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Relatório de Riscos Globais 2021 mantém riscos ambientais como agenda prioritária mundial para a próxima década

Relatório de Riscos Globais 2021 mantém riscos ambientais como agenda prioritária mundial para a próxima década

 Depois de sua edição histórica em 2020, na qual pela primeira vez os riscos ambientais estiveram no topo das ameaças para a próxima década, ocupando as 5 primeiras posições do ranking de riscos por impacto, chegou a vez de conferir novamente as reflexões, tendências e conclusões do Global Risks Report 2021 (Relatório de Riscos Globais 2021).  O documento elaborado anualmente serve como base para as discussões do Fórum Econômico Mundial, que este ano acontece em formato virtual, nos dias 25 e 29 de janeiro, reunindo 1.200 líderes de 60 países.

No ano em que o Fórum se desenrola durante uma pandemia global e tem a confiança como tema principal – “Crucial Year to Rebuild Trust (O ano crucial para reconstruir a confiança, em tradução livre) – mais uma vez o Relatório de Riscos Globais aponta a interdependência entre os impactos sociais, econômicos e ambientais, mantendo os riscos deste último no topo da lista e incluindo, obviamente, as doenças infecciosas 

Para Sônia Favaretto, especialista em Sustentabilidade e integrante do Conselho Técnico do Instituto Ekos Brasil, o fato de os riscos ambientais continuarem figurando como os principais riscos para a próxima década demonstra que a agenda ganhou evidência e que empresas, lideranças e investidores ao redor do mundo serão cobrados, cada vez mais, por suas práticas ESGs.

Cobrança que já começou. Em sua também tradicional carta endereçada aos CEOs de todo o mundo, Larry Fink, CEO e chairman da Black Rock, maior gestora de investimentos do mundo, pressionou as lideranças por uma transição para um modelo de negócios compatível com uma economia neutra em carbono. “À medida que a transição se acelera, empresas com estratégias de longo prazo bem articuladas e um plano claro para abordar a transição para a neutralidade em carbono irão se destacar perante seus stakeholders – perante clientes, autoridades governamentais, colaboradores e acionistas – por inspirar a confiança de que elas conseguem navegar através desta transformação global”, escreveu.  

A lista

Entrevistas realizadas com 650 pessoas de várias comunidades do Fórum dão origem a duas listas em evidência no relatório: uma com os principais riscos por probabilidade e outra com os principais riscos por impacto. Todos eles são divididos em cinco categorias e cores (Econômico, Ambiental, Geopolítico, Social e Tecnológico).

No ano passado, na lista por probabilidade, os cinco primeiros riscos do ranking eram ambientais. Este ano, como sinalizamos, o relatório incluiu as doenças infecciosas.

 

  

Portanto, os cinco primeiros riscos por probabilidade são: 1. Eventos climáticos extremos; 2. Falha em agir sobre as mudanças climáticas; 3. Desastres ambientais causados pelo homem; 4. Doenças Infecciosas; 5. Perda da Biodiversidade. E entre os riscos por impacto, temos: 1. Doenças Infecciosas; 2. Falha em agir sobre as mudanças climáticas; 3. Armas de destruição em massa; 4. Perda de biodiversidade; 5. Desastres naturais.

Dos 30 riscos identificados, cinco são relacionados ao meio ambiente, sendo os riscos de curto prazo, com probabilidade de acontecer nos próximos dois anos: Eventos Climáticos Extremos e Desastres ambientais causados pelo homem. E de longo prazo, com probabilidade de acontecer entre cinco e dez anos: Perda da Biodiversidade, Crise dos Recursos Naturais e Falha em agir sobre as mudanças climáticas. Este último, inclusive, foi considerado o risco de maior preocupação global, seguido por Perda da Biodiversidade (5ª posição), Eventos Climáticos Extremos (8ª posição) e Desastres ambientais causados pelo homem (9ª posição). 

“Para mim, é a comprovação de que essa agenda (a de sustentabilidade) cada vez mais deixa de ser paralela, deixa de ser acessória. As pessoas, os profissionais, os executivos, as lideranças e os governos começam a entender que, de fato, a gente precisa olhar para o negócio não só mais do ponto de vista financeiro, mas um financeiro novo, que considere questões sociais e ambientais. E ter os riscos ambientais como os principais para a próxima década só comprova esse movimento”, comentou Favaretto.

A especialista ainda recomenda que as empresas brasileiras façam bom uso do relatório como ferramenta de trabalho para orientar planejamentos estratégicos, antecipar a materialização desses riscos e atuar como protagonistas de transformação dessa realidade. “Todo risco traz uma oportunidade”, conclui.

 

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Ekos Brasil agora faz parte do Sistema de Informação e Gestão de Áreas Protegidas e de Interesse Ambiental do Estado de São Paulo – SIGAP

Ekos Brasil agora faz parte do Sistema de Informação e Gestão de Áreas Protegidas e de Interesse Ambiental do Estado de São Paulo – SIGAP

A partir de janeiro o Instituto Ekos Brasil irá integrar o Conselho Consultivo do Sistema de Informação e Gestão de Áreas Protegidas e de Interesse Ambiental do Estado de São Paulo (SIGAP), por meio da Coordenadora de Relações Institucionais do Instituto, Ciça Wey de Brito. Sua primeira participação será durante a 6ª reunião extraordinária do colegiado, na qual serão tratados, principalmente, as minutas referentes ao Projeto de Concessão dos Parques Estaduais da Cantareira e do Alberto Löfgren, assim como a referente ao Relatório 2020. 

O Conselho é composto por nove membros, sendo três representantes do Governo Estadual, três da academia e três da sociedade civil, todos designados por atos específicos do Governador, a partir da indicação do Secretário de Infraestrutura e Meio Ambiente. Desde 24 de junho de 2014, seus trabalhos são divididos em quatro grupos de atuação. São eles: Pesquisa, monitoramento e bases de dados; Planos de Manejo; Sustentabilidade financeira de Unidades de Conservação; e Formação para Gestão de Áreas Protegidas. 

Sobre o SIGAP

O Sistema visa assegurar um meio ambiente ecologicamente equilibrado a partir do planejamento, da integração e da publicidade das ações do Poder Público. Além disso, age, complementarmente, como instrumento de informação e gestão das áreas protegidas paulistas, com destaque para as unidades de conservação (UC). Para isso, utiliza todas as informações disponíveis no Estado, incluindo aquelas produzidas pelo Instituto Virtual de Biodiversidade, também conhecido como “Programa Biota‐Fapesp”.  

Além das UC’s e suas respectivas zonas de amortecimento e corredores ecológicos, também atua nas Áreas de Preservação Permanente (APPs), e de Reserva Legal RL; Reservas da Biosfera; Áreas Úmidas; Áreas Naturais Tombadas; Áreas do Patrimônio Mundial Natural; Áreas de Cavidades Naturais Subterrâneas; Estradas‐Parque; Áreas sob Atenção Especiais do Estado em Estudo para a Expansão da Conservação da Biodiversidade (ASPE); Paisagem Cultural; Eco‐Museu; e Monumento Geológico.

 

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Coalizão de Alta Ambição para a Natureza e as Pessoas

Brasil demonstra desinteresse pela conservação e uso sustentável da biodiversidade ao ficar de fora da Coalizão de Alta Ambição para a Natureza e as Pessoas.

Brasil demonstra desinteresse pela conservação e uso sustentável da diversidade ao ficar de fora da “Coalizão de Alta Ambição para a Natureza e as Pessoas”.

Por Ciça Wey de Brito

 

Nosso país está mais uma vez indo na contramão do que pregam a ciência, os fatos e sua própria história recente ao não aderir ao “High Ambition Coalition (HAC) for Nature and People” (Coalizão de Alta Ambição para a Natureza e as Pessoas). Em Paris, no último dia 11, 30 chefes de Estado, empresários e representantes de ONGs participaram das discussões para a formalização da HAC. Entre eles estavam o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, o presidente do Banco Mundial, David Malpass, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a chanceler alemã Angela Merkel e o chefe de governo britânico, Boris Johnson.

Antes de demonstrar este desinteresse pela conservação e uso sustentável da diversidade biológica do planeta, o Brasil, já em outubro de 2020, havia se negado a assinar um compromisso voluntário para reverter a perda da biodiversidade por ocasião do Encontro das Nações Unidas pela Biodiversidade (United Nations Summit on Biodiversity, em inglês) quando líderes de 76 países, além das nações da União Europeia, assinaram um documento se comprometendo a reverter a perda de biodiversidade no mundo até 2030.

O Brasil, país que sediou a Eco-92, de onde saíram as Convenções de Diversidade Biológica (CDB), de Mudanças Climáticas e outros documentos importantes, que é um dos países megadiversos do planeta e que foi o país que mais contribuiu no âmbito da CDB com a meta de expansão de áreas protegidas no período entre – 2002 e 2010, se furtou a participar desta iniciativa global, que tem o objetivo de proteger a biodiversidade do planeta. A iniciativa liderada pela Costa Rica, Reino Unido e França tem o objetivo de deter o avanço da extinção de espécies e da degradação de ecossistemas e não exige qualquer contribuição financeira dos países que dela participam.

Os países que fazem parte da Coalizão de Alta Ambição para a Natureza e as Pessoas se comprometem a proteger, até 2030, pelo menos 30% das áreas terrestres e dos oceanos do planeta. Mas, nosso país, ao invés de assumir uma posição de liderança nas discussões e ações em prol da conservação e uso sustentável da biodiversidade, posição que possuía até 2018, não quis entrar na Coalizão. Nossa representação oficial se absteve participar do grupo de 51 países (até o momento), que reforçaram suas preocupações com proteção de 30% do planeta, que na visão deles pode melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, e criar milhões de empregos verdes e azuis de qualidade, ao mesmo tempo que cumprem a agenda de 2030.

O Brasil (ainda) tem muito a mostrar sobre o tema, resultado de trabalho de décadas de nossas agências públicas ambientais e de relações exteriores, da sociedade civil organizada e academia. Temos o maior programa de proteção de florestas tropicais do mundo, o ARPA (Áreas Protegidas da Amazônia), que apoia 117 UCs na Amazônia (tanto as de proteção integral como as de uso sustentável) desde 2002. Temos um robusto sistema de Unidades de Conservação com 2.446 unidades federais, estaduais ou municipais, que somam 250 milhões de hectares de áreas protegidas e que cobrem uma área equivalente a 18,15% do nosso território e 26,38% das nossas águas jurisdicionais.

Já fizemos muito, mas ainda falta muito a fazer. Por exemplo, todos os biomas brasileiros já perderam boa ou a maior parte de suas florestas: Pampa 54,2%; Mata Atlântica 93%; Cerrado 47,7%; Pantanal 15,4%; Caatinga 46,6% e a Amazônia legal 28%. O total das perdas das florestas desses biomas superam a mais de 500 milhões de hectares, sendo que só a área degradada no Brasil representa mais de 140 milhões de hectares. Devemos, por exemplo, melhorar a representatividade dos biomas brasileiros no Sistema de UC, e melhorar a efetividade de gestão das mesmas e valorizar de fato os serviços ambientais.

Poderíamos continuar a inspirar outros países a manter a diversidade de vida do planeta, temos experiência, conhecimento técnico e científico e história para tal. Sem a conservação das outras espécies, ecossistemas e os serviços ambientais, nós, seres humanos, pereceremos sem ganharmos nada a não ser a falsa ilusão de que com a destruição de nossas florestas, poluição de nossos rios e do ar que respiramos possamos nos considerar civilizados.

Enquanto as nações participantes da Coalizão se preparam para discutir alternativas, apoio e  financiamento ao longo dos próximos anos, buscando a gestão sustentável, definindo novas metas para a proteção da biodiversidade, e a efetividade de gestão das unidades de conservação, o Brasil “atual” continuará a brigar com seus moinhos de vento, e a perder oportunidades na área onde mais possui vantagens comparativas – sua biodiversidade.

 

Maria Cecilia Wey de Brito

Mestre em Ciências Ambientais

Engenheira Agrônoma

Relações Institucionais Instituto Ekos Brasil

Janeiro de 2021

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ecomudança

Conheça os vencedores do Ecomudança 2020

Conheça os projetos vencedores do Ecomudança 2020

Iniciativa do Banco Itaú em parceria com o Instituto Ekos Brasil, o Ecomudança seleciona projetos e negócios de impacto que promovem tecnologias sociais de baixo carbono e/ou práticas de adaptação às mudanças climáticas, aliadas à geração de renda e outros benefícios socioambientais para a comunidade.

Em 2020, recebemos mais de 500 inscrições e as iniciativas abaixo foram as vencedoras deste ciclo!

 

1. Ampliação e otimização da coleta e beneficiamento de materiais recicláveis por associações de catadores e catadoras em Manaus e Iranduba/AM. 

Modalidade: Manejo de Resíduos

Valor do apoio: R$91.803,84

Organização: Associação de Catadores de Recicláveis – Nova Recicla

Missão da organização: ampliar a coleta e otimizar o beneficiamento de materiais recicláveis, por meio da aquisição de equipamentos para duas associações: Nova Recicla, em Manaus, e Associação Nova Esperança, no município de Iranduba. Além do aumento da coleta e beneficiamento dos resíduos, o projeto busca trazer melhores condições de trabalho, reduzindo a vulnerabilidade dos beneficiários.

O projeto: A Nova Recicla é uma associação muito bem organizada, sendo referência na região. Atende em 10 bairros de Manaus e coleta resíduos de mais de 5.000 residências fixas.
A Nova Esperança é uma associação recente, com catadores que ainda recolhem os resíduos no lixão do município e expostos à condições de extrema vulnerabilidade. Dentre os equipamentos a serem comprados estão: dois triciclos, duas empilhadeiras, EPIs e uma esteira. Além dos equipamentos, o projeto prevê a realização de capacitações sobre diversos temas, incluindo a questão de gênero.

Metas: Ao total, serão beneficiados 50 catadores, sendo 25 de cada associação.
A previsão é um aumento de 50% na coleta e beneficiamento de resíduos por ambas as associações, e consequentemente, aumento de renda para as catadoras e catadores. A expectativa é de redução da emissão de 230 tCO2e por ano.

Este projeto contribui para os seguintes ODS:

 

2. Roças Agroflorestais Indígenas: mais carbono e alimentos para o Cerrado – Comodoro/ MT

Modalidade: Floresta

Valor do apoio: R$91.803,84

Organização: Associação de Jovens Indígenas Nambiquaras – AJINA

Missão da organização: garantir a segurança alimentar e geração de renda à famílias indígenas, por meio da implantação de 5 roças agroflorestais coletivas em 5 aldeias de duas terras indígenas: Nambikwara e Vale do Guaporé, promovendo técnicas agroecológicas alternativas ao desmatamento e a degradação do solo. Serão implantados 10 hectares de Sistemas Agroflorestais.

O projeto:  As Terras Indígenas estão envoltas pelo agronegócio e as aldeias sofrem grandes pressões tanto por esse setor, como pelo comércio de madeira ilegal. Nesse contexto, o projeto se apresenta como uma alternativa sustentável de geração de renda.
Em algumas aldeias, ainda são usadas práticas como corte e queima e uso de agrotóxico, o que também é um dos maiores causadores de incêndios da região. Diante deste cenário, o projeto prevê a implantação de 10 hectares de Sistemas Agroflorestais, a reativação de um viveiro de mudas e capacitações sobre técnicas agroecológicas e intercâmbio entre as aldeias para troca de conhecimento.

Metas: o projeto visa beneficiar 100 jovens indígenas das 5 aldeias, por meio da geração de renda em até 50%, além da disponibilidade de uma alimentação saudável e diversificada. Serão conservados 20 hectares de floresta nativa e recuperados 10 hectares por meio das agroflorestas. O projeto prevê a redução da emissão de 83 tCO2e por ano.

Este projeto contribui para os seguintes ODS:

 

LINHA DE APOIO À NEGÓCIOS DE IMPACTO

3. Valores múltiplos da Sociobiodiversidade do Cerrado – Goiânia/ GO

Categoria: Energia Renovável

Valor do apoio: R$91.803,84

Organização: COOPCERRADO

Objetivo: Aproveitar os resíduos de frutos do cerrado (baru, jatobá e outros) como biomassa vegetal em substituição ao coque de petróleo em indústrias cimenteiras, mitigando emissões de CO2 e outros gases de efeito estufa gerados pela queima de combustíveis fosseis.

O recurso será utilizado na compra de equipamentos que otimizam o trabalho de beneficiamento dessa biomassa, como: trator e triturador de resíduos de babaçu e jatobá.

Impactos esperados: incentivo a uma produção de energia limpa através do uso da biomassa como alternativa ao coque de petróleo; destinação adequada e sustentável dos resíduos dos frutos do cerrado; aumento de renda para cerca de 1.000 extrativistas e agricultores.

Principais atividades:

  • Compra de equipamentos
  • Capacitações

Metas:

Este modelo de negócio se destaca por contribuir de forma relevante para os seguintes Objetivos do Desenvolvimento Sustentável:

 

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Ekos Brasil integra Rede Brasil do Pacto Global ONU, maior inciativa voluntária de cidadania corporativa do mundo 

Ekos Brasil passa a integrar a Rede Brasil do Pacto Global ONU, a maior inciativa voluntária de cidadania corporativa do mundo 

O Instituto Ekos Brasil acaba de ingressar na Rede Brasil do Pacto Global, iniciativa da Nações Unidas (ONU) para mobilizar a comunidade empresarial na adoção e promoção, em suas práticas de negócios, de Dez Princípios universalmente aceitos nas áreas de direitos humanos, trabalho, meio ambiente e combate à corrupção. Com a criação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o Pacto Global também assumiu a missão de engajar o setor privado nesta nova agenda.

Criado em 2000, o Pacto Global foi idealizado pelo ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan e dá aos membros acesso a ferramentas que contribuirão para ampliar o envolvimento da empresa/organização com os temas de sustentabilidade e com as discussões na área. Também possibilita a participação em programas locais e internacionais, dentre os quais os grupos temáticos que conduzem projetos nas áreas de Água, Alimentos e Agricultura, Anticorrupção, Direitos Humanos e Trabalho, Energia e Clima e ODS. Com mais de 15 mil participantes em quase 170 países, a iniciativa conta com mais de 1100 membros no Brasil, país que possui a terceira maior rede no mundo.

Ao integrar o Pacto Global nos comprometemos a reportar periodicamente o nosso progresso em relação aos 10 princípios.  Assim, a iniciativa estimula a evolução constante das práticas internas de sustentabilidade. As empresas que quiserem fazer parte, podem encontrar mais informações em www.pactoglobal.org.br

Entre em contato conosco e venha fazer parte desta rede. 

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Instituto Ekos Brasil propõe programa para manejo sustentável de aquífero profundo em Jurubatuba, em São Paulo. Se bem sucedido, pode ser aplicado a outras regiões metropolitanas do País

Instituto Ekos Brasil propõe programa para manejo sustentável de aquífero profundo em Jurubatuba, em São Paulo. Se bem sucedido, pode ser aplicado a outras regiões metropolitanas do País

 

Por: Ana Cristina Moeri, Olivier Maurer e Sander Eskes*

Artigo originalmente publicado na Página 22

 

[Foto: Indústrias instaladas na região de Jurubatuba. Hamilton Furtado/ Wikimedia Commons]

A crise hídrica que atingiu o estado de São Paulo entre os anos de 2014 e 2015 é um fantasma que invariavelmente volta para assombrar a população e as autoridades nos meses de verão. À época, especialistas apontavam que situações de estresse hídrico seriam cada vez mais recorrentes devido à mudança climática. Apesar desse cenário, o uso das águas subterrâneas para o abastecimento público ainda é pouco explorado, tendo desempenhado um papel irrelevante durante a crise hídrica. Estudos apontam um potencial bastante significativo para a exploração dos aquíferos da Região Metropolitana de São Paulo, mas seu uso depende do enfrentamento coletivo de problemas ambientais.

É o caso do aquífero cristalino profundo, que se estende por uma grande área na Região Metropolitana de São Paulo e sofre com problemas de contaminação, principalmente na região de Jurubatuba, na Zona Sul da capital paulista. A região se caracteriza por uma forte atividade industrial a partir da segunda metade do século passado, apresentando densa urbanização com poucas áreas de mata e campo preservadas e um histórico de contaminação de água subterrânea por diversas fontes. Por outro lado, é uma das regiões com uma das maiores extrações de água subterrânea da Bacia do Alto Tietê.

O período mais intenso de contaminação na região de Jurubatuba ocorreu, principalmente, entre as décadas de 1980 e 1990, com a liberação de solventes clorados no solo, que acabaram contaminando as águas subterrâneas mais rasas e o aquífero profundo do local. A partir disso, muitos estudos foram e continuam sendo realizados para detectar o grau de contaminação. É uma tarefa de grande complexidade, pois se trata de um aquífero fraturado, ou seja, um tipo de reservatório subterrâneo em que a água se move pelas fraturas das rochas. Em paralelo, o Ministério Público Estadual já entrou com diversas Ações Civis Públicas exigindo a descontaminação por parte das indústrias instaladas na região à época.

Para enfrentar o problema, o Instituto Ekos Brasil, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), propôs a criação de fundo privado especialmente desenhado para a implementação do Programa Regional de Manejo Sustentável do Aquífero Profundo em Jurubatuba, com mecanismos financeiros que permitam a aplicação de contribuições pelos responsáveis legais por um período limitado. Seu escopo técnico define como objetivo a busca de uma solução pragmática e boa para todos, significando um programa regional eficaz de baixo custo.

O Programa Regional estrutura-se em quatro pilares: 1) criação e manutenção de um banco de dados, reunindo os dados de monitoramento do aquífero profundo de várias fontes, 2) desenvolvimento de ferramentas de apoio à tomada de decisões para os órgãos públicos –  entre os quais Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee), Ministério Público – e outras partes interessadas para possibilitar o manejo do aquífero profundo como uma reserva estratégica ou emergencial, 3) participação dos responsáveis legais em um acordo coletivo e 4) aumento da disponibilidade local de água subterrânea para os atuais e futuros usuários de poços outorgados.

Entre as principais metas do Plano Regional estão garantir maior disponibilidade de água subterrânea, reduzir as restrições de bombeamento e conquistar melhoria gradativa da qualidade regional da água subterrânea com menor risco de exposição da população.

O trabalho será organizado em quatro frentes: prevenção e proteção, monitoramento regional do aquífero profundo, controle hidráulico e acompanhamento das intervenções em áreas fontes e plumas rasas e realizado por prestadores de serviços contratados por meio de processos de licitação. O compartilhamento de recursos e informações entre os participantes do programa resultará em uma abordagem mais rápida, eficaz e econômica para melhorar a qualidade do aquífero profundo.

Um dos resultados positivos esperados é que o programa contribua para a resolução dos conflitos jurídicos existentes, substituindo-os por um acordo coletivo, oferecendo assim maior segurança jurídica para as empresas participantes. O acordo coletivo também prevê o comprometimento dos participantes do programa regional de intervir nas áreas fontes (instalação ou material a partir dos quais os contaminantes se originam e são liberados para os meios impactados) e plumas rasas (pluma formada por compostos dissolvidos na água subterrânea de até 30 metros de profundidade) para que haja uma redução no fluxo de massa de contaminantes para o aquífero profundo.

A criação desse programa, discutida há meses, foi formalmente apresentada a representantes do estado e do município de São Paulo, de consultorias especializadas, do Ministério Público, de universidades e de ONGs durante o XII Seminário Ekos Brasil, realizado no fim de outubro. As reuniões contaram com a participação efetiva de representantes da Cetesb, do Daee e do Ministério Público do Estado de São Paulo, entre outros.

Ainda que existam iniciativas similares no estado de São Paulo, coordenadas pela Cetesb, esta é a primeira vez que se propõe a criação de um programa focado especificamente em melhorar a qualidade da água subterrânea do aquífero profundo. Jurubatuba será o projeto-piloto desenhado a muitas mãos, envolvendo todos os atores sociais, políticos e econômicos relevantes para seu sucesso.

A partir de seu êxito, o mesmo conceito poderá ser aplicado em outras regiões metropolitanas. A proteção, o monitoramento, a reutilização e o manejo das águas subterrâneas urbanas como uma reserva estratégica ou emergencial pode ajudar a mitigar uma crise hídrica no futuro, proporcionando melhor perspectiva de segurança de abastecimento hídrico para a sociedade.

*Ana Cristina Moeri é diretora-presidente do Instituto Ekos Brasil. Mestre em Geografia pela Universidade de Zurique, Suíça; Olivier Maurer é PhD em Geologia de Engenharia na École des Ponts et Chaussées, Paris; e Sander Eskes é doutor em Engenharia Ambiental pela Escola de Engenharia de São Carlos (EESC/USP).

Mosaico Sertão Veredas-Peruaçu: protagonista do desenvolvimento sustentável 

Mosaico Sertão Veredas-Peruaçu: protagonista do desenvolvimento sustentável 

Mosaico Sertão Veredas Peruaçu

Mosaico no “dicionário ambiental” significa uma área composta por diferentes unidades de conservação próximas, justapostas ou sobrepostas, além de outras áreas protegidas, sejam elas públicas ou privadas.   

A história do Instituto Ekos Brasil se cruza com um dos 17 mosaicos de áreas protegidas reconhecidos pelo governo federal existentes no Brasil. Como parceiros e apoiadores do ICMBio na administração, logística e gestão socioambiental do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, em Minas Gerais, temos também uma estreita ligação com o Mosaico Sertão Veredas-Peruaçu (MSVP). 

O MSVP é composto por 38 áreas protegidas: onze delas constam na portaria do Ministério do Meio Ambiente que reconheceu o Mosaico em 2009; outras 17 foram incorporadas por meio de proposições aprovadas no Conselho do Mosaico; e ainda 2 terras indígenas e 8 RPPNs – Reserva Particular do Patrimônio Natural. 

Localizado no norte e noroeste de Minas Gerais, sudoeste da Bahia e sudeste de Goiás, o Mosaico Sertão Veredas-Peruaçu está na transição entre dois biomas, o Cerrado e a Caatinga, guardando também manchas de floresta estacional ou Mata Seca. Por isso, é detentor de uma riqueza natural inigualável. Além disso, o território do Mosaico Veredas-Peruaçu faz parte da região dos Gerais, retratada de forma ímpar por Guimarães Rosa, que descreveu a riqueza cultural dos povos e comunidades tradicionais da região e seu cotidiano associado ao rico ambiente natural. 

Como conservar uma região tão vasta e tão importante para a sociobiodiversidade?

O documento que busca  a gestão integrada dessas Unidades de Conservação e elaborado pelo ecossistema de organizações que atuam no território é  o Plano Territorial de Base Conservacionista, elaborado em 2010 e atualizado em 2019, com coordenação da Funatura e financiado pelo CEPEF. De acordo com esse plano, a gestão do território deve levar em consideração 6 eixos de atuação com o objetivo de promover o desenvolvimento da região em bases sustentáveis e integrado ao manejo das unidades de conservação e demais áreas protegidas.

Turismo sustentável, extrativismo vegetal racional, agroecologia, agropecuária sustentável, conservação dos recursos hídricos e gestão integrada são os grandes eixos temáticos tratados no plano.  

Podemos dizer que, em termos de Brasil, o Mosaico Sertão Veredas-Peruaçu é protagonista, dentre os outros mosaicos, de iniciativas sustentáveis já bem estruturadas.

No que diz respeito ao Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, já presenciamos um amplo envolvimento da comunidade com o parque, que agora, além das atividades agropecuárias tradicionais na região, enxerga na conservação da natureza uma importante fonte de geração de renda a partir do turismo sustentável. Este ano, inclusive, a região ganhou um novo projeto nesse sentido, o “Acelerando o turismo sustentável no vale do Peruaçu”, uma parceria do Instituto Ekos Brasil com o Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, na sigla em inglês).

Além do incentivo ao turismo sustentável de forma estrutural, o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu também se destaca por ser uma das poucas Unidades de Conservação brasileiras detentoras de um Plano de Manejo, desenvolvido pelo Instituto Ekos Brasil, e que orienta o desenvolvimento sustentável na área do parque. 

Por fim, citamos também o acordo de Cooperação entre o Instituto Ekos Brasil e o ICMBio que proporcionou ao Parque um acompanhamento profissional e orientado da construção da sua infraestrutura, como o centro de visitantes e trilhas. 

[su_box title=”Veja o significado de Mosaico” box_color=”#6094a1″ title_color=”#ffffff”]

De acordo com lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), é reconhecido um mosaico “quando existir um conjunto de unidades de conservação de categorias diferentes ou não, próximas, justapostas ou sobrepostas, e outras áreas protegidas públicas ou privadas, constituindo um mosaico, a gestão do conjunto deverá ser feita de forma integrada e participativa, considerando-se os seus distintos objetivos de conservação, de forma a compatibilizar a presença da biodiversidade, a valorização da sociodiversidade e o desenvolvimento sustentável no contexto regional”.

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) é responsável por reconhecer mosaicos, a pedido dos órgãos gestores das UC, conforme as diretrizes da  Portaria nº 482 de 14 de dezembro de 2010.

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Saiba mais sobre o Peruaçu. 

Acesse: fundoperuacu.ekosbrasil.org

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Gestão das emissões de carbono: três empresas e suas ações por uma agenda climática positiva

Os riscos ambientais e econômicos relacionados às mudanças climáticas começam a ocupar, cada vez mais, as agendas estratégicas do setor privado. E o cenário crescente de acordos, regulações e mecanismos de precificação, que não é exclusivo ao Brasil, proporciona oportunidades para que as empresas evoluam não apenas a compreensão, como também a gestão das suas emissões de carbono.

De acordo com Thiago Othero, coordenador de projetos do Instituto Ekos Brasil, existem quatro pilares principais para que as instituições estejam preparadas para tratar as emissões de ponta a ponta em suas cadeias produtivas: mensurar e divulgar suas emissões; ter um objetivo de redução e adotar um plano transitório para uma economia de baixo carbono; realizar investimentos financeiros para reduzir, mitigar e zerar emissões; além de influenciar e educar o mercado a seguir os mesmos passos.

No Brasil, temos alguns exemplos de empresas já seriamente comprometidas com a gestão das emissões e com estratégias bem maduras. Três delas, que são apoiadoras institucionais do programa Compromisso com o Clima, compartilharam em evento on-line organizado pelo programa, suas principais iniciativas com a agenda das mudanças climáticas. O evento contou com cerca de 90 participantes e teve como tema: “Gestão das Emissões de Carbono: da teoria à prática”. Você pode assistir à transmissão completa aqui.

Lojas Renner

A trajetória da varejista com a gestão de suas emissões de carbono teve um marco inicial em 2010, quando realizaram o primeiro inventário de emissões. De lá pra cá, a empresa já adotou uma série de medidas de redução e mitigação, dentre elas, o uso de fontes de energia renovável e de baixo impacto, além da meta de reduzir suas emissões absolutas de Gases de Efeito Estufa em 20%, com base no inventário de 2017.

Eduardo Ferlauto, gerente sênior de sustentabilidade das Lojas Renner, também destacou o projeto Produção Mais Limpa, uma série de ações de engajamento com os fornecedores para que também eles protagonizem e elevem os seus padrões de performance ambiental.

Eduardo enfatizou o a importância de iniciativas como o Programa Compromisso com o Clima, que promovem cooperação e colaboração entre as empresas, como essenciais para construir uma agenda climática positiva. “O ambiente de troca e boas práticas com todos os parceiros que conseguimos construir dentro do programa está gerando muito aprendizado e fortalecendo muito a nossa visão de futuro para uma estratégia de mudanças climáticas”, completou.

MRV

A MRV desenvolve um trabalho em relação às mudanças climáticas a partir de um plano mais amplo em prol dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU. Reconhecendo a importância da Ação Climática (ODS 13) para o seu negócio, a MRV iniciou uma série de ações para gerenciar suas emissões, desde o canteiro de obras até o relacionamento com o cliente final.

Assim como a Renner, a empresa também vem trabalhando o engajamento dos fornecedores para que se comprometam com a economia de baixo carbono. Atualmente, cerca de 97% das emissões da MRV são provenientes dos seus fornecedores, o que demonstra a importância de olhar para toda a cadeia produtiva e não apenas para dentro da própria empresa.

“Temos uma responsabilidade muito grande com esses fornecedores e com a nossa cadeia, de não só conscientizar, mas ver novas viabilidades de projetos, processos, inovações e assim por diante”, comentou Thais Morais, especialista em sustentabilidade na MRV.

Itaú

O Banco Itaú é um dos protagonistas do Programa Compromisso com o Clima e na ocasião, Isabela Aroeira, do Squad de Finanças Climáticas da organização, destacou justamente a participação no programa como uma de suas ações na gestão de carbono, facilitando, de maneira inovadora, a seleção dos projetos para compensação.

Dentre os benefícios do programa, Isabela sinalizou a importância das avalições técnicas e jurídicas, realizadas respectivamente pelo Ekos Brasil e pelo escritório de advocacia Mattos Filho, que também apoia o Compromisso com o Clima. Na visão da empresa, essas avaliações reduzem o risco da compra dos créditos de carbono, dando tranquilidade para a escolha dos projetos e trazendo celeridade ao processo de compensação.

Acesse os materiais institucionais do evento, neste link.

O Instituto Ekos Brasil busca novos apoiadores que também desejam aprimorar suas estratégias de mudanças climáticas. Se a sua empresa tem interesse no Programa, entre em contato.


 

 

 

 

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Perspectivas de mercado e do setor privado sobre mecanismos de baixo carbono

A rede de organizações integrantes do Programa Compromisso com o Clima promoveu, na última quinta-feira, 22, a terceira edição da série de encontros Diálogos sobre a nova economia, dessa vez totalmente online

No webinar, especialistas e gestores das empresas apoiadoras comentaram sobre as tendências de mercado e sobre como as organizações estão reforçando seus compromissos com a sustentabilidade. O webinar teve abertura de Ana Moeri, Presidente do Instituto Ekos Brasil, que relembrou brevemente o histórico do Programa e o quanto este avançou nos 3 anos de sua existência. 

Na sequência, Gustavo Fontenele, do Ministério da Economia, destacou os avanços realizados no âmbito do projeto PMR (Project for market readiness) Brasil. 

Segundo Gustavo, o PRM Brasil busca fornecer informações para determinar se a precificação de carbono deveria ser implementada no Brasil, e sob qual formato. O Projeto está se aproximando do seu término, após passar por diversas etapas nas quais foram realizados estudos setoriais para avaliar a política e a modelagem de impactos da precificação de carbono, além das consequências da precificação na economia e no marco regulatório. 

Gustavo destacou ainda que os estudos permitiram identificar algumas vantagens de se adotar um modelo de mercado (Sistema de Comércio de Emissões), como a custo-efetividade, a flexibilidade, a transparência e o fomento à novos negócios que consigam identificar vantagens competitivas com a nova regulação.

O evento teve sequência com um painel de troca de experiências, que foi moderado por Denise Hills, Diretora Global de Sustentabilidade da Natura e contou com a participação de João Carlos Redondo, Diretor de Sustentabilidade da RaiaDrogasil, Viviane Otsubo Kwon, advogada especializada em Direito Ambiental, Mercado de Ativos Ambientais e Sustentabilidade do Mattos Filho Advogados e Thiago Othero, Coordenador de Projetos do Ekos Brasil. 

Viviane evidenciou o compromisso da Mattos Filho em neutralizar suas emissões até 2050 e como o Compromisso com o Clima se encaixa na estratégia da organização por ser complementar ao trabalho que era feito internamente. Segundo a advogada, a Mattos Filho realizava a avaliação jurídica dos projetos que apoiava, mas faltava uma avaliação técnica, que agora é uma das competências do Ekos Brasil. Viviane mencionou também que o ambiente de colaboração entre os apoiadores é outro aspecto positivo da participação no Programa. 

Questionada por Denise Hills sobre como os projetos candidatos são avaliados no Programa, Viviane citou alguns dos critérios analisados, como a titularidade dos créditos de carbono, a conformidade legal das organizações responsáveis pelo projeto e a ausência de dupla contagem das reduções de emissões geradas. E destacou que a avaliação jurídica da Mattos Filho busca fornecer recomendações para que os apoiadores entendam e evitem alguns riscos de cada projeto, o que é muito importante, pois não existem situações de risco zero.  

Já João Carlos Redondo, da RaiaDrogasil, compartilhou como a temática de mudanças climáticas foi incorporada na gestão das operações da empresa. Segundo João, a operação da empresa não é intensiva em emissões, mas quando se considera todas as unidades da organização e suas operações de distribuição, a escala de emissões e o potencial de redução é considerável. 

E acrescentou que a RaiaDrogasil tem o compromisso de trabalhar para reduzir seus impactos quanto a  resíduos, energia e emissões. Internamente, inclusive, a empresa busca soluções para otimizar a climatização e iluminação de suas unidades, responsáveis por boa parte das emissões e do consumo de energia. 

A compensação de emissões permite lidar com o impacto das emissões remanescentes e, nesse aspecto, a adesão ao Compromisso com o Clima foi positiva, já que organizar uma estrutura interna de avaliação e seleção dos projetos seria muito complexo. Segundo João, a participação no Programa trouxe segurança à organização, pois há competência técnica dos responsáveis e um ambiente de colaboração com os demais apoiadores.

Ao final do painel, Thiago Othero, do Instituto Ekos Brasil, apresentou as principais atividades do Programa, centradas na avaliação e seleção de projetos e na operação da Plataforma Ekos Social, onde as informações dos são facilmente acessíveis aos apoiadores institucionais. Além disso, Thiago comentou sobre o ambiente de colaboração entre o Ekos Brasil e os apoiadores e sobre como o Programa vem buscando fomentar novos tipos de projeto de forma coletiva.

Após o painel foi a vez de Caio Gallego, Coordenador de Projetos REDD+ da Biofílica, comentar sobre os desafios de promover a conservação da Amazônia e a importância do mercado voluntário de carbono. Segundo Caio, a Biofílica, que vem atuando desde 2008, passou por muitas fases ao longo de sua existência. No início, um papel importante da empresa era de explicar o mercado e buscar o engajamento, tanto dos potenciais compradores quanto dos proprietários de áreas que poderiam ser conservadas. 

À época, não havia uma clareza sobre o potencial real de mercado do REDD+, mas a Biofílica decidiu investir nesta agenda e avançou no desenvolvimento de projetos. Atualmente, os projetos da Biofílica apresentam impactos socioambientais relevantes, ajudando na preservação de 1,37 milhão de hectares. Caio comentou ainda sobre outros impactos positivos do Projeto de REDD+ Manoa, como conter o desmatamento na região, preservar a biodiversidade e promover ações de capacitação e educação ambiental na região do projeto, que está localizado no Norte do Estado de Rondônia 

Depois de passar por longos ciclos de desenvolvimento do projeto, a Biofílica encontra-se hoje em um ambiente de negócios mais favorável, no qual existe uma boa demanda pelos créditos de carbono de seus projetos. Segundo Caio, o desafio agora é garantir uma oferta para os próximos anos, o que será poderá ser feito pela expansão de seu portfólio de projetos. 

Ao final do evento, Gleice Donini, Superintendente de Sustentabilidade da B3, agradeceu a participação de todos, e comentou sobre o papel da B3 de engajar o setor privado no tema da responsabilidade climática. 

Para conhecer mais detalhes sobre o que foi apresentado, você pode assistir a gravação do webinar na página da TVB3 e baixar os materiais apresentados neste link.

Dia do Consumo Consciente: entenda e calcule sua pegada ecológica

Dia do Consumo Consciente: entenda e calcule sua pegada ecológica

O dia 15 de outubro marca uma data muito importante para o mundo atual, o Dia do Consumo Consciente. A celebração foi instituída no Brasil pelo Ministério do Meio Ambiente no ano de 2009 como uma forma de chamar a atenção para os perigos da produção e consumo exagerados que fazem parte do modo de vida da sociedade contemporânea. Afinal, muitos dos problemas sociais, econômicos e ambientais têm origem ou são influenciados pelo consumismo.

Uma das questões centrais desta data é o ensino de uma economia sustentável, além do conhecimento sobre o que a cadeia produtiva e a compra de um bem representam. A conscientização sobre os efeitos das ações humanas para a natureza é uma das melhores formas de começar uma verdadeira mudança na cultura e nos hábitos de consumo.

Exemplo disso é conhecer o que implica a produção de um bem, sejam os recursos hídricos utilizados ou o quanto de carbono é gerado para a realização de um serviço. É apenas tendo a noção das consequências de cada objeto ou ação que é possível trabalhar para diminuir a utilização de materiais tóxicos e a emissão de poluentes, além de facilitar essa luta ao incluir a pressão da própria sociedade para que mudanças sejam feitas.

Outro ponto importante é que o consumo consciente implica que cada pessoa, individualmente, pode ajudar a minimizar o impacto da atividade humana no planeta. Por meio de ações voluntárias e cotidianas, como o planejamento de compras por necessidade e não por simples impulso, a reciclagem e a valorização de empresas que tenham responsabilidade social e ecológica, é possível que cada um diminua a sua própria pegada ecológica e os danos ao meio ambiente.

O impacto de cada um e o caminho para a sustentabilidade

Mas para que isso realmente funcione é preciso entender qual é o papel do indivíduo na crise ambiental. A ideia de que cada um tem responsabilidade sobre a emergência climática e que pode ajudar a combater a degradação da natureza já tem décadas. Foi em 1996 que o cálculo da pegada ecológica foi teorizado, levando em conta os hábitos diários da população e a utilização de recursos naturais para descobrir o impacto ambiental da vida humana na Terra.

Nesse sentido, elementos como a alimentação, transporte, energia e bens e serviços utilizados têm um impacto no meio ambiente. Principalmente quando as pessoas fazem uso desses recursos mais do que seria necessário para manter uma boa qualidade de vida. Consumismo, desperdício e mal-uso de qualquer produto representam a exploração predatória do planeta.

Seja em quantos litros de água são usados para a produção de uma calça jeans – cerca de dez mil litros – ou até no material que não é reciclado, em tudo há um preço para a natureza. É por isso que o dia 15 de outubro busca conscientizar as pessoas sobre o consumo consciente. Se cada um utilizar apenas o necessário e preservar os recursos naturais, esses efeitos podem ser minimizados ou até mesmo criar repercussões positivas.

Esse é o momento ideal para se refletir sobre o que é possível mudar no dia a dia para que a sociedade consiga se aproximar cada vez mais da sustentabilidade e da convivência em harmonia com a natureza.

E para facilitar esse processo de alteração de hábitos, é possível conhecer qual é a sua pegada ecológica com a calculadora desenvolvida pela ONG WWF-Brasil (World Wide Fund for Nature). Faça o cálculo e descubra o que você pode mudar e quais práticas pode adotar de agora em diante para colaborar com o planeta e a vida de todos.


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