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Em 25 anos de atuação vimos na prática que crise climática e crise de biodiversidade precisam ser enfrentadas juntas. É o que diz também uma nota técnica divulgada pela UNFCC em parceria com a IUCN e a WCPA, em 2023. São faces da mesma urgência e, além de financiamentos climáticos e ambição política, dependem da manutenção e da ampliação das áreas protegidas existentes ao redor do mundo.
Atualmente, apenas cerca de 17% das terras e 8% dos oceanos estão sob alguma forma de proteção. Há um esforço conjunto, expresso pela adoção do Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal, para que a proteção atinja metas de 30% até 2030. Porém, fechar essa lacuna exigirá um esforço sem precedentes de governos, comunidades e organizações da sociedade civil.
O Brasil, com sua megadiversidade e extensão territorial, tem um papel central nessa agenda. Alguns dados recentes são positivos: entre 2022 e 2025, o desmatamento na Amazônia caiu 50%, evitando a emissão de 733,9 milhões de toneladas de CO₂ equivalente. Em 2025, o INPE registrou quedas de 11,08% no desmatamento na Amazônia e 11,49% no Cerrado em relação ao período anterior, a terceira menor taxa histórica desde 1988.
Essa correlação nos mostra que a proteção da natureza é uma das estratégias mais eficazes disponíveis para mitigar as mudanças climáticas e garantir a resiliência dos ecossistemas naturais.

Dados da Nature (2023) estimam um estoque total de carbono acima do solo em áreas protegidas de 61,43 Gt (± 0,31), equivalente a 26% de todo o carbono lenhoso terrestre mapeado. E, ainda, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), em seu 6º Relatório de Avaliação, concluiu que a proteção de ecossistemas naturais oferece o maior potencial de mitigação dentre todas as ações no setor de uso da terra, com altas sinergias para a conservação da biodiversidade.
Ou seja, ecossistemas naturais íntegros são imensos reservatórios de carbono. A biodiversidade conservada nesses ambientes é um mecanismo ativo da regulação climática. Ecossistemas ricos em espécies são mais resilientes a eventos extremos, mais eficientes na ciclagem de nutrientes e mais capazes de se adaptar a perturbações.
Já a perda de biodiversidade, por outro lado, enfraquece a capacidade dos ecossistemas de absorver carbono e de amortecer os impactos do clima. Um planeta mais quente, com habitats fragmentados, acelera a extinção de espécies e cria um ciclo vicioso entre colapso ecológico e desestabilização climática.

A criação de áreas protegidas é apenas um primeiro passo. Proteger, de fato, exige gestão continuada, monitoramento, presença territorial e envolvimento das comunidades locais. É nesse aspecto que organizações da sociedade civil (OSCs) desempenham um papel importante.
No Vale do Peruaçu, por exemplo, atuamos em Acordo de Cooperação com o ICMBio para apoiar a gestão e a manutenção do PARNA e da APA Cavernas do Peruaçu. Ser ponte entre o poder público, comunidades, institutos de pesquisa e setor privado tem demonstrado resultados efetivos como melhorias na infraestrutura, monitoramento ambiental, programas de prevenção de incêndios, governança participativa, conhecimento científico aplicado, restauração florestal, e mais.
Todos esses exemplos auxiliam na perpetuação e ampliação das áreas protegidas e, como vimos, contribui com uma das estratégias mais eficazes para a mitigação das mudanças climáticas.
*Texto elaborado com auxílio de IA. Revisão: Cibele Lana
Fontes: