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Soluções Baseadas na Natureza: quando a natureza inspira soluções para desafios globais

Soluções Baseadas na Natureza: quando a natureza inspira soluções para desafios globais

Soluções Baseadas na Naureza
Photo by CHUTTERSNAP on Unsplash

Um “corredor verde” na cidade, um “rooftop” que vira jardim, o terreno baldio que vira horta, a encosta de um viaduto que se transforma em uma mini floresta vertical. Soluções simples e até visualmente bonitas, mas quase sempre incompreendidas e por isso pouco valorizadas pelos cidadãos comuns.

Re-naturalizar as cidades é, na verdade, uma das soluções baseadas na natureza que têm o intuito, por exemplo, de reduzir o fluxo de água das tempestades que pressionam os sistemas de drenagem em grandes cidades. O mesmo serviço que presta uma floresta na regulação do nosso sistema hídrico natural.

O exemplo é para deixar um pouco mais claro o que significa um dos “termos do momento” no universo da sustentabilidade: Nature-Based Solutions (NbS), ou Soluções Baseadas na Natureza (SbN), uma das metas estabelecidas pelo Marco Global da Biodiversidade.

As Soluções Baseadas na Natureza são ações para proteger, gerenciar de forma sustentável e restaurar ecossistemas naturais ou modificados, que abordam os desafios sociais de forma eficaz e adaptativa, proporcionando simultaneamente benefícios ao bem-estar humano e à biodiversidade

União Internacional para a Conservação da NaturezA

Tecnicamente, é um termo amplo que contempla outras abordagens e estudos já estabelecidos como adaptação baseada em ecossistema (EbA, sigla em inglês) e mitigação (EbM, sigla em inglês), redução de riscos de desastres ecológicos (eco-DRR, sigla em inglês), Infraestrutura Verde (GI sigla em inglês) e Soluções Climáticas Naturais (NCS, sigla em inglês).

Em palavras mais simples, as SbN se inspiram em sistemas e serviços desenvolvidos pela própria natureza com o intuito de resolver ou amenizar alguns dos grandes desafios globais como as mudanças climáticas, a degradação dos ecossistemas, a perda de espécies silvestres e o crescimento cada vez mais preocupante de cidades pouco planejadas, insustentáveis e insalubres.

Leia também: Ekos Brasil assina carta e apoia diretrizes para as Soluções Baseadas na Natureza

Acima demos um exemplo de como nossas cidades podem se beneficiar dessas soluções. Mas existem muitos outros que impactam positivamente, de uma maneira geral, a sociedade, a natureza e a economia.

Photo by Daniel Funes Fuentes on Unsplash

São exemplos de Soluções Baseadas na Natureza a  agricultura social (práticas de agricultura desenvolvidas nos centros urbanos e periferias como hortas comunitárias que promovem saúde, inclusão social e aproveitamento “verde” de espaços urbanos); irrigação com água de reuso (assim como a natureza reutiliza a água); restauração de planícies inundadas, dentre outros.

A aposta nas NbS não é à toa. Tais práticas são inovadoras na medida em que garantem serviços de infraestrutura eficientes a um custo muito menor de implementação e manutenção do que outros tipos de engenharia e serviços, sem mencionar o fato de que muitas dessas soluções se tornam autossustentáveis ao longo do tempo.

O conceito de Soluções baseadas na Natureza é uma forma de aumentar a percepção das pessoas sobre os serviços que a natureza presta. Ademais, ajudam a atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Além disso, ao mesmo tempo em que entregam infraestrutura, as NbS também edificam maior resiliência climática ao sequestrar carbono, gerar habitat para a biodiversidade, promover o crescimento verde, a eficiência energética, a melhoria da qualidade do ar, dentre outros, e ainda gerar cobenefícios sociais para como recreação e inclusão para as comunidades envolvidas.

Compromisso com o Clima abre seleção de projetos de carbono para 2023 

A partir do dia 27 de fevereiro, proponentes de projetos de créditos de carbono de alta integridade já disponíveis no mercado poderão iniciar o processo de seleção, por meio de curadoria técnica, para integrar o Programa Compromisso com o Clima. Este ano com algumas novidades! 

Com o intuito de tornar o processo mais célere e assertivo, a seleção terá início com uma Manifestação de Interesse por parte dos proponentes,  que deverão preencher um formulário simples e enviar documentos referentes à elegibilidade do projeto e do próprio proponente. A manifestação de interesse começa no dia 27 de fevereiro e finaliza no dia 12 de março

Outra novidade é a entrada de dois novos padrões de certificação aceitos, o Global Council Carbon (GCC) e o SocialCarbon Standard. A elegibilidade dos projetos se dá a partir de projetos com reduções de emissões validadas ou já verificadas. 

“O Programa Compromisso com o Clima já nasceu com o objetivo de ser um programa íntegro, transparente e nunca abriu mão de due diligence em seus processos. Por isso, entramos em 2023 prontos para selecionar projetos incríveis que levam desenvolvimento sustentável aos biomas brasileiros ao mesmo tempo em que atendemos a todos os requisitos de alta credibilidade que o mercado tem exigido”, destacou Ana Cristina Moeri, presidente do Instituto Ekos Brasil. 

Os projetos selecionados e os que já compõem a plataforma devem atender a uma demanda de 600.000 tCO2e dos seus apoiadores institucionais para 2023. 

Para participar deste processo, os proponentes interessados devem acessar e ler o regulamento com atenção, onde encontram o passo a passo e os requisitos para realizar a Manifestação de Interesse. 

Sobre o Compromisso com o Clima 

Com o apoio de grandes parceiros, o programa Compromisso Com o Clima vem expandindo seu alcance e segue com o propósito de engajar o setor privado em ações de responsabilidade climática, conectando-os a projetos socioambientais responsáveis que geram créditos de carbono. 

Os Apoiadores Institucionais do Programa compensam voluntariamente suas emissões de GEE, por meio da aquisição de reduções de emissões, pois entendem que este é um componente importante para o combate aos efeitos da mudança climática. Por meio da compensação, novos fluxos financeiros são gerados e aplicados em projetos socioambientais que promovem a transição para uma economia de baixo carbono. Tudo isso dentro de uma plataforma simples e segura sob a gestão do Instituto Ekos Brasil. 

Na foto um homem indígena com pinturas culturais no rosto, utilizando um cocar e olhando para o céu, em meio a uma floresta.

Pesquisas comprovam o papel dos povos e territórios indígenas na conservação da biodiversidade 

Por Cibele Lana.

Realizada em dezembro de 2022, a última Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP15) fechou sua Plenária com a aprovação importante do Marco Global da Biodiversidade. Com quatro objetivos e 23 metas, sobre as mais variadas temáticas, o documento foi chamado de “Acordo de Paris” da Biodiversidade, tamanha sua importância para frear o desequilíbrio ecossistêmico. 

Um dos destaques do Marco é a validação do papel dos povos indígenas como guardiões da biodiversidade e detentores de saberes inigualáveis sobre o manejo e restauração das áreas naturais.

No Brasil, temos muitos exemplos que comprovam esse papel. Não à toa o Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro, na Amazônia, foi reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como Patrimônio Cultural do Brasil. Desenvolvido pelos povos indígenas da região, esse sistema tradicional repleto de saberes evidencia a habilidade desses povos em produzir de forma sustentável, especialmente com a cultura da mandioca, garantindo a conservação da floresta. 

Esse é só um exemplo, já bastante difundido no senso comum, de como os povos indígenas desenvolveram formas de manejo sustentável da floresta capazes de produzir alimentos ao mesmo tempo em que mantêm o equilíbrio do ecossistema. De fato, de acordo com o Instituto Socioambiental, foram as técnicas de manejo sustentável dos indígenas que deram origem a produtos que conhecemos hoje, de plantas como a castanheira, a pupunha, o cacau, o babaçu, a mandioca e a araucária.  

No entanto, para ir além do senso comum, apresentamos ao menos três pesquisas e relatórios recentes e de alta confiabilidade que atestam a importância primordial dos povos indígenas e suas terras, juntamente com as Unidades de Conservação, para a conservação da biodiversidade dos nossos biomas. Uma comprovação científica e baseada em dados para o que o Marco Global da Biodiversidade já afirma. 

Produção e conservação lado a lado 

O mais recente relatório do projeto Amazônia Viva, do WWF, divulgado no segundo semestre de 2022, afirma que enquanto apenas nove variedades de plantas representam 66% da produção agrícola mundial, os povos indígenas da Amazônia utilizam cerca de 200 espécies diferentes de árvores como fontes madeiráveis, 100 das quais também oferecem outros tipos de produtos. Por isso, o relatório é categórico:

Os sistemas de produção agrícola biodiversos dos povos indígenas amazônicos ajudam a deter a perda de biodiversidade e desertificação do solo, ao mesmo tempo que contribuem com a soberania alimentar a nível local”.  

Onde há terras indígenas, há muito menos desmatamento

Para corroborar com a evidência de que os povos indígenas têm muito a nos ensinar sobre desenvolvimento sustentável e proteção dos recursos naturais,  uma pesquisa recente conduzida pela Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada mostrou que a menor taxa de desmatamento na Amazônia Legal entre 2001 e 2020 aconteceu em Territórios Indígenas, enquanto que a maior aconteceu fora desses Territórios e fora das Áreas Naturais Protegidas. Atualmente, são 390 Territórios Indígenas na Amazônia Nacional, representando 22,1% desta região e que confirmam ser, também, uma proteção resiliente contra aqueles garimpeiros, grileiros, madeireiros, fazendeiros etc, que ainda não compreenderam a importância da conservação da floresta e do seu uso sustentável. 

Para entender o impacto dos povos indígenas na conservação da biodiversidade é importante observar os níveis de desmatamento na Amazônia, em áreas protegidas (2001-2020, Km2). O gráfico em pizza mostra que a maior parte foi realizada fora das Terras Indígenas/ANP.
Fonte de referência: RAISG 2022.

Mesmo sendo poucos, eles protegem muito

Dados como esses são importantes para a fundamentação de acordos globais e nacionais de combate às mudanças climáticas e conservação da natureza. Para contribuir com esse objetivo, um grupo de cientistas publicou em 2018 na Nature Sustainability, um renomado journal científico, o estudo “A spatial overview of the global importance of Indigenous lands for conservation” que fez uso de referências geoespaciais e sugeriu fortemente que “reconhecer os direitos dos povos indígenas à terra, à repartição de benefícios e instituições é essencial para atingir as metas locais e globais de conservação da biodiversidade”. 

A pesquisa mostrou também que mesmo que povos indígenas representem apenas 5% da população global, eles administram ou têm direito sobre 38 milhões de km2 de terras em 87 países, o que representa mais de um quarto da superfície terrestre e, ainda, são áreas que cruzam com cerca de 40% de todas as áreas terrestres protegidas e com paisagens ecologicamente intactas

A figura a seguir foi retirada do estudo e mostra a interseccionalidade entre terras indígenas, áreas protegidas e paisagens naturais em cada região do globo. O círculo maior é proporcional, em escala, à área total terrestre do planeta (excluindo a Antártica). 

Fonte: Garnett et.al (2018)

Em nossa jornada ao longo de anos trabalhando com projetos de biodiversidade, podemos dizer que a experiência em campo nos confirma o que dizem as pesquisas, os relatórios e o próprio Marco Global da Biodiversidade. Onde há respeito pela cultura e pelos territórios dos povos indígenas, consequentemente há também uma conservação maior da biodiversidade. 

Entre em contato e saiba mais sobre as nossas iniciativas relacionadas à conservação da biodiversidade. 

Participação da comunidade marca reuniões preparatórias do plano de manejo do Parque Estadual do Rio Doce

Participação da comunidade marca reuniões preparatórias do plano de manejo do Parque Estadual do Rio Doce

Nos dias 30 de janeiro, 01 e 03 de fevereiro de 2023 o Instituto Estadual de Florestas, o Instituto Ekos Brasil e a consultoria Plantuc Projetos Socioambientais conduziram reuniões preparatórias com as comunidades da Zona de Amortecimento do Parque Estadual do Rio Doce (PERD) como parte do processo de revisão do Plano de Manejo da Unidade de Conservação. São 9 os municípios que fazem parte da Zona de Amortecimento: Dionísio, Marliéria, Timóteo, Jaguaraçu, Caratinga, Bom Jesus do Galho, Pingo d’Água, Córrego Novo e Raul Soares. 

A escolha dos locais para as reuniões teve como critério a facilidade de acesso e a distribuição territorial das comunidades desses municípios em relação ao Parque. 

No primeiro dia a reunião aconteceu em Cava Grande, município de Marliéria, e contou com a participação de 32 pessoas; no segundo dia aconteceu no município de Pingo D’Água, com a presença de 33 pessoas; e a terceira reunião aconteceu no município de Timóteo, com 30 participantes. No dia  09 de fevereiro tivemos a reunião preparatória específica com as Prefeituras dos Municípios inseridos na Zona de Amortecimento do PERD, com 21 participantes

Ao total, as reuniões envolveram 116 atores de diferentes organizações e instituições público, privadas e sociedade civil e tiveram como objetivos divulgar e esclarecer informações sobre o processo de revisão do Plano de Manejo; colher contribuições dos participantes sobre a conservação do PERD e sua relação com o entorno; e identificar possíveis atores que participarão da Oficina de Revisão do Plano de Manejo da Unidade de Conservação, prevista para abril de 2023. Em breve serão realizadas reuniões com o terceiro setor e setor produtivo.

A participação das comunidades do entorno do Parque, das instituições e organizações que estão neste território é fundamental para qualificar e legitimar a revisão do Plano de Manejo desta Unidade de Conservação.

Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN): um instrumento exitoso de conservação da natureza

Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN): um instrumento exitoso de conservação da natureza

Conversamos com Maria Cristina Weyland sobre a importância da RPPN. Confira.

Como o próprio nome já diz, a Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN) é uma área protegida mantida pela iniciativa voluntária de uma pessoa ou empresa e é a única categoria oficial no Brasil de área protegida particular. Uma vez criada, seu status é perpétuo.

A possibilidade de criar uma RPPN existe desde 1990 quando um decreto deu aos proprietários particulares de áreas rurais ou urbanas a possibilidade de contribuir com a conservação da natureza quando suas propriedades apresentam potencial para isso.

Ao todo, atualmente são 1802 RPPNs espalhadas em todos os biomas brasileiros, contabilizando mais de 820 mil hectares conservados, de acordo com os indicadores fornecidos pela Confederação Nacional de RPPN. A maioria se encontra na região Sudeste e são Unidades de Conservação Estaduais.

Conheça o livro “RPPNs para Sempre: Contos, Encantos e Desafios!” lançado pela Confederação Nacional de RPPN.

O Instituto Ekos Brasil conversou com Maria Cristina Weyland, uma das porta-vozes com mais credibilidade sobre RPPNs no Brasil. Maria Cristina é presidente da Associação de RPPN de Minas Gerais (ARPEMG), Diretora Técnica da Confederação Nacional de RPPN, Vice-Presidente do Instituto Sul Mineiro de Estudos de Conservação da Natureza e mais recentemente também assumiu como ponto-focal no Brasil da Comissão Mundial de Áreas Protegidas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

RPPN Santuario Veredas São Miguel – MG – Cerrado

“Temos muito a celebrar, certamente. Como participante da Comissão Mundial de Áreas Protegidas da IUCN, pelo que eu vejo, a RPPN é um instrumento, dos mais exitosos para a proteção da biodiversidade por meio da conservação de áreas particulares. No Brasil contamos com várias associações estaduais, além de uma Confederação Nacional”, comenta.

Ao se decidir pela criação de uma RPPN, o proprietário particular deve procurar o órgão ambiental estadual ou federal e estar ciente de que o processo requer uma etapa um pouco burocrática de análise e envio de documentos, incluindo um mapa com o  georreferenciamento da área a ser registrada como RPPN.

Depois de criada, a área pode explorar e desenvolver atividades de ecoturismo, educação ambiental e atividades de cunho científico. “Explorar a área com essas atividades é interessante para poder receber certos tipos de verbas e compensação ambiental”, diz.

Maria Cristina também explica que não há exigência de tamanho para a criação de uma RPPN e que mesmo pequenas áreas têm o papel de mostrar um compromisso socioambiental.

RPPN_Fazenda Lagoa – MG – Mata Atl

No entanto, destaca sua admiração por uma das maiores RPPNs do Brasil, o Santuário da Caraça, mantida por uma organização religiosa no bioma da Mata Atlântica em Minas Gerais e “sobrevivente” de uma região de mineração. “É um dos lugares que todo mundo deve visitar”, completa.

Algumas personalidades brasileiras também detêm e ajudam a divulgar as RPPNs como o cantor Ney Matogrosso e o fotógrafo Sebastião Salgado que, juntamente com Lelia, sua esposa, são proprietários da Fazenda do Bulcão, em Minas Gerais, uma área que, antes tomada por pastos degradado,  foi completamente reflorestada com Mata Atlântica, tornando-se um exemplo para a região do rio Doce, em MG e para todo o Brasil.

RPPN Santuario Caraça – MG – Mata Atl

Além disso, empresas de todos os portes também têm investido na criação e manutenção de RPPNs como compensação ambiental e iniciativa de sustentabilidade corporativa.

Interessou? Entre em contato com o Instituto Ekos Brasil!

Mapa Mundi na cor verde. Fórum Econômico Mundial 2023.

Fórum Econômico Mundial 2023 e o direcionamento socioambiental

Nesta segunda-feira (16), teve início o evento econômico mais aguardado pela comunidade internacional, o Fórum Econômico Mundial 2023, que acontece em Davos, na Suíça. Com o tema “Cooperação em um Mundo Fragmentado”, o evento se estenderá até o dia 20 e reúne lideranças comprometidas com os rumos da economia nos próximos anos em meio aos avanços tecnológicos, adaptações à COVID-19, mudança do clima e necessidade de uma existência mais saudável para bilhões de pessoas. 

Com mais de 50 anos de história, o Fórum Econômico Mundial de Davos começou como um simpósio focado apenas no mercado europeu e evoluiu para um evento mundial anual, de grande proporção internacional. Em 2023, são aguardados cerca de 2.700 participantes, incluindo centenas de chefes de estado e ministros de vários países.

O que está em pauta?

Temas com foco ambiental como a mudança do clima, poluição por resíduos plásticos, energias limpas, economia circular, uso da terra, áreas costeiras e carbono azul, recursos hídricos e carbono zero em cadeias de suprimentos são alguns dos assuntos previstos a serem debatidos nos painéis do evento. 

Do Brasil estão a ministra Marina Silva (Meio Ambiente) e o ministro Fernando Haddad (Fazenda), que foram a Davos com uma mensagem de retomada econômica e protagonismo ambiental. A expectativa é que os ministros reforcem a conexão fundamental entre a economia e o meio ambiente e estimulem o alinhamento de medidas práticas para o avanço das pastas em conjunto.

A voz do Brasil

No primeiro dia, a ministra do Meio Ambiente participou do painel “Em Harmonia com a Natureza” no qual reforçou a importância do compromisso ético de lideranças com a sustentabilidade, não apenas com foco em meio ambiente e economia, mas também com o viés social, visando o combate às desigualdades. A ministra também participará do painel “A Amazônia em uma Encruzilhada” nesta quinta-feira. 

“Sustentabilidade não será uma política setorial, mas transversal, passando pelas políticas de energia, indústria, mobilidade, por todos os setores”, ressaltou Marina Silva.  

A Diretora de Relações Institucionais do Instituto Ekos Brasil, Ciça Wey de Brito, participou no último dia 4 da posse da ministra Marina SIlva e destacou que, em suas falas, Marina se comprometeu a trabalhar para que a política ambiental volte a ter o mais alto nível de prioridade no atual governo. 

“A Ministra Marina reforçou a necessidade de o governo ter a agenda ambiental tratada de forma articulada por todos os setores do governo, para que os acordos assumidos pelo país no âmbito internacional possam ser cumpridos em sua totalidade”, complementa Ciça.

Para o Ekos Brasil, é esperado que ao longo do Fórum a sustentabilidade seja tratada como uma aliada para o crescimento econômico internacional. “Ações de combate ao desmatamento na Amazônia, por exemplo, são fundamentais para a prosperidade econômica e social de todo o globo. É importante que os ministros levem essa realidade para Davos e alertem as lideranças sobre os impactos do desequilíbrio ecossistêmico na economia mundial”, ressalta Ciça Wey.

Além dos ministros, o Brasil também estará representado pelos governadores Tarcísio de Freitas (SP), Eduardo Leite (RS) e Helder Barbalho (PA).

É possível acompanhar a programação, acessar os convidados e assistir às transmissões abertas no site oficial do evento (em inglês). 

Acompanhe também nosso site e redes sociais.

consumo consciente

Consumo consciente e festas de final de ano: boas práticas da equipe do Ekos Brasil para você

Que tal optar por presentes que instiguem o consumo consciente neste fim de ano? Veja essa ideia do Instituto Ekos Brasil.

É chegada aquela época gostosa do ano em que, culturalmente, fazemos mais festas, trocamos presentes e consumimos mais. Porém, é possível fazer escolhas mais conscientes e menos danosas ao meio ambiente, seja na hora de escolher alimentos e bebidas para as confraternizações, seja ao selecionar aqueles mimos para presentear amigos e parentes.

Por isso, a equipe do Instituto Ekos Brasil se uniu para compartilhar boas práticas por um consumo consciente neste final de ano. São muitas as possibilidades para colocar em primeiro lugar o nosso planeta e o bem-estar das pessoas.

Alguns bons exemplos são produtos que contribuem com a conservação da natureza, reduzem a pobreza, geram condições de trabalho e renda mais digna aos trabalhadores em toda a cadeia de produção, promovem o conhecimento tradicional e reduzem as emissões de gases de efeito estufa.

Uma prática que dividimos com vocês e que pode auxiliar na escolha de produtos que geram impacto ambiental positivo e valor social é montar uma ceia de Natal com alimentos produzidos por agricultores familiares da sua cidade ou até mesmo do seu bairro.

Para encontrar estes produtos locais, procure e prefira comprar diretamente dos produtores, inclusive aqueles que estão dentro da cidade e que cuidam das hortas urbanas. Elas estão em toda parte e nas feiras de produtoras e produtores. Participe de iniciativas de coletivos organizados para apoio e consumo de produtos locais, como por exemplo  o Comunidades que Sustentam a Agricultura (CSA)  em  https://csabrasil.org/csa/csas-no-brasil/.

Ao comprar produtos beneficiados, mesmo que seja em supermercados, dê preferência àqueles produzidos de forma mais sustentável e àqueles que estabelecem relações econômicas mais justas. Os selos regulados pelo governo como da agricultura familiar, Quilombos do Brasil e Orgânicos ou de sistemas privados voluntários como o de comércio justo, Rainforest Alliance ou Biocomércio Ético (UEBT) nos ajudam a identificar produtos mais sustentáveis, para citar alguns exemplos dentre muitos (selos abaixo).

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Dizem que falar é fácil, difícil é fazer. Na realidade, colocar em prática pode ser mais fácil do que parece e muito prazeroso. Aqui no Instituto Ekos Brasil estamos exercitando essa prática e procurando ser coerentes com o que falamos. Para compor a cesta de fim de ano para nosso conselho e equipe, por exemplo, optamos por comprar produtos da agricultura familiar e de artesãs da região do vale do rio Peruaçu, no norte de Minas, uma das localidades na qual o Instituto Ekos Brasil trabalha.

Decidimos comprar produtos que valorizam e contribuem com a conservação do Cerrado, com a cultura local, com a biodiversidade brasileira e com o bem-estar das pessoas daquela região. A cesta incluiu: cerâmica da associação de mulheres do Candeal, doces de frutas nativas do Cerrado, bolsa bordada à mão pelas artesãs locais e outros produtos. Foi uma alegria para as pessoas que trabalham na agricultura familiar local e para as artesãs ver os seus produtos nessas cestas. E as pessoas que receberam foram surpreendidas por produtos tão especiais que carregam história e que foram preparados com tanto carinho.

Esperamos que esse artigo tenha despertado (ou aumentado) seu interesse por buscar contribuir com a economia local e ética ao fazer suas compras de fim de ano e ao longo de todo o ano. Com votos de um 2023 de muita paz e saúde!

Equipe do Instituto Ekos Brasil

plantas medicinais

Resgate e Valorização das Plantas Medicinais e do Conhecimento Tradicional 

Que a região do Peruaçu (MG) é rica em atrativos naturais e culturais é um consenso. Agora, você sabia que por lá são encontradas inúmeras folhas, cascas, resinas e raízes com valores medicinais? Com o intuito de conservar e resgatar essa cultura tradicional ao lado dos povos originários e população local da região, profissionais do Instituto Ekos Brasil decidiram utilizar plantas medicinais para recuperar áreas degradadas do Peruaçu.

Murilo Mendes e Antônio Carlos Ribeiro são da equipe do Instituto Ekos Brasil e ficam no escritório do Instituto na comunidade Fabião II, em Itacarambi (MG).

“O conhecimento das plantas medicinais está se perdendo. Às vezes, temos que ir para a farmácia e encontrar um remédio que está no nosso jardim”, comenta Murilo sobre o impacto que o projeto pode trazer na região. 

Primeiros passos

O primeiro passo de articulação para a definição do futuro projeto foi a ida à campo para conhecer, principalmente, plantas medicinais originárias da região, algumas raras de ser encontradas e ameaçadas pelo desmatamento e degradação ambiental. Para isso, contaram com o apoio da mestrando do ESCAS, IPÊ,  Lara Zamparo Franco, e do Seu Norinho, como é carinhosamente conhecido, que mora há mais de 30 anos na área, antes mesmo de se tornar o PNCP.

“Há cavernas do parque que só ele conhece”, relata o também viveirista do Ekos Antônio. 

Por sua expertise, Seu Norinho hoje reside no Centro de Pesquisas e convive costumeiramente com pesquisadores e pesquisadoras que escolhem o Peruaçu como ponto de estudo. Além de Norinho, o Pajé Vicente de uma das aldeias, abriu as portas da aldeia para compartilhar seus conhecimentos sobre a vegetação nativa e se colocou à disposição para coletar sementes que servirão para recuperar as áreas degradadas do Parque. 

“Seu Norinho não conhecia o Pajé Vicente e os dois tinham os mesmos conhecimentos. Isso é mais um impulso para preservarmos essa expertise que pertence aos povos originários”, contam.

Uma das atividades realizadas para valorização e disseminação desse conhecimento sobre plantas medicinais envolveu  os alunos e as alunas da Escola Estadual Saturnino Ângelo Da Silva. As turmas participaram de um oficina no Ekos sobre plantas medicinais e preparam mudas para serem futuramente plantas  nas dependências do Escritório do Instituto Ekos Brasil e na escola, para que os grupos visitantes possam conhecer mais uma riqueza do Peruaçu. 

Impacto de recuperar plantas medicinais

Identificar, coletar e produzir as mudas requer dedicação e empenho de toda uma comunidade, isso porque o encontro de três  biomas no  Parque e na APA (Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica) faz com que num raio de 50Km sejam encontradas impressionante diversidade de plantas medicinais. Um exemplo é o Pacari, uma planta com propriedades benéficas para o estômago que é encontrada em abundância apenas nos arredores da aldeia de Pajé Vicente.

“É de grande importância trazer a recuperação não somente das plantas, mas deste conhecimento, para que a comunidade valorize cada dia mais o que lhe pertence”, acredita Antônio. 

A dupla narra que na região ainda encontram-se famílias com a cultura de desmatar a terra para o gado e que esse fogo corre o risco de atingir locais onde os povos indígenas coletam suas plantas medicinais. “Se eles perderem essa terra, eles perdem sua farmácia natural.”

Até o mês de novembro, Murilo e Antonio coletaram nove amostras de plantas com propriedades diferentes que melhoram desde dor de dente até a recuperação de gripe. Ao mesmo tempo forma coletadas sementes e forma produzida mudas para serem plantadas onde é necessária a recuperação da vegetação da Terra Indígena e da APA.

Tanto Murilo como Antônio não sabem até onde este trabalho pode chegar, mas ambos carregam a certeza de que se conseguirem recolher os conhecimentos existentes na região do Peruaçu e mostrar para os alunos e para a comunidade sua relevância, já sentirão enorme satisfação de saber que este rico conhecimento não será perdido: será replantado.

Acompanhe os desdobramentos dessa ideia conosco.

mercado de carbono

Regulação brasileira do mercado de carbono: quais são as oportunidades para as empresas?

Apoiadoras institucionais do Programa Compromisso com o Clima participam de Fórum Técnico sobre Mercado de Carbono. Confira um resumo.

Neste segundo semestre de 2022, o Programa Compromisso com o Clima realizou o 1º Fórum Técnico para suas apoiadoras institucionais. O evento foi privado e contou com a participação de especialistas do mercado.

Durante uma manhã, o diálogo se desenvolveu a partir dos desafios e oportunidades que envolvem a regulação e os projetos do Mercado de Carbono no Brasil. No total, foram três mesas de debate.

Na primeira delas, Carolina Dihl Prolo, da LACLIMA e Natália Renteria, da Mombak, com moderação de Lina Pimentel, do escritório de advocacia Mattos Filho, apresentaram os pontos de interesse da Regulação Brasileira de Mercado de Carbono e as Oportunidades para as Corporações.

O artigo 6 do Acordo de Paris foi o fio condutor do diálogo, já que é esse o instrumento que facilita a cooperação entre os países e o cumprimento das suas NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas, em inglês) e uma maior escala das ações. É esse artigo que trata do comércio dos resultados de mitigação, da certificação da redução das emissões e ainda, das abordagens não-mercadológicas.

Artigo 6 e a COP 26

Desde a COP 26, em Glasgow, novas regras foram definidas para a implementação desses pontos do artigo 6. Os Internationally Transfered Mitigation Outcomes (ITMOs, na sigla em inglês) ganharam uma definição: são resultados de mitigação verificados, reais e adicionais ou ainda reduções de GEE autorizadas para uso em NDCs ou outros propósitos internacionais de mitigação.

A COP 26 também avançou na criação do Órgão Superior de Redução de Emissões e sobre a transferência de créditos e projetos do MDL, mecanismo anterior ao Acordo de Paris, em determinadas condições. Além disso, estabeleceu que ITMOs e ERs (Redução de Emissões) também podem ser utilizadas em CORSIA (redução e mitigação das emissões de voos internacionais) e mercado voluntário. No caso de sua utilização em CORSIA e NDC, o governo hospedeiro deve emitir uma autorização específica e descontar do balanço de emissões apresentado à UNFCCC as reduções de emissões que foram transferidas.

Após uma breve explicação sobre as proposições do PL nº 2.148/2015 – (PL 528) e do Decreto n. 11.075 de 19 de maio de 2022, as especialistas ressaltaram que o avanço da agenda no executivo é um bom sinal para o Brasil. Primeiro porque significa a entrada de financiamento para manter ou recuperar nossas florestas, segundo porque nosso país tem um enorme potencial para projetos de Soluções Baseadas na Natureza e terceiro porque estamos em um momento de expansão regulatória que, ao garantir maior integridade socioambiental, pode ser um fator determinante para o sucesso do mercado.

Uma notícia bastante bem-vinda já que a expectativa de crescimento do mercado voluntário é de 15 vezes até 2030, quando poderá movimentar cerca de US$ 50 bilhões, de acordo com a Taskforce on Scaling Voluntary Carbon Markets.

Após a segunda mesa redonda, que apresentou cases brasileiros em projetos de carbono com os profissionais Janaina Dallan, da Carbonext, João Daniel, da ERA e Roberto Strumpf, da Radicle, os participantes tiveram a oportunidade de aprofundar a temática sobre os Compromissos Net Zero.

Danielly Mello Freire, do Instituto Ekos Brasil e Rebeca Lima, do CDP, compartilharam conceitos e pain points dos programas Net Zero, tão almejados pelas grandes corporações.

De acordo com a SBTi, assumir um Compromisso Net Zero significa se comprometer com a redução a ZERO das emissões dos escopos 1, 2 e 3 ou a um nível residual que seja consistente com a meta estabelecida em não ultrapassar o aumento da temperatura média da Terra em mais de 1,5oC. E também significa neutralizar as emissões residuais com base no ano definido por meta da empresa.

As especialistas explicaram que, dentro dos Compromissos Net Zero, a prioridade é a redução de emissões, mas que é importante as empresas considerarem a neutralização e a mitigação para além da cadeia de valor, como por exemplo, iniciativas que previnam o desmatamento e que invistam em projetos socioambientais.

Por que definir uma meta NET Zero?

Basicamente por três motivos principais.

– Desenho de estratégia: estratégia de negócio alinhada às demandas globais. Isso direciona o negócio à inovação e aumenta a competitividade.

– Fortalecimento da reputação: é esperado por todos os stakeholders que o negócio tome a frente nas ações pela responsabilidade climática.

– Gestão de risco: a definição de metas aumenta a confiabilidade por parte de investidores e amplia a resiliência frente aos riscos de exposição aos efeitos da crise climática e reduz custo de investimento com imprevisibilidade.

O evento proporcionou às empresas apoiadoras do Programa Compromisso com o Clima o compartilhamento de informações e atualização técnica sobre o mercado de carbono no Brasil e no mundo.

O Programa Compromisso com o Clima tem como propósito engajar o setor privado em ações de responsabilidade climática. Ao unir empresas com objetivos comuns pelo desenvolvimento sustentável somos capazes de agir de forma colaborativa, aumentando o impacto das nossas ações e contribuindo efetivamente por um futuro mais justo e regenerativo.

Traga sua empresa para o Compromisso com o Clima e faça parte deste movimento!

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reconhecimento de campo

Ekos Brasil, IEF e Plantuc Projetos Ambientais realizam reconhecimento de campo no Parque Estadual do Rio Doce (PERD)

Nos meses de outubro e novembro o Instituto Ekos Brasil, o Instituto Estadual de Florestas e a Plantuc Projetos Socioambientais estiveram no Parque Estadual do Rio Doce (PERD) para fazer duas atividades de reconhecimento de campo que embasarão a revisão do Plano de Manejo do PERD.

Entre os dias 18 a 20 de outubro aconteceu a primeira etapa de reconhecimento de campo, que percorreu o Parque de norte a sul, leste a oeste. A atividade incluiu o reconhecimento do estado de conservação da unidade, das estruturas de uso público, de pesquisa, de administração e fiscalização, de regiões da zona de amortecimento, das trilhas e atrativos do PERD, como a trilha da campolina, a estrada do Salão Dourado, a Ponte Queimada, a Ponte Perdida e outros. Nos dias 08 e 09 de novembro a equipe se reuniu novamente no Parque para avaliar conjuntamente a efetividade da gestão do PERD.

Equipes reunidas durante o reconhecimento de campo.
IEF Ekos e Plantuc.

Você sabe o que é um Plano de Manejo?

O Plano de Manejo é um documento técnico que define o zoneamento e as normas de uma Unidade de Conservação (UC), é, portanto, um dos instrumentos de manejo que subsidiam a gestão de uma UC, garantindo sua efetividade e alcance dos seus objetivos.

A revisão do Plano de Manejo do Parque Estadual do Rio Doce faz parte do escopo do Termo de Parceria firmado entre o Instituto Ekos Brasil e o Instituto Estadual de Florestas e está sendo conduzida com base no Roteiro Metodológico do ICMBio.

Os próximos passos da revisão do Plano de Manejo incluem a elaboração da Caracterização da UC e Diagnóstico da zona de amortecimento, reuniões preparatórias e oficina de revisão do Plano.

Foto tirada durante o reconhecimento de campo.
Lagoa da Carioca.