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Pode parecer até contraditório, mas a verdade é que enquanto a crise pandêmica enfraqueceu economias ao redor do mundo, ela acabou por valorizar um outro mercado, o mercado voluntário de carbono, com reflexos positivos inclusive no Brasil.
Isso aconteceu em grande parte porque a pandemia evidenciou a estreita ligação existente entre ambiente e economias, não obstante o mercado financeiro já estivesse pressionando as empresas a encarar as mudanças climáticas como riscos sistêmicos aos negócios, com capacidade de impactar recursos, receitas e mercado consumidor.
De fato, por dois anos consecutivos, Larry Fink, CEO da Black Rock, uma das maiores gestoras de fundos de investimento do mundo, enviou sua tradicional carta ao mercado, no início de 2020 e no início deste ano, alertando as lideranças corporativas sobre a certeira desvalorização de empresas sem comprometimento com as mudanças climáticas.
“A pandemia materializou aqueles riscos ambientais que poucos prestavam atenção antes e colocou a mudança do clima como o próximo grande risco. E o setor financeiro teve um papel importante, com mais ações de responsabilidade sendo exigidas tanto por bancos quanto por fundos de investimento do mercado financeiro”, destaca Thiago Othero, coordenador técnico do Instituto Ekos Brasil e especialista em gestão de carbono.
Essa mudança de percepção levou a uma verdadeira corrida por parte das organizações privadas por práticas denominadas ESG (da sigla Ambiental, Social e Governança, em inglês), impulsionando a eliminação e neutralização das suas emissões de Gases do Efeito Estufa (GEE) como parte da estratégia de valorização de mercado. A compensação de emissões a partir da compra de créditos de carbono foi um dos mecanismos escolhidos em larga escala por essas organizações, por sua eficiência, resultado em curto prazo e cobenefícios socioambientais.
Tal corrida gerou uma grande demanda pelos créditos disponíveis, o que ocasionou a um aumento de preço bastante significativo no último período.
De acordo com o relatório State of Voluntary Carbon Markets 2020, o preço médio dos créditos associados à iniciativas Nature Based-Solutions e Natural Climate Solutions, por exemplo, tiveram um aumento de 30%. Além disso, o valor de mercado de créditos gerados por iniciativas de Uso do Solo, Agricultura e Floresta, como é o caso de projetos REDD, foi duas vezes maior do que aqueles gerados por iniciativas de Energia Renovável.

Primeiro é preciso compreender que os créditos de carbono são gerados a partir de projetos ou iniciativas que comprovaram e certificaram sua redução de emissões de GEE. Em geral, trata-se de projetos de geração de energia renovável, substituição de combustível fóssil, manutenção de áreas de floresta em contextos de desmatamento, dentre outros. Ao vender esses créditos de carbono, tais iniciativas são recompensadas com recursos dos compradores, sendo esses recursos reinvestidos na comunidade e na economia local.
Por isso, levando em consideração de que o Brasil é, sem dúvidas, um dos países com maior potencial para o desenvolvimento de tais projetos, por sua rica biodiversidade, áreas conservadas, potencial para energia renovável, para citar apenas alguns, a valorização do mercado de carbono é uma porta larga para a entrada de investimento estrangeiro e, até mesmo nacional, aplicados no fortalecimento de economias locais, conservação ambiental e iniciativas produtivas sustentáveis.
O Programa Compromisso com o Clima contempla uma gama desses projetos geradores de créditos de carbono. Um exemplo é a Cerâmica CGM no nordeste do Brasil que substituiu a lenha nativa do Cerrado em seus fornos por biomassa renovável. A redução das emissões levou à geração de créditos de carbono no mercado voluntário. Os recursos obtidos com a venda são reinvestidos na comunidade em ações educativas, esportivas e ambientais, além de inclusivas, com a contratação de mulheres e deficientes. Outro exemplo é o projeto de REDD+ Manoa, desenvolvido pela Biofílica em parceria com o Grupo Triângulo. Este projeto conserva uma área de mais de 74 mil hectares no município de Cujubim, estado de Rondônia. A área, além de abrigar uma rica biodiversidade, tem papel de corredor ecológico, interligando unidades de conservação próximas.
Ao aderir ao Compromisso com o Clima a sua empresa pode compensar emissões com projetos como esses de forma simples, segura e eficiente.
Por Sander Eskes e Reginaldo Bertolo
A estiagem ocorrida no estado de São Paulo entre os anos de 2014 e 2015, que provocou historicamente a pior crise hídrica conhecida, pode ser interpretada como efeito das mudanças climáticas em curso. Segundo pesquisas, tais crises hídricas podem se repetir no futuro, dado que a expectativa é de que haja um aumento na frequência, duração e intensidade de eventos climáticos extremos. De acordo com os estudos apresentados nos Planos de Bacia Hidrográfica, as perspectivas futuras para a melhoria da segurança hídrica na bacia do Alto Tietê envolvem a adoção, de forma combinada, de várias medidas:
Estudos do CEPAS|USP, e outros centros de pesquisa, apontam para um uso bastante significativo dos aquíferos da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). São aproximadamente 14 mil poços em operação. A água é utilizada praticamente pela iniciativa privada especialmente em indústrias, condomínios e clubes, sendo poucos os poços destinados para fins de abastecimento público. Em geral, a água subterrânea desses poços apresentam-se com boa qualidade, inclusive para fins potáveis. As vazões individuais dos poços são relativamente baixas, de cerca de 8 m3/h, mas a somatória das vazões individuais representam um valor significativo, estimado em cerca de 10 m3/s, representando 15% da demanda por água em toda a RMSP.
Avalia-se que a água subterrânea representa um recurso imprescindível, pois, na sua falta, o próprio sistema público não conseguiria atender a esta vazão caso os usuários dos poços resolvessem utilizar-se da água fornecida pela concessionária. Porém, há problemas na gestão deste recurso hídrico. Estima-se que cerca de dois terços dos poços sejam irregulares. Outros problemas são a superexplotação e poluição da água subterrânea em alguns setores da região urbana. Neste mapa da RMSP, as áreas em amarelo representam a mancha urbana e os pontos representam um poço outorgado. As áreas de maior adensamento podem representar regiões onde a extração da água é maior que a recarga dos aquíferos, levando-os localmente à exaustão. As áreas em cor laranja representam zonas predominantemente industriais, locais esses também de intenso uso da água por poços. E são essas as áreas onde há uma maior probabilidade de haver áreas contaminadas que comprometem a qualidade da água dos aquíferos.

Um exemplo é a região do Jurubatuba (em vermelho no mapa), antiga região industrial densamente urbanizada na Zona Sul da Capital, e que apresenta um histórico de contaminação da água subterrânea em diversas profundidades, inclusive a que é extraída pelos poços profundos. A origem da contaminação, especialmente por solventes organoclorados, se deve à ação pretérita de vários atores.
A determinação dos responsáveis pela contaminação do aquífero gera uma situação de insegurança jurídica para os responsáveis legais das áreas contaminadas conhecidas no local. Algumas perguntas que indicam a dificuldade no gerenciamento desta demanda são: Quais seriam os limites de responsabilidade de cada ator? Como diferenciar a identidade das plumas de contaminação em profundidade? Todas as áreas fontes e todos os responsáveis pela contaminação foram identificados?
Um fato, entretanto, é que há usuários de poços na região e arredores, cuja água não passa por monitoramento sistemático de vários compostos químicos poluentes, o que pode levar a saúde do usuário a uma situação de exposição a riscos.
Avalia-se, portanto, a necessidade de se realizar um projeto com as seguintes finalidades:
O Instituto Ekos Brasil está propondo a realização do Programa Regional de Manejo da Qualidade da Água Subterrânea em Jurubatuba, SP, para a otimização da remediação das áreas contaminadas, juntamente com o manejo sustentável do aquífero profundo nesta área de Jurubatuba. Esta proposta está progredindo junto às autoridades competentes do estado e do município do São Paulo.
Prevê-se que este Programa será financiado temporariamente por meio de um fundo privado regional, com mecanismos que permitam a aplicação de contribuições financeiras das partes interessadas por período limitado, oferecendo segurança jurídica para os atuais responsáveis legais por áreas contaminadas. Como benefícios do Programa, avalia-se que a água subterrânea dos aquíferos terá a sua qualidade sendo gradativamente recuperada, ao mesmo tempo em que é utilizada para diversos usos, e com os seus usuários protegidos das situações de riscos.
Várias regiões similares à do Jurubatuba ocorrem na RMSP, mas com pouco conhecimento ainda disponível. Este projeto na região do Jurubatuba pode ser considerado um piloto, com objeto e tempo limitados. A partir de seu êxito, o mesmo conceito poderá ser aplicado em outras partes da RMSP e no país. Assim, avalia-se que este projeto pode contribuir para oferecer a proteção, a segurança e a reutilização das águas subterrâneas urbanas como uma reserva estratégica ou emergencial, o que certamente concorrerá para a atenuação de outras possíveis crises hídricas futuras. No conjunto, tais ações de gestão ambiental representam atributos de uma sociedade atenta à utilização e proteção de seus recursos naturais.
*Sander Eskes Ekos Brasil |
*Reginaldo Bertolo – CEPAS|USP – Centro de Pesquisas de Águas Subterrâneas
A paixão pela ciência era tamanha que mesmo em seus últimos anos de vida, já acometida pelo Alzheimer, pedia à família que a levasse até o laboratório, onde se sentava à mesa, conversava e olhava para o céu. Johanna Döbereiner viveu 75 anos e podemos dizer que se dedicou à pesquisa em todos eles.
Indicada ao prêmio Nobel de Química em 1997, um feito para poucos, Johanna é reconhecida nacional e internacionalmente por suas descobertas que revolucionaram a agricultura.
Ao escolher a direção contrária na qual caminhava a pesquisa nos Estados Unidos, a cientista tcheco-brasileira estudou o uso de microorganismos na fixação de nitrogênio em culturas tropicais como a soja, técnica que ficou conhecida como Fixação Biológica de Nitrogênio.
“Tudo começou quando ela percebeu que havia gramas mais verdes que outras. Foi analisar e descobriu que essas mais verdes tinham bactérias fixadoras de nitrogênio vivendo em simbiose em suas raízes. Basicamente, ela descobriu que essas bactérias fixam nitrogênio e isso elimina o uso do adubo químico, aquele que vem do petróleo e que na época era importado do exterior”, conta Christian Döbereiner, filho de Johanna e Conselheiro do Ekos Brasil, em entrevista exclusiva para o nosso site.
A descoberta alavancou a produtividade brasileira na agricultura e permitiu que o país eliminasse o uso de adubos químicos, levando à uma economia anual de mais de US$ 2 bilhões e à uma técnica que não gera passivos ambientais. Até hoje a soja e outras culturas são plantadas com essa bactéria e dispensa o uso de adubos químicos.
O sucesso de Johanna, na visão de seu filho, foi fruto de muito trabalho e muita persistência.
Nascida em Aussig, na antiga Tchecoslováquia, sua família foi perseguida durante a Segunda Guerra Mundial, tendo que deixar o país com a roupa do corpo. Sua mãe, Margarethe Kubelka, morreu em um campo de concentração, o pai e o irmão saíram do país e Johanna viveu com os avós por alguns anos na Alemanha. Foi lá que trabalhou como operária rural, em contato direto com a terra e com a vida no campo.
Em 1950, já casada com Jürgen Döbereiner e formada em Agronomia, decidiu migrar para o Brasil, onde o pai já se encontrava. “O pai dela, que era químico e estava no Brasil, disse que a pior coisa que poderia acontecer com ela no Brasil era um coco cair na sua cabeça”, lembra Christian, bem humorado.
A cientista amou esse país, escolheu se naturalizar brasileira e foi aqui que desenvolveu toda a sua carreira, negando muitos convites para exercer sua profissão no exterior.
Começou a trabalhar no Laboratório de Microbiologia de Solos do Ministério da Agricultura, à época, depois foi pesquisadora assistente do CNPq e pesquisadora conferencista. Foi ainda vice-presidente da Academia Brasileira de Ciências e liderou a pesquisa da Embrapa Agrobiologia. Johanna foi autora de mais de 500 papers e recebeu dezenas de premiações, incluindo a já mencionada nomeação ao Prêmio Nobel de Química.
[su_quote]“O que a ajudou a vencer foi a persistência. Esses experimentos duravam 24h. Trabalhou demais. Além disso, não se preocupava consigo mesma. Tinha preocupação com a pesquisa e em desenvolver pessoas”, contou Christian.[/su_quote]
Além da persistência, a história de Johanna demonstra que ela foi também muito resistente. Após fugir da guerra em um continente devastado, foi cientista, mãe e mulher em uma época pouco favorável ao seu gênero. Precisou lutar por seu espaço, correr atrás de recursos para suas pesquisas, mostrar que era competente. “Minha mãe foi um ícone no tempo dela. Inspirou a família, os colegas, inspirou também a gente (os filhos). Ela e meu pai nos ensinaram a fazer o que gostamos, a fazer a coisa certa”, completou Christian.
Johanna viveu boa parte da sua vida em Seropédica, no interior do Rio de Janeiro. Não obstante sua importância nas ciências, permaneceu com uma vida simples, sempre ligada ao campo e ao lado do marido, dos filhos e netos. Faleceu aos 75 anos, em outubro de 2000.
O Instituto Ekos Brasil reconhece e homenageia essa grande mulher.
Leia também: “A ciência é sim uma atividade para as mulheres”
Importante plataforma dedicada a traduzir a ciência climática e tentar elevar o debate sobre o tema, o ClimaInfo é, sem dúvidas, uma iniciativa de importância nacional para a formação de uma consciência sobre mudanças climáticas, seja para a sociedade civil, seja para as instituições públicas ou privadas.
Délcio Rodrigues é o diretor executivo do Instituto ClimaInfo e foi nosso convidado para uma entrevista exclusiva sobre o Dia Nacional de Conscientização sobre Mudanças Climáticas.
Confira na íntegra.
EKOS BRASIL – O ClimaInfo vem atuando há bastante tempo para promover um debate qualificado em relação a temas relacionados às mudanças climáticas, energia, uso da terra e políticas públicas. Você acredita que, de modo geral, o debate sobre esses temas tem se tornado mais frequente e mais qualificado? Délcio Rodrigues – O debate teve uma evolução, embora, a coisa complique quando nos referimos a um debate qualificado.
Um dos motores dessa discussão mais presente é o próprio negacionismo climático. Todos nos lembramos sobre o que foi feito contra o INPE nesta gestão, com o questionamento dos dados sobre emissões e desmatamento. Acontece que esse negacionismo também empurrou a imprensa a discutir esse negacionismo. Por isso, tivemos um outro nível de debate, talvez não de qualidade, mas de exposição do debate.
Ano passado, na questão específica da Amazônia por exemplo, o mainstream da economia entrou no debate. Vimos ex-ministros e presidentes do Banco Central propondo uma nova política. Vimos investidores internacionais pressionando o Brasil. Vimos os CEOs do Itaú, do Santander e Bradesco na mesma direção. E tivemos uma elevação da pauta ambiente/clima: saímos da seção de meio ambiente para a de economia. E isso mudou a importância do debate.
Hoje você vê um dos pré-candidatos falando da agenda climática como decisiva para (a eleição) de 2022. Tem mais informação, tem relevância do desmatamento da Amazônia para o comércio internacional brasileiro e tem também coisas acontecendo no plano do desenvolvimento tecnológico.
A informação que temos dessa pesquisa diz que as pessoas respondem afirmativamente essas questões. O negacionismo do clima é baixo aqui, menor que nos EUA, por exemplo.
O que isso significa na prática, não sei. Temos um país muito pobre e que não pode se dar o luxo em optar por um produto mais caro, mas ambientalmente sustentável. Uma decisão difícil pra quem come “arroz com macarrão”.
No dia a dia, na decisão de compra ou mesmo no voto essa percepção ainda não se materializa em ações muito concretas. As pessoas não votam em um vereador porque ele faz um discurso climático, ou muito poucos votam.
Essas decisões também vão depender de uma melhor distribuição de renda. Vejo a desigualdade como uma das dificuldades de ter envolvimento com essas questões.
No geral, empresas tomam decisões em função de lucro, pressão do mercado consumidor e pressões dos acionistas.
Gente que investe pensando no longo prazo, pode estar sim preocupada com os riscos que essas empresas estão expostas, não só pela questão climática, mas pelas regras, normas e leis de um quadro geral que está se avizinhando.
E é aí que eu acho que o acordo de Paris seja relevante. Por mais que tenha se mostrado fraco, há 197 países do mundo assinando aquilo. E embora esses objetivos não sejam vinculantes, eles são medidos, reportados, avaliados, e isso gera um quadro novo e complexo.
Alguns setores da economia global são profundamente influenciados pelo Acordo de Paris. Quem? A indústria de energia, por exemplo. Não chegamos no momento de turning point, mas já temos taxas maiores de crescimento no investimento em renováveis versus fóssil. Há uma curva que está se descolando.
Outro setor é o automobilístico. Todas as metas do setor são de eletrificação e a briga está tão grande que as empresas estão quebrando. É um sinal muito forte de que tem que mudar.
E vemos pressão de acionistas, consumidores e da própria regulação para mudar.
Sou otimista quando vejo tudo o que eu falei: Acordo de Paris,Pari, reações ao negacionismo, mudanças no setor de energia e automobilístico.
O meu pessimismo é sobre a questão do tempo.
Vai dar tempo?
Vai dar tempo de mudar o curso desse gigantesco transatlântico que é a economia global na direção da mudança dos dois graus do clima? Não vai dar.
Há uma inércia. A economia precisa virar o leme com vários anos de antecedência.
Por isso, acho que vamos passar dos dois graus e acredito que muitos países vão sofrer demais. Teremos consequências muito sérias e tenho dúvidas de em que nível isso vai afetar a segurança global. Vejo um tensionamento político por conta de migrações, perda de território e crises de segurança alimentar.
Torço para que os movimentos positivos segurem pelo menos perto de dois graus. Aí só o futuro pra dizer mesmo.
O Instituto Ekos entrevista a doutora e pesquisadora científica do Museu Biológico do Instituto Butantan, Erika Hingst-Zaher, que apresenta sua visão sobre a importância do centro de pesquisa para além das vacinas e incentiva o merecido espaço das mulheres na ciência.
Quem não conhecia, certamente ouviu falar sobre o Instituto Butantan recentemente. Esse centro de pesquisa biológica, que ganhou o nome por estar localizado no bairro do Butantã, zona oeste da cidade de São Paulo, tem recebido grandes destaques na mídia nacional pelo desenvolvimento da vacina contra a Covid-19. Mas, você conhece as atividades do centro de pesquisa para além da vacina?
O Instituto Butantã e o Ekos Brasil são parceiros de longa data. Para nos contar um pouco sobre o histórico dessa parceria e, principalmente, para nos atualizar sobre a relevância desse importante polo de ciência, vamos entrevistar a pesquisadora científica Erika Hingst-Zaher, do Museu Biológico do Instituto Butantan. Para ela, “a ciência pode mudar o mundo”.
Erika Hingst-Zaher – O Instituto Butantan é uma das mais antigas e reconhecidas instituições de pesquisa do Brasil, criada em 1900 para combater a peste bubônica que então chegava ao país. Além da produção bem-sucedida do soro antipestoso, o primeiro diretor do Instituto, o médico Vital Brazil, teve papel de destaque no debate internacional sobre o tratamento de acidentes ofídicos.
Na época, defendia-se que apenas um soro seria suficiente para tratar todos os tipos de picadas de cobra, entretanto Brazil, que conduzia as pesquisas sobre a produção do soro e campanhas junto ao público, para evitar os acidentes, propunha uma ideia diferente: para diferentes grupos de serpentes e tipos de veneno seriam necessários tipos diferentes de soros, o que hoje sabemos que é fundamental.
Hoje, com 120 anos de existência, o Butantan é organizado em três grandes áreas: pesquisa, produção e área cultural. A pesquisa feita aqui é muito diversa, indo desde a biologia animal, venenos, epidemiologia, imunologia, identificação de genes e proteínas e muitas outras áreas. Na produção de vacinas e imunobiológicos, somos responsáveis por metade da produção nacional de vacinas e praticamente todos os soros distribuídos pelo SUS.
O Instituto atua também no ensino, através de sua pós-graduação e formação de alunos de diversas áreas, e mantém uma forte comunicação com o público, através de seu papel que vai além da pesquisa: a educação e a divulgação científica. Um grande número de escolas e visitantes espontâneos visitam os museus e frequentam o parque que abriga uma floresta urbana com rica fauna e vegetação, na zona oeste de São Paulo.
Como você avalia a importância do Instituto Butantan no desenvolvimento da ciência no Brasil?Erika Hingst-Zaher – A criação dos institutos de pesquisa foi uma tendência mundial no final do século XIX, quando os governos e parcelas mais esclarecidas da sociedade se deram conta de que o conhecimento e o controle de doenças eram fundamentais. O tipo de pesquisa realizada nas instituições como o Pasteur, em Paris, e o Instituto Ingês de medicina Preventiva, em Londres, divergia das universidades que já existiam na época por seus resultados mais rápidos e aplicados. Nessa época, no Brasil, especialmente em São Paulo, foram organizados institutos públicos de pesquisa nas áreas de saúde, agricultura e meio ambiente, como os Institutos Butantan, Pasteur, Biológico, Botânica, Florestal e Geológico.
Desde então, os governantes paulistas com visão mais ampla, bem como a FAPESP, investiram na consolidação deste sistema público de Ciência, Tecnologia e Inovação que é único no Brasil. O Instituto Butantan, vinculado à secretaria do estado de Saúde, é parte desta estrutura que faz com que São Paulo seja o estado que mais produz ciência no Brasil, e os pesquisadores que trabalham aqui e nos outros institutos são parte de uma carreira especial, a de pesquisador científico.
Erika Hingst-Zaher – Eu sou um dos quatro pesquisadores do Museu Biológico, o museu mais antigo do Butantan e único a apresentar cobras vivas. Os pesquisadores, alunos e funcionários do museu combinam dois tipos de atividade: a pesquisa com animais e a divulgação científica. Os outros pesquisadores estudam principalmente serpentes, através de trabalhos de campo e dos animais mantidos em cativeiro.
Minha formação como bióloga, desde a graduação até o meu doutorado, se deu especialmente nas áreas de zoologia e ecologia de vertebrados, e ainda na conservação do meio ambiente, o que me permitiu uma diversificação de projetos que atende a mais de uma área de pesquisa no Instituto Butantan. Os dois principais no momento são com evolução e diversificação de veneno nas serpentes, e de vigilância epidemiológica para patógenos como o coronavírus e o vírus da influenza em aves e morcegos.
No primeiro, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e pela National Science Foundation (NSF), trabalho junto com outros pesquisadores do instituto e também de universidades norte-americanas estudando as serpentes e suas glândulas, e a composição do veneno, e ainda na parte de comunicação para o público dos resultados que obtemos. Poucas pessoas já pararam para pensar que o veneno das serpentes tem o propósito para estes animais de capturar sua presa (e não de picar pessoas), ele surgiu e se diversificou para isso. E ainda menos pessoas sabem que o veneno é um coquetel de proteínas que varia muito, mesmo dentro da mesma espécie de serpentes e até em uma mesma cobra ao longo de sua vida.
No segundo, chamado de Projeto Rede de Vigilância de Vírus (PREVIR), juntamente com pesquisadores da USP e de outras universidades e institutos de pesquisa do Brasil inteiro, formamos uma rede que monitora constantemente a presença de vírus em aves e morcegos, que podem vir a causar problemas de saúde ou econômicos. Esse projeto financiado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) começou no final de 2020 e, através dos observatórios e de pontos de coleta em locais estratégicos do país, como a Amazônia e a Floresta Atlântica, procura detectar os problemas antes que eles surjam, para que possamos estar prontos e produzir vacinas antes que novos vírus atinjam populações humanas.
O problema com os vírus e com outros patógenos que podem ser prejudiciais para nós, por incrível que pareça, está ligado à conservação do meio ambiente. O desmatamento e a perda de hábitats levam ao desaparecimento de algumas espécies e ao rearranjo na estrutura das comunidades de animais silvestres que, juntamente com outros fatores, como o contato com animais domésticos ou o consumo de caça, possibilitam que as epidemias surjam entre nós.
Essa abordagem que junta a saúde humana e a conservação dos ecossistemas é relativamente recente, embora seja intuitiva – afinal, como cuidar da saúde humana sem olhar para a saúde do planeta, para a água que bebemos, o ar que respiramos, a origem dos nossos alimentos e a forma como produzimos e a nossa relação com a natureza?. A Organização Mundial de Saúde (OMS) chama essa abordagem de “One Health”, ou saúde única.
Além destas e de outras linhas de pesquisa que combinam a saúde humana e a saúde e conservação do meio ambiente, juntamente com meus alunos e colegas pesquisadores, também produzo material de divulgação científica, exposições e atividades para o público do Butantan.
Ainda durante meu pós-doutorado no Museu de Zoologia da USP, me preocupava com as questões relacionadas ao meio ambiente e o que os cientistas, assim como eu, sabiam que poderia acontecer com a biodiversidade. Só que este é um problema de comunicação: muitas vezes, os cientistas deixam de comunicar para o público descobertas importantes que podem fazer a diferença para nosso bem-estar e para a sobrevivência do planeta.
Tendo isso em mente, fiz uma especialização em comunicação científica na Escola de Comunicações e Artes (ECA-USP), o que me deu uma base para atuar no Museu Biológico na parte de divulgação da ciência. Essa parte do meu trabalho, na qual desenvolvo materiais e atividades para o público na área de biodiversidade, é extremamente gratificante, e envolve não apenas exposições e filmes, mas também atividades como caminhadas para a observação da fauna e da flora na floresta do Instituto.
Erika Hingst-Zaher – Trabalho em colaboração com o Instituto Ekos desde 2005 elaborando planos de manejo de áreas protegidas, como parques estaduais e estações ecológicas, e propondo a criação de novas áreas destinadas à conservação. Foram sempre trabalhos extremamente enriquecedores, com o convívio com pesquisadores de outras áreas e com a equipe do Ekos.
De todos estes trabalhos, aquele do qual mais me orgulho, e que me traz imensa felicidade foi a proposta para a WWF de criação de uma grande área protegida na restinga de Bertioga, atualmente o Parque Estadual da Restinga de Bertioga. Esta área é extremamente importante e única em sua biodiversidade, já que é uma faixa litorânea de vegetação com origem e formação diferente do restante da Floresta Atlântica e sofria grande pressão para desenvolvimento de empreendimentos imobiliários e turismo.
Com isso protegemos diversas espécies ameaçadas e um patrimônio único.
Quais são os desafios que você, como pesquisadora científica, enfrenta hoje no Brasil?Erika Hingst-Zaher – Sem dúvida o maior desafio é o sucateamento da ciência e a falta de apoio dos governantes às pesquisas de longa duração e à manutenção da estrutura, universidades e institutos onde a pesquisa é feita no Brasil. A carreira de pesquisadora científica não tem mais o prestígio e o apoio que tinha no passado. Vejo meus colegas se aposentando, enquanto não se abrem novas vagas para substituí-los ou para continuarem suas linhas de pesquisa.
O mesmo se passa com os institutos de pesquisa, que até então foram um dos grandes diferenciais para a produção científica no estado. As incertezas sobre financiamento e bolsas para alunos de pós-graduação desenvolverem seus projetos afasta muitos jovens promissores da possibilidade de seguir uma carreira acadêmica na ciência.
Mas não quero falar apenas das coisas negativas. Assisti no decorrer do último ano um interesse renovado da sociedade, em geral nos cientistas e na ciência que é feita no Brasil, e espero que isso faça com que os governos, em vários níveis, voltem seus olhos também à importância de avançarmos com a ciência pura e aplicada e para sua importância à soberania nacional, a exemplo do que se faz em países desenvolvidos.
Erika Hingst-Zaher – Neste mês de março, quando pensamos mais nas meninas e nas mulheres, queria deixar minha mensagem especialmente para elas que, frequentemente quando estão crescendo, acreditam menos em si mesmas. Isso porque quando chegamos na pós-graduação ou no exercício da profissão na área acadêmica, vemos menos mulheres presentes em bancas e congressos, ficamos menos à vontade para fazer perguntas após palestras e apresentações, recebemos menos convites para reuniões científicas e bancas de pós-graduação e concursos, e levamos a responsabilidade maior na dupla jornada com os cuidados da casa, dos filhos e da família.
Queria dizer para todas que a ciência é sim uma atividade para as mulheres e que temos a capacidade de seguir carreira em STEM (termo em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). Além disso, enquanto cientistas, frequentemente orientamos alunos de forma melhor, com mais suporte emocional, além de profissional.
Tenho a sorte de ao longo da minha formação ter tido colegas mulheres na ciência sensacionais, que me mostraram que podemos fazer muito além e melhor. No Instituto Butantan, as mulheres têm uma posição de destaque na coordenação e na condução de pesquisa de ponta. Tenho também a sorte de ter a inspiração de zoólogas brasileiras ou radicadas no Brasil, como Emilie Snethlage e Bertha Lutz, que foram expoentes em suas áreas e lutaram pelo direito das mulheres em várias frentes, abrindo caminho para quem veio depois.
Minha mensagem é para as meninas e mulheres que gostariam de fazer pesquisa, para que não desistam se seus sonhos, de sua vontade. Apesar de todos os desafios, muitos dos quais mencionei aqui, a ciência pode nos estimular e nos mover para diante. A ciência pode mudar o mundo.

O Brasil depositou na Organização das Nações Unidas (ONU) a carta de ratificação do Protocolo de Nagoia, que regulamenta o acesso e a repartição de benefícios, monetários e não monetários, dos recursos genéticos da biodiversidade. De acordo com nota conjunta dos ministérios das Relações Exteriores e do Meio Ambiente, o documento assinado pelo presidente Jair Bolsonaro foi entregue ontem (4) à ONU.

O protocolo é um acordo multilateral acessório à Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), elaborada durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Eco-92), realizada no Rio de Janeiro em 1992. Ele foi concluído durante a 10ª Conferência das Partes da Convenção (COP-10), em 2010, em Nagoia, no Japão, e assinado pelo Brasil no ano seguinte,em Nova York.
O documento tem por objetivo viabilizar a repartição justa e equitativa dos benefícios derivados da utilização dos recursos genéticos da biodiversidade, como plantas, animais e micro-organismos, e dos conhecimentos tradicionais a eles associados. O tratado abrange pontos como pagamento de royalties, estabelecimento de joint ventures (associação de empresas), financiamentos de pesquisa, compartilhamento de resultados e transferência de tecnologias e capacitação.
Como é um tratado internacional, a entrada em vigor no Brasil dependia de aprovação do Congresso Nacional. Em agosto do ano passado, o documento foi então aprovado pela Câmara e pelo Senado e promulgado em decreto legislativo. “A entrega da carta de ratificação encerra um processo de debates que se estendia há anos no âmbito do governo federal e do Poder Legislativo. O engajamento do governo e o compromisso estabelecido entre representações do agronegócio e da área ambiental propiciaram a conclusão do processo de ratificação”, diz nota conjunta.
De acordo com o governo, o Brasil poderá participar das deliberações futuras no âmbito do protocolo, que ocorrerão já a partir da próxima Conferência das Partes da CDB, “na qualidade de país que dispõe de legislação avançada sobre biodiversidade e repartição de benefícios e que conta com um setor agropecuário moderno, com inestimáveis recursos genéticos derivados de seu patrimônio ambiental”.
Para os ministérios, a adesão do país ao Protocolo de Nagoia contribuirá para trazer segurança jurídica aos usuários e fornecedores de material genético e poderá desempenhar papel importante no processo de valorização dos ativos ambientais brasileiros, sobretudo no âmbito do pagamento por serviços ambientais e no desenvolvimento da bioeconomia.
“O Brasil reafirma seu compromisso com o desenvolvimento sustentável e seu engajamento com o sistema multilateral, ao mesmo tempo em que persegue sua autonomia tecnológica e econômica e o fortalecimento da soberania sobre os recursos naturais em seu território”, finaliza a nota.
Edição: Graça Adjuto
Fonte: Agência Brasil

Instituto Ekos Brasill lança o projeto BioDiversos com uma série de depoimentos de profissionais renomados de diversas áreas de atuação sobre suas percepções e experiências com a biodiversidade. Um convite para celebrarmos o equilíbrio entre a existência humana e a natureza. Os vídeos são lançados periodicamente e ficam disponíveis nessa página e em nossas redes sociais.
A biodiversidade é um dos sustentáculos da vida em nosso planeta. É uma dádiva que resultou de bilhões de anos de desenvolvimento e, por isso, única e tão importante.
Mas a verdade é que poucos entendem a profundidade do que esse termo tão difundido representa.
A Biodiversidade contempla a heterogeneidade de todas as formas de vida existentes, – no mar, na terra, nos rios, no ar, em todos os ambientes -, incluindo a do homem. E é essa riqueza de combinações (genética, de espécies e ecossistemas), além das suas inter-relações, que fornece preciosos recursos e serviços necessários à manutenção da vida como a conhecemos, da nossa vida!
Gratuitamente, é a biodiversidade que modera e mantém as condições climáticas e da temperatura; a regulação e a purificação de gases atmosféricos; a manutenção e fornecimento de água para o consumo; o fornecimento de alimentos, fibras e combustíveis; a polinização de plantas, incluindo muitas espécies de interesse econômico; o controle natural de pestes e doenças, isso só para citar poucos exemplos.
“Mas, apesar de sua enorme importância, o empobrecimento da biodiversidade tem sido constante e intenso. É imperativo que chamemos a atenção das pessoas sobre essa tendência de forma explícita. Por isso, trouxemos neste projeto abordagens que aproximam a biodiversidade ao cotidiano das pessoas”, explicou Ciça Wey de Brito, coordenadora de relações institucionais do Instituto Ekos Brasil.
Desde o dia 22 de maio, Dia Internacional da Biodiversidade, o Ekos Brasil começou a disponibilizar uma série de depoimentos de profissionais de diferentes áreas de atuação e do conhecimento como arquitetura, medicina, culinária, tecnologia, comunicação, etc. para que as experiências, visões e usos que fazem da biodiversidade sejam compartilhados com todos.
Abaixo, você confere os depoimentos que já estão disponíveis.
Nosso primeiro convidado é o renomado arquiteto e designer Carlos Motta!
Ele compartilha conosco como desenvolve criações únicas e especiais com respeito e sensibilidade em relação à natureza.
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No segundo depoimento da série BioDiversos, o renomado cozinheiro Alex Atala nos conta sobre o seu compromisso com biodiversidade e apreciação do seu valor. Fala do Instituto ATA e do valor da proteção dos rios, mares e florestas e dos homens e mulheres que neles habitam e deles tiram seu sustento. Atala nos convida a compreender o ciclo interdependente e bonito que existe entre o saber, o comer, o cozinhar, o produzir e a natureza.
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Em seu terceiro vídeo, o projeto BioDiversos trata de biodiversidade e saúde e a bióloga e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz, Marcia Chame, foi a convidada da vez. Especialista no estudo de doenças silvestres, Chame explica a raiz de suas pesquisas e a comprovação científica da importância da biodiversidade para a saúde humana, inclusive na prevenção de epidemias. Assista, entenda e compartilhe.
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No quarto episódio da série Biodiversos, Nurit Bensusan nos conta como busca popularizar a ciência e a biodiversidade em si com livros e jogos especialmente dedicados às crianças. “As crianças têm grande empatia com a conservação da natureza e podem ser as pessoas do futuro para fazer o mundo diferente”.
Dê o play e confira essa e outras reflexões sobre biodiversidade com Nurit Bensusan!
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Neste episódio da série BioDiversos, o professor Alexander Turra, oceanógrafo da Universidade de São Paulo e coordenador da Cátedra Unesco Sustentabilidade do Oceano comenta os desafios da conservação da vida marinha, tão importante e tão ameaçada pelas agressões da humanidade.
Assista e compartilhe!
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O projeto BioDiversos chega ao sétimo episódio entrevistando Daniel Lombardi, tradicional arqueteiro brasileiro comprometido com a conservação da Mata Atlântica e também de uma das mais emblemáticas espécies de madeira atualmente ameaçada de extinção, o Pau-Brasil.
Assista e compartilhe!
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No oitavo episódio, chegou a vez de Felipe Jannuzzi, pesquisador de plantas brasileiras, produtor de bebidas destiladas e criador do Mapa da Cachaça e da Etthylica compartilhar seu depoimento com a extração de aromas e sabores da nossa flora para produzir bebidas destiladas diferenciadas.
Assista e compartilhe!
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Porque ela está em risco. E todas os bons exemplos e atuações pela sua conservação devem ser comemorados! Afinal, os dados não são animadores.
O relatório da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES) – Global Assessment on Biodiversity and Ecosystem Services, de 2019, informa que aproximadamente 75% da superfície da Terra está significativamente alterada, que 66% da área dos oceanos estão experimentando impactos cumulativos crescentes e que 85% das áreas úmidas já foram perdidas.
Mas veja só. A versão deste relatório para as Américas mostra que o valor das contribuições terrestres da natureza é de pelo menos US$ 24,3 trilhões por ano!
Também o último Relatório Global de Riscos publicado no 15o Fórum Econômico Mundial, que ocorre anualmente em Davos, na Suíça, colocou questões ambientais como a perda da biodiversidade e outras ameaças à vida no planeta à frente dos riscos apresentados por tensões geopolíticas e ataques cibernéticos, como fazia antes.
Pela primeira vez este Relatório constatou que os cinco principais riscos de longo prazo para a economia mundial são ambientais. Pela ordem o Relatório aponta os principais riscos como sendo:
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O Instituto Ekos Brasil tem como uma de suas áreas de atuação a conservação do meio ambiente. Temos um conjunto de iniciativas que conectam investimentos privados a projetos que promovem o desenvolvimento sustentável e a mitigação das mudanças climáticas. Também atuamos na gestão e manutenção do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, em conjunto com o ICMBio, um importante reduto de natureza em nosso país.
Estamos em plena divulgação do edital 2021, mas, ainda em tempo, anunciamos os resultados do edital 2020 do programa Compromisso com o Clima. compromisso com o clima edital 2020
No encerramento do edital passado, alcançamos a marca de 15 projetos aprovados com 2 milhões de créditos disponíveis para comercialização na Plataforma Ekos Social. São iniciativas em Agricultura, Floresta e Uso do Solo (REDD+, restauro florestal com espécie nativa); Energia (biomassa renovável, energia solar, energia eólica), Manejo de Resíduos, além de outros tipos.
Um resultado de destaque foi o crescimento de 154% no índice de inscritos em relação ao Edital de 2019, com a participação de organizações de 12 Estados das cinco regiões do País. No total, 56 projetos tiveram o interesse em fazer parte do nosso programa.
Os projetos selecionados passaram por uma rigorosa avaliação e foram submetidos à etapas que avaliaram elegibilidade, impactos positivos, riscos, verificação de documentos, entre outras.
Desde 2017 conectamos empresas interessadas em compensar suas emissões de Gases de Efeito Estufa e projetos dedicados a gerar benefícios sociais e ambientais.
Com o apoio de grandes parceiros, o programa Compromisso Com o Clima vem expandindo seu alcance e segue com o propósito de engajar o setor privado em ações de responsabilidade climática.
O objetivo do programa é compensar as emissões de carbono das organizações, ao mesmo tempo em que proporciona benefícios socioambientais para as comunidades envolvidas.
Faça parte do Programa Compromisso com o Clima.
Entre em contato para entender como se juntar a nós e fazer a diferença.
[su_button url=”https://compromisso.ekos.social/” target=”blank” style=”3d” background=”#6094a1″ size=”6″ center=”yes” radius=”round”]Acesse o site do Compromisso com o Clima[/su_button]

Instituto Ekos Brasil anuncia o lançamento do edital 2021 do Programa Compromisso com o Clima. Projetos que reduzem as emissões de gases de efeito estufa e geram benefícios ambientais têm de 10 de fevereiro a 24 de março para realizar a inscrição.
A novidade em 2021 está no critério de priorização dos projetos de Agricultura, Floresta e Uso do Solo, incluindo REDD+, especialmente localizados na Amazônia, mas também em outros biomas brasileiros. No entanto, o edital mantém a seleção de projetos também nas áreas de Energia, Manejo de Resíduos, substituição de combustíveis fósseis, dentre outros.
Os projetos selecionados serão submetidos a avaliações técnicas e jurídicas criteriosas conduzidas pelo Instituto Ekos Brasil e, se aprovados, irão compor o portfólio de compensação de carbono de grandes empresas. Atualmente, o programa conta o apoio institucional da B3, do Itaú, da Localiza, das Lojas Renner, escritório Mattos Filho, da MRV, da Natura e do grupo RaiaDrogasil.
Confira o regulamento completo antes de preencher a ficha de inscrição.
É verdade que o caminho para a sustentabilidade do planeta ainda é longo e tortuoso. Mas, no que diz respeito à percepção da população brasileira sobre a gravidade das mudanças climáticas e dos seus efeitos, uma pesquisa recente realizada pelo IBOPE Inteligência confirma que estamos cientes sobre a realidade: 92% dos brasileiros e brasileiras, por exemplo, consideram que o aquecimento global está acontecendo e 77% entendem que a ação humana é a principal causa.
A pesquisa ouviu 2.600 pessoas, maiores de 18 anos, das cinco regiões do Brasil, entre os dias 24 de setembro a 18 de outubro de 2020, por telefone. E foi apresentada, na última semana, por um time de especialistas que analisaram seus resultados.
Marcos Astrini, do Observatório do Clima, enfatizou que a agenda ambiental está em um processo de avanço ainda em curso no Brasil e que, por isso, a temática não se converte em um cotidiano coerente com a percepção apontada pela pesquisa. Em resumo, o brasileiro é consciente, mas não pratica a sustentabilidade.
Uma luz no fim do túnel para essa virada de mindset pode estar em outra conclusão importante da pesquisa quando aproxima as consequências de um problema global aos nossos jovens e às nossas famílias. De acordo com o IBOPE, 88% dos brasileiros e brasileiras entendem que o aquecimento global pode prejudicar muito as próximas gerações e 72% compreendem que pode prejudicar muito suas famílias, sendo essa percepção mais alta entre a população preta (80%) – talvez um indicativo claro do maior grau de vulnerabilidade desta parcela da população por conta de condições socioeconômicas.

Segundo Marcello Brito, da Coalizão Brasil Clima, Florestas, Agricultura, que também participou da apresentação e análise da pesquisa, há uma tendência mundial de aculturamento ambiental, ou seja, uma mudança cultural em prol do meio ambiente propiciada por ações crescentes de educação ambiental, mesmo se ainda muito distantes do desejável.
Mas Brito também lembrou que o fator renda é importante para que as pessoas escolham produtos sustentáveis, que tendem a ser mais caros. Segundo ele, o aculturamento ambiental, aliado ao componente de renda, pode ser uma combinação importante para pressionar o mercado a adotar práticas sustentáveis.
De fato, não temos dúvidas de que educação e renda são componentes importantes para que as pessoas possam ser agentes de mudança, não apenas no cotidiano, mas também demandando práticas mais sustentáveis. Ou seja, precisamos buscar uma sociedade mais justa e igualitária, tanto para reduzir vulnerabilidades quanto para exigir mudanças de empresas e tomadores de decisão.
Vale consultar a pesquisa completa para conhecer também os dados sobre a opinião dos brasileiros acerca das queimadas na Amazônia.
Thiago Othero
Coordenador Técnico do Instituto Ekos Brasil
