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Não é de hoje que ao tratarmos do Cerrado tratamos também do pujante agronegócio brasileiro que “ganhou” esse vasto território desde a revolução verde e dos trabalhos da Embrapa, que fizeram de seu solo o palco para os plantios “a perder de vista” de soja, algodão e outras commodities.
Quando olhamos os dados do Cerrado vemos emergirem 2 visões opostas: a que comemora os ganhos financeiros do uso de seu solo e da água que guarda em suas bacias, e a que lamenta a veloz perda de sua biodiversidade e serviços ambientais que nos presta. Enquanto a área de produção das commodities aumentou em 50% sobre o território original do cerrado entre 2000 e 2014, (ver estudo “Cerrado na mira do Agronegócio” da Universidade de Maryland/EUA, publicado em 2018), a riqueza de espécies e paisagens do Cerrado definharam, as emissões de gases de efeito estufa aumentaram (248 milhões de toneladas em 2016, de acordo com o Ecoa), e os corpos d’água são poluídos e assoreados.
Diferente da Amazônia, que chama a atenção do mundo por causa de suas riquezas ambientais e culturais, e das ameaças que sobre elas se abatem, o Cerrado continua pouco conhecido e pouco valorizado, apesar de ser a savana mais rica em espécies no planeta, ser o segundo maior bioma da América do Sul – com área original de mais de 2 milhões de hectares (22% do território nacional) e ser considerado um hotspot de biodiversidade, onde existe extrema abundância de espécies endêmicas e enorme ameaça de destruição. Dados do Ministério do Meio Ambiente apontam que 20% das espécies nativas e endêmicas do bioma já não ocorram em áreas protegidas e que pelo menos 137 espécies de animais que ocorrem no Cerrado estão ameaçadas de extinção, inclusive o Lobo Guará, personagem da nota de 200 reais.
Poetas como Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, mais conhecida como Cora Coralina e Antônio Lisboa Carvalho de Miranda, por exemplo, descreveram esse bioma de forma única, deixando transparecer sua sensibilidade e amor pelos lugares onde viveram, chamando a atenção para a unicidade de suas riquezas. Por motivos bem diversos, protagonistas mundiais podem ajudar a mudar a história de destruição do Cerrado, espera-se que a curto prazo. Estes protagonistas estão relacionados a duas agendas distintas, que se encontraram recentemente – à crise climática global e a pandemia da COVID-19.
No caso da crise climática, o 15o Fórum Econômico Mundial, encontro anual que ocorre na cidade Suíça de Davos, mostrou por meio de seu Relatório Global de Riscos, que os riscos associados às questões ambientais, como os eventos climáticos extremos, a perda da biodiversidade e outras ameaças à vida no planeta, estão à frente das preocupações dos representantes das grandes corporações mundiais, em comparação aos riscos representados por tensões geopolíticas e ataques cibernéticos, que antes eram considerados os riscos mais relevantes. Grandes investidores como a Black Rock apostam hoje no lucro advindo das boas práticas ambientais o chamado “capitalismo com propósito”. O CEO desta gestora de ativos, Larry Fink, afirmou em março de 2020 “Quando emergirmos dessa crise, e à medida que os gestores reequilibrem seus portfólios, teremos a oportunidade de acelerar a transição para um mundo mais sustentável”.
Do ponto de vista da COVID-19 e seus resultados para a economia mundial, a postura da União Europeia e de seus Estados-membros, por exemplo, exigirá a adoção de boas práticas, principalmente ambientais, pelos países que têm relações bilaterais e multilaterais. Neste sentido, esse bloco de países estruturou o Pacto Ecológico Europeu (o European Green Deal), e o Plano de Recuperação Econômica (o Recovery Fund). Estes instrumentos (a serem lançados em 2021 e 2022) trazem um conjunto de incentivos e obrigações com o objetivo de proteger os recursos naturais. Como explicam Baruzzi, Manhaes e Agostinho (em matéria do Jornal o Estado de S. Paulo em 3 de julho de 2020), o Pacto Ecológico tem ambições ambientais que vão além das fronteiras europeias e isso terá impactos diretos à economia brasileira, já que este bloco é o segundo maior parceiro comercial do Brasil. Neste sentido, o Brasil será pressionado para adotar medidas objetivas de reduzir a emissão de gases de efeito estufa sob pena de não acessar o mercado Europeu. Este é um risco direto ao setor agropecuário brasileiro, já que se constitui no maior emissor destes gases, do país. Neste caso, o propósito do Pacto é fortalecer os requisitos de sustentabilidade da cadeia de alimentos, que consistem, por exemplo, em assegurar que estas cadeias tenham impacto ambiental neutro ou positivo com relação aos recursos naturais (solo, água, ar, fauna, bem-estar animal).
O mundo está cada vez mais preocupado e atendo às ameaças derivadas da ação do homem sobre o meio ambiente como a crise climática, global, a extinção acelerada de espécies, as pandemias, a desigualdade. O Brasil precisa, rapidamente repensar as “formas de fazer” de sua base econômica mais importante do ponto de vista do comércio exterior – o agronegócio (além das commodities minerais).
O cerco está se fechando lá fora, ou o Brasil olha para o futuro, apontado por player globais do mercado financeiro e os consumidores mundiais, ou ficará para traz –perdendo ganhos para sua balança comercial e perdendo aquilo que tem de único e extremamente valioso, que é sua riqueza natural, como o bioma Cerrado.
Maria Cecilia Wey de Brito
Mestre em Ciências Ambientais
Engenheira Agrônoma
Relações Institucionais Instituto Ekos Brasil
11 de Setembro de 2020
Dia 5 de setembro é o Dia da Amazônia e todos os anos a nossa vontade é apenas de celebrar esse bioma evidenciando suas riquezas. Afinal, são mais de 4 milhões de quilômetros quadrados, cerca de 2.500 espécies de árvores, 30 mil espécies de plantas. A Amazônia é protetora da maior bacia hidrográfica do mundo, com o majestoso Rio Amazonas, capaz de desaguar cerca de 175 milhões de litros d’água a cada segundo no Oceano Atlântico, de acordo com dados do Ministério do Meio Ambiente.
A Amazônia é um bioma de extrema importância para o equilíbrio do meio ambiente e do clima no nosso planeta.
Mas, também é de conhecimento público o inegável risco que a nossa Amazônia se encontra. De acordo com dados do Imazon, apenas no último ano (julho de 2019 a julho de 2020), o desmatamento na Amazônia Legal foi de 6.536 quilômetros quadrados, um aumento de 29% em relação ao período anterior. No mês de julho deste ano, cerca de 59% do desmatamento na Amazônia ocorreu em áreas privadas e a área de floresta degradada apresentou um aumento de 110% em relação a julho de 2019.
Em meio a esse cenário paradoxal, nos perguntamos: como celebrar, então, essa data tão significativa?
Trabalhamos já há alguns anos com projetos no bioma da Amazônia e acreditamos que estas são iniciativas que aliam conservação ao desenvolvimento sustentável , e que se utilizam de ferramentas mais eficientes para manter a floresta em pé e todos os seus inestimáveis recursos em equilíbrio.
Por isso, a seguir, compartilhamos com vocês 5 projetos desenvolvidos no bioma da Amazônia com o intuito de propor uma agenda positiva neste dia e inspirar novas iniciativas que respeitem essa nossa riqueza.

Foto: Araquém Alcântara | Todos os direitos reservados.
Quando chegamos à Rondônia, no ano de 2017, encontramos um contexto social e econômico muito semelhante nas duas Reservas Extrativistas do Rio Cautário, a estadual e a federal: ambas habitadas por comunidades de seringueiros-extrativistas que viviam um momento de transição da exploração do látex para outras atividades. Já há alguns anos, o preço do látex vinha caindo, levando os extrativistas a desenvolver especialmente a coleta de castanha.
Com o intuito de auxiliar o desenvolvimento sustentável da região e das 63 famílias do território e evitar que optassem por atividades degradadoras tórias, desenvolvemos um projeto de Inventário Florestal e Diagnóstico da Cadeia Produtiva de Castanha e Látex na região. O projeto incluiu o levantamento do potencial florestal (madeireiro e não-madeireiro), a realização de um diagnóstico produtivo da castanha e da seringa, o estudo das formas de organização social daquela comunidade e levantou também oportunidades de negócio.
Na primeira etapa, selecionamos 4 espécies nativas para um estudo mais aprofundado: castanha-do-brasil, a seringa, a copaíba e o açaí. E complementamos com um estudo de mercado com uma lista de contatos de potenciais parceiros comerciais e técnicos, além de uma análise da situação da cadeia produtiva local. Parte deste trabalho também envolveu o estudo sobre mecanismos de Pagamentos por Serviços Ambientais que poderiam ser acessados pela Reserva.
O projeto teve um impacto importante sobre a comunidade, que continuou e ampliou o uso sustentável dos recursos da biodiversidade com a manutenção da floresta em pé, e também reforçou para a sociedade a necessidade de investimentos e melhoria de processos e abertura de mercados na região da Reserva Extrativista. Em 2020, por iniciativa do governo do estado de Rondônia, a Reserva extrativista estadual assinou contrato com uma empresa especializada em comércio de Carbono, para que este ativo proveniente da manutenção da floresta em pé possa gerar recursos para as comunidades, incentivando-as ainda mais a manter a floresta em pé.
Outro projeto importante no bioma Amazônia aconteceu em 2014 quando elaboramos o Plano de Manejo nas Florestas Nacionais que abrangem os municípios de Itaituba e Trairão, no Pará, às margens da BR-163.
As Florestas Nacionais são uma das categorias de manejo presente na Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). Estas áreas protegidas permitem o manejo florestal, sendo no entanto, necessário que as mesmas possuam plano de manejo para posteriormente serem colocadas no processo de concessão florestal para empresas interessadas e comunidades que são moradoras do seu interior e/ou do seu entorno.
O Plano de Manejo possibilitou que as comunidades dessas cidades participassem de uma experiência pioneira de manejo sustentável em Unidades de Conservação, capaz de gerar renda e desenvolvimento para a região também mantendo a floresta em pé.
Em Uatumã, no Amazonas, o Programa Ecomudança levou a implantação de Sistemas Agroflorestais (SAFs) em áreas degradadas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável. Os SAFs são consórcios de culturas de espécies arbóreas e agrícolas, que podem ser usadas para reflorestamento, recuperação e uso sustentável de áreas degradadas. Essa prática mantém a fertilidade do solo e permite a geração de renda, aliada à conservação da biodiversidade.
O projeto plantou 1.100 mudas de espécies florestais e agrícolas produtivas, adaptadas à condição amazônica e implantou 1 hectare de SAF em uma área de pasto abandonado. Agora, além de gerar desenvolvimento sustentável para as famílias com a produção de frutos, a conservação das áreas também gera créditos de carbono para compensar a emissão de gases de efeito estufa de parceiros interessados. Esta iniciativa faz parte do Programa Carbono Neutro do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas – IDESAM
Outro projeto de SAF do programa Ecomudança foi realizado na Cooperativa Agroextrativista do Mapiá e Médio Purus, em 2014, também no Amazonas. A própria comunidade coletou sementes da floresta e produziu mais de 20 mil mudas em dois viveiros construídos por eles. As mudas foram utilizadas para a implantação de 16 hectares em SAFs nas áreas de capoeiras ao redor da comunidade. A principal espécie produzida foi o Cacau nativo, que além de produtivo e saboroso, é bastante procurado por importadoras para a produção de chocolate.
É por meio dessas iniciativas que mostramos para o Brasil que é possível alinhar a conservação da floresta com o desenvolvimento das comunidades e, também por meio delas que construímos nossa esperança de um futuro onde poderemos celebrar o dia da Amazônia.
Em seu quarto episódio, o projeto BioDiversos apresenta Nurit Bensusan, bióloga e engenheira florestal pela UnB , pós-graduada em história, sociologia e filosofia da ciência pela na Universidade Hebraica de Jerusalém e consultora do Instituto Socioambinetal. Por meio de livros e jogos educativos, Bensusan aproxima a biodiversidade especialmente do universo infantil.
O Instituto Ekos Brasil lançou, em maio deste ano, o projeto BioDiversos. Em uma série de depoimentos, divulgados mensalmente, profissionais renomados de diversas áreas de atuação explicam como se inspiram na biodiversidade e a utilizam para desenvolver seus trabalhos. O projeto já contou com depoimentos do arquiteto e designer Carlos Motta, do “cozinheiro” (como ele mesmo se intitula) e fundador do Instituto Atá, Alex Atala, e também da bióloga e especialista no estudo de doenças silvestres, Marcia Chame, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz.
Em sua quarta produção, o BioDiversos convidou Nurit Bensusan, autora de diversos livros, dentre eles: “Biodiversidade: é pra comer, vestir ou passar no cabelo?” e “Seria melhor mandar ladrilhar? Biodiversidade: Como, para que e por quê”, além de jogos educativos. Bensusan acredita no potencial das crianças para um futuro no qual a biodiversidade seja conhecida, apreciada e respeitada.
“O caminho que eu acredito muito é o da divulgação científica, o da popularização da ciência. Mostrar para as pessoas o que elas têm a ver com a biodiversidade. As crianças são uma esperança, são a máquina que faz o futuro (…) são elas que têm grande empatia com a conservação da natureza e podem ser as pessoas do futuro para fazer o mundo diferente”, explica no vídeo.
De acordo com Ciça Wey de Brito, coordenadora de relações institucionais do Instituto Ekos Brasil e idealizadora do projeto, é imperativo que a sociedade tome consciência sobre o constante e intenso empobrecimento da natureza, que pode ser revertido se mudarmos nossas atitudes, como por exemplo, ao diminuirmos nosso consumo e com isso deixando de pressionar os ambientes naturais r s biodiversidade. “Por isso, trouxemos neste projeto abordagens que aproximam a biodiversidade ao cotidiano das pessoas”, comentou.
Todos os vídeos do projeto e mais informações podem ser acessadas em https://www.ekosbrasil.org//biodiversos/ e também estão disponíveis nas redes sociais do Instituto Ekos Brasil.
Todos os anos, desde 1961, a Global Footprint Network calcula o Dia da Sobrecarga do Planeta, ou seja, o dia em que passamos a demandar do nosso planeta mais recursos naturais e serviços ecossistêmicos do que ele é capaz de regenerar em um ano.
A metáfora que muitos gostam de utilizar para explicar o evento é a do crédito. A partir do dia estabelecido como o Dia da Sobrecarga do Planeta (Overshootday), podemos dizer que a humanidade está vivendo às custas de cheque especial ou do crédito que generosamente a Terra está nos concedendo, às custas das gerações futuras, pois o que poderíamos “gastar” de recursos naturais já foi gasto.
Isso significa que a humanidade utiliza atualmente o equivalente aos recursos de 1,6 planetas. Mas todos nós sabemos que temos apenas 1.
Nos últimos dois anos essa data aconteceu no final de julho e, ano a ano, vinha acontecendo cada vez mais cedo. Este ano, em decorrência da pandemia e como consequência do isolamento social e da desaceleração econômica, houve uma redução de 9,3% na pegada ecológica da humanidade desde 1º de janeiro de 2020, em comparação ao mesmo período do ano passado e, por isso, a data estipulada pelo cálculo da Global Footprint Network será dia 22 de agosto. Ou seja, três semanas de adiamento.
Em outras circunstâncias seria ótimo poder comemorar o feito. Mas, esse resultado só se deu pela crise pandêmica. E, por isso, podemos tirar aprendizados.
O primeiro é que é perfeitamente possível mudar nossos hábitos de consumo e nos limitarmos ao essencial. Isso ajudaria enormemente na redução das emissões dos gases de efeito estufa liberados no processo de produção e distribuição de bens, significando diminuição da extração madeireira, no caso de países como o Brasil, do uso de combustíveis fósseis, da destruição de ambientes naturais, dentre outros.
Um segundo aprendizado nos diz que os governos são capazes de agir corretamente, seja na redução de despesas e melhor uso de recursos públicos, seja colocando leis em prática, quando se trata de proteger a vida. E aqui fica o questionamento: conservar a natureza não significa proteger a vida?
E um terceiro aprendizado é que é possível fazer tudo isso em um curto espaço de tempo.
De acordo com a Global Footprint Network, a Pegada Ecológica é a métrica que contabiliza recursos biológicos mais abrangente e disponível atualmente. O método calcula toda a procura humana por áreas biologicamente produtivas – alimentação, madeira, fibras, sequestro de carbono e infraestrutura. Atualmente, as emissões de carbono provenientes da queima de combustíveis fósseis constituem 60% da Pegada Ecológica da humanidade.
Em termos gerais, a organização divide a biocapacidade do planeta – a quantidade de recursos que a Terra pode gerar em um ano – pela pegada ecológica da humanidade e multiplica pelo número de dias do ano.
O Edital 2020 do Programa Compromisso com o Clima segue para nova fase de seleção dos projetos. Desde o mês de Junho, a equipe do Ekos Brasil avaliou todos os projetos participantes em relação aos critérios de elegibilidade e indicadores de impacto socioambiental. Ao todo, 55 projetos se inscreveram, de 16 estados e cinco regiões do Brasil. Todos buscam reduzir emissões ou remover Gases de Efeito Estufa para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.
O Edital deste ano contou com a participação de muitos projetos novos, ainda em fase de desenvolvimento, o que demonstra o interesse de muitas organizações brasileiras buscarem investimento para realização de seus projetos de baixo carbono. Ao todo, 36 de 55 projetos participantes não haviam concluído seu primeiro ciclo de certificação dos créditos de carbono.
Finalizada a avaliação socioambiental, os apoiadores do Programa selecionaram os 10 projetos que melhor atendem aos critérios de qualidade do Edital. Os projetos selecionados para esta nova fase reduziram ou irão reduzir nos próximos anos quase 4 milhões de tCO2e, o que é mais do que todas as emissões do transporte de passageiros e de cargas no Distrito Federal em 2018, segundo dados do SEEG.
As iniciativas combinam a redução de emissões com impactos sociais e ambientais positivos e muitos deles contribuem diretamente para diversos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Alguns dos selecionados, por exemplo, selecionados, geram energia elétrica por tecnologias de baixo impacto, como plantas solares e eólicas, e outros aplicam tecnologias de menor impacto para agricultores familiares, indústrias e sistemas de produção animal.
A partir de agora, os projetos passarão por uma fase de avaliação jurídica para verificar sua conformidade com diversos aspectos da legislação brasileira. Esta análise procura evitar que os apoiadores do Programa patrocinem iniciativas ou empresas que não estejam de acordo com seus critérios de governança e que desrespeitem as populações locais ou as boas práticas de cada setor.
Neste ano, a avaliação jurídica será realizada pela Mattos Filhos Advogados, um escritório de advocacia com muita experiência em Direito Ambiental, Mercado de Ativos Ambientais e questões de sustentabilidade empresarial. A Mattos Filho aderiu recentemente ao Programa e traz sua vasta experiência nestas áreas, dando ainda mais credibilidade à seleção de projetos do Edital.
Até o final do ano espera-se que o Comitê Gestor do Compromisso com o Clima defina quais projetos serão apoiados pelo Programa. Os selecionados passarão a integrar o portfólio de projetos da Plataforma Ekos Social, que é utilizada pelas empresas vinculadas ao Programa para a compensação de suas emissões.
A Plataforma atualmente é utilizada por 18 organizações. Além dos apoiadores institucionais do Programa, também acessam empresas convidadas e aquelas que utilizam a Plataforma como um serviço. Com a Plataforma, conseguimos aumentar o número de organizações que compensam emissões e direcionar mais recursos para projetos que atendem aos nossos critérios de qualidade.
Ao todo, 11 projetos estão vinculados ao Programa. Estes projetos foram selecionados nos Editais de 2017 e 2019. Todos os projetos geram (ou estão em processo de gerar) reduções de emissões de Gases de Efeito Estufa certificadas de acordo com padrões internacionais de qualidade. Estas reduções de emissões, também chamadas de créditos de carbono, equivalem a uma tonelada de CO2 que deixa de ser emitida para a atmosfera ou que é absorvida em projetos florestais, por exemplo. Dentre os projetos apoiados, existem:
Destes projetos, 3 são realizados em unidades industriais de grande porte, 3 em unidades industriais de porte menor (fabricação de tijolos ou de cedidos), 2 projetos em fazendas que produzem madeira seguindo boas práticas de manejo sustentável e 3 são desenvolvidos por entidades sem fins lucrativos, que tem nos créditos de carbono sua principal fonte de renda.
Justificando o equilíbrio das contas públicas, o Governo do Estado de São Paulo surpreendeu a população paulista com a preocupante notícia de que extinguiria a Fundação para a Conservação e a Produção Florestal do Estado de São Paulo, conhecida como Fundação Florestal, no próximo ano. Frente às manifestações de Organizações e da Sociedade Civil, aparentemente o governo voltou atrás na sua decisão e irá manter a Fundação Florestal.
É de conhecimento público o valor inestimável dos serviços ambientais prestados por esses territórios conservados, especialmente para a manutenção da vida humana. É economicamente mais proveitoso, sustentável e inteligente proteger e conservar nossas florestas, uma missão importante e que a Fundação cumpre com zelo nessas mais de três décadas. É por esse caminho que mundo vem traçando novas rotas e um estado importante como São Paulo não deve caminhar na direção contrária.
A Fundação Florestal é parceria do Instituto Ekos Brasil e, juntos já desenvolvemos inúmeros projetos que reforçam a importância de sua atuação. Por isso, defendemos a continuidade dos trabalhos da Fundação Florestal e manifestamos nosso apoio à decisão de se manter a instituição ativa.
Depois de 10 anos parada na Câmara dos Deputados, a ratificação da assinatura brasileira ao Protocolo de Nagoya, complemento da Convenção da Diversidade Biológica (CDB) foi finalmente aprovada no último dia 8 de julho. Agora, segue ao Senado e, se novamente aprovada, será encaminhada para aprovação ou não da Presidência da República.
O documento trata do uso de recursos genéticos e da repartição dos benefícios decorrentes deste uso. Em inglês, recebe em sua denominação a sigla ABS, referente a Access and Benefit-Sharing, ou seja, ao acesso e compartilhamento do conhecimento associado ao uso dos recursos genéticos. O objetivo das regras definidas no Protocolo de Nagoya é garantir segurança jurídica aos países envolvidos no uso e na repartição destes recursos, assim como possibilitar o desenvolvimento de um espaço mais amigável para relações comerciais entre empresas e países que desenvolvam e/ou vendam produtos derivados de determinados patrimônios biológicos.
Cerca de uma centena de países assinou o Protocolo de Nagoya em 2010, no Japão, como um complemento da Convenção de Diversidade Biológica da Organização das Nações Unidas (ONU). Sem a aprovação da participação do Brasil pelos poderes legislativo e executivo, a assinatura brasileira no documento junto à CDB praticamente não tem validade. Afinal, a não-ratificação impede que o país tenha voz ativa em qualquer tomada de decisões relacionada ao assunto, no contexto das reuniões da Organização das Nações Unidas (ONU). Assim, o Brasil fica impossibilitado, inclusive, de participar de deliberações relacionadas aos próprios recursos genéticos, mesmo sendo uma das nações com maior diversidade biológica do planeta, detentora de 20% do total de espécies de fauna e flora já conhecidas. E fica fora do radar de negociações de seu próprio interesse junto a outros países.
Foi a necessidade de provar aos investidores estrangeiros o real interesse do país por uma economia sustentável e pelo tratamento adequado das questões ambientais como um todo, que a Câmara dos Deputados ratificou o engajamento brasileiro ao Protocolo de Nagoya. Os votos em prol da ratificação foram consequência de uma articulação do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM/RJ), que resultou em um acordo entre as bancadas ambientalista e ruralista.
Ratificar a participação brasileira no Protocolo de Nagoya, mesmo que depois de uma década, deve acalmar o mercado (no Brasil e no exterior) e promover maior valorização da biodiversidade nacional como um todo, além de trazer benefícios tangíveis aos povos e comunidades tradicionais, que detém os conhecimentos do uso desta biodiversidade. Porém esses benefícios apenas ocorrerão se o envolvimento do país for bem planejado e administrado. Além de incentivar a conservação e o uso sustentável dos recursos genéticos, as condições estabelecidas no documento têm relação com a remuneração (monetização) adequada dos envolvidos e, portanto, com o crescimento da chamada bioeconomia.
Apesar de benéfica, a decisão da Câmara dos Deputados chega em um período turbulento e em meio a um cenário caótico para os principais envolvidos na questão do uso e repartição dos “ativos” genéticos brasileiros: os povos indígenas. Responsáveis, durante centenas de anos, por conservar estes ativos, os indígenas agora também lutam para recuperar muitos de seus direitos fundamentais, impedir a disseminação do novo coronavírus em suas aldeias e cessar as invasões cada vez mais frequentes de grileiros, madeireiros e garimpeiros às suas terras. Por estas e outras razões, o estabelecimento de um diálogo entre todos os envolvidos no uso e na repartição dos resultados do uso dos conhecimentos associados aos recursos genéticos é fundamental. Somente assim, o documento terá validade por aqui.

A pandemia provocada por um singelo vírus e o caos econômico subsequente nos obrigam a olhar para trás e reconhecer que quase todas as pandemias recentes se originam em animais, são zoonóticas.
Maria Cecilia Wey de Brito*
O caos global instalado por um singelo vírus nos obriga a olhar para trás e reconhecer que quase todas as pandemias recentes se originam em animais. Embora a contaminação esteja diretamente ligada às atividades humanas, o fato é que mais de 60% das novas doenças infecciosas (e quase todas as pandemias recentes) provêm de animais. A maioria vem da vida selvagem (71,8%), incluindo Ebola, síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS), síndrome respiratória aguda súbita (SARS) e HIV.
A ligação entre a atividade humana e as doenças zoonóticas é complexa e depende do contexto. Por isso doenças zoonóticas, afetadas por muitos fatores ecológicos e evolutivos, são difíceis de serem previstas. No entanto, os cientistas concordam que as mudanças no uso da terra induzidas pelo homem e a caça/comércio de animais selvagens são fatores-chave. O contato humano com animais selvagens durante caça, comércio, abate e consumo está diretamente relacionado ao surgimento do HIV/AIDS (chimpanzés), por exemplo.
Uma recente revisão da literatura até os anos de 1940 constatou que fatores relacionados à agricultura estavam associados a mais de 25% de todas as doenças infecciosas – e mais de 50% das zoonóticas – que surgiram nos seres humanos. Esses percentuais provavelmente aumentarão à medida que a agricultura se expandir e se intensificar. O desmatamento, por exemplo, modifica a estrutura dos habitats e diminui a área disponível para a vida selvagem, aumentando a interação entre humanos e a vida selvagem. Também pode fragmentar habitats em áreas menores de terras agrícolas ou assentamentos humanos (“efeito de borda”) que podem promover ainda mais interação com patógenos, vetores e hospedeiros de animais. Esses fatores combinados contribuíram para o surgimento de zoonoses, como as doenças de Lyme e a malária.
O desmatamento de florestas para lavouras e gado (incluindo, mas não se limitando a, produção industrializada) e ações da indústria extrativa (mineração e exploração madeireira) podem impactar negativamente o meio ambiente, criando uma cascata de fatores que facilitam o surgimento e a propagação de doenças. Por exemplo, mudanças nas práticas agrícolas contribuíram para o surgimento do vírus Nipah (de morcegos frugívoros para porcos) e MERS-CoV (originalmente encontrado em camelos). Nos sistemas industrializados de produção pecuária, numerosos animais são mantidos em pequenos espaços, facilitando a propagação de doenças, incluindo as gripes aviária e suína.
Esses dados elevam a preocupação com o desmatamento da Amazônia que, em 2019, teve um recorde e, nos meses recentes, mantém a trajetória ascendente. Nos primeiros três meses de 2020, a Floresta Amazônica perdeu cerca de 795 km2 de cobertura vegetal, uma área correspondente à cidade de Nova York. Esse número é 50% mais alto que o registrado no mesmo período do ano passado. Os dados são do sistema DETER de monitoramento do desmatamento da Amazônia, operado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) do governo federal brasileiro. Só em março passado, o sistema DETER emitiu alertas de desmatamento de mais de 300 km2, 30% a mais do que o registrado no mesmo mês em 2019.
De 1º de agosto do ano passado até 11 de junho deste ano, foram feitos alertas para a derrubada de 6.870 km² de floresta. Entre 1º de agosto de 2018 a 31 de julho de 2019, foram 6.844 km². Os registros do mês de junho deverão estão disponíveis somente em 10 de julho, conforme relata Giovana Girardi no Estadão.
Até agora essa destruição não liberou nenhum vírus ou bactéria que afete a saúde humana, mas é inevitável concluir que estamos brincando de roleta russa: cada quilômetro quadrado a mais pode nos colocar em contato com um patógeno desconhecido e eventualmente mortífero.
Embora o vínculo entre biodiversidade e doenças seja variável e dependente do sistema de doenças ou ecologia local, os cientistas concordam que preservar ecossistemas intactos e sua biodiversidade geralmente reduz a prevalência de doenças infecciosas oriundas de animais.
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* Maria Cecilia Wey de Brito, mestre em Ciência Ambiental pela Universidade de São Paulo e Engenheira Agrônoma pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiróz (ESALQ/USP), foi Secretária Geral (CEO) do WWF-Brasil por 4 anos. No Governo Federal, trabalhou no Ministério do Meio Ambiente como Secretária Nacional de Biodiversidade e Florestas. No Governo do Estado de São Paulo foi Diretora Geral do Instituto Florestal e Diretora Executiva da Fundação Florestal. Desde 2016 está no Ekos Brasil como responsável por relações institucionais e coordenação de projetos.
Texto publicado originalmente no ClimaInfo, em 19 de junho de 2020.
Dia Mundial de Combate à Desertificação
Todos os anos, no dia 17 de junho, a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD, em inglês) convida a sociedade civil e as lideranças globais a refletirem sobre os impactos da desertificação na vida da população mundial e sobre as ações possíveis de implementação para solucionar o problema.
A UNCCD define a desertificação como um processo de degradação e consequente destruição do potencial produtivo do solo de áreas áridas, semiáridas e sub-úmidas secas, resultado de fatores ambientais, como variações climáticas, mas também e principalmente, de ações humanas, como o desmatamento, a utilização de agrotóxicos, queimadas e uso intensivo do solo. Os impactos decorrentes destes processos refletem tanto no âmbito ambiental com a perda da fertilidade do solo, e da biodiversidade no âmbito socioeconômico com a perda da qualidade de vida das populações dessa região.
De acordo com a UNCCD (2020), estima-se que atualmente mais de 2 bilhões de hectares de terras antes produtivas estão degradadas em todo o mundo. No Brasil, os dados também são alarmantes. Em estudo publicado pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE, 2016), o Semiárido brasileiro, região que abrange cerca 1.323.975,4 km², especialmente nos estados de Alagoas, da Bahia, do Espírito Santo, do Maranhão, de Minas Gerais, da Paraíba, de Pernambuco, do Piauí, do Rio Grande do Norte, de Sergipe e do Ceará está sujeito a secas periódicas e conta com terras em estágio avançado de degradação e desertificação.
O tema da desertificação, por apresentar dados preocupantes e por se tratar de um problema global, com forte influência no equilíbrio dos ecossistemas do planeta, ganhou uma meta específica dentro do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 15: “até 2030, combater a desertificação, restaurar a terra e o solo degradado, incluindo terrenos afetados por desertificação, secas e cheias, e lutar para alcançar um mundo neutro em termos de degradação do solo” (meta 15.3).
O Instituto Ekos Brasil, por meio dos programas Ecomudança e Compromisso com o Clima, além de outras frentes de atuação, lida diretamente com projetos de desenvolvimento sustentável no Semiárido brasileiro e, por isso, auxilia com frequência as comunidades locais a implementar diferentes tipos de tecnologias sociais que contribuem para o combate à desertificação e fortalecem a convivência com o semiárido.
As tecnologias sociais são “um conjunto de técnicas, metodologias transformadoras, desenvolvidas e/ou aplicadas na interação com a população e apropriadas por ela, que representam soluções para a inclusão social e melhoria das condições de vida”. (SEBRAE, 2017)
Abaixo, listamos 13 destas metodologias que estão descritas no site da Embrapa, assim como seus benefícios.
Recuperação da mata ciliar
Controla a erosão das margens das calhas dos rios e riachos, controla o aporte de nutrientes e de produtos químicos carreados aos cursos d’água, protege a zona ripária e filtra os sedimentos e nutrientes.
Reflorestamento
Regulariza do ciclo hidrológico, previne a erosão, protege à fauna, melhora as condições geoambientais, incentiva à apicultura, controla os níveis de degradação do solo e da vegetação, aumenta os recursos hídricos, reduz os prejuízos na agricultura relacionados com enchentes, aumenta o estoque sustentável de madeira legal, sequestra CO2 e reduz o efeito estufa.
Quintais produtivos
Proporcionam maior diversificação da produção e menos riscos, favorecem a proteção dos solos contra efeitos erosivos, aumentam a ciclagem e disponibilidade de nutrientes, ficam próximos à moradia do produtor, melhoram a qualidade do alimento em função da não utilização de agrotóxicos e ainda auxiliam na segurança alimentar do rebanho.
Veja um exemplo de projeto com implementação de quintais florestais.
Sistemas Agroflorestais (SAFs)
Seus custos de implantação e manutenção são reduzidos, permitem produção diversificada, aumentam a renda familiar e melhoram a alimentação, favorecem a recuperação da produtividade de solos degradados por meio de espécies arbóreas implantadas, melhoram a estrutura e fertilidade do solo devido à presença de árvores que atuam na ciclagem de nutrientes, reduzem a erosão laminar e em sulcos, aumentam a diversidade de espécies e aumentam a produtividade, devido a fatores interligados do sistema (sombra + conforto animal).
Veja um exemplo de projeto com SAFs.
Barragem subterrânea
Permite economia na construção, menor perda de água por evaporação (não existindo “espelho d’água a insolação quase não atua) e proporcionam maior proteção da água contra a poluição bacteriana superficial (já que a água fica armazenada na sub-superfície).
Veja cinco exemplos de projetos bem-sucedidos que utilizam tecnologias sociais
Barragens sucessivas
Reduzem o assoreamento dos reservatórios e rios, promovem a dessalinização ou a fertilização gradual do solo e a oferta de água em quantidade e qualidade nos tributários ou riachos da microbacia hidrográfica, colaboram com o ressurgimento da biodiversidade da Caatinga, favorecem a disponibilidade diversificada de alimentos no fundo dos vales (reduzindo a pressão da vida animal sobre a vegetação, nas vertentes da microbacia hidrográfica) proporcionam disponibilidade de água para o consumo animal, segundo uma distribuição temporal e espacial satisfatória.
Barraginha / Barreiro
Melhora a qualidade do solo por acumular matéria orgânica, mantém o microclima ao redor da barraginha mais agradável, e a umidade no entorno também é favorável ao plantio de grãos, frutas, verduras e legumes.
Barreiro trincheira
Armazena água da chuva para a dessedentação animal e para a produção de verduras e frutas que servirão à alimentação da família, garantindo a soberania e segurança alimentar.
Captação in situ
Controla a erosão, conserva o solo, permite maior disponibilidade de água para as plantas, aumentando a resistência aos veranicos, possui baixo custo de implantação, e favorece a recarga do lençol d’água.
Cisterna calçadão
Possui baixo custo e fácil construção. A água pode ser utilizada para irrigar quintais produtivos, plantar fruteiras, hortaliças e plantas medicinais, e para criação de animais. Pode-se fazer irrigação de salvação, utilizar a água para sistemas simplificados de irrigação, e utilizar o calçadão para secagem de produtos como feijão, milho, goma e a casca e a maniva da mandioca que, passadas na forrageira, servem de alimento para os animais e para outros usos.
Poços rasos
Contribuem para manter a família de pequenos produtores rurais no campo e ampliam a renda familiar a partir da produção contínua de frutas e hortaliças.
Isolamento da área
Conduz à regeneração natural e enriquecimento da área para incremento da biodiversidade.
Cordões de pedra em contorno
Adequado a pequenas propriedades, controla o volume e a velocidade das enxurradas (deposição e retenção de uma massa de sedimentos sobre a área onde são construídos), modifica o micro-relevo na faixa compreendida entre os cordões, permite o aumento da profundidade efetiva sobre a área de deposição, ajuda na melhoria das propriedades físico-químicas do solo, sobre a área de deposição.
Fontes:
https://www.cgee.org.br/documents/10195/734063/degradacao-neutra-terra.pdf
https://mma.gov.br/perguntasfrequentes?catid=19
https://www.unccd.int/actions/17-june-desertification-and-drought-day
Protetora de um impressionante patrimônio socioambiental, cultural, arqueológico e paleontológico, a região do Parque Nacional e APA Cavernas do Peruaçu localiza-se no Cerrado brasileiro, em uma área de transição para o denominado polígono das secas e, por isso, muito crítica na proteção da água doce.
Além do desafio da água, essa porção de Cerrado também preocupa pelo Índice de Desenvolvimento Humano das duas cidades mais próximas ao parque: Januária e Itacarambi, com 0,658 e 0,641 respectivamente (IBGE, 2010), ou seja, vulnerabilidade econômica e de serviços de assistência social básica.
Cientes do papel fundamental de conservação da biodiversidade e geração de renda que o Parque e a APA podem trazer para o vale do Peruaçu, o Instituto Ekos Brasil, em parceria com o Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, na sigla em inglês) lançou, no início deste mês, o projeto “Acelerando o turismo sustentável no vale do Peruaçu”.
Com duração de um ano, o projeto tem o anseio de desenvolver, fortalecer e acelerar o turismo sustentável, fonte de renda para as comunidades por meio da conservação da natureza.
As inscrições acontecem de 2º de junho a 1º de julho de 2020. E podem se inscrever pessoas maiores de 18 anos, residente ou que trabalhem na região, ou ainda integrantes de associações ou organizações locais, interessadas em turismo sustentável.
Até 50 pessoas serão selecionadas no edital de inscrição e terão a chance de participar do Laboratório de Inovação. Essa fase contempla oficinas ministradas por especialistas de diferentes áreas do conhecimento e ainda uma viagem de campo para conhecer outro destino turístico com forte atividade econômica e desenvolvimento local.
Na última fase, os protótipos de 5 iniciativas desenvolvidas durante o Laboratório de Inovação participação da Incubadora Ekos Brasil e receberão aportes, viabilizados com os recursos do projeto, para que os planejamentos saiam do papel e gerem desenvolvimento social e econômico para as comunidades da região por meio do turismo sustentável.
A previsão de encerramento do projeto é no final do primeiro trimestre de 2021. Mas certamente será apenas o ponto de partida para que boas iniciativas empreendedoras apoiem a criação de empregos e a conservação da biodiversidade na região.
Saiba mais sobre o CEPF
O CEPF é um programa conjunto da Agência Francesa para o Desenvolvimento, Conservação Internacional, União Europeia, Fundo para o Meio Ambiente Global (GEF, sigla em inglês), Governo do Japão e Banco Mundial, que financia projetos para proteção de ecossistemas únicos e ameaçados – conhecidos também como hotspots de biodiversidade. Em 2013, o Conselho de Doadores do CEPF selecionou o bioma Cerrado como um dos hotspots prioritários, e 8 milhões de dólares foram alocados para investimentos em projetos de conservação no período de 2016 a 2021.
O projeto “ACELERANDO O TURISMO SUSTENTÁVEL NO VALE DO PERUAÇU” é uma das diversas iniciativas do fundo na região.
Saiba mais sobre o projeto e entenda como contribuir.
