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    BioDiversos: vamos celebrar a biodiversidade?

    Instituto Ekos Brasill lança o projeto BioDiversos com uma série de depoimentos de profissionais renomados de diversas áreas de atuação sobre suas percepções e experiências com a biodiversidade. Um convite para celebrarmos o equilíbrio entre a existência humana e a natureza. Os vídeos são lançados periodicamente e ficam disponíveis nessa página e em nossas redes sociais.

    A biodiversidade é um dos sustentáculos da vida em nosso planeta. É uma dádiva que resultou de bilhões de anos de desenvolvimento e, por isso, única e tão importante. 

    Mas a verdade é que poucos entendem a profundidade do que esse termo tão difundido representa.

    A Biodiversidade contempla a heterogeneidade de todas as formas de vida existentes, – no mar, na terra, nos rios, no ar, em todos os ambientes -, incluindo a do homem. E é essa riqueza de combinações (genética, de espécies e ecossistemas), além das suas inter-relações, que fornece preciosos recursos e serviços necessários à manutenção da vida como a conhecemos, da nossa vida!

    Prestadora de serviços essenciais

    Gratuitamente, é a biodiversidade que modera e mantém as condições climáticas e da temperatura; a regulação e a purificação de gases atmosféricos; a manutenção e fornecimento de água para o consumo; o fornecimento de alimentos, fibras e combustíveis; a polinização de plantas, incluindo muitas espécies de interesse econômico; o controle natural de pestes e doenças, isso só para citar poucos exemplos.

    “Mas, apesar de sua enorme importância, o empobrecimento da biodiversidade tem sido constante e intenso. É imperativo que chamemos a atenção das pessoas sobre essa tendência de forma explícita. Por isso, trouxemos neste projeto abordagens que aproximam a biodiversidade ao cotidiano das pessoas”, explicou Ciça Wey de Brito, coordenadora de relações institucionais do Instituto Ekos Brasil.

    Desde o dia 22 de maio, Dia Internacional da Biodiversidade, o Ekos Brasil começou a disponibilizar uma série de depoimentos de profissionais de diferentes áreas de atuação e do conhecimento como arquitetura, medicina, culinária, tecnologia, comunicação, etc. para que as experiências, visões e usos que fazem da biodiversidade sejam compartilhados com todos.

    Abaixo, você confere os depoimentos que já estão disponíveis.

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    Nosso primeiro convidado é o renomado arquiteto e designer Carlos Motta!

    Ele compartilha conosco como desenvolve criações únicas e especiais com respeito e sensibilidade em relação à natureza.

     

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    No segundo depoimento da série BioDiversos, o renomado cozinheiro Alex Atala nos conta sobre o seu compromisso com biodiversidade e apreciação do seu valor. Fala do Instituto ATA e do valor da proteção dos rios, mares e florestas e dos homens e mulheres que neles habitam e deles tiram seu sustento. Atala nos convida a compreender o ciclo interdependente e bonito que existe entre o saber, o comer, o cozinhar, o produzir e a natureza. 

     

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    Em seu terceiro vídeo, o projeto BioDiversos trata de biodiversidade e saúde e a bióloga e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz, Marcia Chame, foi a convidada da vez. Especialista no estudo de doenças silvestres, Chame explica a raiz de suas pesquisas e a comprovação científica da importância da biodiversidade para a saúde humana, inclusive na prevenção de epidemias. Assista, entenda e compartilhe.

     

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    No quarto episódio da série Biodiversos, Nurit Bensusan nos conta como busca popularizar a ciência e a biodiversidade em si com livros e jogos especialmente dedicados às crianças. “As crianças têm grande empatia com a conservação da natureza e podem ser as pessoas do futuro para fazer o mundo diferente”.

    Dê o play e confira essa e outras reflexões sobre biodiversidade com Nurit Bensusan!

     

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    No quinto episódio, a série BioDiversos apresenta o trabalho da engenheira florestal vencedora do Whitley Award, o “Oscar Verde”, Patrícia Médici. Reconhecida por seu incansável trabalho de conservação da anta brasileira, Médici explica a importância deste animal incrível, e muito ameaçado, para a biodiversidade em diferentes biomas do nosso país. 
     
    Assista e compartilhe!

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    Neste episódio da série BioDiversos, o professor Alexander Turra, oceanógrafo da Universidade de São Paulo e coordenador da Cátedra Unesco Sustentabilidade do Oceano comenta os desafios da conservação da vida marinha, tão importante e tão ameaçada pelas agressões da humanidade. 

    Assista e compartilhe!

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    O projeto BioDiversos chega ao sétimo episódio entrevistando Daniel Lombardi, tradicional arqueteiro brasileiro comprometido com a conservação da Mata Atlântica e também de uma das mais emblemáticas espécies de madeira atualmente ameaçada de extinção, o Pau-Brasil.

    Assista e compartilhe!

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    No oitavo episódio, chegou a vez de Felipe Jannuzzi, pesquisador de plantas brasileiras, produtor de bebidas destiladas e criador do Mapa da Cachaça e da Etthylica compartilhar seu depoimento com a extração de aromas e sabores da nossa flora para produzir bebidas destiladas diferenciadas.

    Assista e compartilhe!

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    O projeto BioDiversos chega ao nono e último episódio com o depoimento de Sydney Possuelo, etnógrafo brasileiro, ativista social e certamente um dos maiores conhecedores de povos indígenas do mundo.
    Possuelo compartilha seus aprendizados e sua experiência de vida junto aos índios brasileiros, especialmente aqueles mais isolados.
    Confira e compartilhe.

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    E por que celebrar a biodiversidade? 

    Porque ela está em risco. E todas os bons exemplos e atuações pela sua conservação devem ser comemorados! Afinal, os dados não são animadores.

    O relatório da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES) – Global Assessment on Biodiversity and Ecosystem Services, de 2019, informa que aproximadamente 75% da superfície da Terra está significativamente alterada, que 66% da área dos oceanos estão experimentando impactos cumulativos crescentes e que 85% das áreas úmidas já foram perdidas.

    Mas veja só. A versão deste relatório para as Américas mostra que o valor das contribuições terrestres da natureza é de pelo menos US$ 24,3 trilhões por ano!

    Também o último Relatório Global de Riscos publicado no 15o Fórum Econômico Mundial, que ocorre anualmente em Davos, na Suíça, colocou questões ambientais como a perda da biodiversidade e outras ameaças à vida no planeta à frente dos riscos apresentados por tensões geopolíticas e ataques cibernéticos, como fazia antes.

    Pela primeira vez este Relatório constatou que os cinco principais riscos de longo prazo para a economia mundial são ambientais. Pela ordem o Relatório aponta os principais riscos como sendo:

    [su_list icon=”icon: leaf”]

    • Eventos climáticos extremos, como enchentes e tempestades
    • Falhas nos combates às mudanças climáticas
    • Perda de biodiversidade e esgotamento de recursos
    • Desastres naturais, como terremotos e tsunamis
    • Desastres ambientais ​​causados pelo homem

    [/su_list]

    O Instituto Ekos Brasil tem como uma de suas áreas de atuação a conservação do meio ambiente. Temos um conjunto de iniciativas que conectam investimentos privados a projetos que promovem o desenvolvimento sustentável e a mitigação das mudanças climáticas. Também atuamos na gestão e manutenção do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, em conjunto com o ICMBio, um importante reduto de natureza em nosso país.

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    Relatório de Riscos Globais 2021 mantém riscos ambientais como agenda prioritária mundial para a próxima década

    Relatório de Riscos Globais 2021 mantém riscos ambientais como agenda prioritária mundial para a próxima década

     Depois de sua edição histórica em 2020, na qual pela primeira vez os riscos ambientais estiveram no topo das ameaças para a próxima década, ocupando as 5 primeiras posições do ranking de riscos por impacto, chegou a vez de conferir novamente as reflexões, tendências e conclusões do Global Risks Report 2021 (Relatório de Riscos Globais 2021).  O documento elaborado anualmente serve como base para as discussões do Fórum Econômico Mundial, que este ano acontece em formato virtual, nos dias 25 e 29 de janeiro, reunindo 1.200 líderes de 60 países.

    No ano em que o Fórum se desenrola durante uma pandemia global e tem a confiança como tema principal – “Crucial Year to Rebuild Trust (O ano crucial para reconstruir a confiança, em tradução livre) – mais uma vez o Relatório de Riscos Globais aponta a interdependência entre os impactos sociais, econômicos e ambientais, mantendo os riscos deste último no topo da lista e incluindo, obviamente, as doenças infecciosas 

    Para Sônia Favaretto, especialista em Sustentabilidade e integrante do Conselho Técnico do Instituto Ekos Brasil, o fato de os riscos ambientais continuarem figurando como os principais riscos para a próxima década demonstra que a agenda ganhou evidência e que empresas, lideranças e investidores ao redor do mundo serão cobrados, cada vez mais, por suas práticas ESGs.

    Cobrança que já começou. Em sua também tradicional carta endereçada aos CEOs de todo o mundo, Larry Fink, CEO e chairman da Black Rock, maior gestora de investimentos do mundo, pressionou as lideranças por uma transição para um modelo de negócios compatível com uma economia neutra em carbono. “À medida que a transição se acelera, empresas com estratégias de longo prazo bem articuladas e um plano claro para abordar a transição para a neutralidade em carbono irão se destacar perante seus stakeholders – perante clientes, autoridades governamentais, colaboradores e acionistas – por inspirar a confiança de que elas conseguem navegar através desta transformação global”, escreveu.  

    A lista

    Entrevistas realizadas com 650 pessoas de várias comunidades do Fórum dão origem a duas listas em evidência no relatório: uma com os principais riscos por probabilidade e outra com os principais riscos por impacto. Todos eles são divididos em cinco categorias e cores (Econômico, Ambiental, Geopolítico, Social e Tecnológico).

    No ano passado, na lista por probabilidade, os cinco primeiros riscos do ranking eram ambientais. Este ano, como sinalizamos, o relatório incluiu as doenças infecciosas.

     

      

    Portanto, os cinco primeiros riscos por probabilidade são: 1. Eventos climáticos extremos; 2. Falha em agir sobre as mudanças climáticas; 3. Desastres ambientais causados pelo homem; 4. Doenças Infecciosas; 5. Perda da Biodiversidade. E entre os riscos por impacto, temos: 1. Doenças Infecciosas; 2. Falha em agir sobre as mudanças climáticas; 3. Armas de destruição em massa; 4. Perda de biodiversidade; 5. Desastres naturais.

    Dos 30 riscos identificados, cinco são relacionados ao meio ambiente, sendo os riscos de curto prazo, com probabilidade de acontecer nos próximos dois anos: Eventos Climáticos Extremos e Desastres ambientais causados pelo homem. E de longo prazo, com probabilidade de acontecer entre cinco e dez anos: Perda da Biodiversidade, Crise dos Recursos Naturais e Falha em agir sobre as mudanças climáticas. Este último, inclusive, foi considerado o risco de maior preocupação global, seguido por Perda da Biodiversidade (5ª posição), Eventos Climáticos Extremos (8ª posição) e Desastres ambientais causados pelo homem (9ª posição). 

    “Para mim, é a comprovação de que essa agenda (a de sustentabilidade) cada vez mais deixa de ser paralela, deixa de ser acessória. As pessoas, os profissionais, os executivos, as lideranças e os governos começam a entender que, de fato, a gente precisa olhar para o negócio não só mais do ponto de vista financeiro, mas um financeiro novo, que considere questões sociais e ambientais. E ter os riscos ambientais como os principais para a próxima década só comprova esse movimento”, comentou Favaretto.

    A especialista ainda recomenda que as empresas brasileiras façam bom uso do relatório como ferramenta de trabalho para orientar planejamentos estratégicos, antecipar a materialização desses riscos e atuar como protagonistas de transformação dessa realidade. “Todo risco traz uma oportunidade”, conclui.

     

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    Ekos Brasil agora faz parte do Sistema de Informação e Gestão de Áreas Protegidas e de Interesse Ambiental do Estado de São Paulo – SIGAP

    Ekos Brasil agora faz parte do Sistema de Informação e Gestão de Áreas Protegidas e de Interesse Ambiental do Estado de São Paulo – SIGAP

    A partir de janeiro o Instituto Ekos Brasil irá integrar o Conselho Consultivo do Sistema de Informação e Gestão de Áreas Protegidas e de Interesse Ambiental do Estado de São Paulo (SIGAP), por meio da Coordenadora de Relações Institucionais do Instituto, Ciça Wey de Brito. Sua primeira participação será durante a 6ª reunião extraordinária do colegiado, na qual serão tratados, principalmente, as minutas referentes ao Projeto de Concessão dos Parques Estaduais da Cantareira e do Alberto Löfgren, assim como a referente ao Relatório 2020. 

    O Conselho é composto por nove membros, sendo três representantes do Governo Estadual, três da academia e três da sociedade civil, todos designados por atos específicos do Governador, a partir da indicação do Secretário de Infraestrutura e Meio Ambiente. Desde 24 de junho de 2014, seus trabalhos são divididos em quatro grupos de atuação. São eles: Pesquisa, monitoramento e bases de dados; Planos de Manejo; Sustentabilidade financeira de Unidades de Conservação; e Formação para Gestão de Áreas Protegidas. 

    Sobre o SIGAP

    O Sistema visa assegurar um meio ambiente ecologicamente equilibrado a partir do planejamento, da integração e da publicidade das ações do Poder Público. Além disso, age, complementarmente, como instrumento de informação e gestão das áreas protegidas paulistas, com destaque para as unidades de conservação (UC). Para isso, utiliza todas as informações disponíveis no Estado, incluindo aquelas produzidas pelo Instituto Virtual de Biodiversidade, também conhecido como “Programa Biota‐Fapesp”.  

    Além das UC’s e suas respectivas zonas de amortecimento e corredores ecológicos, também atua nas Áreas de Preservação Permanente (APPs), e de Reserva Legal RL; Reservas da Biosfera; Áreas Úmidas; Áreas Naturais Tombadas; Áreas do Patrimônio Mundial Natural; Áreas de Cavidades Naturais Subterrâneas; Estradas‐Parque; Áreas sob Atenção Especiais do Estado em Estudo para a Expansão da Conservação da Biodiversidade (ASPE); Paisagem Cultural; Eco‐Museu; e Monumento Geológico.

     

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    Coalizão de Alta Ambição para a Natureza e as Pessoas

    Brasil demonstra desinteresse pela conservação e uso sustentável da biodiversidade ao ficar de fora da Coalizão de Alta Ambição para a Natureza e as Pessoas.

    Brasil demonstra desinteresse pela conservação e uso sustentável da diversidade ao ficar de fora da “Coalizão de Alta Ambição para a Natureza e as Pessoas”.

    Por Ciça Wey de Brito

     

    Nosso país está mais uma vez indo na contramão do que pregam a ciência, os fatos e sua própria história recente ao não aderir ao “High Ambition Coalition (HAC) for Nature and People” (Coalizão de Alta Ambição para a Natureza e as Pessoas). Em Paris, no último dia 11, 30 chefes de Estado, empresários e representantes de ONGs participaram das discussões para a formalização da HAC. Entre eles estavam o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, o presidente do Banco Mundial, David Malpass, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a chanceler alemã Angela Merkel e o chefe de governo britânico, Boris Johnson.

    Antes de demonstrar este desinteresse pela conservação e uso sustentável da diversidade biológica do planeta, o Brasil, já em outubro de 2020, havia se negado a assinar um compromisso voluntário para reverter a perda da biodiversidade por ocasião do Encontro das Nações Unidas pela Biodiversidade (United Nations Summit on Biodiversity, em inglês) quando líderes de 76 países, além das nações da União Europeia, assinaram um documento se comprometendo a reverter a perda de biodiversidade no mundo até 2030.

    O Brasil, país que sediou a Eco-92, de onde saíram as Convenções de Diversidade Biológica (CDB), de Mudanças Climáticas e outros documentos importantes, que é um dos países megadiversos do planeta e que foi o país que mais contribuiu no âmbito da CDB com a meta de expansão de áreas protegidas no período entre – 2002 e 2010, se furtou a participar desta iniciativa global, que tem o objetivo de proteger a biodiversidade do planeta. A iniciativa liderada pela Costa Rica, Reino Unido e França tem o objetivo de deter o avanço da extinção de espécies e da degradação de ecossistemas e não exige qualquer contribuição financeira dos países que dela participam.

    Os países que fazem parte da Coalizão de Alta Ambição para a Natureza e as Pessoas se comprometem a proteger, até 2030, pelo menos 30% das áreas terrestres e dos oceanos do planeta. Mas, nosso país, ao invés de assumir uma posição de liderança nas discussões e ações em prol da conservação e uso sustentável da biodiversidade, posição que possuía até 2018, não quis entrar na Coalizão. Nossa representação oficial se absteve participar do grupo de 51 países (até o momento), que reforçaram suas preocupações com proteção de 30% do planeta, que na visão deles pode melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, e criar milhões de empregos verdes e azuis de qualidade, ao mesmo tempo que cumprem a agenda de 2030.

    O Brasil (ainda) tem muito a mostrar sobre o tema, resultado de trabalho de décadas de nossas agências públicas ambientais e de relações exteriores, da sociedade civil organizada e academia. Temos o maior programa de proteção de florestas tropicais do mundo, o ARPA (Áreas Protegidas da Amazônia), que apoia 117 UCs na Amazônia (tanto as de proteção integral como as de uso sustentável) desde 2002. Temos um robusto sistema de Unidades de Conservação com 2.446 unidades federais, estaduais ou municipais, que somam 250 milhões de hectares de áreas protegidas e que cobrem uma área equivalente a 18,15% do nosso território e 26,38% das nossas águas jurisdicionais.

    Já fizemos muito, mas ainda falta muito a fazer. Por exemplo, todos os biomas brasileiros já perderam boa ou a maior parte de suas florestas: Pampa 54,2%; Mata Atlântica 93%; Cerrado 47,7%; Pantanal 15,4%; Caatinga 46,6% e a Amazônia legal 28%. O total das perdas das florestas desses biomas superam a mais de 500 milhões de hectares, sendo que só a área degradada no Brasil representa mais de 140 milhões de hectares. Devemos, por exemplo, melhorar a representatividade dos biomas brasileiros no Sistema de UC, e melhorar a efetividade de gestão das mesmas e valorizar de fato os serviços ambientais.

    Poderíamos continuar a inspirar outros países a manter a diversidade de vida do planeta, temos experiência, conhecimento técnico e científico e história para tal. Sem a conservação das outras espécies, ecossistemas e os serviços ambientais, nós, seres humanos, pereceremos sem ganharmos nada a não ser a falsa ilusão de que com a destruição de nossas florestas, poluição de nossos rios e do ar que respiramos possamos nos considerar civilizados.

    Enquanto as nações participantes da Coalizão se preparam para discutir alternativas, apoio e  financiamento ao longo dos próximos anos, buscando a gestão sustentável, definindo novas metas para a proteção da biodiversidade, e a efetividade de gestão das unidades de conservação, o Brasil “atual” continuará a brigar com seus moinhos de vento, e a perder oportunidades na área onde mais possui vantagens comparativas – sua biodiversidade.

     

    Maria Cecilia Wey de Brito

    Mestre em Ciências Ambientais

    Engenheira Agrônoma

    Relações Institucionais Instituto Ekos Brasil

    Janeiro de 2021

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    Mosaico Sertão Veredas-Peruaçu: protagonista do desenvolvimento sustentável 

    Mosaico Sertão Veredas-Peruaçu: protagonista do desenvolvimento sustentável 

    Mosaico Sertão Veredas Peruaçu

    Mosaico no “dicionário ambiental” significa uma área composta por diferentes unidades de conservação próximas, justapostas ou sobrepostas, além de outras áreas protegidas, sejam elas públicas ou privadas.   

    A história do Instituto Ekos Brasil se cruza com um dos 17 mosaicos de áreas protegidas reconhecidos pelo governo federal existentes no Brasil. Como parceiros e apoiadores do ICMBio na administração, logística e gestão socioambiental do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, em Minas Gerais, temos também uma estreita ligação com o Mosaico Sertão Veredas-Peruaçu (MSVP). 

    O MSVP é composto por 38 áreas protegidas: onze delas constam na portaria do Ministério do Meio Ambiente que reconheceu o Mosaico em 2009; outras 17 foram incorporadas por meio de proposições aprovadas no Conselho do Mosaico; e ainda 2 terras indígenas e 8 RPPNs – Reserva Particular do Patrimônio Natural. 

    Localizado no norte e noroeste de Minas Gerais, sudoeste da Bahia e sudeste de Goiás, o Mosaico Sertão Veredas-Peruaçu está na transição entre dois biomas, o Cerrado e a Caatinga, guardando também manchas de floresta estacional ou Mata Seca. Por isso, é detentor de uma riqueza natural inigualável. Além disso, o território do Mosaico Veredas-Peruaçu faz parte da região dos Gerais, retratada de forma ímpar por Guimarães Rosa, que descreveu a riqueza cultural dos povos e comunidades tradicionais da região e seu cotidiano associado ao rico ambiente natural. 

    Como conservar uma região tão vasta e tão importante para a sociobiodiversidade?

    O documento que busca  a gestão integrada dessas Unidades de Conservação e elaborado pelo ecossistema de organizações que atuam no território é  o Plano Territorial de Base Conservacionista, elaborado em 2010 e atualizado em 2019, com coordenação da Funatura e financiado pelo CEPEF. De acordo com esse plano, a gestão do território deve levar em consideração 6 eixos de atuação com o objetivo de promover o desenvolvimento da região em bases sustentáveis e integrado ao manejo das unidades de conservação e demais áreas protegidas.

    Turismo sustentável, extrativismo vegetal racional, agroecologia, agropecuária sustentável, conservação dos recursos hídricos e gestão integrada são os grandes eixos temáticos tratados no plano.  

    Podemos dizer que, em termos de Brasil, o Mosaico Sertão Veredas-Peruaçu é protagonista, dentre os outros mosaicos, de iniciativas sustentáveis já bem estruturadas.

    No que diz respeito ao Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, já presenciamos um amplo envolvimento da comunidade com o parque, que agora, além das atividades agropecuárias tradicionais na região, enxerga na conservação da natureza uma importante fonte de geração de renda a partir do turismo sustentável. Este ano, inclusive, a região ganhou um novo projeto nesse sentido, o “Acelerando o turismo sustentável no vale do Peruaçu”, uma parceria do Instituto Ekos Brasil com o Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, na sigla em inglês).

    Além do incentivo ao turismo sustentável de forma estrutural, o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu também se destaca por ser uma das poucas Unidades de Conservação brasileiras detentoras de um Plano de Manejo, desenvolvido pelo Instituto Ekos Brasil, e que orienta o desenvolvimento sustentável na área do parque. 

    Por fim, citamos também o acordo de Cooperação entre o Instituto Ekos Brasil e o ICMBio que proporcionou ao Parque um acompanhamento profissional e orientado da construção da sua infraestrutura, como o centro de visitantes e trilhas. 

    [su_box title=”Veja o significado de Mosaico” box_color=”#6094a1″ title_color=”#ffffff”]

    De acordo com lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), é reconhecido um mosaico “quando existir um conjunto de unidades de conservação de categorias diferentes ou não, próximas, justapostas ou sobrepostas, e outras áreas protegidas públicas ou privadas, constituindo um mosaico, a gestão do conjunto deverá ser feita de forma integrada e participativa, considerando-se os seus distintos objetivos de conservação, de forma a compatibilizar a presença da biodiversidade, a valorização da sociodiversidade e o desenvolvimento sustentável no contexto regional”.

    O Ministério do Meio Ambiente (MMA) é responsável por reconhecer mosaicos, a pedido dos órgãos gestores das UC, conforme as diretrizes da  Portaria nº 482 de 14 de dezembro de 2010.

    [/su_box] 

     

    Saiba mais sobre o Peruaçu. 

    Acesse: fundoperuacu.ekosbrasil.org

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    Dia do Consumo Consciente: entenda e calcule sua pegada ecológica

    Dia do Consumo Consciente: entenda e calcule sua pegada ecológica

    O dia 15 de outubro marca uma data muito importante para o mundo atual, o Dia do Consumo Consciente. A celebração foi instituída no Brasil pelo Ministério do Meio Ambiente no ano de 2009 como uma forma de chamar a atenção para os perigos da produção e consumo exagerados que fazem parte do modo de vida da sociedade contemporânea. Afinal, muitos dos problemas sociais, econômicos e ambientais têm origem ou são influenciados pelo consumismo.

    Uma das questões centrais desta data é o ensino de uma economia sustentável, além do conhecimento sobre o que a cadeia produtiva e a compra de um bem representam. A conscientização sobre os efeitos das ações humanas para a natureza é uma das melhores formas de começar uma verdadeira mudança na cultura e nos hábitos de consumo.

    Exemplo disso é conhecer o que implica a produção de um bem, sejam os recursos hídricos utilizados ou o quanto de carbono é gerado para a realização de um serviço. É apenas tendo a noção das consequências de cada objeto ou ação que é possível trabalhar para diminuir a utilização de materiais tóxicos e a emissão de poluentes, além de facilitar essa luta ao incluir a pressão da própria sociedade para que mudanças sejam feitas.

    Outro ponto importante é que o consumo consciente implica que cada pessoa, individualmente, pode ajudar a minimizar o impacto da atividade humana no planeta. Por meio de ações voluntárias e cotidianas, como o planejamento de compras por necessidade e não por simples impulso, a reciclagem e a valorização de empresas que tenham responsabilidade social e ecológica, é possível que cada um diminua a sua própria pegada ecológica e os danos ao meio ambiente.

    O impacto de cada um e o caminho para a sustentabilidade

    Mas para que isso realmente funcione é preciso entender qual é o papel do indivíduo na crise ambiental. A ideia de que cada um tem responsabilidade sobre a emergência climática e que pode ajudar a combater a degradação da natureza já tem décadas. Foi em 1996 que o cálculo da pegada ecológica foi teorizado, levando em conta os hábitos diários da população e a utilização de recursos naturais para descobrir o impacto ambiental da vida humana na Terra.

    Nesse sentido, elementos como a alimentação, transporte, energia e bens e serviços utilizados têm um impacto no meio ambiente. Principalmente quando as pessoas fazem uso desses recursos mais do que seria necessário para manter uma boa qualidade de vida. Consumismo, desperdício e mal-uso de qualquer produto representam a exploração predatória do planeta.

    Seja em quantos litros de água são usados para a produção de uma calça jeans – cerca de dez mil litros – ou até no material que não é reciclado, em tudo há um preço para a natureza. É por isso que o dia 15 de outubro busca conscientizar as pessoas sobre o consumo consciente. Se cada um utilizar apenas o necessário e preservar os recursos naturais, esses efeitos podem ser minimizados ou até mesmo criar repercussões positivas.

    Esse é o momento ideal para se refletir sobre o que é possível mudar no dia a dia para que a sociedade consiga se aproximar cada vez mais da sustentabilidade e da convivência em harmonia com a natureza.

    E para facilitar esse processo de alteração de hábitos, é possível conhecer qual é a sua pegada ecológica com a calculadora desenvolvida pela ONG WWF-Brasil (World Wide Fund for Nature). Faça o cálculo e descubra o que você pode mudar e quais práticas pode adotar de agora em diante para colaborar com o planeta e a vida de todos.


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    “Peruaçu ainda mantém populações numerosas de espécies (de aves) raras e ameaçadas de extinção”.

    “Peruaçu ainda mantém populações numerosas de espécies (de aves) raras e ameaçadas de extinção”.

    Entrevistamos o ornitólogo Wagner Nogueira para conhecer a profissão, seus desafios e sua experiência no estudo das aves do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu. Confira na íntegra.

     

    EKOS: Conte para nós como surgiu sua paixão pelas aves e como você se tornou ornitólogo.

    Wagner. Acho que nasci biólogo. Desde que me entendo por gente era fascinado por qualquer tipo de bicho e por natureza em geral. Gostava mais de documentários da BBC do que qualquer desenho. O interesse pelas aves especificamente começou de forma não muito saudável, com as espécies criadas em cativeiro. A motivação era tê-las por perto, entende-las, mas isso me levou a cria-las em cativeiro durante boa parte da infância.  Mas foi só no fim da graduação que eu entendi que dava pra usar as aves para entender e mudar o mundo ao meu redor. Isso aconteceu quando, por influência de um amigo, comecei a estagiar no laboratório de Ornitologia do Museu de Ciências Naturais da PUC Minas. Nosso projeto consistia no monitoramento da avifauna do Instituto Inhotim. Em paralelo me envolvi com um grupo de observadores de aves em Belo Horizonte e participei da fundação da ONG ECOAVIS.

    EKOS: Poderia nos dizer a importância do trabalho do ornitólogo?

    Wagner. As áreas de atuação do ornitólogo são quase tão variadas quanto as áreas de conhecimento da biologia. Num gradiente que vai desde inventários e monitoramentos de aves até neurociência e cognição, passando por fisiologia, anatomia e uma infinidade de outros temas. Isso porque ser ornitólogo, por definição, é ter aves como objeto de estudo. Mais comumente o termo é utilizado para se referir aos ornitólogos de campo, que vão estudar as aves na natureza e acabam se especializando em sua identificação, distribuição, ecologia e história natural. Mesmo considerando essa definição mais restrita e frequente de ornitólogo, o trabalho desses profissionais tem implicações que vão muito além da ornitologia. Nos ajudam a entender os padrões de distribuição da biodiversidade e os processos por trás disso. Revelam como as alterações que provocamos nos ambientes naturais afetam a biodiversidade que habita nesses locais e podem nos ajudar a tomar decisões mais acertadas para a conservação da biodiversidade como um todo.

    EKOS: Quais pesquisas você está realizando no momento?

    Wagner. No momento a maior parte do meu tempo é dedicada ao meu projeto de mestrado, que é a revisão taxonômica de uma espécie de ave que vive em quase todo o leste da América do Sul, o arapaçu-grande (Dendrocolaptes platyrostris). Isso quer dizer que estou investigando se o que tratamos hoje como uma única espécie é mesmo só uma espécie ou se existem populações que merecem ser separadas em espécies à parte.

    Em paralelo também participo de um projeto que pretende aprofundar mais nosso conhecimento sobre a avifauna das Florestas Deciduais da bacia do rio São Francisco, as chamadas “Matas Secas”. São florestas que perdem todas as folhas durante a estação seca e que tem uma fauna e uma flora muito peculiares e adaptadas a este ambiente de extremos.  As Matas Secas têm uma identidade controversa, sendo consideradas por alguns como uma fitofisionomia da Mata Atlântica, por outros como sendo parte do Cerrado ou ainda como um componente da Caatinga.

    Cara Dourada | Foto: Wagner Nogueira

    EKOS: Como você avalia a situação das aves em relação às queimadas atuais na Amazônia, no cerrado e no pantanal?

    Wagner. Acho que a gente precisa começar falando que o fogo não é um elemento natural nas florestas tropicais. Ao contrário do que acontece no Cerrado, onde a fauna e a flora apresentam adaptações para lidar com ele, a biodiversidade da Amazônia, da Mata Atlântica e outras formações florestais, sofre perdas irreversíveis com a passagem do fogo. E mesmo no Cerrado, a época de ocorrência, periodicidade e extensão das áreas afetadas é muito diferente do que se observaria com o regime de queimadas de origem natural.

    É um problema afeta não somente as aves, mas a biodiversidade como um todo e inclusive tem reflexos direto na vida das pessoas, pois a perda de cobertura florestal nessas regiões tem impactos diretos no clima e no regime de chuvas.

    Além disso, o fogo nas florestas geralmente é precedido pelo corte seletivo da madeira de alto valor comercial e na sequência vem a supressão vegetal completa para abrir lugar para monoculturas e pastagens. Dessa forma, o fogo não pode ser encarado como um elemento isolado, ele é parte de um processo de descaracterização completa dos ambientes.

    EKOS: Que ações poderíamos adotar para proteger e melhorar as condições de conservação das aves no Brasil? Você acredita na prática de birdwatching como uma atividade aliada à conservação das espécies?

    Wagner. Acho que um ponto crucial seria frear a supressão dos ambientes naturais. Praticamente todas as espécies de aves brasileiras que se encontram extintas ou ameaçadas de extinção estão nessa situação por conta da perda de seus habitats. Fragmentos muito pequenos, descaracterizados e muito isolados podem até conseguir manter espécies sensíveis por algum tempo, mas nos médio e longo prazos elas acabam por se extinguir regionalmente. Se o panorama se repete ao longo de toda sua distribuição, o resultado pode ser a extinção completa.

    A observação de aves pode ser uma ferramenta importante nesse processo, pois atua tanto fornecendo uma alternativa de geração de renda com a floresta de pé, quanto sensibilizando as pessoas para uma riqueza biológica que muitas vezes é desconhecida até mesmo pela população local.

    Maria Preta do Nordeste | Foto: Fernanda Fernandes

    EKOS: Nos conte um pouco sobre birdwatching no Peruaçu, quais espécies podem ser observadas por lá e suas especificidades, curiosidades.

    Wagner. O Peruaçu ainda mantém populações numerosas de espécies raras e ameaçadas de extinção, especialmente as que são associadas às Matas Secas do rio São Francisco, como o arapaçu-do-nordeste, o arapaçu-wagler, o cara-dourada, o piolhinho-do-grotão e a maria-preta-do-nordeste. Além disso a região é o melhor local na atualidade para se observar o bacurau-do-são-francisco, uma espécie noturna que só existe na bacia do rio São Francisco. Lá também é possível encontrar espécies exclusivas da Caatinga, como o bico-virado-da-caatinga, o joão-chique-chique e o torom-do-nordeste.

    E não dá pra deixar de citar os atrativos espeleológicos e arqueológicos do Peruaçu, que valeriam a viagem por si sós!

    1. Que mensagem você daria aos jovens estudantes de biologia ou áreas afins que pretendem seguir carreira no estudo de aves?

    Wagner. Usem a tecnologia a seu favor. Atualmente, dá pra aprender muito na internet sobre basicamente tudo. Portais como o WikiAves, xeno-canto e Ebird proporcionam acesso a milhões de mídias que podem auxiliar no aprendizado sobre identificação, distribuição, ecologia e história natural das espécies. Artigos técnicos sobre os mais variados temos também podem ser acessados virtualmente e fornecer uma bagagem teórica a qualquer pessoa. Além disso, os pesquisadores brasileiros que trabalham com aves são, em geral, muito acessíveis e podem ser contatados até mesmo por suas redes sociais.

    Para aqueles que tiverem oportunidade, visitar coleções e laboratórios de pesquisa também pode ser uma ótima oportunidade de conhecer sobre o que eles se desenvolvem e talvez se inserir em projetos de pesquisa e trabalhos de campo.

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    Sustentabilidade financeira em Unidades de Conservação: o caso do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu

    Sustentabilidade financeira das Unidades de Conservação: o caso do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu e o Instituto Ekos Brasil

     

    Por:

    Maria Cecilia Wey de Brito (Relações Institucionais),

    Iago Paniza Rangel (Gestor Ambiental)

    Ana Cristina Moeri (Diretora Presidente) –

    Instituto Ekos Brasil

     

    Em 2017, após desenvolver por 15 anos várias atividades no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu (PNCP), criado em 1999, o Instituto Ekos Brasil participou de uma chamada pública e assinou um acordo de cooperação com o ICMBio, com duração de 5 anos. A partir de então, atuamos no parque com ações administrativas e logísticas executando o Programa de Uso Público da UC, previsto em seu Plano de Manejo, e também apoiamos  atividades de gestão socioambiental, de acordo com um Plano de Trabalho definido Ekos Brasil e ICMBio.

    A boa notícia é que em apenas 3 anos, o número de visitantes ao Parque mais que dobrou. Se em 2016 foram 3.996 visitantes/ano, em 2019 chegamos em 9.337 visitantes/ano. Uma vitória, certamente.

    Porém, mesmo com esse crescimento, o modelo de concessão ainda não é viável economicamente. Uma realidade comum a maioria dos parques que não atingem um número considerável de visitantes.

    Por isso, fomos em busca de novas oportunidades específicas para o futuro da sustentabilidade financeira do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu.

    O estudo

    Com apoio da UICN (União Internacional para a Conservação da Natureza), o Instituto Ekos Brasil desenvolveu, no final de 2018, a “Análise de oportunidades e proposta de modelos de negócios e parcerias para a sustentabilidade financeira do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu/MG”. O estudo embasou arranjos legais para o aproveitamento sustentável das potencialidades econômicas do Parque, com melhoria das atividades de uso público e da conservação da biodiversidade, gerando benefícios sociais e econômicos para o entorno e considerando também o período pós acordo de cooperação.

    Junto a possíveis parceiros, desenhamos modelos de geração de receita para o Parque como serviços ao visitante, arrecadação/captura de valor por serviços, patrocínio e projetos de impacto. Houve estimativa dos aportes necessários e seu tempo de retorno, em razão dos cenários de crescimento da visitação pública, e os custos de manutenção do negócio proposto. Apesar dos volumes de investimentos serem relativamente baixos se comparados ao potencial de geração de receitas, sua somatória num único exercício fiscal (se todos os modelos começarem no mesmo momento) poderia inviabilizar a capitalização plena dos projetos.

    Para que esses modelos funcionem, portanto, a manutenção e o crescimento do número de visitantes no Parque são essenciais. Isso não nos deixa dúvidas de que o fortalecimento e estruturação da cadeia do turismo local e regional são questões centrais no debate de modelos de negócios para Unidades de Conservação. E consolidar atrativos naturais e culturais em roteiros, transformando-os em produtos turísticos são pontos-chave nesse desenvolvimento.

    O Projeto 

    Nesta lógica, o o Instituto Ekos Brasil, em parceria com o Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, na sigla em inglês), está desenvolvendo o projeto “Acelerando o Turismo Sustentável no Vale do Peruaçu”.

    Com ele, buscamos desenvolver e fortalecer o turismo sustentável na região do vale do Peruaçu (APA e PARNA Cavernas do Peruaçu), por meio da qualificação das capacidades técnicas e de gestão de organizações da comunidade local, como forma de promover emprego, renda, valorização dos atributos ambientais e conservação da biodiversidade. O projeto ainda está em andamento (com previsão de encerramneto para abril de 2021), mas ao final a comunidade local (representada pelos 50 participantes) terá executado cinco protótipos, visando beneficiar de forma transversal o maior número de atividades ligadas ao turismo local. Tais protótipos serão desenvolvidos a partir de um processo de inovação coletiva, isto é, pensado, estruturado e executado pelos atores locais, o que é essencial para sua continuidade.

    Embora importantes, destacamos que iniciativas como esta, isoladamente, não solucionarão todos os gargalos de estruturação da cadeia de turismo da região. Por isso, no intuito de colaborar na construção de uma agenda regional de desenvolvimento, o CEPF também apoiou a elaboração do Plano de Desenvolvimento Territorial de Base Conservacionista (DTBC) do Mosaico Sertão Veredas – Peruaçu, coordenado pela Funatura, do qual o PNCP faz parte. O plano objetiva promover o desenvolvimento regional integrado ao manejo das UC, abordando temas como extrativismo vegetal e turismo ecocultural.

     

    Saiba mais sobre o CEPF

    O CEPF é um programa conjunto da Agência Francesa para o Desenvolvimento, Conservação Internacional, União Europeia, Fundo para o Meio Ambiente Global (GEF, sigla em inglês), Governo do Japão e Banco Mundial, que financia projetos para proteção de ecossistemas únicos e ameaçados – conhecidos também como hotspots de biodiversidade. Em 2013, o Conselho de Doadores do CEPF selecionou o bioma Cerrado como um dos hotspots prioritários, e 8 milhões de dólares foram alocados para investimentos em projetos de conservação no período de 2016 a 2021.

    O projeto “ACELERANDO O TURISMO SUSTENTÁVEL NO VALE DO PERUAÇU” é uma das diversas iniciativas do fundo na região.

    Saiba mais sobre o projeto e entenda como contribuir.

     

     

     

     

    O cerco está se fechando lá fora. Será que há tempo para garantir o Cerrado aqui dentro?

    O cerco está se fechando lá fora. Será que há tempo para garantir o Cerrado aqui dentro?

    Não é de hoje que ao tratarmos do Cerrado tratamos também do pujante agronegócio brasileiro que “ganhou” esse vasto território desde a revolução verde e dos trabalhos da Embrapa, que fizeram de seu solo o palco para os plantios “a perder de vista” de soja, algodão e outras commodities.

    Quando olhamos os dados do Cerrado vemos emergirem 2 visões opostas: a que comemora os ganhos financeiros do uso de seu solo e da água que guarda em suas bacias, e a que lamenta a veloz perda de sua biodiversidade e serviços ambientais que nos presta. Enquanto a área de produção das commodities aumentou em 50%  sobre o território original do cerrado entre 2000 e 2014, (ver estudo “Cerrado na mira do Agronegócio” da Universidade de Maryland/EUA, publicado em 2018), a riqueza de espécies e paisagens do Cerrado definharam, as emissões de gases de efeito estufa aumentaram (248 milhões de toneladas em 2016, de acordo com o Ecoa), e os corpos d’água são poluídos e assoreados.

    Diferente da Amazônia, que chama a atenção do mundo por causa de suas riquezas ambientais e culturais, e das ameaças que sobre elas se abatem, o Cerrado continua pouco conhecido e pouco valorizado, apesar de ser a savana mais rica em espécies no planeta,  ser o segundo maior bioma da América do Sul – com área original de mais de 2 milhões de hectares (22% do território nacional) e ser considerado um hotspot de biodiversidade, onde existe extrema abundância de espécies endêmicas e enorme ameaça de destruição. Dados do Ministério do Meio Ambiente apontam que 20% das espécies nativas e endêmicas do bioma já não ocorram em áreas protegidas e que pelo menos 137 espécies de animais que ocorrem no Cerrado estão ameaçadas de extinção, inclusive o Lobo Guará, personagem da nota de 200 reais.

    Poetas como Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, mais conhecida como Cora Coralina e Antônio Lisboa Carvalho de Miranda, por exemplo, descreveram esse bioma de forma única, deixando transparecer sua sensibilidade e amor pelos lugares onde viveram, chamando a atenção para a unicidade de suas riquezas. Por motivos bem diversos, protagonistas mundiais podem ajudar a mudar a história de destruição do Cerrado, espera-se que a curto prazo. Estes protagonistas estão relacionados a duas agendas distintas, que se encontraram recentemente – à crise climática global e a pandemia da COVID-19.

    No caso da crise climática, o 15o Fórum Econômico Mundial, encontro anual que ocorre na cidade Suíça de Davos, mostrou por meio de seu Relatório Global de Riscos, que os riscos associados às questões ambientais, como os eventos climáticos extremos, a perda da biodiversidade e outras ameaças à vida no planeta, estão à frente das preocupações dos representantes das grandes corporações mundiais, em comparação aos riscos representados por tensões geopolíticas e ataques cibernéticos, que antes eram considerados os riscos mais relevantes. Grandes investidores como a Black Rock apostam hoje no lucro advindo das boas práticas ambientais o chamado “capitalismo com propósito”. O CEO desta gestora de ativos, Larry Fink, afirmou em março de 2020 “Quando emergirmos dessa crise, e à medida que os gestores reequilibrem seus portfólios, teremos a oportunidade de acelerar a transição para um mundo mais sustentável”.

    Do ponto de vista da COVID-19 e seus resultados para a economia mundial, a postura da União Europeia e de seus Estados-membros, por exemplo, exigirá a adoção de boas práticas, principalmente ambientais, pelos países que têm relações bilaterais e multilaterais. Neste sentido, esse bloco de países estruturou o Pacto Ecológico Europeu (o European Green Deal), e o Plano de Recuperação Econômica (o Recovery Fund). Estes instrumentos (a serem lançados em 2021 e 2022) trazem um conjunto de incentivos e obrigações com o objetivo de proteger os recursos naturais. Como explicam Baruzzi, Manhaes e Agostinho (em matéria do Jornal o Estado de S. Paulo em 3 de julho de 2020), o Pacto Ecológico tem ambições ambientais que vão além das fronteiras europeias e isso terá impactos diretos à economia brasileira, já que este bloco é o segundo maior parceiro comercial do Brasil. Neste sentido, o Brasil será pressionado para adotar medidas objetivas de reduzir a emissão de gases de efeito estufa sob pena de não acessar o mercado Europeu. Este é um risco direto ao setor agropecuário brasileiro, já que se constitui no maior emissor destes gases, do país. Neste caso, o propósito do Pacto é fortalecer os requisitos de sustentabilidade da cadeia de alimentos, que consistem, por exemplo, em assegurar que estas cadeias tenham impacto ambiental neutro ou positivo com relação aos recursos naturais (solo, água, ar, fauna, bem-estar animal).

    O mundo está cada vez mais preocupado e atendo às ameaças derivadas da ação do homem sobre o meio ambiente como a crise climática, global, a extinção acelerada de espécies, as pandemias, a desigualdade. O Brasil precisa, rapidamente repensar as “formas de fazer” de sua base econômica mais importante do ponto de vista do comércio exterior – o agronegócio (além das commodities minerais).

    O cerco está se fechando lá fora, ou o Brasil olha para o futuro, apontado por player globais do mercado financeiro e os consumidores mundiais, ou ficará para traz –perdendo ganhos para sua balança comercial e perdendo aquilo que tem de único e extremamente valioso, que é sua riqueza natural, como o bioma Cerrado.

     

    Maria Cecilia Wey de Brito

    Mestre em Ciências Ambientais

    Engenheira Agrônoma

    Relações Institucionais Instituto Ekos Brasil

     

    11 de Setembro de 2020

     

     

     

     

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    Amazônia: exemplos de como o uso sustentável dos recursos da biodiversidade mantém a floresta em pé

    Amazônia: exemplos de como o uso sustentável dos recursos da biodiversidade mantém a floresta em pé

    Dia 5 de setembro é o Dia da Amazônia e todos os anos a nossa vontade é apenas de celebrar esse bioma evidenciando suas riquezas. Afinal,  são mais de 4 milhões de quilômetros quadrados, cerca de 2.500 espécies de árvores, 30 mil espécies de plantas. A Amazônia é protetora da maior bacia hidrográfica do mundo, com o majestoso Rio Amazonas, capaz de desaguar cerca de 175 milhões de litros d’água a cada segundo no Oceano Atlântico, de acordo com dados do Ministério do Meio Ambiente. 

    A Amazônia é um bioma de extrema importância para o equilíbrio do meio ambiente e do clima no nosso planeta. 

    Mas, também é de conhecimento público o inegável risco que a nossa Amazônia se encontra. De acordo com dados do Imazon, apenas no último ano (julho de 2019 a julho de 2020), o desmatamento na Amazônia Legal foi de 6.536 quilômetros quadrados, um aumento de 29% em relação ao período anterior. No mês de julho deste ano, cerca de 59% do desmatamento na Amazônia ocorreu em áreas privadas e a área de floresta degradada apresentou um aumento de 110% em relação a julho de 2019. 

    Em meio a esse cenário paradoxal, nos perguntamos: como celebrar, então, essa data tão significativa?

    Trabalhamos já há alguns anos com projetos no bioma da Amazônia e acreditamos que estas são iniciativas que aliam conservação ao desenvolvimento sustentável , e que se utilizam de  ferramentas mais eficientes para manter a floresta em pé e todos os seus inestimáveis recursos em equilíbrio. 

    Por isso, a seguir, compartilhamos com vocês 5 projetos desenvolvidos no bioma da Amazônia com o intuito de  propor uma agenda positiva neste dia e inspirar novas iniciativas que respeitem essa nossa riqueza. 

    Foto: Araquém Alcântara | Todos os direitos reservados.

    Inventário Florestal e Diagnóstico de Cadeia produtiva garantem uso sustentável da floresta em Rondônia 

    Quando chegamos à  Rondônia, no ano de 2017, encontramos um contexto social e econômico muito semelhante nas  duas Reservas Extrativistas do Rio Cautário, a estadual e a federal: ambas habitadas por comunidades de seringueiros-extrativistas que viviam um momento de transição da exploração do látex para outras atividades. Já há alguns anos, o preço do látex vinha caindo, levando os extrativistas a desenvolver especialmente a coleta de castanha.

    Com o intuito de auxiliar o desenvolvimento sustentável da região e das 63 famílias do território e evitar que optassem por atividades degradadoras tórias, desenvolvemos um projeto de Inventário Florestal e Diagnóstico da Cadeia Produtiva de Castanha e Látex na região. O projeto incluiu o levantamento do potencial florestal (madeireiro e não-madeireiro), a realização de um diagnóstico produtivo da castanha e da seringa, o estudo das formas de organização social daquela comunidade e levantou também oportunidades de negócio. 

    Na primeira etapa, selecionamos 4 espécies nativas para um estudo mais aprofundado: castanha-do-brasil, a seringa, a copaíba e o açaí. E complementamos com um estudo de mercado com uma lista de contatos de potenciais parceiros comerciais e técnicos, além de uma análise da situação da cadeia produtiva local. Parte deste trabalho também envolveu o estudo sobre mecanismos de Pagamentos por Serviços Ambientais que poderiam ser acessados pela Reserva. 

    O projeto teve um impacto importante sobre a comunidade, que continuou e ampliou o uso sustentável dos recursos da biodiversidade com a manutenção da floresta em pé, e também reforçou para a sociedade a necessidade de investimentos e melhoria de processos e abertura de mercados na região da Reserva Extrativista. Em 2020, por iniciativa do governo do estado de Rondônia, a Reserva extrativista estadual assinou contrato com uma empresa especializada em comércio de Carbono, para que este ativo proveniente da manutenção da floresta em pé possa gerar recursos para as comunidades, incentivando-as ainda mais a manter a floresta em pé. 

    Plano de Manejo pioneiro nas Florestas Nacionais de Itaituba

    Outro projeto importante no bioma Amazônia aconteceu em 2014 quando elaboramos o Plano de Manejo nas Florestas Nacionais que abrangem os municípios de Itaituba e Trairão, no Pará, às margens da BR-163. 

    As Florestas Nacionais são uma das categorias de manejo presente na Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). Estas áreas protegidas permitem o manejo florestal, sendo no entanto, necessário que as mesmas possuam plano de manejo para posteriormente serem colocadas no processo de concessão florestal para empresas interessadas e comunidades que são moradoras do seu interior e/ou do seu entorno.

    O Plano de Manejo possibilitou que as comunidades dessas cidades participassem de uma experiência pioneira de manejo sustentável em Unidades de Conservação, capaz de gerar renda e desenvolvimento para a região também mantendo a floresta em pé. 

    Sistemas Agroflorestais como aliados da conservação ambiental na Amazônia

    Em Uatumã, no Amazonas, o Programa Ecomudança levou a implantação de Sistemas Agroflorestais (SAFs) em áreas degradadas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável. Os SAFs são consórcios de culturas de espécies arbóreas e agrícolas, que podem ser usadas para reflorestamento, recuperação e uso sustentável de áreas degradadas. Essa prática mantém a fertilidade do solo e permite a geração de renda, aliada à conservação da biodiversidade.

    O projeto plantou 1.100 mudas de espécies florestais e agrícolas produtivas, adaptadas à condição amazônica e implantou 1 hectare de SAF em uma área de pasto abandonado. Agora, além de gerar desenvolvimento sustentável para as famílias com a produção de frutos, a conservação das áreas também gera créditos de carbono para compensar a emissão de gases de efeito estufa de parceiros interessados. Esta iniciativa faz parte do Programa Carbono Neutro do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas – IDESAM

    Outro projeto de SAF do programa Ecomudança foi realizado na Cooperativa Agroextrativista do Mapiá e Médio Purus, em 2014, também no Amazonas. A própria comunidade coletou sementes da floresta e produziu mais de 20 mil mudas em dois viveiros construídos por eles. As mudas foram utilizadas para a implantação de 16 hectares em SAFs nas áreas de capoeiras ao redor da comunidade. A principal espécie produzida foi o Cacau nativo, que além de produtivo e saboroso, é bastante procurado por importadoras para a produção de chocolate. 

    É por meio dessas iniciativas que mostramos para o Brasil que é possível alinhar a conservação da floresta com o desenvolvimento das comunidades e, também por meio delas que construímos nossa esperança de um futuro onde poderemos celebrar o dia da Amazônia.

     

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