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    “Peruaçu ainda mantém populações numerosas de espécies (de aves) raras e ameaçadas de extinção”.

    “Peruaçu ainda mantém populações numerosas de espécies (de aves) raras e ameaçadas de extinção”.

    Entrevistamos o ornitólogo Wagner Nogueira para conhecer a profissão, seus desafios e sua experiência no estudo das aves do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu. Confira na íntegra.

     

    EKOS: Conte para nós como surgiu sua paixão pelas aves e como você se tornou ornitólogo.

    Wagner. Acho que nasci biólogo. Desde que me entendo por gente era fascinado por qualquer tipo de bicho e por natureza em geral. Gostava mais de documentários da BBC do que qualquer desenho. O interesse pelas aves especificamente começou de forma não muito saudável, com as espécies criadas em cativeiro. A motivação era tê-las por perto, entende-las, mas isso me levou a cria-las em cativeiro durante boa parte da infância.  Mas foi só no fim da graduação que eu entendi que dava pra usar as aves para entender e mudar o mundo ao meu redor. Isso aconteceu quando, por influência de um amigo, comecei a estagiar no laboratório de Ornitologia do Museu de Ciências Naturais da PUC Minas. Nosso projeto consistia no monitoramento da avifauna do Instituto Inhotim. Em paralelo me envolvi com um grupo de observadores de aves em Belo Horizonte e participei da fundação da ONG ECOAVIS.

    EKOS: Poderia nos dizer a importância do trabalho do ornitólogo?

    Wagner. As áreas de atuação do ornitólogo são quase tão variadas quanto as áreas de conhecimento da biologia. Num gradiente que vai desde inventários e monitoramentos de aves até neurociência e cognição, passando por fisiologia, anatomia e uma infinidade de outros temas. Isso porque ser ornitólogo, por definição, é ter aves como objeto de estudo. Mais comumente o termo é utilizado para se referir aos ornitólogos de campo, que vão estudar as aves na natureza e acabam se especializando em sua identificação, distribuição, ecologia e história natural. Mesmo considerando essa definição mais restrita e frequente de ornitólogo, o trabalho desses profissionais tem implicações que vão muito além da ornitologia. Nos ajudam a entender os padrões de distribuição da biodiversidade e os processos por trás disso. Revelam como as alterações que provocamos nos ambientes naturais afetam a biodiversidade que habita nesses locais e podem nos ajudar a tomar decisões mais acertadas para a conservação da biodiversidade como um todo.

    EKOS: Quais pesquisas você está realizando no momento?

    Wagner. No momento a maior parte do meu tempo é dedicada ao meu projeto de mestrado, que é a revisão taxonômica de uma espécie de ave que vive em quase todo o leste da América do Sul, o arapaçu-grande (Dendrocolaptes platyrostris). Isso quer dizer que estou investigando se o que tratamos hoje como uma única espécie é mesmo só uma espécie ou se existem populações que merecem ser separadas em espécies à parte.

    Em paralelo também participo de um projeto que pretende aprofundar mais nosso conhecimento sobre a avifauna das Florestas Deciduais da bacia do rio São Francisco, as chamadas “Matas Secas”. São florestas que perdem todas as folhas durante a estação seca e que tem uma fauna e uma flora muito peculiares e adaptadas a este ambiente de extremos.  As Matas Secas têm uma identidade controversa, sendo consideradas por alguns como uma fitofisionomia da Mata Atlântica, por outros como sendo parte do Cerrado ou ainda como um componente da Caatinga.

    Cara Dourada | Foto: Wagner Nogueira

    EKOS: Como você avalia a situação das aves em relação às queimadas atuais na Amazônia, no cerrado e no pantanal?

    Wagner. Acho que a gente precisa começar falando que o fogo não é um elemento natural nas florestas tropicais. Ao contrário do que acontece no Cerrado, onde a fauna e a flora apresentam adaptações para lidar com ele, a biodiversidade da Amazônia, da Mata Atlântica e outras formações florestais, sofre perdas irreversíveis com a passagem do fogo. E mesmo no Cerrado, a época de ocorrência, periodicidade e extensão das áreas afetadas é muito diferente do que se observaria com o regime de queimadas de origem natural.

    É um problema afeta não somente as aves, mas a biodiversidade como um todo e inclusive tem reflexos direto na vida das pessoas, pois a perda de cobertura florestal nessas regiões tem impactos diretos no clima e no regime de chuvas.

    Além disso, o fogo nas florestas geralmente é precedido pelo corte seletivo da madeira de alto valor comercial e na sequência vem a supressão vegetal completa para abrir lugar para monoculturas e pastagens. Dessa forma, o fogo não pode ser encarado como um elemento isolado, ele é parte de um processo de descaracterização completa dos ambientes.

    EKOS: Que ações poderíamos adotar para proteger e melhorar as condições de conservação das aves no Brasil? Você acredita na prática de birdwatching como uma atividade aliada à conservação das espécies?

    Wagner. Acho que um ponto crucial seria frear a supressão dos ambientes naturais. Praticamente todas as espécies de aves brasileiras que se encontram extintas ou ameaçadas de extinção estão nessa situação por conta da perda de seus habitats. Fragmentos muito pequenos, descaracterizados e muito isolados podem até conseguir manter espécies sensíveis por algum tempo, mas nos médio e longo prazos elas acabam por se extinguir regionalmente. Se o panorama se repete ao longo de toda sua distribuição, o resultado pode ser a extinção completa.

    A observação de aves pode ser uma ferramenta importante nesse processo, pois atua tanto fornecendo uma alternativa de geração de renda com a floresta de pé, quanto sensibilizando as pessoas para uma riqueza biológica que muitas vezes é desconhecida até mesmo pela população local.

    Maria Preta do Nordeste | Foto: Fernanda Fernandes

    EKOS: Nos conte um pouco sobre birdwatching no Peruaçu, quais espécies podem ser observadas por lá e suas especificidades, curiosidades.

    Wagner. O Peruaçu ainda mantém populações numerosas de espécies raras e ameaçadas de extinção, especialmente as que são associadas às Matas Secas do rio São Francisco, como o arapaçu-do-nordeste, o arapaçu-wagler, o cara-dourada, o piolhinho-do-grotão e a maria-preta-do-nordeste. Além disso a região é o melhor local na atualidade para se observar o bacurau-do-são-francisco, uma espécie noturna que só existe na bacia do rio São Francisco. Lá também é possível encontrar espécies exclusivas da Caatinga, como o bico-virado-da-caatinga, o joão-chique-chique e o torom-do-nordeste.

    E não dá pra deixar de citar os atrativos espeleológicos e arqueológicos do Peruaçu, que valeriam a viagem por si sós!

    1. Que mensagem você daria aos jovens estudantes de biologia ou áreas afins que pretendem seguir carreira no estudo de aves?

    Wagner. Usem a tecnologia a seu favor. Atualmente, dá pra aprender muito na internet sobre basicamente tudo. Portais como o WikiAves, xeno-canto e Ebird proporcionam acesso a milhões de mídias que podem auxiliar no aprendizado sobre identificação, distribuição, ecologia e história natural das espécies. Artigos técnicos sobre os mais variados temos também podem ser acessados virtualmente e fornecer uma bagagem teórica a qualquer pessoa. Além disso, os pesquisadores brasileiros que trabalham com aves são, em geral, muito acessíveis e podem ser contatados até mesmo por suas redes sociais.

    Para aqueles que tiverem oportunidade, visitar coleções e laboratórios de pesquisa também pode ser uma ótima oportunidade de conhecer sobre o que eles se desenvolvem e talvez se inserir em projetos de pesquisa e trabalhos de campo.

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    Sustentabilidade financeira em Unidades de Conservação: o caso do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu

    Sustentabilidade financeira das Unidades de Conservação: o caso do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu e o Instituto Ekos Brasil

     

    Por:

    Maria Cecilia Wey de Brito (Relações Institucionais),

    Iago Paniza Rangel (Gestor Ambiental)

    Ana Cristina Moeri (Diretora Presidente) –

    Instituto Ekos Brasil

     

    Em 2017, após desenvolver por 15 anos várias atividades no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu (PNCP), criado em 1999, o Instituto Ekos Brasil participou de uma chamada pública e assinou um acordo de cooperação com o ICMBio, com duração de 5 anos. A partir de então, atuamos no parque com ações administrativas e logísticas executando o Programa de Uso Público da UC, previsto em seu Plano de Manejo, e também apoiamos  atividades de gestão socioambiental, de acordo com um Plano de Trabalho definido Ekos Brasil e ICMBio.

    A boa notícia é que em apenas 3 anos, o número de visitantes ao Parque mais que dobrou. Se em 2016 foram 3.996 visitantes/ano, em 2019 chegamos em 9.337 visitantes/ano. Uma vitória, certamente.

    Porém, mesmo com esse crescimento, o modelo de concessão ainda não é viável economicamente. Uma realidade comum a maioria dos parques que não atingem um número considerável de visitantes.

    Por isso, fomos em busca de novas oportunidades específicas para o futuro da sustentabilidade financeira do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu.

    O estudo

    Com apoio da UICN (União Internacional para a Conservação da Natureza), o Instituto Ekos Brasil desenvolveu, no final de 2018, a “Análise de oportunidades e proposta de modelos de negócios e parcerias para a sustentabilidade financeira do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu/MG”. O estudo embasou arranjos legais para o aproveitamento sustentável das potencialidades econômicas do Parque, com melhoria das atividades de uso público e da conservação da biodiversidade, gerando benefícios sociais e econômicos para o entorno e considerando também o período pós acordo de cooperação.

    Junto a possíveis parceiros, desenhamos modelos de geração de receita para o Parque como serviços ao visitante, arrecadação/captura de valor por serviços, patrocínio e projetos de impacto. Houve estimativa dos aportes necessários e seu tempo de retorno, em razão dos cenários de crescimento da visitação pública, e os custos de manutenção do negócio proposto. Apesar dos volumes de investimentos serem relativamente baixos se comparados ao potencial de geração de receitas, sua somatória num único exercício fiscal (se todos os modelos começarem no mesmo momento) poderia inviabilizar a capitalização plena dos projetos.

    Para que esses modelos funcionem, portanto, a manutenção e o crescimento do número de visitantes no Parque são essenciais. Isso não nos deixa dúvidas de que o fortalecimento e estruturação da cadeia do turismo local e regional são questões centrais no debate de modelos de negócios para Unidades de Conservação. E consolidar atrativos naturais e culturais em roteiros, transformando-os em produtos turísticos são pontos-chave nesse desenvolvimento.

    O Projeto 

    Nesta lógica, o o Instituto Ekos Brasil, em parceria com o Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, na sigla em inglês), está desenvolvendo o projeto “Acelerando o Turismo Sustentável no Vale do Peruaçu”.

    Com ele, buscamos desenvolver e fortalecer o turismo sustentável na região do vale do Peruaçu (APA e PARNA Cavernas do Peruaçu), por meio da qualificação das capacidades técnicas e de gestão de organizações da comunidade local, como forma de promover emprego, renda, valorização dos atributos ambientais e conservação da biodiversidade. O projeto ainda está em andamento (com previsão de encerramneto para abril de 2021), mas ao final a comunidade local (representada pelos 50 participantes) terá executado cinco protótipos, visando beneficiar de forma transversal o maior número de atividades ligadas ao turismo local. Tais protótipos serão desenvolvidos a partir de um processo de inovação coletiva, isto é, pensado, estruturado e executado pelos atores locais, o que é essencial para sua continuidade.

    Embora importantes, destacamos que iniciativas como esta, isoladamente, não solucionarão todos os gargalos de estruturação da cadeia de turismo da região. Por isso, no intuito de colaborar na construção de uma agenda regional de desenvolvimento, o CEPF também apoiou a elaboração do Plano de Desenvolvimento Territorial de Base Conservacionista (DTBC) do Mosaico Sertão Veredas – Peruaçu, coordenado pela Funatura, do qual o PNCP faz parte. O plano objetiva promover o desenvolvimento regional integrado ao manejo das UC, abordando temas como extrativismo vegetal e turismo ecocultural.

     

    Saiba mais sobre o CEPF

    O CEPF é um programa conjunto da Agência Francesa para o Desenvolvimento, Conservação Internacional, União Europeia, Fundo para o Meio Ambiente Global (GEF, sigla em inglês), Governo do Japão e Banco Mundial, que financia projetos para proteção de ecossistemas únicos e ameaçados – conhecidos também como hotspots de biodiversidade. Em 2013, o Conselho de Doadores do CEPF selecionou o bioma Cerrado como um dos hotspots prioritários, e 8 milhões de dólares foram alocados para investimentos em projetos de conservação no período de 2016 a 2021.

    O projeto “ACELERANDO O TURISMO SUSTENTÁVEL NO VALE DO PERUAÇU” é uma das diversas iniciativas do fundo na região.

    Saiba mais sobre o projeto e entenda como contribuir.

     

     

     

     

    Ekos Brasil e CEPF lançam projeto de aceleração do turismo sustentável no vale do Peruaçu 

    Ekos Brasil e CEPF lançam projeto de aceleração do turismo sustentável no vale do Peruaçu 

     

    Protetora de um impressionante patrimônio socioambiental, cultural, arqueológico e paleontológico, a região do Parque Nacional e APA Cavernas do Peruaçu localiza-se no Cerrado brasileiro, em uma área de transição para o denominado polígono das secas e, por isso, muito crítica na proteção da água doce.

    Além do desafio da água, essa porção de Cerrado também preocupa pelo Índice de Desenvolvimento Humano das duas cidades mais próximas ao parque: Januária e Itacarambi, com 0,658 e 0,641 respectivamente (IBGE, 2010), ou seja, vulnerabilidade econômica e de serviços de assistência social básica.

    Cientes do papel fundamental de conservação da biodiversidade e geração de renda que o Parque e a APA podem trazer para o vale do Peruaçu, o Instituto Ekos Brasil, em parceria com o Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, na sigla em inglês) lançou, no início deste mês, o projeto “Acelerando o turismo sustentável no vale do Peruaçu”.

    Com duração de um ano, o projeto tem o anseio de desenvolver, fortalecer e acelerar o turismo sustentável, fonte de renda para as comunidades por meio da conservação da natureza.

     As fases do projeto 

    As inscrições acontecem de 2º de junho a 1º de julho de 2020. E podem se inscrever pessoas maiores de 18 anos, residente ou que trabalhem na região, ou ainda integrantes de associações ou organizações locais, interessadas em turismo sustentável. 

    Até  50 pessoas serão selecionadas no edital de inscrição e terão a chance de participar do Laboratório de Inovação. Essa fase contempla oficinas ministradas por especialistas de diferentes áreas do conhecimento e ainda uma viagem de campo para conhecer outro destino turístico com forte atividade econômica e desenvolvimento local. 

    Na última fase, os protótipos de 5 iniciativas desenvolvidas durante o Laboratório de Inovação participação da Incubadora Ekos Brasil e receberão aportes, viabilizados com os recursos do projeto, para que os planejamentos saiam do papel e gerem desenvolvimento social e econômico para as comunidades da região por meio do turismo sustentável.

    A previsão de encerramento do projeto é no final do primeiro trimestre de 2021. Mas certamente será apenas o ponto de partida para que boas iniciativas empreendedoras apoiem a criação de empregos e a conservação da biodiversidade na região.

     

    Saiba mais sobre o CEPF

    O CEPF é um programa conjunto da Agência Francesa para o Desenvolvimento, Conservação Internacional, União Europeia, Fundo para o Meio Ambiente Global (GEF, sigla em inglês), Governo do Japão e Banco Mundial, que financia projetos para proteção de ecossistemas únicos e ameaçados – conhecidos também como hotspots de biodiversidade. Em 2013, o Conselho de Doadores do CEPF selecionou o bioma Cerrado como um dos hotspots prioritários, e 8 milhões de dólares foram alocados para investimentos em projetos de conservação no período de 2016 a 2021.

    O projeto “ACELERANDO O TURISMO SUSTENTÁVEL NO VALE DO PERUAÇU” é uma das diversas iniciativas do fundo na região.

    Saiba mais sobre o projeto e entenda como contribuir. 

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    Peruaçu: um case de como transformar riscos em oportunidades para todos

    Peruaçu: um case de como transformar riscos em oportunidades para todos

    Greta Thunberg, na Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial 2020 em Davos. Foto: Manuel Lopez/Fotos Públicas.

    Este ano foi o primeiro, desde 1971, no qual o Fórum Econômico Mundial de Davos publicou seu tradicional Relatório Global de Riscos (2020) mostrando ao mundo que, dessa vez, a questão ambiental está presente nas cinco maiores ameaças para governos e mercados nos próximos dez anos. Uma atitude sem precedentes e que não podemos nos esquecer, mesmo diante de uma pandemia. 

    Ou seja, os maiores representantes da área econômica e personalidades públicas do mundo inteiro estão nos dizendo que a questão ambiental é hoje mais ameaçadora à estabilidade do planeta do que tensões geopolíticas e ataques cibernéticos, como afirmou outras vezes. 

    Também este ano vimos Larry Fink, CEO da BlackRock – a maior gestora de recursos financeiros do mundo – evidenciar em sua carta anual ao mercado a sustentabilidade como centro de sua política de investimentos. Um exemplo robusto de como a sustentabilidade se tornou uma agenda inadiável dentro das empresas. 

    Eventos climáticos extremos, falha no combate às mudanças climáticas, perda da biodiversidade e esgotamento dos recursos, desastres naturais, desastres ambientais. São esses os riscos globais em ordem de ameaça, segundo o Relatório. E vejam só. Com exceção dos desastres naturais, que podem ter origens diversas, todos os demais emanam da uma convivência desequilibrada entre o homem e a natureza. 

    O contexto é realmente preocupante. Aproximadamente 75% da superfície da Terra está significativamente alterada, 66% da área dos oceanos tem experimentado impactos cumulativos crescentes e 85% das áreas úmidas já foram perdidas, segundo dados do  relatório da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES) – Global Assessment on Biodiversity and Ecosystem Services, de 2019. 

    Por isso, no mês em que celebramos o Dia Mundial do Meio Ambiente, o Instituto Ekos Brasil quer chamar a sua atenção para a contribuição essencial e indispensável dos nossos Parques Nacionais, com suas riquezas naturais, no enfrentamento dessas ameaças.

    Conservar  nossos parques significa atuar na linha de frente por uma relação homem – meio ambiente mais equilibrada. A conservação dessas áreas é essencial para manter o ciclo hídrico, retirar carbono da atmosfera, preservar a fauna e a flora com seus inúmeros serviços ambientais gratuitos, além de promover o desenvolvimento sustentável com geração de riqueza para as comunidades ao entorno dos parques por meio da conservação. 

    Desde 2017, o Instituto Ekos Brasil colabora com a gestão do uso público e manutenção do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, em cooperação com o ICMBio. No vídeo a seguir, está um retrato de como acreditamos que o equilíbrio entre seres humanos e natureza conservada é possível, é almejado, e tem o poder de transformar os atuais riscos em oportunidades de uma vida melhor para todos.

    Assista, compartilhe e entre em contato para saber como colaborar enquanto empresa ou pessoa física para conservar a biodiversidade junto com a gente. 


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    Pandemia evidencia importância dos Parques Nacionais para as comunidades ao entorno

    Pandemia evidencia importância dos Parques Nacionais para as comunidades ao entorno

    O Brasil possui atualmente mais de 70 parques nacionais, redutos verdes de preservação da nossa fauna e flora e importantes prestadores de serviços ecossistêmicos essenciais para manter o equilíbrio do nosso planeta e o bem-estar da nossa espécie. 

    Monte Roraima, Chapada Diamantina, Fernando de Noronha, Serra dos Órgãos, Caparaó, Itajaí, Cavernas do Peruaçu, dentre tantos outros, logo encantam seus visitantes com sua vastidão verde, águas cristalinas e bichos de todos os tipos de beleza.

    O que poucos se dão conta é que um Parque Nacional, além de importante para a conservação da biodiversidade, mitigação das mudanças climáticas, dentre tantos outros benefícios ambientais, é também responsável pela manutenção de tradições culturais e, muitas vezes, importante fonte de renda para as comunidades ao entorno.

    Manifestação cultural no Peruaçu

    Direta ou indiretamente ligadas ao Parque, essas comunidades ancoram o seu desenvolvimento econômico a partir da exploração sustentável e conservação da natureza, assim como preservam as heranças de populações tradicionais com histórias, comidas, artesanato, músicas e danças que, apresentadas aos turistas, garantem sua posteridade e ainda boa parte do ganha-pão destas famílias.

    É o que acompanhamos de perto no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, no qual o Instituto Ekos Brasil mantém um acordo de cooperação com o ICMBio desde 2017. O envolvimento com o parque nos aproximou da comunidade local e aproximou ainda mais a comunidade local ao parque, em um ciclo muito sadio de sustentabilidade. 

    Se antes muitas famílias viviam da agricultura e da criação de poucas cabeças de gado, atualmente, com a existência do Parque, muitos trabalham como condutores, com produção de artesanato, cozinha sertaneja ou abriram pousadas e receptivos, gerando uma importante complementação de renda e uma economia mais sólida na região.

    “Muitos dos nossos acordam de madrugada, cuidam do gado, da propriedade e vão para o parque realizar o trabalho de condução de turistas. À tarde, retornam para cuidar novamente da roça. Hoje, um guia (de turismo) ganha entre R$ 150 e R$ 300 por condução de um grupo de turistas (valor bastante considerável para a economia local). E, por isso, as pessoas têm percebido que existe um futuro em proteger e cuidar do parque”, contou Késcia Madureira, dona de uma pousada que abriu em sua própria propriedade rural para receber os turistas do Peruaçu.

    Solange Mota, guia e entusiasta do potencial turístico do parque para as comunidades locais, também evidencia a importância do Peruaçu para manter os jovens nas comunidades, gerar emprego e renda para todas as idades e experiências.

    “Aqui temos uma cozinha sertaneja comunitária e desenvolvemos lá o Turismo de Base Comunitária. Quero que as pessoas entendam que é perfeitamente possível viver do turismo. Afinal, nossa cultura, nossos saberes, nossos sabores, nossa fé, tudo isso gera renda. E para a nossa comunidade, a existência do Parque é fundamental”, afirmou.

    Atualmente, assim como Késcia e Solange, boa parte da comunidade tem sentido os efeitos da pandemia com o fechamento do parque. “Agora, na pandemia, sentimos que a engrenagem que estava girando, parou. Condutores, comunidade, pousadas, todos sentiram a falta que faz o uso público do parque”, ressaltou Murilo Mendes, agente ambiental do Peruaçu e funcionário do Instituto Ekos Brasil. .

    As histórias que contamos são do entorno do Parque Peruaçu, mas não temos dúvidas de que o pandemia impactou todos os parques nacionais do nosso país. Apesar da dura realidade atual, desejamos que os relatos possam servir de conscientização para estimular a visitação dos parques. E por fim, que também seja uma demonstração do nosso apoio e consideração pelas comunidades com as quais convivemos no Peruaçu, que tanto estimamos. 

    Enquanto não é possível visitar pessoalmente o Peruaçu, assista ao vídeo para saber mais sobre esse magnífico parque no norte de Minas Gerais!

     

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    Rio Peruaçu foi destaque do II Seminário de Pesquisas do Vale do Peruaçu

    Rio Peruaçu foi destaque do II Seminário de Pesquisas do Vale do Peruaçu

    Professores, alunos, presidentes de associações, gestores e trabalhadores do parque participaram, nos dias 27 e 28 de novembro, do II Seminário de Pesquisas do Vale do Peruaçu.

    “Além da conservação, um dos objetivos das unidades de conservação é realizar pesquisa científica. Por isso, o Seminário teve como objetivo trazer à tona as pesquisas que acontecem no parque, na Área de Proteção Ambiental e áreas próximas”, destacou Ciça Wey de Brito, coordenadora de relações institucionais do Ekos Brasil.

    O evento, realizado pelo ICMBio com o apoio do Ekos Brasil, tratou de temáticas importantes para a região como as matas secas, as veredas, a arqueologia, disseminação de pesquisas e, com certo destaque, da hidrologia do Rio Peruaçu, que a cada ano apresenta dminuição em sua vazão.

    Uma das ações conclusivas foi a elaboração de uma carta aberta ao Instituto Mineiro de Gestão de Águas, responsável pela aplicação pela lei de recursos hídricos em MG, para que estabeleça um processo de criação de subcomitê de bacias para o Rio Peruaçu. Hoje, o rio Peruaçu faz parte do Comitê de Bacia Hidrográfica dos Afluentes Mineiros do Médio São Francisco, mas de acordo com os participantes do Seminário, não é suficiente para que as questões do rio sejam tratadas com a intensidade necessária.

    O evento foi elogiado pelo compartilhamento dos estudos e qualidade das informações. Para os próximos anos, Ekos e ICMBio devem analisar as propostas de maior periodicidade para o Seminário, maior participação da comunidade e oferecimento de mini cursos.

    O Ekos Brasil também apresentou aos participantes como tem atuado no Parque, além de ter conduzido a programação e os convites. “Esperamos que o Fundo Peruaçu consiga criar uma linha de ação de doação ou suporte por parte de investidores privados no apoio à pesquisa e no apoio à bolsas de estudos para a região do parque”, finalizou Brito.

    Saiba mais sobre a atuação do Ekos Brasil no Parque Peruaçu.





    Ekos Brasil inaugura casa de vegetação no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu

    Ekos Brasil inaugura casa de vegetação no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu

    Com o objetivo de continuar o trabalho de restauração e reflorestamento do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, o Instituto Ekos Brasil acaba de inaugurar casa de vegetação no Parque, no qual atua em acordo de cooperação mútua com o ICMBio.

    Desde o início das atividades, a equipe do Ekos já havia identificado um problema sério com relação à agua: as nascentes estavam secando.

    A fim de contribuir com a resolução desse problema complexo, o Ekos está empenhado em  restaurar áreas do parque com espécies nativas. Por isso, a construção da casa de vegetação, que já conta com 600 mudas, tendo capacidade, no entanto, para cerca de 20.000.

    A coleta de sementes para abastecer o viveiro é feita dentro do próprio parque pela brigada e também contamos com a parceria do Instituto Estadual de Florestas para a produção das mudas.

    O Ekos Brasil está levantando recursos para o projeto piloto de plantação de um hectare em uma comunidade no entorno do parque. Logo teremos mais notícias!

    “Vamos plantar as mudas nas áreas dentro do Parque Peruaçu e trabalhar atividades com a comunidade para restaurar as nascentes ao redor. A ideia é envolver a todos e fazer educação ambiental”, afirmou Camila Dinat, técnica do Ekos Brasil.

    O viveiro fica ao lado do centro de visitantes do Parque Peruaçu e pode ser visitado.

    Parque Peruaçu realiza II Seminário Científico do Vale do Peruaçu

    Parque Peruaçu realiza II Seminário Científico do Vale do Peruaçu

    Pelo segundo ano consecutivo, o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu irá realizar um Seminário Científico para pesquisadores, estudantes e demais interessados em desenvolver pesquisas no Parque (ou que já desenvolvem).

    O Seminário 2019 está marcado para os dias 27 e 28 de novembro, no Centro de Visitantes do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, e o Instituto Ekos Brasil apoia o evento.

    Participe!

     

    Ekos Brasil apresenta case do Parque Peruaçu no Congresso de Áreas Protegidas da América Latina e Caribe

    Ekos Brasil apresenta case do Parque Peruaçu no Congresso de Áreas Protegidas da América Latina e Caribe

     

    O Instituto Ekos Brasil participa nesta semana, junto com o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) do III Congresso de Áreas Protegidas da América Latina e Caribe (Caplac), em Lima, no Peru, que tem como tema “Soluções para o bem-estar e o desenvolvimento sustentável”.

    Considerado um dos mais importantes eventos do mundo sobre gestão de áreas protegidas, o congresso começa nesta segunda-feira (14) e segue até a quinta-feira (17), reunindo governos, organismos multilaterais, iniciativa privada e personalidades da área ambiental dos vários países latino-americanos e caribenhos.

    A programação prevê uma série de atividades, como palestras, sessões técnicas, painéis, rodas de conversas, fóruns, reuniões e eventos paralelos. Além das discussões, haverá entrega de diferentes prêmios e reconhecimentos a pessoas e instituições que atuam em defesa da natureza.

    Participação do Ekos Brasil 

    Na quinta-feira (17/10), o Ekos Brasil realizará uma apresentação, conduzida por Ciça Wey de Brito, sobre Sustentabilidade Financeira de Áreas Protegidas – o caso do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu.

     

    Saiba mais 

    O III Congresso de Áreas Protegidas da América Latina e Caribe – cujas edições anteriores ocorreram em Santa Marta, Colômbia, em 1997, e em Bariloche, Argentina, em 2007 – visa fortalecer a contribuição das áreas protegidas para a concretização dos compromissos internacionais de conservação da natureza, o bem-estar das pessoas e o desenvolvimento sustentável.

    Espaço para a troca de experiências e debates sobre políticas públicas, o congresso é uma iniciativa da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), por meio de sua Comissão Mundial de Áreas Protegidas (CMAP), que reúne diferentes países para fortalecer suas capacidades a fim de promover áreas protegidas como soluções baseadas na natureza.

    Segundo os organizadores, o Caplac oferece a oportunidade para autoridades governamentais, organizações multilaterais, líderes de comunidades locais, tradicionais e indígenas, bem como do setor privado, apresentarem propostas à Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), da ONU, antes da revisão das Metas de Aichi, em 2020.

    Ainda de acordo com os organizadores, o congresso também tem interesse em compartilhar seus debates e suas conclusões nos eventos globais da IUCN. Nesse sentido, deve incorporar o Compromisso de Sydney (resultante do Congresso Mundial de Parques de 2014) e assumir uma posição regional para o próximo Congresso Mundial de Conservação, em 2020.

    * Com informações da Ascom MMA

    Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) relacionados

    Projeto de coleta seletiva melhora vida de comunidade e evita queimadas no entorno do Peruaçu 

    Projeto de coleta seletiva melhora vida de comunidade e evita queimadas no entorno do Peruaçu 

    A comunidade Fabião 1, situada no limite sudeste do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, sofria com um problema bastante comum em comunidades rurais: a falta de coleta seletiva de resíduos em suas casas.

    Localizados em uma região distante do centro do município de Januária, a comunidade não era contemplada no serviço de coleta municipal e, por isso, eram frequentes outras formas de descarte, como as queimadas. Uma prática que, no entanto, acarreta problemas de saúde (principalmente respiratórios), alterações negativas no ar atmosférico da região e gera riscos de incêndios na mata adjacente aos locais da queimada.

    A solução

    Por acreditar que as comunidades ao entorno do Parque são verdadeiras parceiras na conservação da biodiversidade e preservação do bioma, o Instituto Ekos Brasil, responsável pelo apoio a gestão do Parque juntamente com o ICMBio lançou, em setembro de 2018, o I Edital do Programa de Apoio a Projetos Locais.

    Com o objetivo de viabilizar pequenos projetos idealizados por associações e cooperativas das comunidades do entorno do Parque, o Programa visa atender demandas reais e urgentes dos moradores da região, com impactos reais em suas vidas e, por consequência, na conservação do Cerrado.

    O projeto da Associação de Pequenos Produtores Rurais e Agricultores de Fabião 1 para coleta de resíduos recicáveis foi um dos contemplados pelo Programa.

    Já no final de 2018, o galpão comunitário foi reformado com a ajuda de mão de obra voluntária de moradores da comunidade e dos brigadistas do Parque.

    Galpão reformado na comunidade Fabião 1

     

    Educação Ambiental em forma de brincadeira

    Após a reforma do galpão, crianças e adultos participaram de atividades de educação ambiental. Uma delas foi o jogo de tabuleiro “Aventuras por Fabião” foi desenvolvido como uma forma lúdica para ensinar educação ambiental e o manejo correto dos resíduos às crianças de escolas da comunidade. O trabalho foi executado em forma de oficinas nas escolas, com apoio de professores locais, e contou com a participação de três turmas.

    Para os adultos foram criados folhetos com informações a respeito da separação e descarte corretos dos resíduos. Os folhetos foram distribuídos pelo agente da saúde da comunidade, que já visita regularmente todas as moradias, e que pode esclarecer, nessas ocasiões, muitas dúvidas dos moradores.

    A comunidade ainda está sendo equipada com conjuntos de latões de lixo de quatro diferentes cores, cada cor representando um tipo de resíduo.

    Por meio de articulações com a prefeitura de Januária, espera-se que seja possível a implantação de uma logística de recolhimento desse material com frequência pré-estabelecida, garantindo a limpeza e a segurança de toda a comunidade.

    O Instituto Ekos acredita que iniciativas como essa mudam a realidade local!

    Esperamos ter novas edições do Programa para o próximo ano.

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