura apenas reduzir a sua pegada ecológica, uma empresa regenerativa procura corajosamente aumentar a sua pegada socioecológica (…), restaurando a saúde dos indivíduos, das comunidades e do planeta”, explica.

Da mesma forma, uma economia regenerativa gera riqueza ao mesmo tempo em que entrega sustentabilidade ambiental, social e econômica e não apenas mitiga riscos ambientais. É capaz de usar apenas recursos que possam ser recuperados e em uma velocidade que respeite o tempo de restauração da biodiversidade, dos sistemas vivos, da água e do solo.

Por fim, atualmente, podemos dizer que o melhor exemplo de regeneração liderado por humanos está na agricultura regenerativa. É o que diz o consórcio internacional “Negócios Alimentares Regenerativos”. Ao priorizar a centralidade da natureza, a agricultura regenerativa restaura os ecossistemas imitando processos ecológicos com o intuito de gerar sistemas mais resilientes. Não só, ao reprogramar sua engrenagem, a agricultura regenerativa também promove equidade, valorização de conhecimentos ancestrais e científicos e impulsiona o desenvolvimento econômico a partir da justiça sociocultural.

Somos conscientes da longa jornada que temos pela frente. Porém, entusiasmados em enxergar a realidade a partir desta visão que ultrapassa a sustentabilidade ambiental e compreende o mundo como um sistema vivo, que precisa se regenerar para continuar a existir. Para isso, precisamos pensar e agir como a natureza.

Prêmio Suíço de Sustentabilidade & Inovação premia empresas com metodologia liderada pelo Ekos Brasil

Prêmio Suíço de Sustentabilidade & Inovação premia empresas com metodologia liderada pelo Ekos Brasil

1ª edição do Prêmio Suíço de Sustentabilidade e Inovação

A Embaixada da Suíça no Brasil, no Distrito Federal, foi palco, no último dia 5, da 1ª edição do Prêmio Suíço de Sustentabilidade e Inovação. O evento contou com a presença de autoridades de ambos os países, como o Conselheiro Federal da Suíça, Guy Parmelin, e o Ministro interino Luis Fernandes, do MTCI. 

O prêmio foi lançado por meio de um edital, com uma chamada ativa para empresas brasileiras e suíças, com sede no Brasil e/ou na Suíça, de diferentes portes e setores.

Dentre as 40 empresas inscritas, as vencedoras foram Hilti Brasil e Grupo Ambipar. E dentre as 43 startups, as vencedoras foram Groam e Yattó. 

Créditos: Instituto Ekos Brasil.

A vencedora Groam é uma startup suíça que produz espuma biodegradável a partir de resíduos de biomassa agrícola, e a brasileira Yattó atua com logística reversa e economia circular com soluções para reciclagem e outros tratamentos de resíduos.

“Ficamos muito surpresos com o número de participantes inscritos e com a qualidade empenhada em cada candidatura”. 

ressaltou Danielly Freire, Gestora de Projetos de Impacto e Gestão Climática do Ekos Brasil e participante do Grupo de Trabalho de Sustentabilidade, responsável pela metodologia.

Ao lado de Danielly Mello Freire, integraram ao GTS a Presidente Ekos Brasil Ana Moeri e a Gestora do Ekos Brasil, Jéssica Fernandes, o embaixador Pietro Lazzeri, MARTIN EGGENSCHWILER da Embaixada Suíça, Mariana Badra e Denise Ortega da SWISSCAM Câmara de Comércio Suíço-Brasileira, Malin Borg e Bianca Campos da Swissnex in Brazil e Hans Andreas Aebi da Swiss Business Hub Brazil. 

Desde o início, o Instituto Ekos Brasil acompanhou o desenvolvimento do projeto do prêmio ao lado da Swissnex oferecendo orientações técnicas. Para a premiação das empresas, o Ekos Brasil liderou a construção de uma metodologia única e específica que pudesse reconhecer aquelas que têm como parte da estratégia a sustentabilidade corporativa. 

Créditos: Instituto Ekos Brasil.

Em conjunto, as organizações optaram por focar, nesta primeira edição, em inovações para Zero Waste (Lixo Zero), para a categoria das startups.

“Temos a certeza de que o evento foi um sucesso. Agradecemos, profundamente, todas as pessoas envolvidas que se mostraram solícitas e atenciosas. Foi um projeto complexo de gerir, mas prazeroso, visto a educação e engajamento de todos e de todas”

completa Danielly. 
consumo consciente

Consumo consciente e festas de final de ano: boas práticas da equipe do Ekos Brasil para você

Que tal optar por presentes que instiguem o consumo consciente neste fim de ano? Veja essa ideia do Instituto Ekos Brasil.

É chegada aquela época gostosa do ano em que, culturalmente, fazemos mais festas, trocamos presentes e consumimos mais. Porém, é possível fazer escolhas mais conscientes e menos danosas ao meio ambiente, seja na hora de escolher alimentos e bebidas para as confraternizações, seja ao selecionar aqueles mimos para presentear amigos e parentes.

Por isso, a equipe do Instituto Ekos Brasil se uniu para compartilhar boas práticas por um consumo consciente neste final de ano. São muitas as possibilidades para colocar em primeiro lugar o nosso planeta e o bem-estar das pessoas.

Alguns bons exemplos são produtos que contribuem com a conservação da natureza, reduzem a pobreza, geram condições de trabalho e renda mais digna aos trabalhadores em toda a cadeia de produção, promovem o conhecimento tradicional e reduzem as emissões de gases de efeito estufa.

Uma prática que dividimos com vocês e que pode auxiliar na escolha de produtos que geram impacto ambiental positivo e valor social é montar uma ceia de Natal com alimentos produzidos por agricultores familiares da sua cidade ou até mesmo do seu bairro.

Para encontrar estes produtos locais, procure e prefira comprar diretamente dos produtores, inclusive aqueles que estão dentro da cidade e que cuidam das hortas urbanas. Elas estão em toda parte e nas feiras de produtoras e produtores. Participe de iniciativas de coletivos organizados para apoio e consumo de produtos locais, como por exemplo  o Comunidades que Sustentam a Agricultura (CSA)  em  https://csabrasil.org/csa/csas-no-brasil/.

Ao comprar produtos beneficiados, mesmo que seja em supermercados, dê preferência àqueles produzidos de forma mais sustentável e àqueles que estabelecem relações econômicas mais justas. Os selos regulados pelo governo como da agricultura familiar, Quilombos do Brasil e Orgânicos ou de sistemas privados voluntários como o de comércio justo, Rainforest Alliance ou Biocomércio Ético (UEBT) nos ajudam a identificar produtos mais sustentáveis, para citar alguns exemplos dentre muitos (selos abaixo).

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Dizem que falar é fácil, difícil é fazer. Na realidade, colocar em prática pode ser mais fácil do que parece e muito prazeroso. Aqui no Instituto Ekos Brasil estamos exercitando essa prática e procurando ser coerentes com o que falamos. Para compor a cesta de fim de ano para nosso conselho e equipe, por exemplo, optamos por comprar produtos da agricultura familiar e de artesãs da região do vale do rio Peruaçu, no norte de Minas, uma das localidades na qual o Instituto Ekos Brasil trabalha.

Decidimos comprar produtos que valorizam e contribuem com a conservação do Cerrado, com a cultura local, com a biodiversidade brasileira e com o bem-estar das pessoas daquela região. A cesta incluiu: cerâmica da associação de mulheres do Candeal, doces de frutas nativas do Cerrado, bolsa bordada à mão pelas artesãs locais e outros produtos. Foi uma alegria para as pessoas que trabalham na agricultura familiar local e para as artesãs ver os seus produtos nessas cestas. E as pessoas que receberam foram surpreendidas por produtos tão especiais que carregam história e que foram preparados com tanto carinho.

Esperamos que esse artigo tenha despertado (ou aumentado) seu interesse por buscar contribuir com a economia local e ética ao fazer suas compras de fim de ano e ao longo de todo o ano. Com votos de um 2023 de muita paz e saúde!

Equipe do Instituto Ekos Brasil

Ernesto Moeri

20 anos do Ekos Brasil: Conheça Ernesto Moeri, seu fundador

20 anos do Ekos Brasil: Conheça Ernesto Moeri, seu fundador

“Tornei-me geólogo por vontade de conhecer outras terras e por espírito aventureiro. Sabia que essa profissão me abriria o caminho para o mundo”, Ernesto Moeri. 

Ernesto Moeri nasceu em Berna, na Suíça, em 6 de dezembro de 1945. Uma guerra chegava ao fim e uma vida inspiradora começava. 

Sem a presença de petróleo e minérios na Suíça, Ernesto veio parar no Brasil para estudar nossas formações calcárias. Aqui, viajou semanas sozinho, sem poder fazer ligações telefônicas e isolado de grandes cidades. De bom coração, como sempre, não descreveu a viagem por suas aventuras…

“O que me marcou foi o encontro com essas pessoas no norte de Minas Gerais, pobres e orgulhosas, que lutavam sem reclamar contra a escassez da natureza. Personalidades fortes e hospitaleiras, mesmo se mal tivessem frequentado os bancos escolares.”

Pouco tempo depois, teve a oportunidade de cursar um doutorado nos Pirineus. Estudou a formação de sedimentos em águas rasas e como as conclusões obtidas sobre temperatura e quantidade de oxigênio dos mares pode ser extraída a partir de informações contidas nas formações rochosas. Uma experiência científica fascinante e importante para a exploração de petróleo. 

Trabalhou então nos Estados Unidos, na Groenlândia, na Bolívia e finalmente recebeu uma proposta de uma empresa alemã para retornar ao Brasil. Aqui, passou a pesquisar sobre jazidas de carvão e calcário para a produção de ferro, caulim, cobre e ouro, na região amazônica. 

“Era uma maneira emocionante e fascinante de conhecer o Brasil. E, principalmente, conheci pessoas maravilhosas, e vi como muito trabalho e confiança mútua conseguem mover montanhas.”

Na vida pessoal, Ernesto tornou-se também um esposo, um pai e um avô amoroso, com o início de uma família no Brasil. 

No ano de 1992 nosso país sofria de uma inflação extremamente alta. As cidades estavam em expansão, cinturões industriais se transformavam em áreas residenciais e os depósitos de lixo, desregulamentados, se transformavam em um perigo para a saúde das pessoas. 

Ernesto era especialista em solo e junto com alguns colaboradores transformaram a proteção ao meio ambiente em um novo campo de negócio. “Eu amava o Brasil e porque amava o país, enxergava seus problemas e dessa maneira, nossas chances.”

Por aqui, desenvolveram muito o setor de geotecnia com a nova empresa formada, a Geoklock, e puderam se envolver em projetos de alto risco tanto para a sociedade quanto para o meio ambiente. 

O trabalho, realizado com afinco, objetividade, responsabilidade e muita inovação tecnológica, garantiu a Ernesto e seus colaboradores a fidelidade que precisavam de autoridades e clientes. Com a Geoklock, Ernesto auxiliou muitas empresas a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa e a racionalizar seu consumo de água. 

“Nosso trabalho nos sensibilizou para a vulnerabilidade da natureza. Ele nos mostrou que há apenas um único planeta Terra e que suas riquezas precisam ser protegidas.”

Em 2001, pelas mãos de Ernesto nasce também o Instituto Ekos Brasil. A ideia? Trabalhar pela preservação da biodiversidade e promoção da sustentabilidade. 

O Instituto Ekos canalizou o grande potencial de seu fundador em utilizar tecnologias inéditas nas áreas de remediação sustentável. E assim teve início o maior evento de remediação da América Latina, o Seminário Ekos Brasil que já completou 13 edições. 

Além da remediação, o Instituto Ekos Brasil também trabalha em projetos investimento de impacto e conservação da biodiversidade, sendo um importante intermediário entre grandes empresas e proponentes de projetos de desenvolvimento socioambiental. 

 “A sustentabilidade aponta o caminho e ela deve ser rentável tanto para nós quanto para nossos clientes. O tratamento cuidadoso com os recursos de nossos próprios colaboradores também faz parte da sustentabilidade e não faz mal se para isso for preciso diminuir um pouco os lucros.”

Entre os projetos mais amados por Ernesto estava o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, em Minas Gerais. Detentor de uma natureza exuberante, de cavernas espetaculares e de uma riqueza inigualável em arte rupestre. Tão único e de espírito livre como seu protetor!

Em 2007, Ernesto conquista um novo sonho. Aprende a pilotar aviões e agora pode unir várias de suas paixões: geologia, fotografia e aeronáutica. Assim, desbravou a Amazônia e os Andes e sonhava em fazer uma viagem de volta ao mundo. 

E foi nutrido de todas essas paixões que ele nos deixou, ao pilotar e registrar do alto a região de Jacareacanga, no Pará, no dia 23 de fevereiro de 2019, aos 73 anos. 

Dizemos nos deixou em sentidos ambíguos. Deixou esta terra, mas deixou também seu legado de paixão pela vida, pela natureza, pela família e pela sustentabilidade. Todas paixões prazerosas, que acompanharam Ernesto até o fim. 

“Afinal, o trabalho também tem que proporcionar prazer, assim como me proporcionou durante toda uma vida.”

 

* As falas são de um texto que ele mesmo escreveu, para uma revista. 

 

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mulheres na ciência

“A ciência é sim uma atividade para as mulheres”

“A ciência é sim uma atividade para as mulheres”

O Instituto Ekos entrevista a doutora e pesquisadora científica do Museu Biológico do Instituto Butantan, Erika Hingst-Zaher, que apresenta sua visão sobre a importância do centro de pesquisa para além das vacinas e incentiva o merecido espaço das mulheres na ciência. 

Quem não conhecia, certamente ouviu falar sobre o Instituto Butantan recentemente. Esse centro de pesquisa biológica, que ganhou o nome por estar localizado no bairro do Butantã, zona oeste da cidade de São Paulo, tem recebido grandes destaques na mídia nacional pelo desenvolvimento da vacina contra a Covid-19. Mas, você conhece as atividades do centro de pesquisa para além da vacina? 

O Instituto Butantã e o Ekos Brasil são parceiros de longa data. Para nos contar um pouco sobre o histórico dessa parceria e, principalmente, para nos atualizar sobre a relevância desse importante polo de ciência, vamos entrevistar a pesquisadora científica Erika Hingst-Zaher, do Museu Biológico do Instituto Butantan. Para ela, “a ciência pode mudar o mundo”.

Nos conte um pouco sobre a missão do Instituto Butantan. Quais são seus objetivos e como se organiza?

Erika Hingst-Zaher – O Instituto Butantan é uma das mais antigas e reconhecidas instituições de pesquisa do Brasil, criada em 1900 para combater a peste bubônica que então chegava ao país. Além da produção bem-sucedida do soro antipestoso, o primeiro diretor do Instituto, o médico Vital Brazil, teve papel de destaque no debate internacional sobre o tratamento de acidentes ofídicos. 

Na época, defendia-se que apenas um soro seria suficiente para tratar todos os tipos de picadas de cobra, entretanto Brazil, que conduzia as pesquisas sobre a produção do soro e campanhas junto ao público, para evitar os acidentes, propunha uma ideia diferente: para diferentes grupos de serpentes e tipos de veneno seriam necessários tipos diferentes de soros, o que hoje sabemos que é fundamental

Hoje, com 120 anos de existência, o Butantan é organizado em três grandes áreas: pesquisa, produção e área cultural. A pesquisa feita aqui é muito diversa, indo desde a biologia animal, venenos, epidemiologia, imunologia, identificação de genes e proteínas e muitas outras áreas. Na produção de vacinas e imunobiológicos, somos responsáveis por metade da produção nacional de vacinas e praticamente todos os soros distribuídos pelo SUS

O Instituto atua também no ensino, através de sua pós-graduação e formação de alunos de diversas áreas, e mantém uma forte comunicação com o público, através de seu papel que vai além da pesquisa: a educação e a divulgação científica. Um grande número de escolas e visitantes espontâneos visitam os museus e frequentam o parque que abriga uma floresta urbana com rica fauna e vegetação, na zona oeste de São Paulo. 

Como você avalia a importância do Instituto Butantan no desenvolvimento da ciência no Brasil?

Erika Hingst-Zaher – A criação dos institutos de pesquisa foi uma tendência mundial no final do século XIX, quando os governos e parcelas mais esclarecidas da sociedade se deram conta de que o conhecimento e o controle de doenças eram fundamentais. O tipo de pesquisa realizada nas instituições como o Pasteur, em Paris, e o Instituto Ingês de medicina Preventiva, em Londres, divergia das universidades que já existiam na época por seus resultados mais rápidos e aplicados. Nessa época, no Brasil, especialmente em São Paulo, foram organizados institutos públicos de pesquisa nas áreas de saúde, agricultura e meio ambiente, como os Institutos Butantan, Pasteur, Biológico, Botânica, Florestal e Geológico. 

Desde então, os governantes paulistas com visão mais ampla, bem como a FAPESP, investiram na consolidação deste sistema público de Ciência, Tecnologia e Inovação que é único no Brasil. O Instituto Butantan, vinculado à secretaria do estado de Saúde, é parte desta estrutura que faz com que São Paulo seja o estado que mais produz ciência no Brasil, e os pesquisadores que trabalham aqui e nos outros institutos são parte de uma carreira especial, a de pesquisador científico.  

Quais são os projetos do seu departamento? E como é a sua rotina no Instituto Butantan?

Erika Hingst-Zaher – Eu sou um dos quatro pesquisadores do Museu Biológico, o museu mais antigo do Butantan e único a apresentar cobras vivas. Os pesquisadores, alunos e funcionários do museu combinam dois tipos de atividade: a pesquisa com animais e a divulgação científica. Os outros pesquisadores estudam principalmente serpentes, através de trabalhos de campo e dos animais mantidos em cativeiro.

Minha formação como bióloga, desde a graduação até o meu doutorado, se deu especialmente nas áreas de zoologia e ecologia de vertebrados, e ainda na conservação do meio ambiente, o que me permitiu uma diversificação de projetos que atende a mais de uma área de pesquisa no Instituto Butantan. Os dois principais no momento são com evolução e diversificação de veneno nas serpentes, e de vigilância epidemiológica para patógenos como o coronavírus e o vírus da influenza em aves e morcegos. 

No primeiro, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e pela National Science Foundation (NSF), trabalho junto com outros pesquisadores do instituto e também de universidades norte-americanas estudando as serpentes e suas glândulas, e a composição do veneno, e ainda na parte de comunicação para o público dos resultados que obtemos. Poucas pessoas já pararam para pensar que o veneno das serpentes tem o propósito para estes animais de capturar sua presa (e não de picar pessoas), ele surgiu e se diversificou para isso. E ainda menos pessoas sabem que o veneno é um coquetel de proteínas que varia muito, mesmo dentro da mesma espécie de serpentes e até em uma mesma cobra ao longo de sua vida. 

No segundo, chamado de Projeto Rede de Vigilância de Vírus (PREVIR), juntamente com pesquisadores da USP e de outras universidades e institutos de pesquisa do Brasil inteiro, formamos uma rede que monitora constantemente a presença de vírus em aves e morcegos, que podem vir a causar problemas de saúde ou econômicos. Esse projeto financiado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) começou no final de 2020 e, através dos observatórios e de pontos de coleta em locais estratégicos do país, como a Amazônia e a Floresta Atlântica, procura detectar os problemas antes que eles surjam, para que possamos estar prontos e produzir vacinas antes que novos vírus atinjam populações humanas.

O problema com os vírus e com outros patógenos que podem ser prejudiciais para nós, por incrível que pareça, está ligado à conservação do meio ambiente. O desmatamento e a perda de hábitats levam ao desaparecimento de algumas espécies e ao rearranjo na estrutura das comunidades de animais silvestres que, juntamente com outros fatores, como o contato com animais domésticos ou o consumo de caça, possibilitam que as epidemias surjam entre nós. 

Essa abordagem que junta a saúde humana e a conservação dos ecossistemas é relativamente recente, embora seja intuitiva – afinal, como cuidar da saúde humana sem olhar para a saúde do planeta, para a água que bebemos, o ar que respiramos, a origem dos nossos alimentos e a forma como produzimos e a nossa relação com a natureza?. A Organização Mundial de Saúde (OMS) chama essa abordagem de “One Health”, ou saúde única

Além destas e de outras linhas de pesquisa que combinam a saúde humana e a saúde e conservação do meio ambiente, juntamente com meus alunos e colegas pesquisadores, também produzo material de divulgação científica, exposições e atividades para o público do Butantan. 

Ainda durante meu pós-doutorado no Museu de Zoologia da USP, me preocupava com as questões relacionadas ao meio ambiente e o que os cientistas, assim como eu, sabiam que poderia acontecer com a biodiversidade. Só que este é um problema de comunicação: muitas vezes, os cientistas deixam de comunicar para o público descobertas importantes que podem fazer a diferença para nosso bem-estar e para a sobrevivência do planeta. 

Tendo isso em mente, fiz uma especialização em comunicação científica na Escola de Comunicações e Artes (ECA-USP), o que me deu uma base para atuar no Museu Biológico na parte de divulgação da ciência. Essa parte do meu trabalho, na qual desenvolvo materiais e atividades para o público na área de biodiversidade, é extremamente gratificante, e envolve não apenas exposições e filmes, mas também atividades como caminhadas para a observação da fauna e da flora na floresta do Instituto. 

Você já liderou equipes e desenvolveu diversos projetos em parceria com o Instituto Ekos. Quais desses projetos foram os mais relevantes e quais os resultados?

Erika Hingst-Zaher – Trabalho em colaboração com o Instituto Ekos desde 2005 elaborando planos de manejo de áreas protegidas, como parques estaduais e estações ecológicas, e propondo a criação de novas áreas destinadas à conservação. Foram sempre trabalhos extremamente enriquecedores, com o convívio com pesquisadores de outras áreas e com a equipe do Ekos. 

De todos estes trabalhos, aquele do qual mais me orgulho, e que me traz imensa felicidade foi a proposta para a WWF de criação de uma grande área protegida na restinga de Bertioga, atualmente o Parque Estadual da Restinga de Bertioga. Esta área é extremamente importante e única em sua biodiversidade, já que é uma faixa litorânea de vegetação com origem e formação diferente do restante da Floresta Atlântica e sofria grande pressão para desenvolvimento de empreendimentos imobiliários e turismo. 

Com isso protegemos diversas espécies ameaçadas e um patrimônio único.  

Quais são os desafios que você, como pesquisadora científica, enfrenta hoje no Brasil?

Erika Hingst-Zaher – Sem dúvida o maior desafio é o sucateamento da ciência e a falta de apoio dos governantes às pesquisas de longa duração e à manutenção da estrutura, universidades e institutos onde a pesquisa é feita no Brasil. A carreira de pesquisadora científica não tem mais o prestígio e o apoio que tinha no passado. Vejo meus colegas se aposentando, enquanto não se abrem novas vagas para substituí-los ou para continuarem suas linhas de pesquisa. 

O mesmo se passa com os institutos de pesquisa, que até então foram um dos grandes diferenciais para a produção científica no estado. As incertezas sobre financiamento e bolsas para alunos de pós-graduação desenvolverem seus projetos afasta muitos jovens promissores da possibilidade de seguir uma carreira acadêmica na ciência. 

Mas não quero falar apenas das coisas negativas. Assisti no decorrer do último ano um interesse renovado da sociedade, em geral nos cientistas e na ciência que é feita no Brasil, e espero que isso faça com que os governos, em vários níveis, voltem seus olhos também à importância de avançarmos com a ciência pura e aplicada e para sua importância à soberania nacional, a exemplo do que se faz em países desenvolvidos. 

Que mensagem você daria aos novos pesquisadores que estão iniciando carreira no país?

Erika Hingst-Zaher – Neste mês de março, quando pensamos mais nas meninas e nas mulheres, queria deixar minha mensagem especialmente para elas que, frequentemente quando estão crescendo, acreditam menos em si mesmas. Isso porque quando chegamos na pós-graduação ou no exercício da profissão na área acadêmica, vemos menos mulheres presentes em bancas e congressos, ficamos menos à vontade para fazer perguntas após palestras e apresentações, recebemos menos convites para reuniões científicas e bancas de pós-graduação e concursos, e levamos a responsabilidade maior na dupla jornada com os cuidados da casa, dos filhos e da família. 

Queria dizer para todas que a ciência é sim uma atividade para as mulheres e que temos a capacidade de seguir carreira em STEM (termo em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). Além disso, enquanto cientistas, frequentemente orientamos alunos de forma melhor, com mais suporte emocional, além de profissional

Tenho a sorte de ao longo da minha formação ter tido colegas mulheres na ciência sensacionais, que me mostraram que podemos fazer muito além e melhor. No Instituto Butantan, as mulheres têm uma posição de destaque na coordenação e na condução de pesquisa de ponta. Tenho também a sorte de ter a inspiração de zoólogas brasileiras ou radicadas no Brasil, como Emilie Snethlage e Bertha Lutz, que foram expoentes em suas áreas e lutaram pelo direito das mulheres em várias frentes, abrindo caminho para quem veio depois. 

Minha mensagem é para as meninas e mulheres que gostariam de fazer pesquisa, para que não desistam se seus sonhos, de sua vontade. Apesar de todos os desafios, muitos dos quais mencionei aqui, a ciência pode nos estimular e nos mover para diante. A ciência pode mudar o mundo. 

Leia também: Especial Dia Mundial da Agricultura Johanna Döbereiner: a mulher que transformou a agricultura brasileira. 

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Ekos Brasil integra Rede Brasil do Pacto Global ONU, maior inciativa voluntária de cidadania corporativa do mundo 

Ekos Brasil passa a integrar a Rede Brasil do Pacto Global ONU, a maior inciativa voluntária de cidadania corporativa do mundo 

O Instituto Ekos Brasil acaba de ingressar na Rede Brasil do Pacto Global, iniciativa da Nações Unidas (ONU) para mobilizar a comunidade empresarial na adoção e promoção, em suas práticas de negócios, de Dez Princípios universalmente aceitos nas áreas de direitos humanos, trabalho, meio ambiente e combate à corrupção. Com a criação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o Pacto Global também assumiu a missão de engajar o setor privado nesta nova agenda.

Criado em 2000, o Pacto Global foi idealizado pelo ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan e dá aos membros acesso a ferramentas que contribuirão para ampliar o envolvimento da empresa/organização com os temas de sustentabilidade e com as discussões na área. Também possibilita a participação em programas locais e internacionais, dentre os quais os grupos temáticos que conduzem projetos nas áreas de Água, Alimentos e Agricultura, Anticorrupção, Direitos Humanos e Trabalho, Energia e Clima e ODS. Com mais de 15 mil participantes em quase 170 países, a iniciativa conta com mais de 1100 membros no Brasil, país que possui a terceira maior rede no mundo.

Ao integrar o Pacto Global nos comprometemos a reportar periodicamente o nosso progresso em relação aos 10 princípios.  Assim, a iniciativa estimula a evolução constante das práticas internas de sustentabilidade. As empresas que quiserem fazer parte, podem encontrar mais informações em www.pactoglobal.org.br

Entre em contato conosco e venha fazer parte desta rede. 

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Ekos Brasil divulga Relatório Anual de Atividades 2019 

Ekos Brasil divulga Relatório Anual de Atividades 2019 

Com o intuito de divulgar nossas boas práticas com transparência e organização, disponibilizamos a vocês nosso Relatório Anual de Atividades, referente ao ano de 2019. Um ano marcante, sem dúvidas.

Depois da repentina e triste notícia da perda do nosso presidente e fundador, Ernesto Moeri, seguimos o trabalho com muita dedicação e, no documento a seguir, compartilhamos com vocês nossos esforços e nossas conquistas por um mundo mais sustentável.

Nele, vocês poderão conferir detalhes da nossa atuação junto à Fundação Renova, nossos projetos de conservação da biodiversidade no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, o crescimento progressivo da rede de remediação Nicole Latin America e novas conquistas nos projetos de investimento de impacto Ecomudança e Compromisso com o Clima.

Acesse e veja em números, fotos (e sorrisos) os resultados do nosso trabalho.

Ekos Brasil apresenta novos membros dos conselhos fiscal e técnico

Ekos Brasil apresenta novos membros dos conselhos fiscal e técnico 

O Instituto Ekos Brasil iniciou 2020 com novos membros em seu quadro de conselheiros. São profissionais especializados em suas áreas de atuação e que, gentilmente, auxiliam o Ekos Brasil a executar o trabalho na direção certa. 

Por isso, agradecemos a importante contribuição desses profissionais e temos o prazer em apresentá-los , dando boas vindas !

 

André Rebouças 

Graduado em geologia, com mestrado em hidrogeologia e meio ambiente e especialização em Direito Ambiental pela Universidade de São Paulo (USP), André Rebouças tem mais de 20 anos de experiência no mercado. Atualmente trabalha como diretor de Análises Ambientais da Mérieux NutriSciences, atuando para ampliar os negócios da empresa por meio de investimentos focados na qualidade de atendimento ao cliente.

 

 Christian Dobereiner 

Christian Dobereiner é geólogo e experiente executivo, com mais de 25 anos de experiência internacional junto a indústrias extrativas, governo e como diretor não executivo de ONGs, particularmente na América do Sul. Tem vasta experiência nacional e internacional em desenvolvimento e implementação de estratégias socioambientais e como mediador e especialista em resolução de conflitos. Possui histórico de entrega de melhoria contínua de desempenho socioambiental em organizações que operam em áreas cada vez mais socialmente complexas e ambientalmente sensíveis.

 

Sonia Favaretto 

Sonia Favaretto é jornalista e radialista. Atua com sustentabilidade há 15 anos, tendo passagens por BankBoston, FEBRABAN, Itaú Unibanco e B3. Em 2016, foi reconhecida pelo Pacto Global da ONU como SDGPioneer, uma das 10 pessoas no mundo que trabalham pelo avanço dos ODS. É membro externo do Comitê de Segurança, Meio Ambiente e Saúde da Petrobras, presidente do Conselho Consultivo da GRI Brasil e vice-presidente do Board do CDP LA.

 

Assim, a atual configuração dos conselhos ficou conforme a lista apresentada abaixo:

 

Conselho Fiscal:

Cristina Sancini

Jaime Ohata

André Rebouças

 

Conselho Técnico:

Araquém Alcântara

Délcio Rodrigues

Paulo Artaxo

Sergio Goldemberg

Christian Dobereiner

Sonia Favaretto

 

Estamos muito felizes em ter esses novos membros e animados pelas novas oportunidades e projetos que estão por vir!