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O papel das áreas protegidas no enfrentamento da crise climática

Cibele Lana 16 jul 2026

Em 25 anos de atuação vimos na prática que crise climática e crise de biodiversidade precisam ser enfrentadas juntas. É o que diz também uma nota técnica divulgada pela UNFCC em parceria com a IUCN e a WCPA, em 2023. São faces da mesma urgência e, além de financiamentos climáticos e ambição política, dependem da manutenção e da ampliação das áreas protegidas existentes ao redor do mundo. 

Atualmente, apenas cerca de 17% das terras e 8% dos oceanos estão sob alguma forma de proteção. Há um esforço conjunto, expresso pela adoção do Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal, para que a proteção atinja metas de 30% até 2030. Porém, fechar essa lacuna exigirá um esforço sem precedentes de governos, comunidades e organizações da sociedade civil.

O Brasil, com sua megadiversidade e extensão territorial, tem um papel central nessa agenda. Alguns dados recentes são positivos: entre 2022 e 2025, o desmatamento na Amazônia caiu 50%, evitando a emissão de 733,9 milhões de toneladas de CO₂ equivalente. Em 2025, o INPE registrou quedas de 11,08% no desmatamento na Amazônia e 11,49% no Cerrado em relação ao período anterior, a terceira menor taxa histórica desde 1988. 

Essa correlação nos mostra que a proteção da natureza é uma das estratégias mais eficazes disponíveis para mitigar as mudanças climáticas e garantir a resiliência dos ecossistemas naturais. 

Áreas Protegidas como reservatórios de carbono

Canva Pro.

Dados da Nature (2023) estimam um estoque total de carbono acima do solo em áreas protegidas de 61,43 Gt (± 0,31), equivalente a 26% de todo o carbono lenhoso terrestre mapeado. E, ainda, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), em seu 6º Relatório de Avaliação, concluiu que a proteção de ecossistemas naturais oferece o maior potencial de mitigação dentre todas as ações no setor de uso da terra, com altas sinergias para a conservação da biodiversidade.

Ou seja, ecossistemas naturais íntegros são imensos reservatórios de carbono. A biodiversidade conservada nesses ambientes é um mecanismo ativo da regulação climática. Ecossistemas ricos em espécies são mais resilientes a eventos extremos, mais eficientes na ciclagem de nutrientes e mais capazes de se adaptar a perturbações. 

Já a  perda de biodiversidade, por outro lado, enfraquece a capacidade dos ecossistemas de absorver carbono e de amortecer os impactos do clima. Um planeta mais quente, com habitats fragmentados, acelera a extinção de espécies e cria um ciclo vicioso entre colapso ecológico e desestabilização climática.

A importância das parcerias com a Sociedade Civil

Canva Pro.

A criação de áreas protegidas é apenas um primeiro passo. Proteger, de fato, exige gestão continuada, monitoramento, presença territorial e envolvimento das comunidades locais. É nesse aspecto que organizações da sociedade civil (OSCs) desempenham um papel importante.

No Vale do Peruaçu, por exemplo, atuamos em Acordo de Cooperação com o ICMBio para apoiar a gestão e a manutenção do PARNA e da APA Cavernas do Peruaçu. Ser ponte  entre o poder público, comunidades, institutos de pesquisa e setor privado tem demonstrado resultados efetivos como melhorias na infraestrutura, monitoramento ambiental, programas de prevenção de incêndios, governança participativa, conhecimento científico aplicado, restauração florestal, e mais. 

Todos esses exemplos auxiliam na perpetuação e ampliação das áreas protegidas e, como vimos, contribui com uma das estratégias mais eficazes para a mitigação das mudanças climáticas. 

*Texto elaborado com auxílio de IA. Revisão: Cibele Lana 

Fontes:

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