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crianças e natureza

Crianças e natureza: um vínculo indispensável para o nosso futuro

Crianças e natureza: um vínculo indispensável para o nosso futuro

“Sem vínculo das crianças com a natureza não há conexão, portanto as Unidades de Conservação devem ser ambientes que forneçam experiências agradáveis para as famílias”

Gestora de projetos em Áreas Protegidas, bióloga, mãe de dois filhos e há mais de 20 anos no setor ambiental, Erika Guimarães é entusiasta da relação criança e natureza, e aceitou o convite para conversar com o Instituto Ekos Brasil a respeito da temática. Apesar da vasta experiência, foi na maternidade que Erika se viu envolvida pela importância das Unidades de Conservação para o crescimento cognitivo, físico e emocional das crianças. Com a curiosidade aguçada, começou a estudar e compreender de que forma a natureza é capaz de transformar a vida dos pequenos.

A falta de vivência do ambiente natural é um dos maiores desafios atuais da sociedade, afirma a bióloga. De acordo com a UNICEF, 55% das crianças do mundo estão separadas da natureza e experimentam a falta de contato com a flora e a fauna no dia a dia, já que a maioria das crianças vive em áreas urbanizadas, dentro de apartamentos, convivem  nas escolas com grama sintética e passam a maior parte do tempo em frente às telas. “O fato de ter contato com a natureza nos dá o vínculo com ela e sem vínculo você não tem conexão.”

Dia das crianças

Mas, por onde começar?

Se a falta de vivência impede a conexão da criançada, ela também pode reduzir de forma significativa a compreensão de pertencimento ao meio ambiente. Para aperfeiçoar essa relação, enquanto mãe, Erika percebeu ao longo dos anos que o importante é começar este contato por onde é possível. 

“Caso tenha uma pracinha perto da sua casa, leve a criança para colocar o pé na areia, se sujar e brincar com a terra. Depois amadureça essa relação levando-a em um parque da cidade quando for possível e logo, quem sabe durante as férias escolares que se aproximam, uma Unidade de Conservação seja um espaço excelente para ela descobrir a grandeza da natureza e criar memórias que levará para sempre.”

Ela retrata que neste período de pandemia, uma das conclusões que podemos tirar é que estamos mais seguros em ambientes abertos do que dentro de uma sala fechada. Então, uma boa maneira de incentivar as crianças que tenham dificuldades em se aventurar nos ambientes naturais é fazer piqueniques ou festas de aniversários em parques. 

“A lembrança que ela terá naquele espaço será guardada para sempre. Por exemplo, recentemente levei meu filho, hoje com 12 anos, para o parque onde celebramos seu aniversário de seis anos. Quando chegamos lá, ele me olhou e disse ‘como as pedras e o rio diminuíram!’. Cada vez que ele visitar aquele espaço terá uma nova experiência, mas aquele momento, quando pequeno, ele não irá esquecer. Então, coloque sua máscara, chame os amigos e leve os pequenos para uma nova aventura.”

 

Qual o papel das Unidades de Conservação?

Por fim, durante nossa conversa, Erika comenta que muitas famílias urbanas têm medo da natureza e que, portanto, é preciso que as Unidades de Conservação, as maiores áreas naturais protegidas, sejam ambientes acolhedores para as famílias e onde as pessoas possam viver uma experiência agradável. 

Para isso, ela formula três orientações importantes para gestoras e gestores dessas áreas:

Ter uma recepção acolhedora: 

“Costumo dizer que nossa sociedade não é muito tolerante com as crianças, porque criança fala alto, mexe nas coisas, então a primeira coisa é lembrar que você já foi criança, que há um potencial muito grande em ser criança.

Promover atividades direcionadas às famílias: 

“Não precisa ser muita coisa, mas por exemplo ter um espaço de piquenique no parque, onde as pessoas possam esticar sua toalha e fazer um lanchinho ou uma festa de aniversário. Muitas vezes a pessoa chega até o parque por aquele convite de festas de aniversário e começa a conhecer a área e quer retornar!”

Entre em contato com as escolas: 

“Direcionar projetos para, por exemplo, um dia da semana a escola abrir mão da sala de aula e se lançar no espaço aberto, como um laboratório, um espaço de aprendizagem ativa na natureza. Então fazer essas parcerias e mostrar para os outros que os parques estão abertos para todos os públicos, não só aqueles montanhistas, os aventureiros, mas também para os idosos, para as crianças e suas famílias.”

Recordar da potência de ser criança e como a natureza acompanha as transformações da nossa vida podem ser os primeiros passos para conscientizar as pessoas sobre a importância de preservar o meio ambiente e criar espaços acolhedores todos, em especial para o nosso futuro: as crianças.

 

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cerrado

“O Cerrado é de uma riqueza que o seu povo não conhece”

“O Cerrado é de uma riqueza que o seu povo não conhece”

Berço das águas e coração do país, quem vive no Cerrado sonha com um Brasil que zele pela vida que brota do bioma.

“Acho que minha história mais forte com o Cerrado é a de viver nele, de conviver com ele”. Nas palavras de Adalberto Gomes dos Santos, agricultor extrativista e Diretor da Coopcerrado, encontramos a proximidade, beleza e simplicidade de quem reconhece que não há palavras tão grandiosas para descrever o berço das águas brasileiras e o coração do nosso país: o Cerrado. 

Para termos uma dimensão de sua grandeza, oito das 12 principais regiões hidrográficas do Brasil têm suas nascentes no bioma. E como se já não bastasse para ilustrar sua singular importância, dele surgem as nascentes dos rios que formam o Pantanal, o “reino das águas”.

Então, não é à toa que Adalberto, que vive no e do Cerrado, especificamente no município de Lassance, centro de Minas Gerais, diz que “ele é a caixa d’água do nosso país”.

cerrado

Adalberto Gomes dos Santos, agricultor extrativista e Diretor da Coopcerrado.

Além da riqueza de belezas naturais – reflexos da diversidade de frutas, plantas, animais, veredas e grandes rios – a região proporciona às pessoas que vivem nele fortunas grandiosas de culturas, saberes e sobrevivência usando os recursos naturais sem destruir e, nas palavras do agricultor, “até multiplicando-os.”

“O Cerrado é de uma riqueza que o seu povo não conhece, só aqueles que vivem nele que conhecem um pouco, não tudo. Mas o Brasil precisava conhecer para valorizá-lo mais e saber o quanto ele é importante para o planeta.”

Para ele, viver da terra o fez conhecer este gigante das águas, defendê-lo, enxergar tantos recursos, belezas e qualidades, e ter um olhar especial também à natureza como um todo. Hoje, Adalberto enxerga que o maior desafio para quem vive na região é mantê-la de pé, já que poucas são as iniciativas que defendem e preservam o bioma. 

Entretanto, para o futuro, tem a expectativa de que a sociedade conheça seu valor e a sua importância. “E que tenhamos políticas públicas que consigam defender esse bioma tão importante para a humanidade”, acrescenta com esperança. 

São histórias de pessoas como Adalberto que nos fazem acreditar que temos apoiadores em todos os cantos. O Instituto Ekos Brasil atua para que o nosso país zele e preserve a vida que brota do Cerrado.

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IUCN

IUCN elege nova presidenta, segunda mulher a assumir a sigla

IUCN elege nova presidenta, segunda mulher a assumir a sigla 

“O Brasil está no coração do mundo e eu vou trabalhar para que ele esteja no coração da IUCN”. Essas são palavras de Razan Al Mubarak, nova presidenta da União Internacional para Conservação da Natureza (UICN), eleita na tarde do dia 08 de setembro. 

Representante dos Emirados Árabes, é a segunda mulher a assumir a presidência da IUCN em 14 mandatos e 73 anos de instituição. A presidenta venceu as eleições com 69% dos votos dos governos e 63% das organizações da sociedade civil e se mostrou entusiasmada com as propostas apresentadas pelos membros brasileiros. 

Tanto que, ao ouvir a proposta de que o Brasil seja o país sede de um dos Congressos Mundiais da UICN, sugeriu que o pontapé seja a realização de uma das reuniões com os conselheiros da UICN.

 

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IUCN

Carta Brazil Matters é entregue para comitê internacional da IUCN

Carta Brazil Matters é entregue para comitê internacional da IUCN

Uma carta aberta foi entregue por membros do Comitê Brasileiro da União Internacional para Conservação da Natureza para candidatos à presidência do International Union of Conservation of Nature (IUCN), durante o Congresso Mundial de Conservação da Natureza de 2021. 

O documento levado no último dia 04 de setembro apresenta o escopo de ações que devem ser promovidas e apoiadas pelo Comitê Brasileiro de Membros da IUCN, além de parceiros durante o Congresso. Para Ciça Wey, responsável por relações institucionais e coordenação de projetos do Instituto Ekos Brasil e que acompanhou este movimento, este é um momento importante para que haja o fortalecimento das redes de cooperação do comitê, em especial membros da IUCN em todo o mundo.

Assinam a Carta as organizações que são membros do Comitê Brasileiro da IUCN: Arpemg, Apremavi, CEPAN, CI – Conservação Internacional, Direito por um Planeta Verde, Ecoa, Ekos, Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, FVA – Fundação Vitória Amazônica, IDESAM, Imaflora, Instituto Mamirauá, IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, ISPN, Renctas, Save Brasil, Sociedade Civil Mamirauá , WCS e WWF. Ela está disponível em português, inglês, francês e espanhol. 

Confira a carta na íntegra.

O Congresso

Com a meta de conservar o meio ambiente e promover soluções para desafios globais a partir de recursos naturais, o evento é realizado de quatro em quatro anos e atrai desde líderes e povos indígenas, até membros da sociedade civil e tomadores de decisão do governo. 

Para abordar diferentes debates, o congresso é dividido entre Fórum (centro de debates públicos) e Assembleia de Membros (órgão tomador de decisões da sigla). 

O evento 2021, que aconteceria em julho de 2020, é promovido pela União Internacional de Conservação da Natureza e pelo Governo francês, além do apoio de parceiros internacionais. Devido a continuação da pandemia da Covid-19, o Congresso foi repassado para o modelo híbrido e acontece entre os dias 03 e 11 de setembro. 

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Compromisso Com o Clima 2021

Confira os resultados do Programa Compromisso Com o Clima 2021

Confira os resultados do Programa Compromisso Com o Clima 2021

Em ritmo de final de ano, o Programa Compromisso com o Clima divulga os resultados do edital de 2021. 

No encerramento desta edição, alcançamos a marca de 32 projetos inscritos e 18 projetos cadastrados, que dispunham de 2,8 milhões de créditos disponíveis para comercialização na Plataforma Ekos Social – 800 mil a mais do que no último ano. As iniciativas trabalham com diferentes linhas temáticas: Agricultura, Floresta e Uso do Solo (REDD+, restauro florestal com espécie nativa); Energia (biomassa renovável, energia solar, energia eólica), Manejo de Resíduos, além de outros tipos.

Os projetos passaram por robusta avaliação técnica e jurídica e foram submetidos a etapas que avaliaram elegibilidade, impactos positivos, riscos, verificação de documentos, entre outras.

resultados ccc 2021

Sobre o Compromisso com o Clima 

Desde 2017 conectamos empresas interessadas em compensar suas emissões de Gases de Efeito Estufa e projetos dedicados a gerar benefícios sociais e ambientais.

Com o apoio de grandes parceiros, o programa Compromisso Com o Clima vem expandindo seu alcance e segue com o propósito de engajar o setor privado em ações de responsabilidade climática.

O objetivo do programa é compensar as emissões de carbono das organizações, ao mesmo tempo em que proporciona benefícios socioambientais para as comunidades envolvidas.

Faça parte do Programa Compromisso com o Clima.

Entre em contato para entender como se juntar a nós e fazer a diferença.

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Amazônia

“Nossa soberania na Amazônia só virá quando a dominarmos pelo conhecimento”

“Nossa soberania na Amazônia só virá quando a dominarmos pelo conhecimento”

Pesquisador gaúcho fincou raízes há quase quatro décadas na Amazônia e defende que o desenvolvimento sustentável da região passa pelo inquestionável apoio ao conhecimento científico.

Há quase 40 anos, o oceanógrafo gaúcho José Alves Gomes trocou um extremo do país pelo outro. Ainda no final da faculdade se viu apaixonado pela Amazônia, em especial por algumas espécies fascinantes, como o peixe-boi e os peixes-elétricos e desde então, a transição da água salgada para a água doce foi natural e muito rápida.

Hoje, Gomes acumula quase quatro décadas habitando a Amazônia, é pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA)  – tendo sido seu diretor entre 2003 e 2006 – e acumula ainda dois pós-doutorados no exterior em biologia evolutiva estudando o peixe-elétrico. Mas apesar dos títulos, conquista pela simplicidade e pela boa conversa, típicas de quem mantém um estilo de vida com os pés na natureza.

O Instituto Ekos Brasil entrevistou Gomes com exclusividade para conversar sobre a Amazônia.

O papo logo começou pelo interesse em pesquisar o peixe-elétrico durante todos esses anos. “O peixe-elétrico é um modelo fantástico para se estudar comportamento, porque esse peixe modula o ritmo das descargas elétricas como forma de comunicação. E um segundo aspecto do meu interesse é que esses peixes, a partir do momento que geram e sentem campos elétricos para comunicação e eletrolocalização, são capazes de sentir mudanças físico-químicas na água. Então, se colocarmos poluentes na água, por exemplo, eles mudam o padrão de descarga. Por isso, podem ser empregados como biomonitores de qualidade da água em tempo real”, explica.

Ao comentar sua conexão com o peixe-elétrico fica fácil entender também sua paixão pela Amazônia. E claro, também as dores que afligem nossa majestosa floresta tropical.

“A Amazônia precisa de um carinho especial e ao longo dos governos se tentou fazer vários planos para ela. Mas sempre existiu uma dificuldade muito grande de se pensar a Amazônia de forma estratégica e multifacetada”, comenta. Além disso, os diferentes governos que se sucedem não dão continuidade aos planos desenvolvidos pelos governos anteriores e tentam, continuamente, reinventar a roda. 

Para Gomes, todos os atuais modelos de desenvolvimento tradicionais propostos estão defasados. “Não precisamos desmatar mais nada para desenvolver o agronegócio. Já temos terra suficiente e tecnologia de ponta para isso. (…) O barramento completo de rios não é mais necessário, porque o custo ambiental é muito alto em relação ao que se pode obter com outras fontes como energia solar e eólica, que exploramos e investimos muito pouco. Podíamos desenvolver  nosso potencial energético com financiamento de pesquisa”.

E também critica a falta de fiscalização na construção de estradas, o verdadeiro problema, de acordo com Gomes, e não a necessidade de conectar dois pontos no mapa. “Até mesmo o garimpo acho que tem solução: com a estatização, com o estado dizendo onde pode e com todo o produto do garimpo sendo vendido para o estado”, completa.

No ponto alto da nossa conversa, Gomes chama a atenção para o que, em sua opinião, é uma crítica e uma proposição. “Acho um erro estratégico enorme pensar que se vai valorizar a Bioeconomia por aqui sem passar pelo fortalecimento das instituições de ensino e pesquisa da Amazônia”, reflete.

Conhecendo de perto instituições como o INPA e as universidades federais e estaduais da região amazônica, o pesquisador não mede as palavras ao criticar as propostas de laboratórios num modelo “Amazônia 4.0”, no meio da selva, de dificílimo acesso, com gestão e manutenção altamente custosos – inclusive pelas condições climáticas que deterioram equipamentos – ao invés de uma séria e completa reestruturação das instituições existentes e hoje depredadas pela falta de investimento financeiro e, tão importante quanto,  de pessoal. “Precisamos investir em laboratórios temáticos, para multiusuários e em gente. Precisamos de um plano especial do governo para povoar esses laboratórios e instituições com pesquisadores, técnicos e administrativos para um novo ciclo científico na Amazônia”, completa.  

Gomes entende que pesquisa, dados e consequentemente conhecimento sobre a Amazônia são a melhor saída para um desenvolvimento econômico sustentável. Hoje em dia, de acordo com o pesquisador, o Brasil não tem registros consistentes de desembarque pesqueiro, de ciclos de produção sustentável da madeira, os ciclos reprodutivos de espécies economicamente importantes e nem tem feito esforços para negociar acesso a dados em troca de subsídios tecnológicos com outros países. “Nossa soberania na Amazônia só virá quando a dominarmos pelo conhecimento”, afirma.

E acrescenta que apenas o conhecimento é capaz de trazer soluções em bioeconomia e cadeias produtivas locais, como a exploração sustentável das frutas e dos fármacos.

O homem na Amazônia é uma presença histórica e não podemos negar a ele uma forma digna de rendimento, o que precisamos é um planejamento sério para o desenvolvimento sustentável. E só vamos obter essa capacidade gerencial se conhecermos o sistema. Não dá para gerenciar o que não conhecemos”, finaliza.

O Instituto Ekos Brasil agradece ao pesquisador José Gomes pela disponibilidade e por compartilhar seus conhecimentos sobre a Amazônia.

 

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áreas contaminadas complexas

O que são áreas contaminadas complexas?

O que são áreas contaminadas complexas?

O ITRC (Conselho Interestadual de Tecnologia e Regulação dos Estados Unidos) definiu em 2017 o termo “Área Contaminada Complexa” como “local onde não é esperado que ações de remediação levem ao fechamento da área ou facilitem a transição desta para um gerenciamento sustentável de longa data em um espaço de tempo razoável”.

Na prática, o termo indica que é esperado que seja necessário um tempo muito maior para que sejam atingidos os objetivos propostos para aquela área, em comparação com casos típicos de áreas contaminadas.

A complexidade da área se dá pela presença de diversos atributos que geram desafios para o processo de gerenciamento da contaminação.

Estes atributos podem estar relacionados, por exemplo, à geologia local, à presença de múltiplas áreas fontes, grande variedade de contaminantes presentes e à distribuição heterogênea de contaminantes na subsuperfície, entre outros.

Apesar do termo ser relativamente recente, áreas contaminadas complexas podem ser identificadas em diversos cantos do planeta, gerando tipicamente maiores custos e a necessidade de investigações e planejamentos ainda mais detalhados.

Em contrapartida, por conta de sua extensão e longa duração, também acabam oferecendo maiores oportunidades de inovação, redução de custos globais, redução de sua pegada de carbono e geração de benefícios sociais significativos.

Este tema é muito discutido e avaliado entre as diversas áreas e profissionais ambientais, sempre abrindo espaço para novas oportunidades de inovação, estudos e interpretações diferentes no assunto. E para você? O que é uma área contaminada complexa? Deixe sua resposta nos comentários!

Venha discutir esse e outros temas relacionados ao gerenciamento de áreas contaminadas e sustentabilidade conosco! Conheça mais sobre a rede NICOLE Latin America e participe!

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Ernesto Moeri

20 anos do Ekos Brasil: Conheça Ernesto Moeri, seu fundador

20 anos do Ekos Brasil: Conheça Ernesto Moeri, seu fundador

“Tornei-me geólogo por vontade de conhecer outras terras e por espírito aventureiro. Sabia que essa profissão me abriria o caminho para o mundo”, Ernesto Moeri. 

Ernesto Moeri nasceu em Berna, na Suíça, em 6 de dezembro de 1945. Uma guerra chegava ao fim e uma vida inspiradora começava. 

Sem a presença de petróleo e minérios na Suíça, Ernesto veio parar no Brasil para estudar nossas formações calcárias. Aqui, viajou semanas sozinho, sem poder fazer ligações telefônicas e isolado de grandes cidades. De bom coração, como sempre, não descreveu a viagem por suas aventuras…

“O que me marcou foi o encontro com essas pessoas no norte de Minas Gerais, pobres e orgulhosas, que lutavam sem reclamar contra a escassez da natureza. Personalidades fortes e hospitaleiras, mesmo se mal tivessem frequentado os bancos escolares.”

Pouco tempo depois, teve a oportunidade de cursar um doutorado nos Pirineus. Estudou a formação de sedimentos em águas rasas e como as conclusões obtidas sobre temperatura e quantidade de oxigênio dos mares pode ser extraída a partir de informações contidas nas formações rochosas. Uma experiência científica fascinante e importante para a exploração de petróleo. 

Trabalhou então nos Estados Unidos, na Groenlândia, na Bolívia e finalmente recebeu uma proposta de uma empresa alemã para retornar ao Brasil. Aqui, passou a pesquisar sobre jazidas de carvão e calcário para a produção de ferro, caulim, cobre e ouro, na região amazônica. 

“Era uma maneira emocionante e fascinante de conhecer o Brasil. E, principalmente, conheci pessoas maravilhosas, e vi como muito trabalho e confiança mútua conseguem mover montanhas.”

Na vida pessoal, Ernesto tornou-se também um esposo, um pai e um avô amoroso, com o início de uma família no Brasil. 

No ano de 1992 nosso país sofria de uma inflação extremamente alta. As cidades estavam em expansão, cinturões industriais se transformavam em áreas residenciais e os depósitos de lixo, desregulamentados, se transformavam em um perigo para a saúde das pessoas. 

Ernesto era especialista em solo e junto com alguns colaboradores transformaram a proteção ao meio ambiente em um novo campo de negócio. “Eu amava o Brasil e porque amava o país, enxergava seus problemas e dessa maneira, nossas chances.”

Por aqui, desenvolveram muito o setor de geotecnia com a nova empresa formada, a Geoklock, e puderam se envolver em projetos de alto risco tanto para a sociedade quanto para o meio ambiente. 

O trabalho, realizado com afinco, objetividade, responsabilidade e muita inovação tecnológica, garantiu a Ernesto e seus colaboradores a fidelidade que precisavam de autoridades e clientes. Com a Geoklock, Ernesto auxiliou muitas empresas a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa e a racionalizar seu consumo de água. 

“Nosso trabalho nos sensibilizou para a vulnerabilidade da natureza. Ele nos mostrou que há apenas um único planeta Terra e que suas riquezas precisam ser protegidas.”

Em 2001, pelas mãos de Ernesto nasce também o Instituto Ekos Brasil. A ideia? Trabalhar pela preservação da biodiversidade e promoção da sustentabilidade. 

O Instituto Ekos canalizou o grande potencial de seu fundador em utilizar tecnologias inéditas nas áreas de remediação sustentável. E assim teve início o maior evento de remediação da América Latina, o Seminário Ekos Brasil que já completou 13 edições. 

Além da remediação, o Instituto Ekos Brasil também trabalha em projetos investimento de impacto e conservação da biodiversidade, sendo um importante intermediário entre grandes empresas e proponentes de projetos de desenvolvimento socioambiental. 

 “A sustentabilidade aponta o caminho e ela deve ser rentável tanto para nós quanto para nossos clientes. O tratamento cuidadoso com os recursos de nossos próprios colaboradores também faz parte da sustentabilidade e não faz mal se para isso for preciso diminuir um pouco os lucros.”

Entre os projetos mais amados por Ernesto estava o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, em Minas Gerais. Detentor de uma natureza exuberante, de cavernas espetaculares e de uma riqueza inigualável em arte rupestre. Tão único e de espírito livre como seu protetor!

Em 2007, Ernesto conquista um novo sonho. Aprende a pilotar aviões e agora pode unir várias de suas paixões: geologia, fotografia e aeronáutica. Assim, desbravou a Amazônia e os Andes e sonhava em fazer uma viagem de volta ao mundo. 

E foi nutrido de todas essas paixões que ele nos deixou, ao pilotar e registrar do alto a região de Jacareacanga, no Pará, no dia 23 de fevereiro de 2019, aos 73 anos. 

Dizemos nos deixou em sentidos ambíguos. Deixou esta terra, mas deixou também seu legado de paixão pela vida, pela natureza, pela família e pela sustentabilidade. Todas paixões prazerosas, que acompanharam Ernesto até o fim. 

“Afinal, o trabalho também tem que proporcionar prazer, assim como me proporcionou durante toda uma vida.”

 

* As falas são de um texto que ele mesmo escreveu, para uma revista. 

 

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créditos de plástico

Créditos de plástico: você sabe o que eles significam?

Créditos de plástico: você sabe o que eles significam?

A expressão créditos de plástico logo nos remete à uma analogia com créditos de carbono. Apesar de diferentes e em curvas de maturidade bem distintas, a lógica é mesmo parecida, com empresas que geram incentivos econômicos como forma de compensação para projetos que reduzem o impacto ao meio ambiente.

Um crédito de plástico corresponde a uma unidade transferível que representa uma quantidade específica de resíduos de plástico. Ao comprar esse crédito de algum projeto que certificadamente destina corretamente e recicla resíduos sólidos, as empresas “neutralizam” tal impacto.

Como o assunto é muito novo, ainda enfrenta desafios e críticas.

Se por um lado, a popularização dos créditos pode trazer investimentos valiosos para financiar projetos, inovações e tecnologias para coleta e reciclagem de resíduos sólidos, além de gerar uma nova fonte de renda para famílias de catadores, como é o caso do Brasil, por outro, a iniciativa também tem gerado reflexões mais profundas no setor.

A primeira delas é que a compensação não pode servir de “escudo” para que as empresas continuem a produzir mais plástico. De acordo com a ONU, a cada ano, cerca de 8 milhões de toneladas de plástico chegam aos nossos oceanos.

Por isso, compensar comprando créditos de plástico não pode ser uma iniciativa isolada, mas deve compor um modelo de gestão de resíduos, no qual a compensação entra em cena apenas após todos os esforços de redução, reuso e reciclagem. Antes de mais nada, é preciso combater o excesso e a chegada do plástico à natureza.

créditos de plástico

Outro ponto de atenção está na pouca padronização com relação aos materiais e certificações. É justo, por exemplo, que uma empresa que produz sachês como de ketchup, amostras de xampu ou sacolinhas, muito difíceis de serem coletados, compense com créditos provenientes de garrafas pet ou mamadeiras? E ainda: como são poucas as empresas que oferecem créditos de plástico, mesmo as terminologias não são padronizadas, como por exemplo, plástico oceânico. Será que vem exclusivamente do oceano, da costa ou ainda inclui aquele plástico que tem potencial de chegar ao oceano?

No início deste ano, a Verra e a 3R Iniciative lançaram um Padrão de Redução de Resíduos Plásticos com o intuito de melhorar as regras e solidificar o mercado. A metodologia inclui o estabelecimento de normas e requisitos para que os projetos possam ser certificados; a obrigatoriedade de auditorias independentes de escritório e campo para garantir que os padrões sejam atendidos; métodos sólidos e técnicos de quantificação de coleta ou reciclagem para esse tipo de projeto; e a possibilidade de inclusão no Verra Registry, um depósito central de todos os projetos registrados com rastreio da geração, da retirada e do cancelamento dos créditos de plástico.

O caminho ainda é longo para uma maior maturidade desse mercado. Hoje em dia, créditos de carbono, por exemplo, já são associados a uma mudança de todo um modelo de gestão dentro das empresas, já bastante distante de apenas contabilidade e compensação de carbono. No mercado de emissões, créditos só fazem sentido se estão atrelados a benefícios socioambientais, causando impactos positivos não apenas na natureza, mas nas pessoas, nas comunidades.

De toda forma, o caminho é também promissor, especialmente para o Brasil. Por aqui, temos a Política Nacional de Resíduos Sólidos e ter um mercado de incentivo à economia circular, contemplando todas as nossas cooperativas de catadores com mais recursos, tecnologia e geração de renda é, certamente, uma boa notícia.

Enquanto os créditos de plástico não atingem tal maturidade, aproveite para conhecer o Programa Compromisso com o Clima. Compense as emissões de carbono da sua empresa de forma simples, segura e escalável, ao lado de grandes organizações, e gerando impacto e sustentabilidade de forma colaborativa.

 

 

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Espécies exóticas invasoras

Espécies exóticas invasoras: ameaça à conservação da biodiversidade brasileira

Espécies exóticas invasoras: ameaça à conservação da biodiversidade brasileira

Entrevista exclusiva com a pesquisadora científica Natália Macedo Ivanauskas.

Lado a lado com as mudanças climáticas e a perda de habitat, as espécies exóticas invasoras são uma das principais ameaças à conservação da biodiversidade, mas pouco se fala sobre isso. Ao ameaçar a flora ou a fauna nativa, causam problemas ambientais, econômicos e de saúde pública e, uma vez estabelecidas, geram ações dispendiosas e complexas para erradicação, controle, monitoramento e restauração dos ecossistemas.

Sem dúvida, o maior exemplo que temos atualmente é a própria pandemia do coronavírus, com origem na China e que ao “invadir” outro território foi capaz de se reproduzir e se disseminar rapidamente, provocando consequências alarmantes.

Por isso, para entender melhor o que são as espécies exóticas invasoras e os desafios dessa temática no Brasil, convidamos para uma conversa a pesquisadora científica do ex-Instituto Florestal e atual Instituto de Pesquisas Ambientais, Natália M. Ivanauskas.

“Primeiro, é preciso compreender que nem toda espécie exótica é invasora. Espécie exótica é uma espécie que ocorre em um determinado ambiente, mas foi introduzida pelo homem em outro ambiente, portanto não estaria ali de forma natural. O conceito de exótica é delimitado pelo território, ou seja, pode ser exótica no Brasil, no Cerrado, em determinada bacia hidrográfica etc. Já a invasora é uma espécie exótica que, ao ser introduzida pelo homem proposital ou acidentalmente, acaba afetando o ecossistema naquela área/região, causando um prejuízo para a biota local. Ela se estabelece, consegue sobreviver sozinha, se reproduz e passa a ser invasora quando a partir daquele local se dispersa e expande sua distribuição sem que precise de ação humana”, explica a pesquisadora.

 

De acordo com o  Ministério do Meio Ambiente, o Brasil possui 559 espécies exóticas invasoras em avaliação, sendo 271 delas encontradas em Unidades de Conservação.

“Um caso que podemos citar é do palmito-juçara (Euterpe edulis). Essa palmeira é uma espécie-chave para a Mata Atlântica, pois seus frutos são muito apreciados pela fauna. Está ameaçada de extinção porque tem um caule do tipo estipe que é cortado para a obtenção do palmito, e assim a palmeira morre. Tentando resolver o problema da exploração predatória dessa espécie, foram trazidas da Amazônia mudas do palmito-açaí (Euterpe oleracea) para produzir  um híbrido do açaí com o juçara, o “juçaí”,  para que ele pudesse perfilhar (ter vários caules), assim o corte do palmito não mataria a planta. Mas deu muito errado, porque tanto o açaí como o híbrido juçaí competem por polinizadores e dispersores, o que diminui a produção de frutos do palmito-juçara, que pode ser extinto nessa disputa desigual.. Agora está em curso um grande projeto que busca o enriquecimento da floresta atlântica paulista com o palmito-juçara, principalmente nas unidades de conservação do Vale do Rio Ribeira de Iguape”, conta Ivanauskas.

 

E, de fato, são muitos os outros exemplos. Apenas para citar alguns: o sagui-do-nordeste (primata de pequeno porte da espécie Callithrix jacchus ) foi transportado para a região sudeste do Brasil como animal de estimação, via tráfico de animais silvestres, colocando em risco a população de sagui-da-serra-escuro (Callithrix aurita), pois o cruzamento das duas espécies de saguis também formam híbridos que ameaçam a população local; o javaporco resulta do cruzamento do porco doméstico (Sus scrofa domesticus) com o javali-europeu (Sus scrofa scrofa); esse híbrido ultrapassa os 100 kg e ameaça os animais nativos menores, como caititu (Pecari tajacu) e queixada (Tayassu pecari) , causa prejuízos às plantações e  pode transmitir doenças para as pessoas; o mosquito Aedes aegypti tem origem no Egito e causa a zica, a dengue e a chikungunya; os capins africanos (Urochloa spp.)servem de pastagem para o gado, mas invadem áreas campestres naturais no Cerrado e a borda de florestas, assim como o pinheiro-americano (Pinus elliottii); no ambiente marinho temos o coral-sol (Tubaestra spp.) e o mexilhão-dourado (Limnoperma fortunei), e nos rios  a tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus) e o bagre-africano (Clarias gariepinus).

Existem também plantas ornamentais muito usadas no paisagismo de parques e jardins e que são exóticas invasoras. Um exemplo ocorre no Parque Trianon, na Avenida Paulista, e em outros remanescentes da Mata Atlântica da cidade de São Paulo, com a invasão da palmeira-australiana (Archontophoenix cunninghamiana) introduzida para uso ornamental. Antes do Trianon, o controle dessa palmeira invasora foi testado na “matinha” da USP, reserva de mata atlântica na cidade universitária, coordenado pela Profa. Dra, Vânia Pivello.

“E quando as palmeiras foram cortadas, a pressão contrária foi da própria população que achava que estávamos cortando “a flora”, tirando o alimento dos animais. Foi necessário um amplo trabalho de educação ambiental. Portanto, a desinformação também é um dos entraves para o manejo das espécies exóticas invasoras. Quando tentamos utilizar técnicas como fogo e herbicidas para controle de invasoras, temos resistência até entre cientistas. E às vezes é um mal necessário e aplicado uma só vez para resolver o problema”, explica Ivanauskas.

 

Outro entrave também vem do mercado econômico que, em casos como da tilápia, da braquiária e até mesmo de plantas ornamentais, faz pressão para que as espécies não sejam rotuladas como exóticas invasoras,  com receio de perderem valor comercial ou por dificultarem processos de certificação.

De toda forma, de acordo com a pesquisadora, o conhecimento e o controle dessas espécies melhoraram nos últimos anos. Desde a Rio 92, intensificaram-se os estudos, grupos de trabalho, e foram elaboradas listas nacionais, estaduais e municipais para conhecimento público. Parte dessas iniciativas foram incentivadas e ampliadas pelo Ministério do Meio Ambiente que, desde 2009, conduz a “Estratégia Nacional para Espécies Exóticas Invasoras”.

Em 2019, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) lançou um guia de orientação para o manejo de espécies exóticas invasoras em unidades de conservação federais. Encontra-se em elaboração o diagnóstico brasileiro sobre espécies exóticas invasoras da Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES), previsto para o primeiro semestre de 2023. São documentos-síntese que informam o melhor meio de realizar a rápida detecção e o controle de processos de invasões biológicas, mas a pesquisadora  ressalta que a prevenção ainda é o mais importante, porque é a ação mais barata e mais eficiente.

 

 

 

 

 

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