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No dia 8 de março, celebramos mais do que uma data no calendário; celebramos uma força vital que sustenta a biodiversidade do nosso planeta: as mulheres , em casa, no campo, na ciência, nas comunidades e na linha de frente da conservação.
Celebrar esta data na conservação é honrar um legado de pioneiras que abriram caminhos quando quase não havia espaço para elas: Bertha Lutz, que já em 1919 articulava ciência e política; Johanna Döbereiner, que revolucionou o uso de bactérias na fixação de nitrogênio e transformou a agricultura; Ana Maria Primavesi, precursora da agroecologia no Brasil; Niède Guidon, que dedicou sua vida à proteção do patrimônio natural e cultural; e tantas outras mulheres que construíram, com coragem e consistência, a base sobre a qual seguimos trabalhando hoje.
Em novembro de 2025, tive o privilégio de vivenciar um momento histórico da agenda climática no Brasil, a COP 30, em Belém. Em meio às negociações e às urgências, foi impossível não perceber a forte participação das mulheres no evento. A mensagem que atravessava corredores, plenárias e encontros paralelos era clara: as mulheres não estão apenas na linha de frente dos impactos; elas estão liderando as soluções mais inovadoras e humanas para enfrentar o colapso climático.

Na Blue Zone, participei do evento “Mulheres na Conservação: guardiãs da natureza e da Ética do Cuidado”, promovido pelo ICMBio, que reuniu vozes poderosas como a de Ana Paula Chantre Luna, ministra do Ambiente de Angola, e Sandra Regina Pereira, do CONFREM. Ali, ficou cristalino que a conservação ambiental não é apenas uma questão de técnica ou legislação, ela é, sobretudo, uma ética profunda de cuidado, frequentemente conduzida por mãos femininas, acostumadas a sustentar a vida mesmo quando tudo ao redor parece faltar.
A desigualdade de gênero funciona como um amplificador da crise: quando o clima piora, as vulnerabilidades pré-existentes se tornam mais perigosas.
O relatório The Gender Snapshot, da ONU Mulheres, indica que, até 2050, as mudanças climáticas podem empurrar até 158 milhões de mulheres e meninas para a pobreza e levar 236 milhões a enfrentar a fome, especialmente em contextos onde a renda já é frágil e o acesso a recursos é limitado.
Além disso, também de acordo com a ONU, as mulheres representam cerca de 80% dos deslocados climáticos no mundo. Ao mesmo tempo, cresce a sobrecarga do trabalho de cuidado: o cuidado doméstico não remunerado já recai desproporcionalmente sobre as mulheres e, com ondas de calor, doenças, escassez de alimentos e de água, esse fardo se intensifica, reduzindo o tempo e as condições para participação social, política e econômica.

Em regiões de seca severa e desertificação, o impacto se torna ainda mais concreto, com mulheres e meninas percorrendo longas distâncias para buscar água, com prejuízos diretos para a saúde e para a autonomia. E quando a renda familiar cai ou a produção falha, a escola vira a primeira vítima silenciosa: meninas ficam mais expostas ao abandono escolar para ajudar no cuidado e nas tarefas domésticas, perpetuando um ciclo de desigualdades.
Em cenários de eventos extremos, migrações forçadas e conflitos por recursos, aumenta também a vulnerabilidade a violências baseadas em gênero e a insegurança de mulheres deslocadas. Apesar disso, elas ainda seguem sub-representadas em espaços de liderança ambiental e em delegações de negociações climáticas, justamente onde se decide o rumo dos investimentos, das políticas e das prioridades.

O protagonismo feminino já está aí, vivo e atuante; o que falta é visibilidade, reconhecimento e poder real. Iniciativas como o projeto “Mulheres na Conservação”, apoiado pela Fundação Toyota do Brasil, vêm registrando e valorizando trajetórias de pesquisadoras e lideranças que sustentam projetos decisivos para a conservação ambiental no país.
E quando olhamos para a ciência, vemos um paradoxo: as mulheres avançaram muito, mas seguem enfrentando barreiras.
Dados recentes apontam que o Brasil tem alta participação feminina na autoria científica, chegando a 49% em séries de longo prazo, o que reforça o tamanho do potencial quando há oportunidade.
Ainda assim, o reconhecimento, a progressão na carreira e a ocupação de espaços de decisão seguem marcados por desigualdades, sobretudo em áreas historicamente masculinizadas.

Essa força também é motor do conhecimento científico e da inovação. Durante o 2º Prêmio Mulheres e Ciência, ficou evidente que diversidade de olhares não é detalhe: é parte da qualidade das respostas que damos ao nosso tempo. Como destacou Deborah Malta, a participação feminina agrega a perspectiva do cuidado e da diversidade, essencial para enfrentar desafios complexos deste século. E a estudante Lara Borges resumiu o espírito dessa caminhada: quando uma mulher avança na ciência, ela não caminha sozinha — ela abre caminho para outras.
Tenho o privilégio de trabalhar com uma equipe formada majoritariamente por mulheres, de diferentes idades, áreas e histórias.
Trabalhar ao lado de mulheres que lideram projetos complexos me ensinou, na prática, que conservar é estabelecer laços de cooperação e respeito pela vida. Eu me inspiro diariamente nas diferentes personalidades, na coragem de enfrentar o improviso do mundo real e na capacidade de encontrar soluções em cenários difíceis, seja no diálogo com comunidades, com empresas, com órgãos ambientais, seja no detalhe técnico que garante que um projeto fique de pé. E os territórios onde atuamos também nos apresentam, o tempo todo, mulheres fortes: nas empresas, nas comunidades e dentro do serviço público ambiental.
A tradição nos ensina que a vida se sustenta no que é repetido todos os dias: o cuidado, o trabalho silencioso, a persistência. E a visão de futuro nos exige ir além do reconhecimento simbólico: precisamos de orçamento, espaço de decisão, políticas de permanência, mentoria e segurança para que mulheres permaneçam e liderem – na ciência, na conservação, na gestão pública e na economia. Que este 8 de março nos lembre: quando fortalecemos uma mulher, fortalecemos um território inteiro e, com ele, o futuro da própria vida.
O maior congresso do mundo sobre conservação da natureza começa esta semana, em Abu Dhabi. Realizado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), o evento acontece de 9 a 16 de outubro e reunirá tomadores de decisão dos setores público e privado, organizações da sociedade civil, povos indígenas e representantes do meio acadêmico, com o objetivo de avançar em agendas importantes para o desenvolvimento sustentável nos próximos anos.
O Instituto Ekos Brasil, organização membro da IUCN, também estará presente, representado por sua Diretora de Relações Institucionais, Maria Cecília Wey de Brito (Ciça Wey). Ciça, que atualmente preside o Comitê Brasileiro de Membros, está cotada para compor o Conselho Mundial da IUCN, representando a América do Sul. A eleição ocorrerá durante o Congresso, e os membros eleitos exercerão mandatos de quatro anos.
Ciça participará de oito painéis, sendo quatro deles realizados no Pavilhão Brasil. No primeiro, a experiência do Instituto Ekos Brasil será apresentada como uma das contribuições das organizações não governamentais brasileiras para o enfrentamento dos eventos climáticos extremos e da crise da biodiversidade.
“Outra presença marcante do Ekos acontecerá no painel sobre parcerias público-privadas, no qual apresentaremos os cases do Parna Peruaçu e do Parque Estadual do Rio Doce como bons exemplos de gestão de áreas naturais”
destacou Ciça.
Os demais painéis com participação do Ekos abordarão temas como a biodiversidade na América Latina, remoção de carbono e economia da floresta, além de um painel específico sobre a COP 30, entre outros.
Todos os detalhes e a programação completa do evento podem ser conferidos em: https://iucncongress2025.org/
A mais recente edição do Relatório Anual do Fogo (RAF) aponta que 45% do Cerrado foi queimado pelo menos uma vez em 40 anos, sendo 43% da área queimada nacional. O bioma ainda tem a maior média nacional de área queimada – 9,6 Mha queimados todos os anos, com extensas áreas atingidas inclusive dentro de Unidades de Conservação.
De acordo com Vera Arruda, coordenadora técnica do MapBiomas Fogo em entrevista ao site do próprio MapBiomas, o que os pesquisadores têm observado é que a incidência de incêndios têm sido maior no período da seca, em razão, principalmente, de atividades humanas e agravada pelas mudanças climáticas.
“Um dado especialmente preocupante é o avanço do fogo sobre as formações florestais no Cerrado, que em 2024 atingiram a maior extensão queimada dos últimos sete anos — uma mudança na dinâmica do fogo que ameaça de forma crescente a biodiversidade e a resiliência desse bioma” , comentou Arruda.
É dentro deste contexto preocupante que o Instituto Ekos Brasil inicia um projeto com diversas ações de prevenção ao fogo na região do Mosaico Sertão Veredas – Peruaçu, no Cerrado mineiro.
Intitulado Conhecer e Prevenir: estruturação para um Manejo Integrado do fogo mais efetivo, a iniciativa terá atuação em duas novas Unidades de Conservação: O Parque Estadual Veredas do Peruaçu de Proteção Integral e a Reserva Estadual de Desenvolvimento Sustentável Veredas do Acari, além da atuação no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu e a Área de Proteção Ambiental Cavernas do Peruaçu.
Durante 18 meses, o Ekos Brasil irá implementar ações de prevenção ao fogo nas comunidades pertencentes aos territórios, em conjunto com as equipes gestoras das UCs seguindo as diretrizes da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (LEI Nº 14.944, DE 31 DE JULHO DE 2024).
“Olhando para estes dados e compreendendo o impacto do fogo em áreas de vegetação nativa iniciamos este projeto ainda mais comprometidos em seguir fortalecendo o território, a biodiversidade e a comunidade. Um novo desafio frente à uma antiga ameaça.”
ressaltou Francieli Kaiser, coordenadora de projetos de conservação da biodiversidade do Instituto Ekos Brasil.
A iniciativa acontece em parceria com o Programa Copaíbas do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio).
Fonte: Projeto MapBiomas – Mapeamento das áreas queimadas no Brasil entre 1985 – 2024 – Coleção 4, acessado em 1º de julho de 2025 através do link: https://brasil.mapbiomas.org/wp-content/uploads/sites/4/2025/06/RAF2024_24.06.2025_v2.pdf
Em 31 de julho de 2014 foi instituído o MROSC (Lei nº 13.019/2014). E o que temos a celebrar uma década depois?
No âmbito nacional, um cenário mais positivo de colaboração entre as OSCs e o Poder Público. E, internamente, de uma maneira especial para nós do Instituto Ekos Brasil, o sucesso da gestão de uma Unidade de Conservação amparada pelo MROSC, com resultados marcantes de envolvimento da sociedade civil na conservação e desenvolvimento de uma área protegida.
Mas antes, vamos entender o que é o Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil?
O MROSC é um conjunto de normas que regulamenta as parcerias entre o Estado e as OSCs. Basicamente, seu principal objetivo é simplificar, desburocratizar e garantir a transparência nessas relações, proporcionando um ambiente mais propício para que essas entidades realizem atividades ou projetos de interesse público a partir de três instrumentos jurídicos: Termo de Colaboração, Termo de Fomento ou Acordos de Cooperação.
A Lei veio para contribuir com uma gestão pública mais democrática, abrindo caminho para diferentes modalidades de parceria e apresentando regras claras e válidas em todo o país. A partir do Marco, as OSCs puderam contar com um ambiente mais justo e eficiente para o desenvolvimento de suas atividades e projetos, com mais regularidade fiscal e jurídica.
Com esse ambiente mais seguro, exemplos de parcerias entre OSCs e Poder Público ganharam ainda mais notoriedade e relevância. Um deles, sem dúvidas, é o Acordo de Cooperação que o Instituto Ekos possui junto ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade ICMBio, para o apoio à gestão, conservação e divulgação do da APA e do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, além do desenvolvimento de projetos socioambientais na região.
O Acordo de Cooperação, tem proporcionado uma gestão pública mais colaborativa da UC. E isso só nos confirma a importância de trabalhar a gestão das Unidades de Conservação no Brasil em estreito laço com a sociedade civil.
Em 2023, apenas para citar alguns exemplos, esta parceria resultou na implementação do projeto “Uma trilha para a Sustentabilidade”; na participação do Ekos Brasil, portanto da Sociedade Civil, nas reuniões do Conselho do PNCP e do Mosaico Sertão-Veredas Peruaçu; no apoio à candidatura do parque como Patrimônio Mundial Natural pela UNESCO; na produção de mudas no viveiro; em parcerias com marcas e influenciadores para publicidade do parque; dentre muitos outros resultados.
Acreditamos que o exemplo do Acordo de Cooperação do Instituto Ekos Brasil com o ICMBio é um case de sucesso em gestão de áreas protegidas e pode ser replicado na gestão de muitas outras Unidades de Conservação do nosso país.
Nessa terça-feira (23), em Brasília, foi realizada a 1ª reunião do Observatório do Meio Ambiente e das Mudanças Climáticas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O Observatório é coordenado pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Antônio Herman Benjamin e formado por entes do governo, da academia e da sociedade civil, entre eles a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, em inglês), representada pela atual presidente do Comitê de Membros Brasileiros e diretora de relações institucionais do Instituto Ekos Brasil, Maria Cecília Wey de Brito.

Maria Cecília explica que o Observatório é um instrumento de relevância para o acompanhamento, a garantia, a promoção e a proteção do Meio Ambiente no âmbito do sistema de justiça, e consolida-se como um espaço de democratização do Poder Judiciário e de diálogo permanente e qualificado com a sociedade civil.
Além dos ministros e ministras presentes, entre eles o presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, estiveram na reunião o Dr. Carlos Nobre, que falou sobre os desafios da Amazônia, e a Dra. Mercedes Bustamante, que explanou sobre as problemáticas do Cerrado.


ICMBio realiza oficina de trabalho para avançar na criação de Unidades de Conservação Federais.
Se você já escutou que “precisamos regenerar o ecossistema global” e não entendeu o que significa, este conteúdo é para você.
Uma cultura humana regenerativa é saudável, resiliente e adaptável; ela se preocupa com o planeta e com a vida, ciente de que este é o caminho mais eficaz para criar um futuro próspero para toda a humanidade.
Daniel Wahl

Há mais de 20 anos, o Instituto Ekos Brasil tem como propósito colaborar com a regeneração dos ecossistemas. Desde a nossa fundação, compreendemos que era preciso olhar e imitar a natureza para fazer prosperar, em harmonia, as atividades humanas e a evolução do nosso planeta.
Porém, mais recentemente, ao nos debruçarmos sobre a pergunta ‘onde queremos chegar nas próximas décadas?’, percebemos o papel ainda mais central da regeneração no futuro de nossas atividades, considerando a necessidade pungente não apenas de conservar os ecossistemas ainda preservados, mas de recuperar aqueles que já foram degradados pelas ações humanas. De fato, agora a palavra regeneração está no centro da nossa missão corporativa e, cada vez mais, vem ganhando relevo no universo da sustentabilidade.
Daniel Wahl, um dos maiores especialistas no assunto e autor do livro “Designing Regenerative Cultures” defende uma cultura humana regenerativa. Para ele, isso significa pensar a sustentabilidade de uma maneira sistêmica, agindo pela saúde e pela resiliência do planeta.
Uma maneira bem simples de compreender a regeneração é olhar para os conhecimentos e as práticas dos povos indígenas. Wahl explica que antes do desenvolvimento das sociedades agrícolas e baseadas em combustíveis fósseis, nossa espécie soube imitar a natureza, não só mitigando impactos, mas vivendo de tal maneira que a regeneração local e regional mantinha a saúde dos ecossistemas.
Esse entendimento se relaciona diretamente com o que diz o Regenesis Institute for Regenerative Practice, um instituto de pesquisa e educação referência sobre esta temática. Quem deseja atuar de forma regenerativa, sejam pessoas, governos ou empresas, deve estar comprometido em “pensar como a natureza pensa” e não apenas em valorizar o que a natureza precisa para continuar existindo. Pensar e agir assim, como os povos indígenas, permite um trabalho em “parceria coevolutiva”.
“A coevolução com sistemas naturais não se trata de aprender sobre a natureza como uma força que existe fora de nós mesmos. Isso requer aprender sobre nossa própria natureza para reprojetar ativamente como pensamos e como trabalhamos – e possibilitar essa mudança nos outros”.
(Regenesis Institute, site institucional)

Hoje, a regeneração tem tomado contornos muito amplos. Além de cultura regenerativa, já se fala em economia regenerativa, agricultura regenerativa, capitalismo regenerativo, etc.
Em artigo publicado pela Forbes, outro especialista no tema, Navi Radjou, instiga as empresas a se reinventarem e a funcionarem “altruisticamente como uma floresta”. Essa seria a base para o que ele chama de “empresas regenerativas”, ou seja, negócios capazes de devolver 10 vezes ou até 100 vezes mais à sociedade e ao planeta do que o que retiram dele.
“Enquanto uma empresa sustentável procura apenas reduzir a sua pegada ecológica, uma empresa regenerativa procura corajosamente aumentar a sua pegada socioecológica (…), restaurando a saúde dos indivíduos, das comunidades e do planeta”, explica.
Da mesma forma, uma economia regenerativa gera riqueza ao mesmo tempo em que entrega sustentabilidade ambiental, social e econômica e não apenas mitiga riscos ambientais. É capaz de usar apenas recursos que possam ser recuperados e em uma velocidade que respeite o tempo de restauração da biodiversidade, dos sistemas vivos, da água e do solo.
Por fim, atualmente, podemos dizer que o melhor exemplo de regeneração liderado por humanos está na agricultura regenerativa. É o que diz o consórcio internacional “Negócios Alimentares Regenerativos”. Ao priorizar a centralidade da natureza, a agricultura regenerativa restaura os ecossistemas imitando processos ecológicos com o intuito de gerar sistemas mais resilientes. Não só, ao reprogramar sua engrenagem, a agricultura regenerativa também promove equidade, valorização de conhecimentos ancestrais e científicos e impulsiona o desenvolvimento econômico a partir da justiça sociocultural.
Somos conscientes da longa jornada que temos pela frente. Porém, entusiasmados em enxergar a realidade a partir desta visão que ultrapassa a sustentabilidade ambiental e compreende o mundo como um sistema vivo, que precisa se regenerar para continuar a existir. Para isso, precisamos pensar e agir como a natureza.
A Embaixada da Suíça no Brasil, no Distrito Federal, foi palco, no último dia 5, da 1ª edição do Prêmio Suíço de Sustentabilidade e Inovação. O evento contou com a presença de autoridades de ambos os países, como o Conselheiro Federal da Suíça, Guy Parmelin, e o Ministro interino Luis Fernandes, do MTCI.
O prêmio foi lançado por meio de um edital, com uma chamada ativa para empresas brasileiras e suíças, com sede no Brasil e/ou na Suíça, de diferentes portes e setores.
Dentre as 40 empresas inscritas, as vencedoras foram Hilti Brasil e Grupo Ambipar. E dentre as 43 startups, as vencedoras foram Groam e Yattó.

A vencedora Groam é uma startup suíça que produz espuma biodegradável a partir de resíduos de biomassa agrícola, e a brasileira Yattó atua com logística reversa e economia circular com soluções para reciclagem e outros tratamentos de resíduos.
“Ficamos muito surpresos com o número de participantes inscritos e com a qualidade empenhada em cada candidatura”.
ressaltou Danielly Freire, Gestora de Projetos de Impacto e Gestão Climática do Ekos Brasil e participante do Grupo de Trabalho de Sustentabilidade, responsável pela metodologia.
Ao lado de Danielly Mello Freire, integraram ao GTS a Presidente Ekos Brasil Ana Moeri e a Gestora do Ekos Brasil, Jéssica Fernandes, o embaixador Pietro Lazzeri, MARTIN EGGENSCHWILER da Embaixada Suíça, Mariana Badra e Denise Ortega da SWISSCAM Câmara de Comércio Suíço-Brasileira, Malin Borg e Bianca Campos da Swissnex in Brazil e Hans Andreas Aebi da Swiss Business Hub Brazil.
Desde o início, o Instituto Ekos Brasil acompanhou o desenvolvimento do projeto do prêmio ao lado da Swissnex oferecendo orientações técnicas. Para a premiação das empresas, o Ekos Brasil liderou a construção de uma metodologia única e específica que pudesse reconhecer aquelas que têm como parte da estratégia a sustentabilidade corporativa.

Em conjunto, as organizações optaram por focar, nesta primeira edição, em inovações para Zero Waste (Lixo Zero), para a categoria das startups.
“Temos a certeza de que o evento foi um sucesso. Agradecemos, profundamente, todas as pessoas envolvidas que se mostraram solícitas e atenciosas. Foi um projeto complexo de gerir, mas prazeroso, visto a educação e engajamento de todos e de todas”
completa Danielly.
Que tal optar por presentes que instiguem o consumo consciente neste fim de ano? Veja essa ideia do Instituto Ekos Brasil.
É chegada aquela época gostosa do ano em que, culturalmente, fazemos mais festas, trocamos presentes e consumimos mais. Porém, é possível fazer escolhas mais conscientes e menos danosas ao meio ambiente, seja na hora de escolher alimentos e bebidas para as confraternizações, seja ao selecionar aqueles mimos para presentear amigos e parentes.
Por isso, a equipe do Instituto Ekos Brasil se uniu para compartilhar boas práticas por um consumo consciente neste final de ano. São muitas as possibilidades para colocar em primeiro lugar o nosso planeta e o bem-estar das pessoas.
Alguns bons exemplos são produtos que contribuem com a conservação da natureza, reduzem a pobreza, geram condições de trabalho e renda mais digna aos trabalhadores em toda a cadeia de produção, promovem o conhecimento tradicional e reduzem as emissões de gases de efeito estufa.
Uma prática que dividimos com vocês e que pode auxiliar na escolha de produtos que geram impacto ambiental positivo e valor social é montar uma ceia de Natal com alimentos produzidos por agricultores familiares da sua cidade ou até mesmo do seu bairro.
Para encontrar estes produtos locais, procure e prefira comprar diretamente dos produtores, inclusive aqueles que estão dentro da cidade e que cuidam das hortas urbanas. Elas estão em toda parte e nas feiras de produtoras e produtores. Participe de iniciativas de coletivos organizados para apoio e consumo de produtos locais, como por exemplo o Comunidades que Sustentam a Agricultura (CSA) em https://csabrasil.org/csa/csas-no-brasil/.
Ao comprar produtos beneficiados, mesmo que seja em supermercados, dê preferência àqueles produzidos de forma mais sustentável e àqueles que estabelecem relações econômicas mais justas. Os selos regulados pelo governo como da agricultura familiar, Quilombos do Brasil e Orgânicos ou de sistemas privados voluntários como o de comércio justo, Rainforest Alliance ou Biocomércio Ético (UEBT) nos ajudam a identificar produtos mais sustentáveis, para citar alguns exemplos dentre muitos (selos abaixo).
Dizem que falar é fácil, difícil é fazer. Na realidade, colocar em prática pode ser mais fácil do que parece e muito prazeroso. Aqui no Instituto Ekos Brasil estamos exercitando essa prática e procurando ser coerentes com o que falamos. Para compor a cesta de fim de ano para nosso conselho e equipe, por exemplo, optamos por comprar produtos da agricultura familiar e de artesãs da região do vale do rio Peruaçu, no norte de Minas, uma das localidades na qual o Instituto Ekos Brasil trabalha.
Decidimos comprar produtos que valorizam e contribuem com a conservação do Cerrado, com a cultura local, com a biodiversidade brasileira e com o bem-estar das pessoas daquela região. A cesta incluiu: cerâmica da associação de mulheres do Candeal, doces de frutas nativas do Cerrado, bolsa bordada à mão pelas artesãs locais e outros produtos. Foi uma alegria para as pessoas que trabalham na agricultura familiar local e para as artesãs ver os seus produtos nessas cestas. E as pessoas que receberam foram surpreendidas por produtos tão especiais que carregam história e que foram preparados com tanto carinho.
Esperamos que esse artigo tenha despertado (ou aumentado) seu interesse por buscar contribuir com a economia local e ética ao fazer suas compras de fim de ano e ao longo de todo o ano. Com votos de um 2023 de muita paz e saúde!
Equipe do Instituto Ekos Brasil