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“A ciência é sim uma atividade para as mulheres”

“A ciência é sim uma atividade para as mulheres”

O Instituto Ekos entrevista a doutora e pesquisadora científica do Museu Biológico do Instituto Butantan, Erika Hingst-Zaher, que apresenta sua visão sobre a importância do centro de pesquisa para além das vacinas e incentiva o merecido espaço das mulheres na ciência. 

Quem não conhecia, certamente ouviu falar sobre o Instituto Butantan recentemente. Esse centro de pesquisa biológica, que ganhou o nome por estar localizado no bairro do Butantã, zona oeste da cidade de São Paulo, tem recebido grandes destaques na mídia nacional pelo desenvolvimento da vacina contra a Covid-19. Mas, você conhece as atividades do centro de pesquisa para além da vacina? 

O Instituto Butantã e o Ekos Brasil são parceiros de longa data. Para nos contar um pouco sobre o histórico dessa parceria e, principalmente, para nos atualizar sobre a relevância desse importante polo de ciência, vamos entrevistar a pesquisadora científica Erika Hingst-Zaher, do Museu Biológico do Instituto Butantan. Para ela, “a ciência pode mudar o mundo”.

Nos conte um pouco sobre a missão do Instituto Butantan. Quais são seus objetivos e como se organiza?

Erika Hingst-Zaher – O Instituto Butantan é uma das mais antigas e reconhecidas instituições de pesquisa do Brasil, criada em 1900 para combater a peste bubônica que então chegava ao país. Além da produção bem-sucedida do soro antipestoso, o primeiro diretor do Instituto, o médico Vital Brazil, teve papel de destaque no debate internacional sobre o tratamento de acidentes ofídicos. 

Na época, defendia-se que apenas um soro seria suficiente para tratar todos os tipos de picadas de cobra, entretanto Brazil, que conduzia as pesquisas sobre a produção do soro e campanhas junto ao público, para evitar os acidentes, propunha uma ideia diferente: para diferentes grupos de serpentes e tipos de veneno seriam necessários tipos diferentes de soros, o que hoje sabemos que é fundamental

Hoje, com 120 anos de existência, o Butantan é organizado em três grandes áreas: pesquisa, produção e área cultural. A pesquisa feita aqui é muito diversa, indo desde a biologia animal, venenos, epidemiologia, imunologia, identificação de genes e proteínas e muitas outras áreas. Na produção de vacinas e imunobiológicos, somos responsáveis por metade da produção nacional de vacinas e praticamente todos os soros distribuídos pelo SUS

O Instituto atua também no ensino, através de sua pós-graduação e formação de alunos de diversas áreas, e mantém uma forte comunicação com o público, através de seu papel que vai além da pesquisa: a educação e a divulgação científica. Um grande número de escolas e visitantes espontâneos visitam os museus e frequentam o parque que abriga uma floresta urbana com rica fauna e vegetação, na zona oeste de São Paulo. 

Como você avalia a importância do Instituto Butantan no desenvolvimento da ciência no Brasil?

Erika Hingst-Zaher – A criação dos institutos de pesquisa foi uma tendência mundial no final do século XIX, quando os governos e parcelas mais esclarecidas da sociedade se deram conta de que o conhecimento e o controle de doenças eram fundamentais. O tipo de pesquisa realizada nas instituições como o Pasteur, em Paris, e o Instituto Ingês de medicina Preventiva, em Londres, divergia das universidades que já existiam na época por seus resultados mais rápidos e aplicados. Nessa época, no Brasil, especialmente em São Paulo, foram organizados institutos públicos de pesquisa nas áreas de saúde, agricultura e meio ambiente, como os Institutos Butantan, Pasteur, Biológico, Botânica, Florestal e Geológico. 

Desde então, os governantes paulistas com visão mais ampla, bem como a FAPESP, investiram na consolidação deste sistema público de Ciência, Tecnologia e Inovação que é único no Brasil. O Instituto Butantan, vinculado à secretaria do estado de Saúde, é parte desta estrutura que faz com que São Paulo seja o estado que mais produz ciência no Brasil, e os pesquisadores que trabalham aqui e nos outros institutos são parte de uma carreira especial, a de pesquisador científico.  

Quais são os projetos do seu departamento? E como é a sua rotina no Instituto Butantan?

Erika Hingst-Zaher – Eu sou um dos quatro pesquisadores do Museu Biológico, o museu mais antigo do Butantan e único a apresentar cobras vivas. Os pesquisadores, alunos e funcionários do museu combinam dois tipos de atividade: a pesquisa com animais e a divulgação científica. Os outros pesquisadores estudam principalmente serpentes, através de trabalhos de campo e dos animais mantidos em cativeiro.

Minha formação como bióloga, desde a graduação até o meu doutorado, se deu especialmente nas áreas de zoologia e ecologia de vertebrados, e ainda na conservação do meio ambiente, o que me permitiu uma diversificação de projetos que atende a mais de uma área de pesquisa no Instituto Butantan. Os dois principais no momento são com evolução e diversificação de veneno nas serpentes, e de vigilância epidemiológica para patógenos como o coronavírus e o vírus da influenza em aves e morcegos. 

No primeiro, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e pela National Science Foundation (NSF), trabalho junto com outros pesquisadores do instituto e também de universidades norte-americanas estudando as serpentes e suas glândulas, e a composição do veneno, e ainda na parte de comunicação para o público dos resultados que obtemos. Poucas pessoas já pararam para pensar que o veneno das serpentes tem o propósito para estes animais de capturar sua presa (e não de picar pessoas), ele surgiu e se diversificou para isso. E ainda menos pessoas sabem que o veneno é um coquetel de proteínas que varia muito, mesmo dentro da mesma espécie de serpentes e até em uma mesma cobra ao longo de sua vida. 

No segundo, chamado de Projeto Rede de Vigilância de Vírus (PREVIR), juntamente com pesquisadores da USP e de outras universidades e institutos de pesquisa do Brasil inteiro, formamos uma rede que monitora constantemente a presença de vírus em aves e morcegos, que podem vir a causar problemas de saúde ou econômicos. Esse projeto financiado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) começou no final de 2020 e, através dos observatórios e de pontos de coleta em locais estratégicos do país, como a Amazônia e a Floresta Atlântica, procura detectar os problemas antes que eles surjam, para que possamos estar prontos e produzir vacinas antes que novos vírus atinjam populações humanas.

O problema com os vírus e com outros patógenos que podem ser prejudiciais para nós, por incrível que pareça, está ligado à conservação do meio ambiente. O desmatamento e a perda de hábitats levam ao desaparecimento de algumas espécies e ao rearranjo na estrutura das comunidades de animais silvestres que, juntamente com outros fatores, como o contato com animais domésticos ou o consumo de caça, possibilitam que as epidemias surjam entre nós. 

Essa abordagem que junta a saúde humana e a conservação dos ecossistemas é relativamente recente, embora seja intuitiva – afinal, como cuidar da saúde humana sem olhar para a saúde do planeta, para a água que bebemos, o ar que respiramos, a origem dos nossos alimentos e a forma como produzimos e a nossa relação com a natureza?. A Organização Mundial de Saúde (OMS) chama essa abordagem de “One Health”, ou saúde única

Além destas e de outras linhas de pesquisa que combinam a saúde humana e a saúde e conservação do meio ambiente, juntamente com meus alunos e colegas pesquisadores, também produzo material de divulgação científica, exposições e atividades para o público do Butantan. 

Ainda durante meu pós-doutorado no Museu de Zoologia da USP, me preocupava com as questões relacionadas ao meio ambiente e o que os cientistas, assim como eu, sabiam que poderia acontecer com a biodiversidade. Só que este é um problema de comunicação: muitas vezes, os cientistas deixam de comunicar para o público descobertas importantes que podem fazer a diferença para nosso bem-estar e para a sobrevivência do planeta. 

Tendo isso em mente, fiz uma especialização em comunicação científica na Escola de Comunicações e Artes (ECA-USP), o que me deu uma base para atuar no Museu Biológico na parte de divulgação da ciência. Essa parte do meu trabalho, na qual desenvolvo materiais e atividades para o público na área de biodiversidade, é extremamente gratificante, e envolve não apenas exposições e filmes, mas também atividades como caminhadas para a observação da fauna e da flora na floresta do Instituto. 

Você já liderou equipes e desenvolveu diversos projetos em parceria com o Instituto Ekos. Quais desses projetos foram os mais relevantes e quais os resultados?

Erika Hingst-Zaher – Trabalho em colaboração com o Instituto Ekos desde 2005 elaborando planos de manejo de áreas protegidas, como parques estaduais e estações ecológicas, e propondo a criação de novas áreas destinadas à conservação. Foram sempre trabalhos extremamente enriquecedores, com o convívio com pesquisadores de outras áreas e com a equipe do Ekos. 

De todos estes trabalhos, aquele do qual mais me orgulho, e que me traz imensa felicidade foi a proposta para a WWF de criação de uma grande área protegida na restinga de Bertioga, atualmente o Parque Estadual da Restinga de Bertioga. Esta área é extremamente importante e única em sua biodiversidade, já que é uma faixa litorânea de vegetação com origem e formação diferente do restante da Floresta Atlântica e sofria grande pressão para desenvolvimento de empreendimentos imobiliários e turismo. 

Com isso protegemos diversas espécies ameaçadas e um patrimônio único.  

Quais são os desafios que você, como pesquisadora científica, enfrenta hoje no Brasil?

Erika Hingst-Zaher – Sem dúvida o maior desafio é o sucateamento da ciência e a falta de apoio dos governantes às pesquisas de longa duração e à manutenção da estrutura, universidades e institutos onde a pesquisa é feita no Brasil. A carreira de pesquisadora científica não tem mais o prestígio e o apoio que tinha no passado. Vejo meus colegas se aposentando, enquanto não se abrem novas vagas para substituí-los ou para continuarem suas linhas de pesquisa. 

O mesmo se passa com os institutos de pesquisa, que até então foram um dos grandes diferenciais para a produção científica no estado. As incertezas sobre financiamento e bolsas para alunos de pós-graduação desenvolverem seus projetos afasta muitos jovens promissores da possibilidade de seguir uma carreira acadêmica na ciência. 

Mas não quero falar apenas das coisas negativas. Assisti no decorrer do último ano um interesse renovado da sociedade, em geral nos cientistas e na ciência que é feita no Brasil, e espero que isso faça com que os governos, em vários níveis, voltem seus olhos também à importância de avançarmos com a ciência pura e aplicada e para sua importância à soberania nacional, a exemplo do que se faz em países desenvolvidos. 

Que mensagem você daria aos novos pesquisadores que estão iniciando carreira no país?

Erika Hingst-Zaher – Neste mês de março, quando pensamos mais nas meninas e nas mulheres, queria deixar minha mensagem especialmente para elas que, frequentemente quando estão crescendo, acreditam menos em si mesmas. Isso porque quando chegamos na pós-graduação ou no exercício da profissão na área acadêmica, vemos menos mulheres presentes em bancas e congressos, ficamos menos à vontade para fazer perguntas após palestras e apresentações, recebemos menos convites para reuniões científicas e bancas de pós-graduação e concursos, e levamos a responsabilidade maior na dupla jornada com os cuidados da casa, dos filhos e da família. 

Queria dizer para todas que a ciência é sim uma atividade para as mulheres e que temos a capacidade de seguir carreira em STEM (termo em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). Além disso, enquanto cientistas, frequentemente orientamos alunos de forma melhor, com mais suporte emocional, além de profissional

Tenho a sorte de ao longo da minha formação ter tido colegas mulheres na ciência sensacionais, que me mostraram que podemos fazer muito além e melhor. No Instituto Butantan, as mulheres têm uma posição de destaque na coordenação e na condução de pesquisa de ponta. Tenho também a sorte de ter a inspiração de zoólogas brasileiras ou radicadas no Brasil, como Emilie Snethlage e Bertha Lutz, que foram expoentes em suas áreas e lutaram pelo direito das mulheres em várias frentes, abrindo caminho para quem veio depois. 

Minha mensagem é para as meninas e mulheres que gostariam de fazer pesquisa, para que não desistam se seus sonhos, de sua vontade. Apesar de todos os desafios, muitos dos quais mencionei aqui, a ciência pode nos estimular e nos mover para diante. A ciência pode mudar o mundo. 

Leia também: Especial Dia Mundial da Agricultura Johanna Döbereiner: a mulher que transformou a agricultura brasileira. 

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Brasil passa a fazer parte do Protocolo de Nagoia sobre biodiversidade

Brasil passa a fazer parte do Protocolo de Nagoia sobre biodiversidade

O Brasil depositou na Organização das Nações Unidas (ONU) a carta de ratificação do Protocolo de Nagoia, que regulamenta o acesso e a repartição de benefícios, monetários e não monetários, dos recursos genéticos da biodiversidade. De acordo com nota conjunta dos ministérios das Relações Exteriores e do Meio Ambiente, o documento assinado pelo presidente Jair Bolsonaro foi entregue ontem (4) à ONU.

O protocolo é um acordo multilateral acessório à Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), elaborada durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Eco-92), realizada no Rio de Janeiro em 1992. Ele foi concluído durante a 10ª Conferência das Partes da Convenção (COP-10), em 2010, em Nagoia, no Japão, e assinado pelo Brasil no ano seguinte,em Nova York.

O documento tem por objetivo viabilizar a repartição justa e equitativa dos benefícios derivados da utilização dos recursos genéticos da biodiversidade, como plantas, animais e micro-organismos, e dos conhecimentos tradicionais a eles associados. O tratado abrange pontos como pagamento de royalties, estabelecimento de joint ventures (associação de empresas), financiamentos de pesquisa, compartilhamento de resultados e transferência de tecnologias e capacitação.

Como é um tratado internacional, a entrada em vigor no Brasil dependia de aprovação do Congresso Nacional. Em agosto do ano passado, o documento foi então aprovado pela Câmara e pelo Senado e promulgado em decreto legislativo. “A entrega da carta de ratificação encerra um processo de debates que se estendia há anos no âmbito do governo federal e do Poder Legislativo. O engajamento do governo e o compromisso estabelecido entre representações do agronegócio e da área ambiental propiciaram a conclusão do processo de ratificação”, diz nota conjunta.

De acordo com o governo, o Brasil poderá participar das deliberações futuras no âmbito do protocolo, que ocorrerão já a partir da próxima Conferência das Partes da CDB, “na qualidade de país que dispõe de legislação avançada sobre biodiversidade e repartição de benefícios e que conta com um setor agropecuário moderno, com inestimáveis recursos genéticos derivados de seu patrimônio ambiental”.

Para os ministérios, a adesão do país ao Protocolo de Nagoia contribuirá para trazer segurança jurídica aos usuários e fornecedores de material genético e poderá desempenhar papel importante no processo de valorização dos ativos ambientais brasileiros, sobretudo no âmbito do pagamento por serviços ambientais e no desenvolvimento da bioeconomia.

“O Brasil reafirma seu compromisso com o desenvolvimento sustentável e seu engajamento com o sistema multilateral, ao mesmo tempo em que persegue sua autonomia tecnológica e econômica e o fortalecimento da soberania sobre os recursos naturais em seu território”, finaliza a nota.

Edição: Graça Adjuto

Fonte: Agência Brasil

BioDiversos: vamos celebrar a biodiversidade?

Instituto Ekos Brasill lança o projeto BioDiversos com uma série de depoimentos de profissionais renomados de diversas áreas de atuação sobre suas percepções e experiências com a biodiversidade. Um convite para celebrarmos o equilíbrio entre a existência humana e a natureza. Os vídeos são lançados periodicamente e ficam disponíveis nessa página e em nossas redes sociais.

A biodiversidade é um dos sustentáculos da vida em nosso planeta. É uma dádiva que resultou de bilhões de anos de desenvolvimento e, por isso, única e tão importante. 

Mas a verdade é que poucos entendem a profundidade do que esse termo tão difundido representa.

A Biodiversidade contempla a heterogeneidade de todas as formas de vida existentes, – no mar, na terra, nos rios, no ar, em todos os ambientes -, incluindo a do homem. E é essa riqueza de combinações (genética, de espécies e ecossistemas), além das suas inter-relações, que fornece preciosos recursos e serviços necessários à manutenção da vida como a conhecemos, da nossa vida!

Prestadora de serviços essenciais

Gratuitamente, é a biodiversidade que modera e mantém as condições climáticas e da temperatura; a regulação e a purificação de gases atmosféricos; a manutenção e fornecimento de água para o consumo; o fornecimento de alimentos, fibras e combustíveis; a polinização de plantas, incluindo muitas espécies de interesse econômico; o controle natural de pestes e doenças, isso só para citar poucos exemplos.

“Mas, apesar de sua enorme importância, o empobrecimento da biodiversidade tem sido constante e intenso. É imperativo que chamemos a atenção das pessoas sobre essa tendência de forma explícita. Por isso, trouxemos neste projeto abordagens que aproximam a biodiversidade ao cotidiano das pessoas”, explicou Ciça Wey de Brito, coordenadora de relações institucionais do Instituto Ekos Brasil.

Desde o dia 22 de maio, Dia Internacional da Biodiversidade, o Ekos Brasil começou a disponibilizar uma série de depoimentos de profissionais de diferentes áreas de atuação e do conhecimento como arquitetura, medicina, culinária, tecnologia, comunicação, etc. para que as experiências, visões e usos que fazem da biodiversidade sejam compartilhados com todos.

Abaixo, você confere os depoimentos que já estão disponíveis.

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Nosso primeiro convidado é o renomado arquiteto e designer Carlos Motta!

Ele compartilha conosco como desenvolve criações únicas e especiais com respeito e sensibilidade em relação à natureza.

 

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No segundo depoimento da série BioDiversos, o renomado cozinheiro Alex Atala nos conta sobre o seu compromisso com biodiversidade e apreciação do seu valor. Fala do Instituto ATA e do valor da proteção dos rios, mares e florestas e dos homens e mulheres que neles habitam e deles tiram seu sustento. Atala nos convida a compreender o ciclo interdependente e bonito que existe entre o saber, o comer, o cozinhar, o produzir e a natureza. 

 

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Em seu terceiro vídeo, o projeto BioDiversos trata de biodiversidade e saúde e a bióloga e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz, Marcia Chame, foi a convidada da vez. Especialista no estudo de doenças silvestres, Chame explica a raiz de suas pesquisas e a comprovação científica da importância da biodiversidade para a saúde humana, inclusive na prevenção de epidemias. Assista, entenda e compartilhe.

 

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No quarto episódio da série Biodiversos, Nurit Bensusan nos conta como busca popularizar a ciência e a biodiversidade em si com livros e jogos especialmente dedicados às crianças. “As crianças têm grande empatia com a conservação da natureza e podem ser as pessoas do futuro para fazer o mundo diferente”.

Dê o play e confira essa e outras reflexões sobre biodiversidade com Nurit Bensusan!

 

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No quinto episódio, a série BioDiversos apresenta o trabalho da engenheira florestal vencedora do Whitley Award, o “Oscar Verde”, Patrícia Médici. Reconhecida por seu incansável trabalho de conservação da anta brasileira, Médici explica a importância deste animal incrível, e muito ameaçado, para a biodiversidade em diferentes biomas do nosso país. 
 
Assista e compartilhe!

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Neste episódio da série BioDiversos, o professor Alexander Turra, oceanógrafo da Universidade de São Paulo e coordenador da Cátedra Unesco Sustentabilidade do Oceano comenta os desafios da conservação da vida marinha, tão importante e tão ameaçada pelas agressões da humanidade. 

Assista e compartilhe!

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O projeto BioDiversos chega ao sétimo episódio entrevistando Daniel Lombardi, tradicional arqueteiro brasileiro comprometido com a conservação da Mata Atlântica e também de uma das mais emblemáticas espécies de madeira atualmente ameaçada de extinção, o Pau-Brasil.

Assista e compartilhe!

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No oitavo episódio, chegou a vez de Felipe Jannuzzi, pesquisador de plantas brasileiras, produtor de bebidas destiladas e criador do Mapa da Cachaça e da Etthylica compartilhar seu depoimento com a extração de aromas e sabores da nossa flora para produzir bebidas destiladas diferenciadas.

Assista e compartilhe!

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O projeto BioDiversos chega ao nono e último episódio com o depoimento de Sydney Possuelo, etnógrafo brasileiro, ativista social e certamente um dos maiores conhecedores de povos indígenas do mundo.
Possuelo compartilha seus aprendizados e sua experiência de vida junto aos índios brasileiros, especialmente aqueles mais isolados.
Confira e compartilhe.

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E por que celebrar a biodiversidade? 

Porque ela está em risco. E todas os bons exemplos e atuações pela sua conservação devem ser comemorados! Afinal, os dados não são animadores.

O relatório da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES) – Global Assessment on Biodiversity and Ecosystem Services, de 2019, informa que aproximadamente 75% da superfície da Terra está significativamente alterada, que 66% da área dos oceanos estão experimentando impactos cumulativos crescentes e que 85% das áreas úmidas já foram perdidas.

Mas veja só. A versão deste relatório para as Américas mostra que o valor das contribuições terrestres da natureza é de pelo menos US$ 24,3 trilhões por ano!

Também o último Relatório Global de Riscos publicado no 15o Fórum Econômico Mundial, que ocorre anualmente em Davos, na Suíça, colocou questões ambientais como a perda da biodiversidade e outras ameaças à vida no planeta à frente dos riscos apresentados por tensões geopolíticas e ataques cibernéticos, como fazia antes.

Pela primeira vez este Relatório constatou que os cinco principais riscos de longo prazo para a economia mundial são ambientais. Pela ordem o Relatório aponta os principais riscos como sendo:

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  • Eventos climáticos extremos, como enchentes e tempestades
  • Falhas nos combates às mudanças climáticas
  • Perda de biodiversidade e esgotamento de recursos
  • Desastres naturais, como terremotos e tsunamis
  • Desastres ambientais ​​causados pelo homem

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O Instituto Ekos Brasil tem como uma de suas áreas de atuação a conservação do meio ambiente. Temos um conjunto de iniciativas que conectam investimentos privados a projetos que promovem o desenvolvimento sustentável e a mitigação das mudanças climáticas. Também atuamos na gestão e manutenção do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, em conjunto com o ICMBio, um importante reduto de natureza em nosso país.

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Resultados edital 2020

Programa Compromisso com o Clima divulga resultados do edital 2020 de seleção de projetos ambientais

Programa Compromisso com o Clima divulga resultados do edital 2020 de seleção de projetos ambientais

Estamos em plena divulgação do edital 2021, mas, ainda em tempo, anunciamos os resultados do edital 2020 do programa Compromisso com o Clima. compromisso com o clima edital 2020

No encerramento do edital passado, alcançamos a marca de 15 projetos aprovados com 2 milhões de créditos disponíveis para comercialização na Plataforma Ekos Social. São iniciativas em Agricultura, Floresta e Uso do Solo (REDD+, restauro florestal com espécie nativa); Energia (biomassa renovável, energia solar, energia eólica), Manejo de Resíduos, além de outros tipos.

Um resultado de destaque foi o crescimento de 154% no índice de inscritos em relação ao Edital de 2019, com a participação de organizações de 12 Estados das cinco regiões do País. No total, 56 projetos tiveram o interesse em fazer parte do nosso programa. 

Os projetos selecionados passaram por uma rigorosa avaliação e foram submetidos à etapas que avaliaram elegibilidade, impactos positivos, riscos, verificação de documentos, entre outras.

Sobre o Compromisso com o Clima 

Desde 2017 conectamos empresas interessadas em compensar suas emissões de Gases de Efeito Estufa e projetos dedicados a gerar benefícios sociais e ambientais.
Com o apoio de grandes parceiros, o programa Compromisso Com o Clima vem expandindo seu alcance e segue com o propósito de engajar o setor privado em ações de responsabilidade climática.

O objetivo do programa é compensar as emissões de carbono das organizações, ao mesmo tempo em que proporciona benefícios socioambientais para as comunidades envolvidas.

Faça parte do Programa Compromisso com o Clima.

Entre em contato para entender como se juntar a nós e fazer a diferença.

[su_button url=”https://compromisso.ekos.social/” target=”blank” style=”3d” background=”#6094a1″ size=”6″ center=”yes” radius=”round”]Acesse o site do Compromisso com o Clima[/su_button]

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edital compromisso com o clima

Programa Compromisso com o Clima abre edital para seleção de projetos ambientais

Programa Compromisso com o Clima abre edital para seleção de projetos ambientais

Instituto Ekos Brasil anuncia o lançamento do edital 2021 do Programa Compromisso com o Clima. Projetos que reduzem as emissões de gases de efeito estufa e geram benefícios ambientais têm de 10 de fevereiro a 24 de março para realizar a inscrição.

A novidade em 2021 está no critério de priorização dos projetos de Agricultura, Floresta e Uso do Solo, incluindo REDD+, especialmente localizados na Amazônia, mas também em outros biomas brasileiros. No entanto, o edital mantém a seleção de projetos também nas áreas de Energia, Manejo de Resíduos, substituição de combustíveis fósseis, dentre outros.

Os projetos selecionados serão submetidos a avaliações técnicas e jurídicas criteriosas conduzidas pelo Instituto Ekos Brasil e, se aprovados, irão compor o portfólio de compensação de carbono de grandes empresas. Atualmente, o programa conta o apoio institucional da B3, do Itaú, da Localiza, das Lojas Renner, escritório Mattos Filho, da MRV, da Natura e do grupo RaiaDrogasil.

Confira o regulamento completo antes de preencher a ficha de inscrição.

Leia também: Programa Compromisso com o Clima divulga resultados do edital 2020 de seleção de projetos ambientais.

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Mudanças climáticas na percepção dos brasileiros

Mudanças climáticas na percepção dos brasileiros: uma análise da pesquisa do Ibope

Mudanças climáticas na percepção dos brasileiros: uma análise da pesquisa do Ibope

É verdade que o caminho para a sustentabilidade do planeta ainda é longo e tortuoso. Mas, no que diz respeito à percepção da população brasileira sobre a gravidade das mudanças climáticas e dos seus efeitos, uma pesquisa recente realizada pelo IBOPE Inteligência confirma que estamos cientes sobre a realidade: 92% dos brasileiros e brasileiras, por exemplo, consideram que o aquecimento global está acontecendo e 77% entendem que a ação humana é a principal causa.

A pesquisa ouviu 2.600 pessoas, maiores de 18 anos, das cinco regiões do Brasil, entre os dias 24 de setembro a 18 de outubro de 2020, por telefone. E foi apresentada, na última semana, por um time de especialistas que analisaram seus resultados.

Marcos Astrini, do Observatório do Clima, enfatizou que a agenda ambiental está em um processo de avanço ainda em curso no Brasil e que, por isso, a temática não se converte em um cotidiano coerente com a percepção apontada pela pesquisa. Em resumo, o brasileiro é consciente, mas não pratica a sustentabilidade.

Uma luz no fim do túnel para essa virada de mindset pode estar em outra conclusão importante da pesquisa quando aproxima as consequências de um problema global aos nossos jovens e às nossas famílias. De acordo com o IBOPE, 88% dos brasileiros e brasileiras entendem que o aquecimento global pode prejudicar muito as próximas gerações e 72% compreendem que pode prejudicar muito suas famílias, sendo essa percepção mais alta entre a população preta (80%) – talvez um indicativo claro do maior grau de vulnerabilidade desta parcela da população por conta de condições socioeconômicas. 

Segundo Marcello Brito, da Coalizão Brasil Clima, Florestas, Agricultura, que também participou da apresentação e análise da pesquisa, há uma tendência mundial de aculturamento ambiental, ou seja, uma mudança cultural em prol do meio ambiente propiciada por ações crescentes de educação ambiental, mesmo se ainda muito distantes do desejável.

Mas Brito também lembrou que o fator renda é importante para que as pessoas escolham produtos sustentáveis, que tendem a ser mais caros. Segundo ele, o aculturamento ambiental, aliado ao componente de renda, pode ser uma combinação importante para pressionar o mercado a adotar práticas sustentáveis.  

De fato, não temos dúvidas de que educação e renda são componentes importantes para que as pessoas possam ser agentes de mudança, não apenas no cotidiano, mas também demandando práticas mais sustentáveis. Ou seja, precisamos buscar uma sociedade mais justa e igualitária, tanto para reduzir vulnerabilidades quanto para exigir mudanças de empresas e tomadores de decisão.

Vale consultar a pesquisa completa para conhecer também os dados sobre a opinião dos brasileiros acerca das queimadas na Amazônia.

 

Thiago Othero

Coordenador Técnico do Instituto Ekos Brasil 

 

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Relatório de Riscos Globais 2021 mantém riscos ambientais como agenda prioritária mundial para a próxima década

Relatório de Riscos Globais 2021 mantém riscos ambientais como agenda prioritária mundial para a próxima década

 Depois de sua edição histórica em 2020, na qual pela primeira vez os riscos ambientais estiveram no topo das ameaças para a próxima década, ocupando as 5 primeiras posições do ranking de riscos por impacto, chegou a vez de conferir novamente as reflexões, tendências e conclusões do Global Risks Report 2021 (Relatório de Riscos Globais 2021).  O documento elaborado anualmente serve como base para as discussões do Fórum Econômico Mundial, que este ano acontece em formato virtual, nos dias 25 e 29 de janeiro, reunindo 1.200 líderes de 60 países.

No ano em que o Fórum se desenrola durante uma pandemia global e tem a confiança como tema principal – “Crucial Year to Rebuild Trust (O ano crucial para reconstruir a confiança, em tradução livre) – mais uma vez o Relatório de Riscos Globais aponta a interdependência entre os impactos sociais, econômicos e ambientais, mantendo os riscos deste último no topo da lista e incluindo, obviamente, as doenças infecciosas 

Para Sônia Favaretto, especialista em Sustentabilidade e integrante do Conselho Técnico do Instituto Ekos Brasil, o fato de os riscos ambientais continuarem figurando como os principais riscos para a próxima década demonstra que a agenda ganhou evidência e que empresas, lideranças e investidores ao redor do mundo serão cobrados, cada vez mais, por suas práticas ESGs.

Cobrança que já começou. Em sua também tradicional carta endereçada aos CEOs de todo o mundo, Larry Fink, CEO e chairman da Black Rock, maior gestora de investimentos do mundo, pressionou as lideranças por uma transição para um modelo de negócios compatível com uma economia neutra em carbono. “À medida que a transição se acelera, empresas com estratégias de longo prazo bem articuladas e um plano claro para abordar a transição para a neutralidade em carbono irão se destacar perante seus stakeholders – perante clientes, autoridades governamentais, colaboradores e acionistas – por inspirar a confiança de que elas conseguem navegar através desta transformação global”, escreveu.  

A lista

Entrevistas realizadas com 650 pessoas de várias comunidades do Fórum dão origem a duas listas em evidência no relatório: uma com os principais riscos por probabilidade e outra com os principais riscos por impacto. Todos eles são divididos em cinco categorias e cores (Econômico, Ambiental, Geopolítico, Social e Tecnológico).

No ano passado, na lista por probabilidade, os cinco primeiros riscos do ranking eram ambientais. Este ano, como sinalizamos, o relatório incluiu as doenças infecciosas.

 

  

Portanto, os cinco primeiros riscos por probabilidade são: 1. Eventos climáticos extremos; 2. Falha em agir sobre as mudanças climáticas; 3. Desastres ambientais causados pelo homem; 4. Doenças Infecciosas; 5. Perda da Biodiversidade. E entre os riscos por impacto, temos: 1. Doenças Infecciosas; 2. Falha em agir sobre as mudanças climáticas; 3. Armas de destruição em massa; 4. Perda de biodiversidade; 5. Desastres naturais.

Dos 30 riscos identificados, cinco são relacionados ao meio ambiente, sendo os riscos de curto prazo, com probabilidade de acontecer nos próximos dois anos: Eventos Climáticos Extremos e Desastres ambientais causados pelo homem. E de longo prazo, com probabilidade de acontecer entre cinco e dez anos: Perda da Biodiversidade, Crise dos Recursos Naturais e Falha em agir sobre as mudanças climáticas. Este último, inclusive, foi considerado o risco de maior preocupação global, seguido por Perda da Biodiversidade (5ª posição), Eventos Climáticos Extremos (8ª posição) e Desastres ambientais causados pelo homem (9ª posição). 

“Para mim, é a comprovação de que essa agenda (a de sustentabilidade) cada vez mais deixa de ser paralela, deixa de ser acessória. As pessoas, os profissionais, os executivos, as lideranças e os governos começam a entender que, de fato, a gente precisa olhar para o negócio não só mais do ponto de vista financeiro, mas um financeiro novo, que considere questões sociais e ambientais. E ter os riscos ambientais como os principais para a próxima década só comprova esse movimento”, comentou Favaretto.

A especialista ainda recomenda que as empresas brasileiras façam bom uso do relatório como ferramenta de trabalho para orientar planejamentos estratégicos, antecipar a materialização desses riscos e atuar como protagonistas de transformação dessa realidade. “Todo risco traz uma oportunidade”, conclui.

 

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Ekos Brasil agora faz parte do Sistema de Informação e Gestão de Áreas Protegidas e de Interesse Ambiental do Estado de São Paulo – SIGAP

Ekos Brasil agora faz parte do Sistema de Informação e Gestão de Áreas Protegidas e de Interesse Ambiental do Estado de São Paulo – SIGAP

A partir de janeiro o Instituto Ekos Brasil irá integrar o Conselho Consultivo do Sistema de Informação e Gestão de Áreas Protegidas e de Interesse Ambiental do Estado de São Paulo (SIGAP), por meio da Coordenadora de Relações Institucionais do Instituto, Ciça Wey de Brito. Sua primeira participação será durante a 6ª reunião extraordinária do colegiado, na qual serão tratados, principalmente, as minutas referentes ao Projeto de Concessão dos Parques Estaduais da Cantareira e do Alberto Löfgren, assim como a referente ao Relatório 2020. 

O Conselho é composto por nove membros, sendo três representantes do Governo Estadual, três da academia e três da sociedade civil, todos designados por atos específicos do Governador, a partir da indicação do Secretário de Infraestrutura e Meio Ambiente. Desde 24 de junho de 2014, seus trabalhos são divididos em quatro grupos de atuação. São eles: Pesquisa, monitoramento e bases de dados; Planos de Manejo; Sustentabilidade financeira de Unidades de Conservação; e Formação para Gestão de Áreas Protegidas. 

Sobre o SIGAP

O Sistema visa assegurar um meio ambiente ecologicamente equilibrado a partir do planejamento, da integração e da publicidade das ações do Poder Público. Além disso, age, complementarmente, como instrumento de informação e gestão das áreas protegidas paulistas, com destaque para as unidades de conservação (UC). Para isso, utiliza todas as informações disponíveis no Estado, incluindo aquelas produzidas pelo Instituto Virtual de Biodiversidade, também conhecido como “Programa Biota‐Fapesp”.  

Além das UC’s e suas respectivas zonas de amortecimento e corredores ecológicos, também atua nas Áreas de Preservação Permanente (APPs), e de Reserva Legal RL; Reservas da Biosfera; Áreas Úmidas; Áreas Naturais Tombadas; Áreas do Patrimônio Mundial Natural; Áreas de Cavidades Naturais Subterrâneas; Estradas‐Parque; Áreas sob Atenção Especiais do Estado em Estudo para a Expansão da Conservação da Biodiversidade (ASPE); Paisagem Cultural; Eco‐Museu; e Monumento Geológico.

 

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Coalizão de Alta Ambição para a Natureza e as Pessoas

Brasil demonstra desinteresse pela conservação e uso sustentável da biodiversidade ao ficar de fora da Coalizão de Alta Ambição para a Natureza e as Pessoas.

Brasil demonstra desinteresse pela conservação e uso sustentável da diversidade ao ficar de fora da “Coalizão de Alta Ambição para a Natureza e as Pessoas”.

Por Ciça Wey de Brito

 

Nosso país está mais uma vez indo na contramão do que pregam a ciência, os fatos e sua própria história recente ao não aderir ao “High Ambition Coalition (HAC) for Nature and People” (Coalizão de Alta Ambição para a Natureza e as Pessoas). Em Paris, no último dia 11, 30 chefes de Estado, empresários e representantes de ONGs participaram das discussões para a formalização da HAC. Entre eles estavam o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, o presidente do Banco Mundial, David Malpass, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a chanceler alemã Angela Merkel e o chefe de governo britânico, Boris Johnson.

Antes de demonstrar este desinteresse pela conservação e uso sustentável da diversidade biológica do planeta, o Brasil, já em outubro de 2020, havia se negado a assinar um compromisso voluntário para reverter a perda da biodiversidade por ocasião do Encontro das Nações Unidas pela Biodiversidade (United Nations Summit on Biodiversity, em inglês) quando líderes de 76 países, além das nações da União Europeia, assinaram um documento se comprometendo a reverter a perda de biodiversidade no mundo até 2030.

O Brasil, país que sediou a Eco-92, de onde saíram as Convenções de Diversidade Biológica (CDB), de Mudanças Climáticas e outros documentos importantes, que é um dos países megadiversos do planeta e que foi o país que mais contribuiu no âmbito da CDB com a meta de expansão de áreas protegidas no período entre – 2002 e 2010, se furtou a participar desta iniciativa global, que tem o objetivo de proteger a biodiversidade do planeta. A iniciativa liderada pela Costa Rica, Reino Unido e França tem o objetivo de deter o avanço da extinção de espécies e da degradação de ecossistemas e não exige qualquer contribuição financeira dos países que dela participam.

Os países que fazem parte da Coalizão de Alta Ambição para a Natureza e as Pessoas se comprometem a proteger, até 2030, pelo menos 30% das áreas terrestres e dos oceanos do planeta. Mas, nosso país, ao invés de assumir uma posição de liderança nas discussões e ações em prol da conservação e uso sustentável da biodiversidade, posição que possuía até 2018, não quis entrar na Coalizão. Nossa representação oficial se absteve participar do grupo de 51 países (até o momento), que reforçaram suas preocupações com proteção de 30% do planeta, que na visão deles pode melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, e criar milhões de empregos verdes e azuis de qualidade, ao mesmo tempo que cumprem a agenda de 2030.

O Brasil (ainda) tem muito a mostrar sobre o tema, resultado de trabalho de décadas de nossas agências públicas ambientais e de relações exteriores, da sociedade civil organizada e academia. Temos o maior programa de proteção de florestas tropicais do mundo, o ARPA (Áreas Protegidas da Amazônia), que apoia 117 UCs na Amazônia (tanto as de proteção integral como as de uso sustentável) desde 2002. Temos um robusto sistema de Unidades de Conservação com 2.446 unidades federais, estaduais ou municipais, que somam 250 milhões de hectares de áreas protegidas e que cobrem uma área equivalente a 18,15% do nosso território e 26,38% das nossas águas jurisdicionais.

Já fizemos muito, mas ainda falta muito a fazer. Por exemplo, todos os biomas brasileiros já perderam boa ou a maior parte de suas florestas: Pampa 54,2%; Mata Atlântica 93%; Cerrado 47,7%; Pantanal 15,4%; Caatinga 46,6% e a Amazônia legal 28%. O total das perdas das florestas desses biomas superam a mais de 500 milhões de hectares, sendo que só a área degradada no Brasil representa mais de 140 milhões de hectares. Devemos, por exemplo, melhorar a representatividade dos biomas brasileiros no Sistema de UC, e melhorar a efetividade de gestão das mesmas e valorizar de fato os serviços ambientais.

Poderíamos continuar a inspirar outros países a manter a diversidade de vida do planeta, temos experiência, conhecimento técnico e científico e história para tal. Sem a conservação das outras espécies, ecossistemas e os serviços ambientais, nós, seres humanos, pereceremos sem ganharmos nada a não ser a falsa ilusão de que com a destruição de nossas florestas, poluição de nossos rios e do ar que respiramos possamos nos considerar civilizados.

Enquanto as nações participantes da Coalizão se preparam para discutir alternativas, apoio e  financiamento ao longo dos próximos anos, buscando a gestão sustentável, definindo novas metas para a proteção da biodiversidade, e a efetividade de gestão das unidades de conservação, o Brasil “atual” continuará a brigar com seus moinhos de vento, e a perder oportunidades na área onde mais possui vantagens comparativas – sua biodiversidade.

 

Maria Cecilia Wey de Brito

Mestre em Ciências Ambientais

Engenheira Agrônoma

Relações Institucionais Instituto Ekos Brasil

Janeiro de 2021

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ecomudança

Conheça os vencedores do Ecomudança 2020

Conheça os projetos vencedores do Ecomudança 2020

Iniciativa do Banco Itaú em parceria com o Instituto Ekos Brasil, o Ecomudança seleciona projetos e negócios de impacto que promovem tecnologias sociais de baixo carbono e/ou práticas de adaptação às mudanças climáticas, aliadas à geração de renda e outros benefícios socioambientais para a comunidade.

Em 2020, recebemos mais de 500 inscrições e as iniciativas abaixo foram as vencedoras deste ciclo!

 

1. Ampliação e otimização da coleta e beneficiamento de materiais recicláveis por associações de catadores e catadoras em Manaus e Iranduba/AM. 

Modalidade: Manejo de Resíduos

Valor do apoio: R$91.803,84

Organização: Associação de Catadores de Recicláveis – Nova Recicla

Missão da organização: ampliar a coleta e otimizar o beneficiamento de materiais recicláveis, por meio da aquisição de equipamentos para duas associações: Nova Recicla, em Manaus, e Associação Nova Esperança, no município de Iranduba. Além do aumento da coleta e beneficiamento dos resíduos, o projeto busca trazer melhores condições de trabalho, reduzindo a vulnerabilidade dos beneficiários.

O projeto: A Nova Recicla é uma associação muito bem organizada, sendo referência na região. Atende em 10 bairros de Manaus e coleta resíduos de mais de 5.000 residências fixas.
A Nova Esperança é uma associação recente, com catadores que ainda recolhem os resíduos no lixão do município e expostos à condições de extrema vulnerabilidade. Dentre os equipamentos a serem comprados estão: dois triciclos, duas empilhadeiras, EPIs e uma esteira. Além dos equipamentos, o projeto prevê a realização de capacitações sobre diversos temas, incluindo a questão de gênero.

Metas: Ao total, serão beneficiados 50 catadores, sendo 25 de cada associação.
A previsão é um aumento de 50% na coleta e beneficiamento de resíduos por ambas as associações, e consequentemente, aumento de renda para as catadoras e catadores. A expectativa é de redução da emissão de 230 tCO2e por ano.

Este projeto contribui para os seguintes ODS:

 

2. Roças Agroflorestais Indígenas: mais carbono e alimentos para o Cerrado – Comodoro/ MT

Modalidade: Floresta

Valor do apoio: R$91.803,84

Organização: Associação de Jovens Indígenas Nambiquaras – AJINA

Missão da organização: garantir a segurança alimentar e geração de renda à famílias indígenas, por meio da implantação de 5 roças agroflorestais coletivas em 5 aldeias de duas terras indígenas: Nambikwara e Vale do Guaporé, promovendo técnicas agroecológicas alternativas ao desmatamento e a degradação do solo. Serão implantados 10 hectares de Sistemas Agroflorestais.

O projeto:  As Terras Indígenas estão envoltas pelo agronegócio e as aldeias sofrem grandes pressões tanto por esse setor, como pelo comércio de madeira ilegal. Nesse contexto, o projeto se apresenta como uma alternativa sustentável de geração de renda.
Em algumas aldeias, ainda são usadas práticas como corte e queima e uso de agrotóxico, o que também é um dos maiores causadores de incêndios da região. Diante deste cenário, o projeto prevê a implantação de 10 hectares de Sistemas Agroflorestais, a reativação de um viveiro de mudas e capacitações sobre técnicas agroecológicas e intercâmbio entre as aldeias para troca de conhecimento.

Metas: o projeto visa beneficiar 100 jovens indígenas das 5 aldeias, por meio da geração de renda em até 50%, além da disponibilidade de uma alimentação saudável e diversificada. Serão conservados 20 hectares de floresta nativa e recuperados 10 hectares por meio das agroflorestas. O projeto prevê a redução da emissão de 83 tCO2e por ano.

Este projeto contribui para os seguintes ODS:

 

LINHA DE APOIO À NEGÓCIOS DE IMPACTO

3. Valores múltiplos da Sociobiodiversidade do Cerrado – Goiânia/ GO

Categoria: Energia Renovável

Valor do apoio: R$91.803,84

Organização: COOPCERRADO

Objetivo: Aproveitar os resíduos de frutos do cerrado (baru, jatobá e outros) como biomassa vegetal em substituição ao coque de petróleo em indústrias cimenteiras, mitigando emissões de CO2 e outros gases de efeito estufa gerados pela queima de combustíveis fosseis.

O recurso será utilizado na compra de equipamentos que otimizam o trabalho de beneficiamento dessa biomassa, como: trator e triturador de resíduos de babaçu e jatobá.

Impactos esperados: incentivo a uma produção de energia limpa através do uso da biomassa como alternativa ao coque de petróleo; destinação adequada e sustentável dos resíduos dos frutos do cerrado; aumento de renda para cerca de 1.000 extrativistas e agricultores.

Principais atividades:

  • Compra de equipamentos
  • Capacitações

Metas:

Este modelo de negócio se destaca por contribuir de forma relevante para os seguintes Objetivos do Desenvolvimento Sustentável:

 

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