#Conteúdo
Conteúdo conscientiza, educa, facilita, gera diálogo e estreita relações. Confira nossos artigos, notícias, publicações autorais e compartilhe com a sua rede.
Nos meses de outubro e novembro o Instituto Ekos Brasil, o Instituto Estadual de Florestas e a Plantuc Projetos Socioambientais estiveram no Parque Estadual do Rio Doce (PERD) para fazer duas atividades de reconhecimento de campo que embasarão a revisão do Plano de Manejo do PERD.
Entre os dias 18 a 20 de outubro aconteceu a primeira etapa de reconhecimento de campo, que percorreu o Parque de norte a sul, leste a oeste. A atividade incluiu o reconhecimento do estado de conservação da unidade, das estruturas de uso público, de pesquisa, de administração e fiscalização, de regiões da zona de amortecimento, das trilhas e atrativos do PERD, como a trilha da campolina, a estrada do Salão Dourado, a Ponte Queimada, a Ponte Perdida e outros. Nos dias 08 e 09 de novembro a equipe se reuniu novamente no Parque para avaliar conjuntamente a efetividade da gestão do PERD.

O Plano de Manejo é um documento técnico que define o zoneamento e as normas de uma Unidade de Conservação (UC), é, portanto, um dos instrumentos de manejo que subsidiam a gestão de uma UC, garantindo sua efetividade e alcance dos seus objetivos.
A revisão do Plano de Manejo do Parque Estadual do Rio Doce faz parte do escopo do Termo de Parceria firmado entre o Instituto Ekos Brasil e o Instituto Estadual de Florestas e está sendo conduzida com base no Roteiro Metodológico do ICMBio.
Os próximos passos da revisão do Plano de Manejo incluem a elaboração da Caracterização da UC e Diagnóstico da zona de amortecimento, reuniões preparatórias e oficina de revisão do Plano.

Com o objetivo de endereçar os desafios globais dos efeitos das mudanças climáticas, teve início neste domingo (06) a semana a 27a Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas pela Mudança do Clima (COP 27), este ano sediada pela República Árabe do Egito.
O evento internacional acontece de 6 a 18 de novembro e reforça, mais uma vez, a mensagem de que é preciso a implementação de ações imediatas e de esforços globais, além da participação de todos os atores da sociedade, para frear as ameaças sociais, ambientais e econômicas já em curso em consequência do atual modelo econômico vigente.
Durante as duas próximas semanas, a expectativa é de que os tomadores de decisão de diversas partes do globo apresentem novas ações mais robustas de combate às mudanças climáticas e prestem conta das iniciativas desenvolvidas até o momento.
A Conferência é um marco anual que orienta o rumo de políticas públicas e, inclusive, o planejamento estratégico de empresas comprometidas com a transição para uma economia de baixo carbono. No Egito não será diferente. A COP 27 tem a intenção de contribuir para acelerar as reduções das emissões globais, escalar exponencialmente ações de adaptação climática e ampliar os fluxos de financiamento para projetos de impacto socioambiental.
Além da sessão principal, acontecem outras quatro sessões concomitantes à COP. Saiba mais sobre cada uma delas.
É o encontro dos observadores, ou seja, partes que não compõem o Acordo de Paris, logo não tem papel em tomadas de decisão. No entanto, realizam um papel importante de supervisão sobre a tomada de decisão das partes para promover sua implementação de forma efetiva.
A COP27 servirá de base para o encontro das partes do Protocolo de Kyoto, que tratará da implementação efetiva deste acordo que é um tratado importante para redução de emissão de gases de efeito estufa. A primeira reunião do Protocolo de Kyoto aconteceu em Montreal, no Canadá, em 2005.
Subsidiary Body for Scientific and Technological Advice apoia permanentemente a COP com a provisão de informações cientificas e tecnológicas. As principais áreas de ação do SBSTA incluem impactos, vulnerabilidade e adaptação à mudança climática; promoção e transferência de tecnologia para desenvolvimento ambiental; e condução técnica no preparo e aprimoramento dos guias dos inventários de emissões de gases de efeito estufa. Por isso, essa sessão atua como uma parte relevante junto ao IPCC.
Além da reunião dos representantes na COP, também realizam outras duas oficiais ao longo do ano para deliberações científicas: em Bonn, na Alemanha, para trabalhar os assuntos de suas áreas de expertise, como vulnerabilidade e medidas de resposta aos impactos da crise climática nos países em desenvolvimento, mecanismos tecnológicos, comitê de adaptação etc; e o Mecanismo Internacional de Varsóvia sobre Perdas e Danos associados aos Impactos da Mudança Climática
É responsável por colocar em prática o Protocolo de Kyoto e o Acordo de Paris. É por meio do SBI que se constroem instrumentos para implementação de transparência, mitigação, adaptação, finanças verdes e capacidade tecnológica que visam atingir a ambição das partes. Desde 2014, o SBI busca avançar em MRV (measurament, reporting and verification) – na medição, reporte e verificação -, critérios transparentes para prover dados técnicos relacionados à emissão dos gases de efeito estufa.
Visite o site oficial da COP 27 para saber mais: https://www.cop27.eg/#/
O Instituto Ekos Brasil seguirá acompanhando as notícias e as decisões da COP 27. Fique de olho em nossas redes sociais.
E se você representa uma empresa interessada em compensar suas emissões de Gases de Efeito Estufa, o Compromisso Com o Clima conecta grandes empresas e projetos dedicados a gerar benefícios sociais e ambientais. Saiba mais clicando aqui.
Instituto Ekos Brasil foi convidado para participar do seminário interno do Observatório de Parcerias em Áreas Protegidas.
O Instituto Ekos Brasil foi convidado para participar do seminário interno do Observatório de Parcerias em Áreas Protegidas – OPAP, em encontro virtual que ocorreu dia 07 de outubro. O OPAP é um núcleo de pesquisa e de difusão de informação e práticas, que reúne professores e pesquisadores de diferentes instituições públicas de ensino superior brasileiras com o objetivo de promover o conhecimento sobre o tema das parcerias em áreas protegidas, a partir da contribuição da pesquisa, ensino e extensão.
Neste encontro, pudemos apresentar o Termo de Parceria estabelecido com o Instituto Estadual de Florestas (IEF), órgão gestor das Unidades de Conservação do Estado de Minas Gerais, em que atuamos para a Consolidação do Parque Estadual do Rio Doce. Além disso, apresentamos a experiência do Instituto Ekos no Acordo de Cooperação com o ICMBio no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu e os aprendizados construídos ao longo de cinco anos.
Além do time Ekos, estiveram presentes professores/as e pesquisadores/as da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN), Universidade de São Paulo (USP), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM).
Após a exposição tivemos um momento rico de diálogo, com pontos relevantes da experiência do Instituto Ekos em parcerias em áreas protegidas, considerando os aprendizados e desafios desde o ponto de uma OSCIP, além da apresentação de possíveis questões de pesquisa nessa temática.
No dia 5 de outubro, o escritório do Instituto Ekos Brasil na comunidade Fabião II, em Itacarambi/MG, sediou a 44º reunião do Conselho do Mosaico Sertão Veredas Peruaçu, a primeira presencial após os anos de distanciamento social exigidos para conter o avanço da COVID-19.
Participaram 54 representantes de organizações comunitárias, de órgãos públicos e de ONGs, dos quais 35 estiveram presencialmente e 19 virtualmente, a primeira experiência de reunião com participação híbrida, com o objetivo de ampliar as presenças. Foram diálogos bem-sucedidos que proporcionaram um reencontro de conselheiros profissionais que há mais de 2 (dois) anos não se viam.

O destaque da reunião foi o estudo realizado que identificou que as águas consumidas pelas comunidades rurais se encontram contaminadas por agrotóxicos. Caberá ao Conselho encaminhar aos órgãos competentes a solicitação de ações diante dos riscos à saúde da população e da fauna, que vivem dessa água.
Idem, foram abordadas experiências de Produção de Natureza e Bosque Modelo – como oportunidades para fortalecimento da governança do mosaico-, maior conservação do ecossistema e a promoção de oportunidade de negócios sustentáveis.
Para encerrar, foi apresentado o projeto Peruaçu – uma trilha para a sustentabilidade e solicitado o engajamento geral para a compra do Casarão onde funcionam o Centro de Artesanato e Ponto de Cultura.
Esperamos a próxima reunião com a expectativa de revermos todos de forma presencial!
No último dia 20, lideranças públicas, empresariais, jurídicas e civis se reuniram na residência oficial do Cônsul Geral da Suíça em São Paulo, Pierre Hagmann, a convite da Câmara de Comércio Suíço-Brasileira (Swisscam), para dialogar sobre “O Mercado de Carbono e o papel do setor privado”. O evento foi exclusivo para as empresas associadas à Swisscam com a perspectiva de auxiliá-las a assumirem mais protagonismo no mercado de carbono brasileiro.
Além do presidente e vice-presidente da Swisscam, Flávio Silva e Ana Moeri, respectivamente, estiveram presentes como painelistas o Embaixador da Suíça Pietro Lazzeri, o Secretário Nacional da Amazônia e Serviços Ambientais, Marcelo Donnini Freire, o Diretor Executivo do Banco de Investimento UBS BB e Head de ESG, Frederic de Mariz, o Gerente Global de Sustentabilidade Digital na Syngenta, Guilherme Raucci, e o Sócio da Tozzini Freire Advogados, Vladimir Abreu.

O Embaixador Lazzeri conduziu a abertura compartilhando o pioneirismo da Suíça na implementação do Artigo 6 do Acordo de Paris em acordos de cooperação bilaterais com países como Gana, Peru, Senegal, Tailândia, dentre outros. De acordo com o Embaixador, esses acordos complementam os esforços internos da Suíça para alcançar suas metas da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC, em inglês), mas são uma forma de acelerar a redução das emissões.

“Nesses acordos, os dois governos autorizam a transferência (dos créditos de carbono) com garantia de reconhecimento aos investidores, garantindo que não aconteça a dupla contagem e formalizam o respeito aos direitos humanos, além de um conjunto de critérios para integridade ambiental e desenvolvimento sustentável”, explica ao mencionar o acordo com o Peru. No caso do Brasil, o Embaixador enfatizou o enorme potencial que existe em relação ao mercado de carbono. Neste contexto, a Suíça está em diálogo com as autoridades brasileiras e os diversos atores interessados nesta questão, a fim de compartilhar boas práticas e experiências. A possível aprovação de uma lei específica pelo Congresso brasileiro seria um passo significativo inclusive em perspectiva de possíveis cooperações internacionais.
O Secretário Nacional da Amazônia e Serviços Ambientais, Marcelo Donnini Freire “pegou o gancho” para iniciar a sua fala: “Oxalá teremos um acordo bilateral com a Suíça”. Em seguida, defendeu que o atual governo avançou na pauta de carbono e no Pagamento por Serviços Ambientais – PSA, enfatizando especialmente o progresso da agenda no âmbito executivo com a publicação do Decreto 11.075, em maio de 2022. “O Decreto vai até o limite do que podíamos fazer, de acordo com a legislação de 2009 – a Política Nacional de Mudança do Clima – que diz que os principais setores da economia devem ter seus planos de mitigação estabelecidos. Fomos até o limite para avançar na construção da infraestrutura nacional para isso”, ressalta.

O evento contou ainda com a visão do setor financeiro sobre a temática do Mercado de Carbono com a presença de Frederic de Mariz, Diretor Executivo do Banco de investimento UBS BB e Head de ESG. Mariz destacou que o alcance das metas e compromissos previstos, seja para 2030 ou para 2050, só serão possíveis com parcerias e políticas públicas, como estabelecido pelo ODS17 – Parcerias e Meios de Implementação – e enfatizou que os bancos têm um papel primordial nessas relações ao intermediar a captação de capital estrangeiro para as iniciativas brasileiras íntegras e éticas.
O executivo ressaltou que, da parte dos investidores, a procura por fundos cada vez mais alinhados aos propósitos ESG é crescente e as empresas que emitem títulos no mercado precisam se adaptar a essa procura. “Da parte do emissor, em especial o emissor brasileiro, (…) o mercado de dívida com algum selo ESG triplicou. Foi um recorde. 47% dessa dívida com selo ESG foi feita com selo verde que é o que atrai mais interesse”.
Mariz, que é também professor de Finanças Sustentáveis e Investimento de Impacto na Columbia University (EUA), apontou o potencial do Brasil para ser uma liderança em finanças sustentáveis. E indicou linhas mestras para que isso aconteça: padronização dos créditos de carbono, disseminação do conhecimento (advocacy), publicações em inglês, ganhar voz no mercado e compreender que é preciso abrir o tema do carbono para além dos créditos, englobando também a biodiversidade e os cobenefícios socioambientais.

Em seguida, Guilherme Raucci, Gerente Global de Sustentabilidade Digital na Syngenta, demonstrou com números e casos como o setor do agronegócio tem grande responsabilidade no mercado de carbono. De fato, o setor de alimentos, por exemplo, é responsável por cerca de um quarto das emissões de gases de efeito estufa globais, mas também pode contribuir com a descarbonização das cadeias produtivas. “Existem oportunidades de finanças verdes, de pagamento por serviços ambientais, assim como carbono atrelado aos produtos. No setor de alimentos já vemos empresas trabalhando com esse conceito: carne de baixa emissão, soja de baixa emissão etc. (…) E apesar da problemática do escopo 3, temos como ajudar produtores a produzir commodities com menor emissão”.

Para que as oportunidades avancem é primordial que a regulamentação também avance. Por isso, a última explanação do dia tratou da “Regulamentação do Mercado de Carbono no Brasil” com a contribuição do advogado Vladimir Abreu. Ele destacou pontos importantes do Decreto 11.075 como a criação de uma central de registro única de créditos (SINARE). “O SINARE é um ponto positivo porque hoje estamos sujeitos aos padrões estrangeiros. Isso traz segurança jurídica. O registro aqui também ajuda na não dupla contagem”.
Abreu também apresentou o potencial que a regulamentação do Mercado de Carbono pode trazer para o Brasil. “A Lei traz como benefício a atração do investimento estrangeiro (segurança jurídica) e a precificação dos atributos não-climáticos e salvaguardas ambientais”, finaliza.

O evento foi encerrado com um breve debate com perguntas dos participantes, um coquetel com a participação de todos os participantes e com vinho suíço.
Rosemeire, Sildete, Paula, Marcia, Elenis, Aline, Tamires e Catarina. Nomes de mulheres trabalhadoras que descobriram os múltiplos frutos que as árvores do agreste oferecem, entre eles o sorriso de quem sente na pele o valor da independência financeira que a biodiversidade pode oferecer. Foi em 2015 que o grupo inicial de 20 mulheres se uniu para formar o projeto Sabores do Agreste, no Vale do Peruaçu, à época responsável por captar os frutos nativos e revendê-los, até que brotou a ideia de se reinventar com cursos e a produção de novos produtos regionais.
“Quando uma mulher da zona rural se casa, ela vira dona de casa, porque não há trabalho para as mulheres. O projeto é um meio de conhecer mais, de liberdade financeira mesmo, porque ajuda a gente, a todas nós”, narra Rosemeire Goncalves da Mota, trabalhadora do projeto desde seus primeiros passos.

Em conversa, ela explicou que o impacto de se ter uma oportunidade de trabalho é gigantesco na vida individual de cada uma delas, mas que estarem juntas e respeitarem os desafios de cada colega foi fundamental. “O dia que uma não tá bem a gente respeita, quando uma tem filho e não pode ir trabalhar, a gente aceita.”
A casa de Dona Sebastiana, mãe de uma das trabalhadoras de Januária (MG), foi palco do primeiro curso guiado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) instruído por uma nutricionista que ensinou todos os passos da higienização necessária para se manusear os frutos nativos, desde o recolhimento das árvores dos pequenos produtores locais – com plantio sem utilização de agrotóxicos – até o preparo das polpas naturais, que acontecia na própria casa de Dona Sebastiana.
Depois deste curso e com o avanço dos serviços, foi questão de tempo para a Associação dos Pequenos Produtores e Agricultores Familiares reformar um ambiente para atender o projeto. Mas, as trabalhadoras não demoraram para perceber que podiam fazer mais e iniciaram um segundo curso pelo Senar para lidar, dessa vez, com a confecção de geleia natural.

Geleias de umbu, tamarindo, acerola, manga sem açúcar, manga com pimenta e banana sem açúcar. Deu água na boca? Rosemeire lista cada sabor em meio a leves gargalhadas que refletem a alegria das riquezas encontradas em cada fruto. A Sabores do Agreste também comercializa produtos salgados como a geleia de cebola e a pasta de pequi com ervas.
“Os produtos que as pessoas mais gostam são os mais diferentes. A geléia de manga com pimenta e de cebola, o doce de umbu que é tipo uma balinha e o doce de abóbora com tamarindo (todo mundo ama), puxado para o azedo, são os mais procurados.”

E com dedicação e incentivos externos, um terceiro curso proporcionou que elas aprendessem diferentes tipos de doce de leite sem açúcar e com as frutas da região. Hoje, há doce de leite com caramelo de café, com geleia de umbu, mamão ralado, com geleia de ameixa, com coco, amendoim e geleia de acerola. Uma infinidade de produtos confeccionados por mãos fortes de mulheres conscientes sobre a riqueza da biodiversidade regional. Há muito tempo elas já compreenderam que conservar a terra, as árvores, a fauna e as tradições é sinônimo de uma vida mais digna e rentável.
“O que mais me deixa contente no meu trabalho é ver que o produto está pronto, terminado, direitinho, é a coisa que me deixa mais feliz.”
Que o principal fruto das árvores seja a permanência de podermos usufruir da vida que nasce da terra por muitas gerações.
Há mais de 5 anos acompanhamos de perto o desenvolvimento e a gestão do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, localizado no norte de Minas Gerais, e que tem boa parte de sua extensão no bioma Cerrado e parte na Caatinga e Mata Seca. O Vale do Peruaçu é berço de povos tradicionais e cultura local.
Nesse período de estreita relação com o parque constatamos algo muito verdadeiro, mas que pouca gente reconhece: a conservação de um Parque Nacional não é importante apenas para o Meio Ambiente ou para a mitigação das mudanças climáticas. Uma área como a do Parna Cavernas do Peruaçu é imprescindível para a manutenção de tradições locais, para a geração de renda para as comunidades do entorno e, consequentemente, para a defesa do bioma no qual se encontra.
Presenciamos nesses últimos anos como o incentivo ao turismo sustentável transformou a vida de famílias inteiras – pouco a pouco se recuperando da pandemia – trabalham como condutores, com produção de artesanato, ou abriram receptivos e pousadas. Esse impacto positivo aproximou a comunidade do parque, que por sua vez, ganhou um “batalhão” de gente empenhada na conservação do Cerrado.
Um exemplo muito significativo para nós são as Oleiras do Candeal, um grupo tradicional da região que produz potes, pratos, vasos de planta, moringas, jogos de bule e outras peças com cerâmica. Ao todo, 11 mulheres participam do projeto que se perpetua com o trabalho da terceira geração de oleiras. A proximidade com o Parna Peruaçu permite que os condutores de turismo levem os visitantes até o espaço.
“Para nós é muito importante essa conexão com o Peruaçu. Isso abriu muitas portas para comercializar e divulgar nossos produtos por meio dos visitantes. Os turistas vêm conhecer e acabam valorizando e divulgando nosso trabalho”, destacou Dona Nilda, participante do projeto.
Conheça o Cerrado, pratique o turismo sustentável visitando nossos Parques Nacionais e incentive os projetos das nossas comunidades tradicionais.
Um dia para ficar na história do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu. Em 23 de agosto deste ano, pessoas com deficiência auditiva, visual, física, intelectual e múltipla (PCDs) estrearam a trilha que agora permite aos PCDs uma interação direta com o parque.
O projeto é uma parceria entre o ICMBio, a APAE de Januária, o Instituto Ekos Brasil, o Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência e o Instituto Sertão Vereda com o objetivo de propiciar acessibilidade ao turismo de natureza.
O grupo percorreu a Trilha da Gruta do Janelão, cartão postal do parque, e chegou à Perna da Bailarina, a maior estalactite do mundo! A experiência contou com o auxílio da Macadeira, uma inovação desenvolvida pelo Ekos Brasil sob supervisão da APAE e do ICMBio para permitir que pessoas com deficiência motora também participassem do passeio.

“A presença de uma pessoa com deficiência na Gruta do Janelão representa a validação do direito à igualdade em oportunidades. Estar presente nessa ação é um grande aprendizado e me mostra que é preciso mobilizar todo o território do Peruaçu para torná-lo um destino acessível. Integrar uma área protegida e oportunizar sua visibilidade, faz parte do processo de desenvolvimento sustentável, pois todo mundo já sabe:'”é preciso conhecer para preservar”, comentou Isabela Martins, do Instituto Sertão Vereda
Durante o percurso, o grupo ficou admirado com as belezas do parque e também foram evidenciando outras melhorias para que a experiência seja ainda mais completa e inclusiva.
Para Roberto Palmieri, do Ekos Brasil, o projeto deve inspirar outros parques a fazer o mesmo. “Assim, mais pessoas exercerão o direito constitucional de ter acesso às áreas públicas protegidas e podem se juntar a nós no trabalho de conservação desses espaços fundamentais ao bem-estar de todos”.
Além da inclusão, o projeto também impulsiona a criação de novos negócios para atingir esse público que nos últimos anos não vem sendo considerado no turismo de natureza.

“Eu estou muito feliz. Somos mais um ser humano, mas temos valor e condições de descobrir muita coisa. Ter a oportunidade de explorar toda essa natureza, essas experiências fantásticas foi muito gratificante. Estamos só no começo e é um espelho pro mundo”, disse Helder Viana, da Apae Januária.
O Instituto Ekos Brasil reafirma seu compromisso em continuar a apoiar projetos como esse, que aproximem as pessoas com deficiência à natureza, e parabeniza o grupo que estreou a trilha!
Em recente viagem à campo, nossa colaboradora Danielly Mello Freire teve a oportunidade de retornar à região amazônica, na divisa do Pará com o Amapá, e ver de perto como os benefícios sociais e ambientais de um projeto de créditos de carbono de REDD+ transformam a vida de uma comunidade local.
Para celebrar a Amazônia e boas iniciativas que a mantém em pé, entrevistamos a Dany, que mora em São Paulo, e gentilmente nos contou suas percepções sobre a viagem, o projeto e o bioma.
Confira!
Dany, o que te levou à Amazônia?
Fui representando o Instituto Ekos Brasil em uma visita técnica ao Projeto REDD+ Jari, organizada pela desenvolvedora de projetos, parceira do Compromisso com o Clima, Biofílica Ambipar Environment e pela também proponente do projeto, Fundação Jari. Nosso objetivo era ver de perto os benefícios do projeto e poder apresentar aos nossos clientes seus indicadores socioambientais, para além do carbono.
A visita foi conduzida pelos colaboradores da Fundação Jari. E aqui cabe destacar o trabalho incrível dessa fundação que, além de outras tantas iniciativas, mantém o Museu Jari com uma das maiores xilotecas do mundo – um vasto catálogo de espécimes dessa região amazônica.
E o que mais você viu por lá?
Particularmente foi muito especial ver uma parte de uma área gigantesca, de mais de 1.200.000 hectares de floresta, gerida basicamente com bioeconomia. De fato, dentro do Projeto REDD+ Jari existem outros pequenos projetos, como uma fábrica de farinha para a fabricação de tucupi, goma de tapioca, etc. Essa fábrica contou com uma parceria da Embrapa que realiza testes para selecionar as melhores espécies de mandioca e aumentar a produtividade. Muitos comunitários locais conseguiram implementar um Sistema Agroflorestal, sendo uma possibilidade o cultivo da mandioca em fileiras entre o eucalipto.

Com SAF houve aumento de nutrientes no solo, com possibilidade de plantio de múltiplas variedades alimentícias proporcionadas pela floresta e isso diminuiu, inclusive, a queima da vegetação para recuperação do solo, como prática anterior ao SAF realizada pelos comunitários. Esse fomento e disseminação de conhecimentos técnicos, alinhado ao conhecimento tradicional dessas famílias, fomentado pela Fundação Jari, aumenta a disponibilidade de bio produtos para comercialização.
Apenas para citar mais uma história, essa comovente, falo da Dona Sandra que antes dos incentivos do projeto não tinha produção de alimentos nem mesmo para subsistência de sua família e nem fonte de renda para se manter. Vivia com dívidas e dependente do apoio de vizinhos comunitários. O projeto trouxe ferramentas e conhecimento para que ela pudesse transformar sua residência em um espaço com produção por SAF, hortaliças, criação de aves, porcos e peixes. Hoje eles vivem bem do que conseguem extrair da terra e tem barraca em feiras locais para venda de seus produtos.

Ainda assim, dentro da área do projeto, ela sofre pressão por madeireiros ilegais no entorno de sua propriedade. Por isso, a Dona Sandra, entre tantos outros comunitários, são agentes de vigilância da floresta, pois ela denuncia essas invasões que acontecem ao redor de sua propriedade à Fundação Jari.
Você conheceu uma madeireira legal na região, não é mesmo? Como foi essa experiência?
Sim. Pessoalmente, não é fácil ver aquele clarão no meio da floresta com um monte de tora de madeira. Mas a madeireira que visitei era certificada, com manejo florestal. Mostraram, por exemplo, que há funcionários responsáveis apenas por traçar a rota pela qual a árvore deve cair para que derrube o menos possível ao redor e abra espaço, inclusive para que as árvores mais jovens cresçam com essa incidência de sol.
Uma das causas de perda de rastreabilidade de madeiras ilegais é que as madeireiras ilegais vendem direto para os moveleiros, por exemplo. Por isso, é importante que essas empresas certificadas cheguem antes para oferecer seus produtos. Não temos como ficar sem madeira, portanto temos que fazer com que a madeira chegue até nós, consumidores, de maneira manejada e certificada.
Ali perto, conheci também um artesão que trabalha apenas com madeira essa certificada do projeto Agregue, também parte da Fundação Jari, e que me contou como isso aumenta o valor agregado da sua arte.
Dany, você já tinha estado na Amazônia outras vezes. O que viu de diferente nessa região?
Quando cheguei no Acre pela primeira vez, pude conhecer a Amazônia através da lente da vivência de povos originários, em uma terra indígena protegida, um lugar mágico. A sensação foi de conhecer um pedaço de terra totalmente aquém das problemáticas atuais.
O Acre tem uma questão importante, que por mais que tenha muitas áreas protegidas, ainda sim há desequilíbrio na biodiversidade, pois essas terras são cercadas por muitas grandes fazendas agropecuaristas. As áreas conservadas não se conectam mais, ou seja, são pequenas APs espalhadas pelo estado. Um retrato muito prático sobre esse desequilíbrio ambiental é a quantidade de picadas que se leva, diferente do que aconteceu visitando essa área do Jari Pará-Amapá com pouquíssimas picadas.
A emoção de estar na floresta amazônica, independente do estado, é a mesma. Se perde a noção de tempo e é possível ver a vida com outros modos de se viver. Isso acontece toda vez que eu vou para o norte ou me conecto a algum povo tradicional.

Dessa vez, por mais que eu já soubesse do projeto e da imensidão da área conservada, eu ainda assim me senti muito pequena e fazendo muito pouco do que é necessário para manter a floresta em pé. É preciso muito mais, mais esforço, mais investimento, mobilização. Afinal, estamos em uma contagem regressiva para reverter a crise climática na qual nós mesmos nos colocamos.
Existem políticas que devem ser adotadas, mas precisamos cada vez mais de mais satélites e mais tecnologia olhando para esse território. E precisamos fomentar políticas públicas de proteção aos povos que vivem na floresta, como ribeirinhos, indígenas, quilombolas. pois são essas pessoas que mantêm a floresta em pé e conservada.
Compromisso com o Clima é onde projetos socioambientais e empresas conscientes de seu papel social se encontram com o propósito de realizar planos de longo prazo para o planeta.
Com o apoio de grandes parceiros, o programa Compromisso Com o Clima vem expandindo seu alcance e segue com o propósito de engajar o setor privado em ações de responsabilidade climática.
Fazemos isso porque acreditamos que, agindo de forma colaborativa, nossas ações têm maior impacto e apontam para um futuro cada vez mais sustentável.


Na primeira semana de agosto, parte do time do Ekos Brasil embarcou em São Paulo com destino a Minas Gerais para uma missão especial: levar um grupo de suíços para conhecer o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu.
Dentre os convidados estavam o embaixador da Suíça no Brasil, Pietro Lazzeri, o ex-embaixador suíço Jean Pierre Villard, o casal Ruth e Rolf Gloor da empresa Bachema AG – doadores do Fundo Peruaçu -, além de um jornalista e um fotógrafo, também suíços.
O grupo teve a oportunidade de conhecer cenários deslumbrantes do parque como a gruta do Janelão e o Sítio Caboclo com suas pinturas rupestres de cerca de 12 mil anos. Alguns deles também se aventuraram pela Trilha do Arco do André, passando pelo mirante do Mundo Inteiro com sua vista de tirar o fôlego.
“Além disso, visitamos com eles os projetos desenvolvidos no entorno do parque e que estão sendo diretamente impactados pelo crescimento do turismo sustentável. Eles ficaram bastante impressionados com o empreendedorismo feminino na região, como as Oleiras do Candeal que confeccionam cerâmicas a partir de tradições centenárias”, disse Ana Moeri, presidente do Ekos Brasil que acompanhou a visita.
A imersão ambiental e cultural continuou com um passeio pelo Rio São Francisco que mostrou aos suíços a importância do velho Chico para o desenvolvimento da região e para a conservação da biodiversidade.

Por que a Suíça?
Lazzeri, o embaixador suíço, é um entusiasta em temáticas relacionadas à sustentabilidade e representa um país que se destaca pela inovação, tecnologia verde e turismo. “Para nós é muito importante estreitar esse relacionamento e pensarmos juntos em parcerias que beneficiem não só a conservação de uma área como a do Peruaçu, mas em iniciativas que promovam a cooperação entre as nações pelo desenvolvimento sustentável”, completou Moeri.
Além disso, o Ekos Brasil nutre uma relação especial com o país já que Ernesto Moeri, seu fundador, era natural da Suíça – e brasileiro de coração.
A visita do grupo ao Peruaçu também se desdobrará em uma reportagem a ser publicada em uma revista semanal suíça de grande circulação.
