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Por Ciça Wey de Brito
Neste ano de 2020 faleceu uma das mais importantes pesquisadoras e difusoras da conservação dos solos no Brasil a Dra. Ana Primavesi, que completaria 100 anos em outubro.

Ana Primavesi
Ana Primavesi , nascida na Áustria, veio para o Brasil em 1948 e atuou aqui como engenheira agrônoma e professora da Universidade Federal de Santa Maria, onde criou o primeiro curso de pós-graduação focado em agricultura orgânica. À pesquisadora é também reconhecida a influência para o estabelecimento da agricultura orgânica e a agroecologia.
A conservação dos solos no mundo e no Brasil não têm sido tarefa fácil! Este imprescindível elemento da natureza, que dá suporte a todas as nossas atividades é o resultado de um longo trabalho da natureza. Para dar uma ideia de como é lenta a formação do solo é só pensar que são necessários cerca de 400 anos para se formar 1 cm (um centímetro) de solo!
Para que o solo seja criado é necessária a ação da chuva, do vento, do calor, do frio e de organismos (fungos, bactérias, minhocas, formigas e cupins), que ao desgastarem as rochas de forma lenta no relevo da terra, criam partículas (minerais e orgânicas) que vão sendo depositadas em camadas, chamadas de horizontes.
Estima-se que no mundo cerca de 25% de todas as espécies vivas residam no solo. Em apenas um metro quadrado de solo são encontrados bilhões de organismos e milhões de espécies. Muitas destas espécies não são facilmente visíveis por nós, humanos. Parte delas é de fungos e bactérias, responsáveis por decompor a matéria orgânica do solo, controlar a dinâmica do carbono orgânico e tornam os nutrientes disponíveis para as plantas. Esta grande variedade de espécies é ameaçada pela intensificação de uso do solo e pelo intensivo de fertilizantes químicos, pesticidas e herbicidas.
Outro grande problema mundial é a perda de solos por erosão. Em 2019 a ONU alertou para o número superlativo de perda de solos por erosão no mundo – 24 bilhões de toneladas de terra fértil. Além da erosão “roubar” terras cultiváveis, o solo carreado pelas chuvas se deposita nos córregos e rios, deixando-os assoreados e poluídos. A perda de solos pela erosão tem também efeitos econômicos diretos como mostrou estudo da FAO (Food and Agriculture Organization) de 2016. O estudo estimou que perdas anuais de culturas causadas por erosão foram de 0,3% da produção. A erosão em solo agrícola e de pastagem intensiva varia entre cem a mil vezes a taxa de erosão natural e o custo anual do uso de adubos para substituir os nutrientes perdidos pela erosão chega a US $ 150 bilhões, segundo a organização.
No Brasil, mesmo a experiência e dedicação da Dra. Primavesi e de outros técnicos e cientistas, que como ela olharam o solo como um ambiente vivo e sensível e pregaram a sua conservação, não foi suficiente para evitar a degradação desse importante ativo ambiental. No país, temos 60 milhões de hectares de pastagens degradadas!.
A conservação do solo é um conjunto de princípios e técnicas agrícolas que visa o manejo correto das terras cultiváveis, procura manter a estrutura e fertilidade dos solos e evitar sua erosão. Algumas destas práticas são:
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O solo é um ativo ambiental essencial à vida na Terra e sua conservação deve merecer toda a atenção. Ele garante a produção de alimentos, fibra e energia, fornece serviços ambientais essenciais (regulação e abastecimento de água, do clima, conservação da biodiversidade, sequestro de carbono e serviços culturais).
Como vem alertando o secretário-geral da ONU, António Guterres, recuperar solo de terras degradadas, é também uma arma importante na luta contra a crise climática, uma vez que o setor de uso da terra representa quase 25% do total de emissões globais, e que a restauração de terras degradadas tem o potencial de armazenar até 3 milhões de toneladas de carbono anualmente.
O Brasil possui reconhecida capacidade técnica de trabalho com seus solos, boa parte focada na melhoraria de fertilidade de alguns deles, notadamente os que suportam o bioma Cerrado, onde boa parte da agropecuária nacional está estabelecida.
É portanto de se esperar que num país tão dependente da produção agropecuária, esta mesma capacidade de inovação e grandes investimentos possa ser redirecionada, para recuperar a qualidade/capacidade de solos perdida em muitas regiões do país, para intensificar o uso de técnicas de conservação do solos já há muito conhecidas e para apoiar uma mudança necessária do paradigma de uso descuidado deste insubstituível ativo ambiental.
Que os ensinamentos de Ana Primavesi vivam se espalhem para sempre!
Cada vez mais se tornam comuns os exemplos envolvendo Inteligência Artificial, Internet das Coisas, Blockchain, dentre outras tecnologias emergentes na preservação da biodiversidade do nosso planeta. Das savanas africanas, à floresta amazônica, ao meio do oceano, a tecnologia tem se mostrado uma ótima aliada na proteção da natureza.
Três exemplos bem interessantes foram destaque em um artigo da Revista Planeta. E agora compartilhamos com vocês.
A África do Sul abriga quase 70% dos rinocerontes que restam no planeta. Todas as cinco espécies sobreviventes estão ameaçadas de extinção e cerca de 3 deles morrem todos os dias.
Uma parceria entre a Universidade de Wageningen, a Prodapt, o provedor de telecomunicações africano MTN e a IBM tem trazido um novo fôlego para os esforços de preservação desses animais com a ajuda de Internet das Coisas.
Um sistema de sensores personalizados é colocado em outros animais, como as zebras, como sentinelas. Esses sensores são capazes de detectar uma mudança de comportamento quando esses animais se sentem ameaçados. Quando eles reagem à caçadores furtivos, os dados são enviados para uma plataforma e chegam até os responsáveis pela proteção dos animais, que ganham tempo para interceptar a caça ilegal antes que o perigo humano se aproxime dos rinocerontes.
Um grande ameaça ambiental está na proliferação descontrolada de algas em ambientes marinhos. A chamada hipertrofia compreende o crescimento repentino e incontrolável de algas. O
risco está no fato de que a família fitoplanctônica é responsável pela produção de 50% do oxigênio terrestre.
Cerca de 60 espécies tóxicas de algas tendem a se proliferar rapidamente se encontrar um ambiente propício para isso como quantidade de luz, salinidade da água, temperatura e disponibilidade de nutrientes.
Com o objetivo de prever onde acontecerão as próximas proliferações de algas, uma equipe argentina criou um aplicativo chamado Alquid, capaz de gerar relatórios dinâmicos a partir de informações coletadas por pesquisadores e cidadãos comuns sobre as algas. Os usuários mais experientes têm acesso a injetar dados mais completos e complexos e usuários comuns conseguem enviar fotos e receber informações sobre aquele local, como clima e tipo de alga mais comum.
O algoritmo, então, comparar dados históricos e atuais extraídos de diferentes fontes ao redor do mundo fornecidos por agências como a NASA, NOAA entre outras públicas e privadas, e assim pode ser capaz de prever onde acontecerá o próximo bloom de algas.
Essa tecnologia já está até bastante disseminada no Brasil. A medida que cresce a exigência do consumidor por produtos frescos e também pela responsabilidade das empresas com toda a cadeia produtiva, a tecnologia de blockchain ganha importância nesse cenário, especialmente para grandes varejistas.
Aqui no Brasil Carrefour e Walmart, por exemplo, já disponibilizam em algumas linhas de produtos um QR Code de rastreio de toda a cadeia produtiva. Assim, o próprio mercado e os consumidores podem conferir o número do lote, o modo de criação dos animais, os cuidados, o transporte e a variação de temperatura durante o deslocamento, além do nome do criador. Dessa forma, a tecnologia incentiva cada dia mais uma agricultura mais sustentável, que privilegia o pequeno produtor e o tratamento dos animais.

Desde 2009, o Itaú Unibanco, em parceria com o Instituto Ekos Brasil, seleciona iniciativas que reduzem emissões de Gases de Efeito Estufa para receberem aportes de investimento provenientes da destinação de uma porcentagem das taxas administrativas dos fundos de renda fixa Itaú Ecomudança. O objetivo do banco é transformar os investimentos dos clientes em benefício para a sociedade.
O processo seletivo em 2020 acontece de 30 de março a 30 de abril. Podem se inscrever organizações – sociais, fundações e associações, inclusive as que atuam como movimentos sociais – e cooperativas. Buscamos por projetos:
[su_service title=”Projetos de agricultura sustentável” icon=”icon: check-circle-o” icon_color=”#6094a1″]Produção de alimentos saudáveis, agricultura orgânica, fortalecimento de Arranjos Produtivos Locais, gestão da água em propriedades rurais, fortalecimento de serviços ecossistêmicos, dentre outros.[/su_service]
[su_service title=”Projetos de energia renovável” icon=”icon: check-circle-o” icon_color=”#6094a1″]Desenvolvimento de novas tecnologias e modelos de negócio para viabilizar o uso de fontes renováveis de energia.[/su_service]
[su_service title=”Projetos de floresta” icon=”icon: check-circle-o” icon_color=”#6094a1″]Recuperação de florestas nativas, implantação de Sistemas Agroflorestais (SAF), fortalecimento de cadeias de produtos florestais não madeireiros e de serviços ecossistêmicos em ambientes naturais e urbanos, dentre outros.[/su_service]
[su_service title=”Projetos de manejo de resíduos” icon=”icon: check-circle-o” icon_color=”#6094a1″]Destinação adequada e/ou o uso alternativo de resíduos. Iniciativas inovadoras na gestão de resíduos também poderão ser aceitas.[/su_service]
Além disso, buscamos projetos com potencial de gerar renda para se manterem financeiramente a longo prazo, e com alto potencial de replicabilidade.
Atualmente, o Programa tem duas linhas de apoio:
[su_box title=”Apoio a projetos” box_color=”#6094a1″ title_color=”#ffffff”]Iniciativas que apresentam o desenvolvimento de uma tecnologia social com potencial de gerar renda aos beneficiários, capacidade de se manter financeiramente a longo prazo e que contenham atividades que promovam a diretamente a mitigação ou a adaptação às mudanças climáticas.
Para inscrever seu projeto, [su_highlight]acesse aqui.[/su_highlight]
[/su_box]
[su_box title=”Apoio a negócios de impacto” box_color=”#6094a1″ title_color=”#ffffff”]Negócios envolvendo tecnologias e práticas que promovam a diretamente a mitigação ou a adaptação às mudanças climáticas.
Para inscrever seu negócio de impacto,[su_highlight]acesse aqui.[/su_highlight]. [/su_box]
Se a sua organização tem um projeto ou negócio de impacto envolvendo uma tecnologia social com potencial de gerar renda aos beneficiários, capacidade de se manter financeiramente a longo prazo e que promova a diretamente a mitigação ou a adaptação às mudanças climáticas venha mostrar a sua ideia.
O Instituto Ekos Brasil iniciou 2020 com novos membros em seu quadro de conselheiros. São profissionais especializados em suas áreas de atuação e que, gentilmente, auxiliam o Ekos Brasil a executar o trabalho na direção certa.
Por isso, agradecemos a importante contribuição desses profissionais e temos o prazer em apresentá-los , dando boas vindas !
André Rebouças
Graduado em geologia, com mestrado em hidrogeologia e meio ambiente e especialização em Direito Ambiental pela Universidade de São Paulo (USP), André Rebouças tem mais de 20 anos de experiência no mercado. Atualmente trabalha como diretor de Análises Ambientais da Mérieux NutriSciences, atuando para ampliar os negócios da empresa por meio de investimentos focados na qualidade de atendimento ao cliente.
Christian Dobereiner
Christian Dobereiner é geólogo e experiente executivo, com mais de 25 anos de experiência internacional junto a indústrias extrativas, governo e como diretor não executivo de ONGs, particularmente na América do Sul. Tem vasta experiência nacional e internacional em desenvolvimento e implementação de estratégias socioambientais e como mediador e especialista em resolução de conflitos. Possui histórico de entrega de melhoria contínua de desempenho socioambiental em organizações que operam em áreas cada vez mais socialmente complexas e ambientalmente sensíveis.
Sonia Favaretto
Sonia Favaretto é jornalista e radialista. Atua com sustentabilidade há 15 anos, tendo passagens por BankBoston, FEBRABAN, Itaú Unibanco e B3. Em 2016, foi reconhecida pelo Pacto Global da ONU como SDGPioneer, uma das 10 pessoas no mundo que trabalham pelo avanço dos ODS. É membro externo do Comitê de Segurança, Meio Ambiente e Saúde da Petrobras, presidente do Conselho Consultivo da GRI Brasil e vice-presidente do Board do CDP LA.
Assim, a atual configuração dos conselhos ficou conforme a lista apresentada abaixo:
Conselho Fiscal:
Cristina Sancini
Jaime Ohata
André Rebouças
Conselho Técnico:
Araquém Alcântara
Délcio Rodrigues
Paulo Artaxo
Sergio Goldemberg
Christian Dobereiner
Sonia Favaretto
Estamos muito felizes em ter esses novos membros e animados pelas novas oportunidades e projetos que estão por vir!
As empresas B3, Itaú, Lojas Renner, MRV e Natura em parceria estratégica com o Instituto Ekos Brasil, acabam de lançar o edital 2020 do Programa Compromisso com o Clima.
A partir de 11 de março até o dia 26 de abril, desenvolvedores de projetos socioambientais nas áreas de energia renovável, manejo de resíduos, agricultura sustentável, conservação florestal, reflorestamento, dentre muitos outros, podem inscrever seus projetos para compor o portfólio de compensação dessas empresas.
Portanto, se você desenvolve projetos desse tipo, confira nosso regulamento!
Se você é uma empresa e tem interesse em compensar suas emissões ao lado das grandes empresas citadas acima, continue lendo e saiba mais sobre o Programa!
Em 2017, Itaú Unibanco e Natura, com o apoio do Instituto Ekos Brasil, se uniram em uma parceria inédita e lançaram o Edital Compromisso com o Clima. O intuito era unir forças para compensar suas emissões inevitáveis de processos produtivos de maneira conjunta ao selecionar projetos que reduzem emissões e geram benefícios sociais e ambientais ao mesmo tempo.
A iniciativa deu muito certo. Em 2020, as empresas lançarão o terceiro edital para seleção de projetos socioambientais. Os projetos selecionados pelo Programa são disponibilizados na Plataforma Ekos Social.
Atualmente, a Plataforma conta com 11 projetos vinculados ao Compromisso com o Clima. Estes projetos, que estão localizados nas cinco regiões do Brasil, vêm reduzindo emissões de Gases de Efeito Estufa e gerando impactos sociais e ambientais positivos.
Com a adesão de organizações parceiras como a B3, Lojas Renner e agora a MRV, o Programa expande seu alcance e segue no propósito de engajar o setor privado em ações de responsabilidade climática.
Ao aderir ao Compromisso com o Clima sua organização tem acesso aos resultados de um processo transparente de seleção e avaliação de projetos socioambientais. Além disso, o Programa tem outros benefícios, tais como:
Todas essas informações e outros detalhes você confere também no hotsite do Programa Compromisso com o Clima!
O SAM Sustainability Yearbook é uma publicação anual que elenca em um ranking empresas ao redor do mundo avaliadas nos quesitos ambiental, social e de governança, ou seja, em sustentabilidade corporativa. A base do Yearbook é a avaliação Corporate Sustainability Assessment (CSA) que fundamenta a elaboração dos Índices de Sustentabilidade Dow Jones, portanto, de alta credibilidade.
O site da publicação é bem completo, com todos os rankings e análises comparativas ano a ano do progresso da sustentabilidade corporativa. Nele, encontramos um relatório específico sobre os resultados que compreendem as empresas latino-americanas.
Abaixo, você confere os destaques desse relatório.
As empresas latino-americanas que figuram no Corporate Sustainability Assessment até apresentaram uma melhoria gradual em sustentabilidade corporativa, mas, de acordo com a publicação, ainda muito modesta em relação às fraquezas socioambientais da região.
Foram avaliadas 124 empresas dos cinco países a seguir: Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru. Esse número representa uma adesão de 46% das empresas convidadas a serem avaliadas pelo processo (os convites são entregues às maiores empresas do mundo).
Um dos destaques é o fato de que embora nos quesitos e questões individuais da CSA a gestão da sustentabilidade nas empresas seja lenta, quando olhamos para toda a região a pontuação média no Total de Sustentabilidade fica um pouco à frente da América do Norte.

A quantidade de empresas LATAM que figuram na lista do Índice Dow Jones de Sustentabilidade permaneceu estável de 2018 para 2019 com 14 membros, de um total de 318 de 27 países.
Mais uma vez, as empresas colombianas superaram as demais na América Latina em gestão da sustentabilidade. Já as empresas do México e do Peru apresentaram resultados muito ruins nas três dimensões da avaliação: econômica, social e ambiental.

Na dimensão econômica, a América Latina supera a média global de políticas anticrime, códigos de conduta nos negócios e materialidade. Nos critérios restantes, o desempenho da sustentabilidade é fraco. O mais preocupante deles é a Governança Corporativa, no qual as empresas da América Latina aparecem muito abaixo das empresas da América do Norte, da Europa e até alguns pontos abaixo de seus pares na Ásia.
Na dimensão ambiental, as empresas latino-americanas performaram abaixo da média global em seis dos sete critérios intersetoriais nessa dimensão. A Estratégia Climática é o critério em que a América Latina tem sua pior comparação com a média global. Além disso, os resultados abaixo da média global em outras 10 questões intersetoriais demonstram a necessidade das empresas LATAM investirem mais em sustentabilidade e liderança ambiental.
Na dimensão social as empresas latino americanas alcançaram as melhores pontuações e acompanham as empresas do mundo todo em muitos critérios. No Indicador de Práticas Trabalhistas, as empresas LATAM pontuaram acima da América do Norte e da Ásia pelo segundo ano, demonstrando a continuidade em quesitos de responsabilidade social. Para cada uma das questões dentro do critério Trabalhista – diversidade da força de trabalho, remuneração igual, liberdade de associação -, as empresas LATAM ultrapassam as médias globais.
Os resultados da CSA indicam que as empresas da América Latina continuam atrás do resto do mundo em gestão da sustentabilidade, ainda que em menor grau que em 2018.
Como destacamos, há um progresso modesto no desempenho em questões sociais no entanto, as empresas ainda precisam abordar com mais afinco as questões econômicas e ambientais que atualmente puxam a pontuação média da região para baixo.
Confira a lista das empresas brasileiras que figuram no Sustainability Yearbook 2020

Países, empresas e pessoas podem se engajar na luta contra o aquecimento global neutralizando suas emissões de carbono. Afinal, hoje em dia, praticamente nenhum produto, serviço ou atividade está livre da emissão de carbono, por isso, aquilo que não conseguimos evitar, pode ser compensado. Você pode, por exemplo deixar de usar seu carro para ir ao mercado, mas os produtos que você compra provavelmente foram transportados até o mercado por caminhões, usando combustíveis fósseis.
Mas, antes de abordar com mais profundidade a compensação de carbono, vamos entender a diferença entre alguns conceitos.
Redução de Gases de Efeito Estufa: são medidas implementadas para minimizar ao máximo a emissão de CO2. Bons exemplos são a reciclagem, redução no uso de energia, reutilização da água, redução de deslocamentos por carro ou avião, etc.
Compensação de carbono: após reduzir a emissão de CO2 ainda é possível compensar as emissões que forem inevitáveis. Uma empresa pode adotar todas as iniciativas de redução acima, ainda assim, suas operações ainda emitirão gases de efeito estufa. Essa emissão inevitável pode ser compensada. Isso acontece graças a um mercado de carbono que promove o intercâmbio entre quem gera créditos de carbono por reduzir emissões (a partir do uso de biogás, energia renovável, conservação de florestas, etc) e quem precisa compensar suas emissões residuais. Portanto, uma organização compra créditos de carbono de outra (que pode ser uma associação, instituição ou projeto) e essa recebe os investimentos. Vamos explicar melhor esse mercado mais abaixo.
Pegada de carbono: é o cálculo que se faz (carbon footprint, em inglês) para medir as emissões de Gases de Efeito Estufa. As emissões são convertidas em Dióxido de Carbono equivalente (CO2e), uma unidade balizadora para o mercado de créditos de carbono (veja mais a seguir).
A compensação de emissões parte do princípio que o o aquecimento global é um fenômeno de mundial, portanto não importa onde a redução das emissões é feita. O importante é que ela seja feita!
Ainda na ECO92, no Rio de Janeiro, foi criada a Convenção Quadro das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (UNFCCC, em inglês) que estabeleceu responsabilidades a todos os países na mitigação das emissões de GEE.
Em 1997, na Conferência das Partes (COP), foi assinado o Protocolo de Quioto que dividiu os países em dois grupos: aqueles com metas de redução (países Anexo I) e países sem metas de redução. O Brasil ficou nesse segundo grupo, por sua baixa responsabilidade histórica nas emissões.
Em 2001, o Acordo de Marrakesh criou o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) que estabeleceu um mercado regulado de carbono no qual projetos em países em desenvolvimento, como o Brasil, poderiam vender créditos de carbono à organizações e governos do Anexo I.
Um crédito de carbono é igual a uma tonelada de CO2e que representa uma Redução Certificada de Emissões. Isso significa que quem deseja gerar créditos precisa passar por um meticuloso processo de cálculo, avaliação e aprovação para obter créditos de carbono no MDL.
Esse processo inclui seguir uma metodologia previamente aprovada pela UNFCC, ter seu método avaliado por uma terceira parte especialista na área, obter a aprovação do Governo Local, ser registrado na UNFCC, ser verificado por uma Unidade Operacional Designada (DOE, em inglês), e finalmente, ter o crédito de carbono emitido pela ONU.
O processo é longo, mas garante a confiabilidade da redução de emissão.
Com essa institucionalização, o mercado de créditos de carbono cresceu e se desenvolveu e junto com ele também os projetos de mitigação, como aqueles de energia renovável e de tratamento de resíduos.
No entanto, a partir de 2012 esse mercado vivenciou uma crise e o preço dos créditos de carbono caíram consideravelmente.
Porém, um mercado voluntário de carbono foi desenvolvido em paralelo ao mercado regulado, tendo como protagonistas não os países, mas as empresas que desejavam fazer a própria parte na luta contra as mudanças climáticas. Essas empresas atuam voluntariamente, pois vão além de suas obrigações legais, por isso esse mercado é chamado de voluntário.
As empresas neutralizam emissões geralmente de projetos socioambientais, ou seja, iniciativas locais de associações, cooperativas, ONGs e pequenas empresas que adotam medidas de redução em suas atividades como energia renovável, uso de biomassa, redução de desmatamento e degradação (REDD+) e, por isso, geram créditos de carbono que podem ser vendidos para empresas que desejam neutralizar suas emissões residuais.
É claro que esses projetos também são validados, verificados registrados por padrões internacionais como Verified Carbon Standard (VCS), The Gold Standard, dentre outros, mas não precisam de aprovação do governo nem da ONU.
A compra desses créditos pelas empresas gera recursos que, na maior parte das vezes, é investido no desenvolvimento da comunidade local, somando aos benefícios ambientais, também aqueles sociais.
Para ficar bem fácil de entender tudo isso, basta observar o Programa Compromisso com o Clima, uma parceria do Instituto Ekos Brasil com o Itaú, a Natura, a B3, as Lojas Renner e a MRV Engenharia, dentre outras empresas.
A fim de escalonar suas ações de compensação de carbono, essas empresas se uniram e, por meio da Plataforma Ekos Social, podem escolher projetos socioambientais para direcionar seus investimentos na compensação de carbono.
Os projetos são escolhidos a partir de um edital, no qual são avaliados tecnicamente pelo Ekos Brasil para então integrar a plataforma e compor o portfólio de compensação dessas grandes empresas.
Interessou? Seja você empresa ou desenvolvedor de projetos, acesse o Programa Compromisso com o Clima e saiba como participar!
As abelhas, vespas e formigas polinizam as plantas e essas, quando crescem, produzem alimentos e absorvem o carbono da atmosfera. As florestas fornecem madeira, alimentos, matérias-primas medicinais e fibras. Os rios são a fonte de água doce, são usados para produzir energia e, quando navegáveis, são importantes canais de escoamento de riquezas.
A lista é infinita, mas esses poucos exemplos já nos dão uma ideia bem clara da importância de manter e preservar esses serviços ecossistêmicos.
E como hoje em dia, o incentivo à produção ainda é muito maior do que o incentivo à preservação dos recursos naturais, a prestação de serviços ambientais vem despontando como uma boa alternativa para proteger nosso meio ambiente.
De acordo com o Projeto de Lei 312/15, os serviços ambientais são iniciativas individuais ou coletivas que podem favorecer a manutenção, a recuperação ou a melhoria dos serviços ecossistêmicos.
A principal ideia é não só aplicar multas a quem polui, por exemplo, mas recompensar aqueles que preservam e mantém os recursos naturais, como pessoas que reflorestam áreas degradadas, propriedades que preservam nascentes de rios ou até mesmo catadores e suas cooperativas, que ajudam a diminuir a demanda por matérias-primas.

Em 2005, a Avaliação Ecossistêmica do Milênio, da ONU, criou uma classificação para os serviços ambientais.
Como dissemos, já existem muitos recursos para fiscalizar e punir quem degrada os serviços ecossistêmicos, mesmo que muitas vezes não aplicados.
A ideia dos Pagamentos por Serviços Ambientais é que beneficiários e usuários dos serviços ambientais, como governos e toda a população em geral, recompensem economicamente quem preserva e mantém os serviços ecossistêmicos, ou seja, os prestadores de serviços ambientais.
Um exemplo foi o Bolsa Verde, eliminado no início de 2018, mas que remunerava famílias de baixa renda que realizavam atividades de preservação ambiental.
Mas o reflorestamento talvez seja a iniciativa mais conhecida de pagamentos por serviços ambientais, já que entra no mercado de créditos de carbono.
O Instituto Ekos Brasil trabalha com diversos projetos que promovem a conservação da biodiversidade e outros serviços ecossistêmicos. O Programa Ecomudança, por exemplo, em parceria com o Banco Itaú, seleciona projetos socioambientais de entidades sem fins lucrativos que promovem tecnologias de baixo carbono e impacto ambiental positivo. Os projetos selecionados pelo Programa recebem recursos para que possam se desenvolver.
Saiba como inscrever o seu projeto no Ecomudança 2020!
Não é surpreendente observar que nos últimos cinco anos o Relatório Anual de Riscos Globais do Fórum Econômico Mundial tenha identificado como médio e alto risco a perda da biodiversidade e o colapso do ecossistema e classificado os dois temas como as principais ameaças que a humanidade terá de enfrentar nos próximos 10 anos.
Neste ano, o Relatório, produzido a partir de percepções da comunidade global de negócios, governos e sociedade civil, apresentou um resultado impressionante. Pela primeira vez, os cinco primeiros riscos globais são provenientes de uma única categoria: o meio ambiente.
Isso inclui a perda de biodiversidade como um dos principais perigos nos próximos 10 anos.
Nos últimos 50 anos a economia e a população global evoluíram em muitos sentidos. No entanto, a atividade humana alterou severamente 75% dos ambientes terrestres e marinhos. Cerca de 25% das espécies de plantas e animais foram ameaçados pela atividade humana, com milhões delas beirando a extinção. Sem contar que 47% dos ecossistemas foram reduzidos de tamanho no mundo todo.
O relatório do Fórum Econômico Mundial mostra, no entanto, que US$ 44 trilhões do valor econômico gerado – cerca de metade do Produto Interno Bruto global – é altamente ou moderadamente dependente da natureza e dos seus serviços.
A ameaça da natureza importa para a maioria dos negócios ao impactar operações, fornecedores e mercados.
Por isso, lideranças corporativas têm um papel crucial a cumprir colocando o meio ambiente como o centro dos seus processos e tomadas de decisão a fim de identificar, avaliar, mitigar e divulgar os riscos relacionados à natureza para evitar graves consequências.
As empresas podem e devem fazer parte do movimento global para proteger e restaurar a natureza.
Abaixo, algumas das recomendações do Relatório para que isso se torne realidade.
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Confira o relatório na íntegra.
“Se a última década nos ensinou alguma coisa, é que a tecnologia construída sem esses princípios pode fazer mais mal do que bem”, disse o presidente-executivo da Microsoft, Satya Nadella, na sede da companhia, na última quinta-feira.
A empresa que faturou 128,5 bilhões em 2019 anunciou que deseja remover mais carbono da atmosfera do que emite até 2030 e que até 2050 espera ter mitigado toda a emissão de carbono produzida pela empresa desde a sua fundação, em 1975.
A promessa inclui a criação de um Fundo de Inovação Climática que investirá mais de 1 bilhão de dólares em iniciativas e novas tecnologias para reduzir a emissão de carbono de sua cadeia de suprimentos.
Outras empresas também anunciaram recentemente algumas iniciativas robustas em prol do meio ambiente. Aliás, desde 2017, quando o presidente Trump resolveu sair do Acordo de Paris, gigantes da indústria americana têm dado respostas concretas e contrárias às atitudes do presidente.
A Amazon sofreu uma pressão interna, de seus próprios funcionários, e também resolveu agir, mesmo que tardiamente. No fim do ano passado, a empresa anunciou o Climate Pledge, seu compromisso climático de cumprir o Acordo de Paris até 2040. Uma das primeiras iniciativas foi a encomenda de mais de 100 mil vans elétricas para a entrega de seus produtos. Cerca de 10 mil já devem estar nas ruas até 2022. A intenção de Jeff Bezos é que a Amazon funcione com 100% de energia renovável até 2030 e que a empresa seja carbono zero até 2040, uma década antes do que prevê o Acordo de Paris.
Se uma empresa com tanta infraestrutura física quanto a Amazon — que entrega mais de 10 bilhões de itens por ano – pode cumprir o Acordo de Paris dez anos antes, qualquer empresa pode”, disse Jeff Bezos ao anunciar o conjunto de ações da empresa.
A maior gestora de investimentos do mundo, BlackRock, também anunciou na última semana que irá intensificar seus esforços para reduzir suas emissões de carbono. “Todo governo, empresa e acionista deve enfrentar as mudanças climáticas”, disse Larry Fink, presidente-executivo da empresa. Em comunicado, a empresa anunciou desinvestimentos em empresas que apresentam altos riscos de sustentabilidade, como produtores de carvão.
E a sua empresa? Já despertou para a adoção de um modelo de negócio mais sustentável?
Entre em contato com o Instituto Ekos Brasil e conte com a ajuda dos nossos especialistas.
