INSTITUTO ECKOS LOGO

Blog

Confira nossos artigos, notícias e publicações autorais

#Conteúdo

FIQUE POR DENTRO

Conteúdo conscientiza, educa, facilita, gera diálogo e estreita relações. Confira nossos artigos, notícias, publicações autorais e compartilhe com a sua rede.

Ekos Brasil assina carta e apoia diretrizes para as Soluções Baseadas na Natureza

Ekos Brasil assina carta e apoia diretrizes para as Soluções Baseadas na Natureza

O Instituto Ekos Brasil, se uniu a mais de 70 especialistas, representantes acadêmicos e de organizações não-governamentais ao redor do mundo, e assinou uma importante carta com diretrizes para as Soluções Baseadas na Natureza (NBS, em inglês) endereçada ao presidente da COP261.  

A carta apresenta quatro princípios de suma importância para proteger e restaurar ecossistemas capazes de promover benefícios para o bem-estar humano e para a biodiversidade, simultaneamente. A assinatura foi feita pela presidente, Ana Moeri, e pela coordenadora de relações institucionais, Ciça Wey de Brito.  

Portanto, o Instituto Ekos Brasil apoia os quatro princípios endossados na carta e descritos a seguir:

[su_service title=”Reduzir emissões” icon=”icon: leaf” icon_color=”#6094a1″]

As soluções baseadas na natureza são ferramentas poderosas capazes de capturar carbono da atmosfera, mas não substituem o corte de emissões de gases de efeito estufa. Do ponto de vista das mudanças climáticas, devemos reduzir rapidamente as emissões de combustíveis fósseis, descarbonizar as economias e também manter, gerenciar e restaurar os ecossistemas de maneira sustentável.

[/su_service]

[su_service title=”Conservar e proteger os ecossistemas existentes” icon=”icon: leaf” icon_color=”#6094a1″]Solos intactos, florestas, campos, matagais, pântanos e ecossistemas aquáticos são repositórios vitais de carbono e biodiversidade. No entanto, estamos perdendo-os em um ritmo alarmante. É fundamental proteger esses últimos redutos da natureza.[/su_service]

[su_service title=”Ser socialmente responsável” icon=”icon: leaf” icon_color=”#6094a1″]Envolver os povos indígenas e as comunidades locais e também respeitar e defender seus direitos e liderança. Contribuir proativamente com modelos econômicos justos e sustentáveis ​​que criem novas oportunidades de emprego, evitando a concorrência com atividades existentes, como a produção de alimentos. A restauração e conservação de ecossistemas só é sustentável quando as comunidades locais se favorecem dos benefícios sociais, econômicos e ecológicos que os ecossistemas fornecem.  [/su_service]

[su_service title=”Ser ecologicamente responsável” icon=”icon: leaf” icon_color=”#6094a1″]As soluções baseadas na natureza devem ser baseadas em princípios ecológicos rigorosos. A biodiversidade é vital para ecossistemas saudáveis, mais produtivos, resilientes e benéficos. A diversidade de espécies nativas proporciona muitos benefícios como armazenamento de carbono, produção de alimentos e proteção contra inundações, secas e doenças. Já as monoculturas de espécies exóticas ou plantações de baixa diversidade dificilmente proporcionam esses benefícios.[/su_service]

 

O que são as Soluções Baseadas na Natureza? 

Framework conceitual da IUCN

O termo foi cunhado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, em inglês) e é definido como “ações para proteger, gerir de forma sustentável e restaurar ecossistemas naturais ou modificados, que abordam os desafios da sociedade de maneira efetiva e adaptativa, proporcionando simultaneamente o bem-estar humano e os benefícios da biodiversidade”.

Saiba mais nessa publicação da P22.

De acordo com o site da IUCN, as Soluções Baseadas na Natureza têm como objetivo apoiar a conquista dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, protegendo o bem-estar da sociedade ao mesmo tempo em que reflete sobre valores culturais e sociais e aprimora a resiliência dos ecossistemas e sua capacidade de renovação e prestação de serviços.

Dentre os principais desafios enfrentados pelos princípios das SbN estão a segurança alimentar, as mudanças climáticas, a segurança hídrica, a saúde humana, o risco de desastres e o desenvolvimento social e econômico.

Por que assinamos a carta agora?

As instituições que apoiam a assinatura da carta ao presidente da COP26 e seus princípios listados acima entendem que a atual crise pandêmica colocou holofotes no problema ambiental, mas também no potencial das soluções para esse problema com gigantescos investimentos por parte de governos e corporações.

Nunca como agora, temos acesso a tantas informações, especialmente científicas, para implementar as Soluções Baseadas na Natureza.

A carta também deve contribuir com o lançamento pela IUCN, no próximo mês de junho, dos novos Padrões Globais (Global Standards) como um benchmark de responsabilidade social e ecológica para governos e agentes civis, após dois anos de consulta em 100 países.

 Se você também deseja apoiar a ação, utilize a hashtag #TogetherWithNature em suas redes sociais.

 

  1. 26a reunião da Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). A reunião será realizada no Reino Unido em data a ser confirmada.

Mulheres protagonizam projetos sociais e ambientais no bioma da Caatinga

Mulheres protagonizam projetos sociais e ambientais no bioma da Caatinga

Por Jéssica Fernandes e Cibele Lana

A Caatinga, em tupi guarani “mata branca” (por sua coloração em épocas de seca) comemora hoje, dia 28 de abril, o seu dia!

Exclusivamente brasileiro e característico da região Nordeste, esse bioma ocupa 11% do território nacional (844.453 km²) e apresenta uma grande biodiversidade, com destaque para fauna e flora com alta capacidade de adaptação durante os longos períodos de seca. São mais de 900 espécies vegetais, quase 600 espécies de aves e outras 178 de mamíferos e répteis. 

A Caatinga abriga cerca de 27 milhões de pessoas que dependem de seus recursos naturais para sobrevivência. Com 80% do seu ecossistema original alterado pelo desmatamento e pelas queimadas, esse bioma precisa urgentemente de alternativas sustentáveis que busquem a boa convivência com o semiárido e que combatam a desertificação, um dos maiores problemas que acometem esta região. 

Duas dessas alternativas são conduzidas pela Associação Rede de Mulheres Produtoras do Pajeú e apoiadas pelo Programa Ecomudança. Assim como outros, o Ecomudança é um programa que busca promover e implementar tecnologias sociais pelo Brasil a fim de melhorar a qualidade de vida das pessoas. No caso da caatinga, um grande contributo à diminuição do êxodo rural.

Com o foco em mulheres agricultoras, das zonas rurais e periféricas do Sertão do Pajeú, no interior de Pernambuco, a Associação Rede de Mulheres Produtoras do Pajeú trabalha em diversas frentes para aumentar a produção de alimento, gerar renda às famílias das agricultoras e proteger o meio ambiente por meio de formações e projetos que envolvem tecnologias sociais. 

[su_quote]“Nossa atuação se dá em 11 municípios da região em um contexto marcado pela invisibilidade do trabalho das mulheres. Todas as agricultoras fazem o trabalho doméstico e nossa atuação não é reconhecida ou valorizada. Por isso, queremos empoderar as mulheres”, contou Ana Cristina Nobre dos Santos, uma das coordenadoras.[/su_quote]

Menos cinza e mais verde

Se tem uma questão que toca a todos na caatinga, e de forma especial às mulheres que zelam pela sobrevivência de suas famílias, é a água. Por isso, a Rede priorizou um projeto de tratamento e reutilização da água cinza, aquela que vai embora pelas pias e ralos e que, na região, pela falta de encanamento e saneamento, é desperdiçada e empoça nos próprios quintais das famílias, causando mau cheiro. 

O projeto implementou biofiltros e agora a água cinza é reutilizada na rega de plantas frutíferas e nativas, aumentando a produção de alimento para as famílias de cerca de 22 mulheres agricultoras, sem contar os benefícios ao meio ambiente. 

Elizabete Ferreira Nobre, também coordenadora da Rede não esconde o orgulho de desenvolver projetos com as mulheres da caatinga. [su_quote]“Escolher trabalhar com um público que foi excluído ao longo da história e poder fazer alguma coisa junto com elas é muito bom. E ainda poder cuidar do meio ambiente. Fico muito feliz de ter seguido esse caminho de trabalhar com as mulheres”. [/su_quote]

Água fonte de vida

O segundo projeto desenvolvido pela Rede de Mulheres Produtoras do Pajeú, com o apoio do Ecomudança, atende a um desejo antigo das mulheres da comunidade da região: a proteção das nascentes que abastecem o Rio Pajeú. 

 As nascentes estavam sofrendo com a ação de pessoas que vinham de todos os lugares buscar água e acabavam poluindo e entupindo a fonte. Sem cercamento, os animais também destruíam a mata ao entorno, prejudicando as nascentes.

Com o projeto, as nascentes foram cercadas e a mata ao redor, reflorestada.

[su_quote]“Hoje, as mulheres recebem visitas para conhecer as nascentes e destacam a questão ambiental na região. Com elas, já estamos vendo uma política pública junto à Câmara Municipal para proteção dessas áreas”, comemora Ana Cristina.[/su_quote]

O projeto tinha como foco principal cerca de 22 mulheres, mas o envolvimento foi tão grande que a formação social e ambiental chegou a quase 40 delas.

[su_quote]“Nesses últimos anos (ao trabalhar nesses projetos), tive a oportunidade de refletir sobre várias questões junto com as mulheres como reflorestamento e soberania alimentar, além de trocar muitas experiências cotidianas e do campo pessoal. Pude realmente conhecer a realidade de cada uma”, destaca Ana Cristina.[/su_quote]

E então, a ligação que proporcionava a nossa entrevista caiu. Logo depois, chegou a explicação. Um vídeo enviado por elas mostrava uma chuva torrencial que encharcava o solo da caatinga. Um presente especial para comemorar esse dia!

 

“A caatinga é uma bela adormecida.

Na seca dorme profundamente.

No inverno acorda para revelar toda sua beleza cênica.”

Rosangela Silva

Fonte dos dados sobre a Caatinga: https://www.mma.gov.br/biomas/caatinga/item/191.html 

Conservação do solo e sua importância para a biodiversidade e mitigação das mudanças climáticas

Conservação do solo e sua importância para a biodiversidade e mitigação das mudanças climáticas 

Por Ciça Wey de Brito 

Neste ano de 2020 faleceu uma das mais importantes pesquisadoras e difusoras da conservação dos solos no Brasil a Dra. Ana Primavesi, que completaria 100 anos em outubro.

Ana Primavesi

Ana Primavesi , nascida na Áustria, veio para o Brasil em 1948 e atuou aqui como engenheira agrônoma e professora da Universidade Federal de Santa Maria, onde criou o primeiro curso de pós-graduação focado em agricultura orgânica. À pesquisadora é também reconhecida a influência para o estabelecimento da agricultura orgânica e a agroecologia.

A conservação dos solos no mundo e no Brasil não têm sido tarefa fácil! Este imprescindível elemento da natureza, que dá suporte a todas as nossas atividades é o resultado de um longo trabalho da natureza. Para dar uma ideia de como é lenta a formação do solo é só pensar que são necessários cerca de 400 anos para se formar 1 cm (um centímetro) de solo!

Para que o solo seja criado é necessária a ação da chuva, do vento, do calor, do frio e de organismos (fungos, bactérias, minhocas, formigas e cupins), que ao desgastarem as rochas de forma lenta no relevo da terra, criam partículas (minerais e orgânicas) que vão sendo depositadas em camadas, chamadas de horizontes.

Estima-se que no mundo cerca de 25% de todas as espécies vivas residam no solo. Em apenas um metro quadrado de solo são encontrados bilhões de organismos e milhões de espécies. Muitas destas espécies não são facilmente visíveis por nós, humanos. Parte delas é de fungos e bactérias, responsáveis por decompor a matéria orgânica do solo, controlar a dinâmica do carbono orgânico e tornam os nutrientes disponíveis para as plantas.  Esta grande variedade de espécies é ameaçada pela intensificação de uso do solo e pelo intensivo de fertilizantes químicos, pesticidas e herbicidas.

Outro grande problema mundial é a perda de solos por erosão. Em 2019 a ONU alertou para o número superlativo de perda de solos por erosão no mundo – 24 bilhões de toneladas de terra fértil. Além da erosão “roubar” terras cultiváveis, o solo carreado pelas chuvas se deposita nos córregos e rios, deixando-os assoreados e poluídos. A perda de solos pela erosão tem também efeitos econômicos diretos como mostrou estudo da FAO (Food and Agriculture Organization) de 2016. O estudo estimou que  perdas anuais de culturas causadas por erosão foram de 0,3% da produção. A erosão em solo agrícola e de pastagem intensiva varia entre cem a mil vezes a taxa de erosão natural e o custo anual do uso de adubos para substituir os nutrientes perdidos pela erosão chega a US $ 150 bilhões, segundo a organização.

No Brasil, mesmo a experiência e dedicação da Dra. Primavesi e de outros técnicos e cientistas, que como ela olharam o solo como um ambiente vivo e sensível e pregaram a sua conservação, não foi  suficiente para evitar a degradação desse importante ativo ambiental. No país, temos 60 milhões de hectares de pastagens degradadas!.

A conservação do solo é um conjunto de princípios e técnicas agrícolas que visa o manejo correto das terras cultiváveis, procura manter a estrutura e fertilidade dos solos e evitar sua erosão. Algumas destas práticas são:

[su_list icon=”icon: check”]

  • Adubação orgânica
  • Adubação Verde
  • Plantio Direto
  • Agroecologia
  • Rotação de culturas
  • Sistema de Integração Lavoura Pecuária e Floresta (ILPF)

[/su_list]

O solo é um ativo ambiental essencial à vida na Terra e sua conservação deve merecer toda a atenção. Ele garante a produção de alimentos, fibra e energia, fornece serviços ambientais essenciais (regulação e abastecimento de água, do clima, conservação da biodiversidade, sequestro de carbono e serviços culturais).

Como vem alertando o secretário-geral da ONU, António Guterres, recuperar solo de terras degradadas, é também uma arma importante na luta contra a crise climática, uma vez que o setor de uso da terra representa quase 25% do total de emissões globais, e que a restauração de terras degradadas tem o potencial de armazenar até 3 milhões de toneladas de carbono anualmente.

O Brasil possui reconhecida capacidade técnica de trabalho com seus solos, boa parte focada na melhoraria de fertilidade de alguns deles, notadamente os que suportam o bioma Cerrado, onde boa parte da agropecuária nacional está estabelecida.

É portanto de se esperar que num país tão dependente da produção agropecuária, esta mesma capacidade de inovação e grandes investimentos possa ser redirecionada, para recuperar a qualidade/capacidade de solos perdida em muitas regiões do país, para intensificar o uso de técnicas de conservação do solos já há muito conhecidas e para apoiar uma mudança necessária do paradigma de uso descuidado deste insubstituível ativo ambiental.

Que os ensinamentos de Ana Primavesi vivam se espalhem para sempre!

 

Tecnologias emergentes são aliadas na conservação da biodiversidade 

Tecnologias emergentes são cada vez mais aliadas na conservação da biodiversidade 

Cada vez mais se tornam comuns os exemplos envolvendo Inteligência Artificial, Internet das Coisas, Blockchain, dentre outras tecnologias emergentes na preservação da biodiversidade do nosso planeta. Das savanas africanas, à floresta amazônica, ao meio do oceano, a tecnologia tem se mostrado uma ótima aliada na proteção da natureza.

Três exemplos bem interessantes foram destaque em um artigo da Revista Planeta. E agora compartilhamos com vocês.

Internet das Coisas para proteger rinocerontes

A África do Sul abriga quase 70% dos rinocerontes que restam no planeta. Todas as cinco espécies sobreviventes estão ameaçadas de extinção e cerca de 3 deles morrem todos os dias.

Uma parceria entre a Universidade de Wageningen, a Prodapt, o provedor de telecomunicações africano MTN e a IBM tem trazido um novo fôlego para os esforços de preservação desses animais com a ajuda de Internet das Coisas.

Um sistema de sensores personalizados é colocado em outros animais, como as zebras, como sentinelas. Esses sensores são capazes de detectar uma mudança de comportamento quando esses animais se sentem ameaçados. Quando eles reagem à caçadores furtivos, os dados são enviados para uma plataforma e chegam até os responsáveis pela proteção dos animais, que ganham tempo para interceptar a caça ilegal antes que o perigo humano se aproxime dos rinocerontes.

Inteligência Artificial para identificar o “bloom de algas”

 

Um grande ameaça ambiental está na proliferação descontrolada de algas em ambientes marinhos. A chamada hipertrofia compreende o crescimento repentino e incontrolável de algas. O risco está no fato de que a família fitoplanctônica é responsável pela produção de 50% do oxigênio terrestre.

Cerca de 60 espécies tóxicas de algas tendem a se proliferar rapidamente se encontrar um ambiente propício para isso como quantidade de luz, salinidade da água, temperatura e disponibilidade de nutrientes.

Com o objetivo de prever onde acontecerão as próximas proliferações de algas, uma equipe argentina criou um aplicativo chamado Alquid, capaz de gerar relatórios dinâmicos a partir de informações coletadas por pesquisadores e cidadãos comuns sobre as algas. Os usuários mais experientes têm acesso a injetar dados mais completos e complexos e usuários comuns conseguem enviar fotos e receber informações sobre aquele local, como clima e tipo de alga mais comum.

O algoritmo, então, comparar dados históricos e atuais extraídos de diferentes fontes ao redor do mundo fornecidos por agências como a NASA, NOAA entre outras públicas e privadas, e assim pode ser capaz de prever onde acontecerá o próximo bloom de algas.

Blockchain para rastrear alimentos e incentivar agricultura sustentável

Essa tecnologia já está até bastante disseminada no Brasil. A medida que cresce a exigência do consumidor por produtos frescos e também pela responsabilidade das empresas com toda a cadeia produtiva, a tecnologia de blockchain ganha importância nesse cenário, especialmente para grandes varejistas.

Aqui no Brasil Carrefour e Walmart, por exemplo, já disponibilizam em algumas linhas de produtos um QR Code de rastreio de toda a cadeia produtiva. Assim, o próprio mercado e os consumidores podem conferir o número do lote, o modo de criação dos animais, os cuidados, o transporte e a variação de temperatura durante o deslocamento, além do nome do criador. Dessa forma, a tecnologia incentiva cada dia mais uma agricultura mais sustentável, que privilegia o pequeno produtor e o tratamento dos animais.

 

 

Serviços ambientais: definição, tipos e Pagamentos por Serviços Ambientais

Serviços ambientais: definição, tipos e pagamentos por serviços ambientais

As abelhas, vespas e formigas polinizam as plantas e essas, quando crescem, produzem alimentos e absorvem o carbono da atmosfera. As florestas fornecem madeira, alimentos, matérias-primas medicinais e fibras. Os rios são a fonte de água doce, são usados para produzir energia e, quando navegáveis, são importantes canais de escoamento de riquezas.

A lista é infinita, mas esses poucos exemplos já nos dão uma ideia bem clara da importância de manter e preservar esses serviços ecossistêmicos.

E como hoje em dia, o incentivo à produção ainda é muito maior do que o incentivo à preservação dos recursos naturais, a prestação de serviços ambientais vem despontando como uma boa alternativa para proteger nosso meio ambiente.

De acordo com o Projeto de Lei 312/15, os serviços ambientais são iniciativas individuais ou coletivas que podem favorecer a manutenção, a recuperação ou a melhoria dos serviços ecossistêmicos.

A principal ideia é não só aplicar multas a quem polui, por exemplo, mas recompensar aqueles que preservam e mantém os recursos naturais, como pessoas que reflorestam áreas degradadas, propriedades que preservam nascentes de rios ou até mesmo catadores e suas cooperativas, que ajudam a diminuir a demanda por matérias-primas.

Os tipos de Serviços Ambientais

Em 2005, a Avaliação Ecossistêmica do Milênio, da ONU, criou uma classificação para os serviços ambientais.

  1. Serviços de Provisão: quando as iniciativas favorecem a preservação e manutenção dos produtos obtidos dos ecossistemas. Exemplos: alimentos, água, fibras, madeira, etc.
  2. Serviços de Regulação: quando as iniciativas geram benefícios obtidos a partir de processos naturais que regulam as condições ambientais. Exemplo: absorção de CO2, controle do clima, polinização de plantas, controle de doenças e pragas.
  3. Serviços Culturais: quando as iniciativas geram benefícios intangíveis obtidos de natureza recreativa, educacional, religiosa ou estético-paisagista.
  4. Serviços de Suporte: iniciativas que contribuem para a produção de outros serviços ecossistêmicos como ciclagem de nutrientes, formação do solo, dispersão de sementes, etc.

Pagamentos por Serviços Ambientais  

Como dissemos, já existem muitos recursos para fiscalizar e punir quem degrada os serviços ecossistêmicos, mesmo que muitas vezes não aplicados.

A ideia dos Pagamentos por Serviços Ambientais é que beneficiários e usuários dos serviços ambientais, como governos e toda a população em geral, recompensem economicamente quem preserva e mantém os serviços ecossistêmicos, ou seja, os prestadores de serviços ambientais.

Como o Pagamento por Serviços Ambientais é aplicado?

Um exemplo foi o Bolsa Verde, eliminado no início de 2018, mas que remunerava famílias de baixa renda que realizavam atividades de preservação ambiental.

Mas o reflorestamento talvez seja a iniciativa mais conhecida de pagamentos por serviços ambientais, já que entra no mercado de créditos de carbono. 

O Instituto Ekos Brasil trabalha com diversos projetos que promovem a conservação da biodiversidade e outros serviços ecossistêmicos. O Programa Ecomudança, por exemplo, em parceria com o Banco Itaú, seleciona projetos socioambientais de entidades sem fins lucrativos que promovem tecnologias de baixo carbono e impacto ambiental positivo. Os projetos selecionados pelo Programa recebem recursos para que possam se desenvolver.

Saiba como inscrever o seu projeto no Ecomudança 2020!

 


Relatório de Davos alerta sobre relação entre a perda da biodiversidade e sustentabilidade dos negócios. Veja recomendações para as empresas

Relatório de Davos alerta sobre relação entre a perda da biodiversidade e sustentabilidade dos negócios. Veja recomendações para as empresas

Não é surpreendente observar que nos últimos cinco anos o Relatório Anual de Riscos Globais do Fórum Econômico Mundial tenha identificado como médio e alto risco a perda da biodiversidade e o colapso do ecossistema e classificado os dois temas como as principais ameaças que a humanidade terá de enfrentar nos próximos 10 anos.

Neste ano, o Relatório, produzido a partir de percepções da comunidade global de negócios, governos e sociedade civil, apresentou um resultado impressionante. Pela primeira vez, os cinco primeiros riscos globais são provenientes de uma única categoria: o meio ambiente.

Isso inclui a perda de biodiversidade como um dos principais perigos nos próximos 10 anos.

Nos últimos 50 anos a economia e a população global evoluíram em muitos sentidos. No entanto, a atividade humana alterou severamente 75% dos ambientes terrestres e marinhos. Cerca de 25% das espécies de plantas e animais foram ameaçados pela atividade humana, com milhões delas beirando a extinção. Sem contar que 47% dos ecossistemas foram reduzidos de tamanho no mundo todo.

O relatório do Fórum Econômico Mundial mostra, no entanto, que US$ 44 trilhões do valor econômico gerado – cerca de metade do Produto Interno Bruto global – é altamente ou moderadamente dependente da natureza e dos seus serviços.

A ameaça da natureza importa para a maioria dos negócios ao impactar operações, fornecedores e mercados.


Por isso, lideranças corporativas têm um papel crucial a cumprir colocando o meio ambiente como o centro dos seus processos e tomadas de decisão a fim de identificar, avaliar, mitigar e divulgar os riscos relacionados à natureza para evitar graves consequências.

As empresas podem e devem fazer parte do movimento global para proteger e restaurar a natureza.

Abaixo, algumas das recomendações do Relatório para que isso se torne realidade.

  • Observar as recomendações do TCFD para antecipar e avaliar os riscos provocados pelas mudanças climáticas à estabilidade financeira da empresa e assim incluir estratégias financeiras e de governança considerando tais riscos.
  • Atentar para que os riscos climáticos façam parte das estratégias de gestão da empresa como o ERM (Enterprise Risk Management) e o ESG (Envronmental, Social and Associated Governance).
  • Também recomenda que governos e reguladores analisem como reconhecer os riscos sistêmicos causados ​​pela perda da natureza ao sistema financeiro por meio de ações estratégicas e políticas, incluindo considerar estender a divulgação do risco climático ao risco da natureza.
  • Identificar as áreas nas quais a transformação estratégica dos modelos de negócios e processos de produção atuais pode contribuir mais para deter e reverter a perda de natureza. e formas de financiar essa transformação.
  • Não ignorar a tendência à sustentabilidade e preservação da natureza para que lá na frente os custos não sejam mais altos. Somente no setor de alimentos e uso da terra, um estudo recente sugere que há uma oportunidade de negócios anual de US $ 4,5 trilhões até 2030 associada a transições para uma economia positiva da natureza, incluindo restauração florestal, aqüicultura sustentável, carne de origem vegetal, agricultura de precisão e regenerativa, e redução do desperdício de alimentos.

 

Confira o relatório na íntegra.


 

 

 

Ana Primavesi: uma vida dedicada à terra

Ana Primavesi: uma vida dedicada à terra

No último dia 5, faleceu em São Paulo a agrônoma e professora Ana Maria Primavesi, pioneira da agroecologia no Brasil, aos 99 anos.

Foto: Virgínia Knabben/reprodução Facebook

Nascida na Áustria, em 1920, como Annemarie Baronesa Conrad, chegou a ser presa em um campo de concentração durante o período nazista e em 1948 veio para o Brasil, acompanhada do marido.

Aqui, iniciou sua carreira na Universidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul e nos 60 anos seguintes desenvolveu estudos sobre a terra, com publicações de livros e aprofundamento de técnicas como o manejo ecológico do solo e a rotação de culturas. Entre suas dicas agroecológicas estava o quebra-vento, uma barreira vegetal usada para proteger as plantas contra a ação do vento.

Até hoje, em qualquer faculdade de agronomia, seu livro “Manejo ecológico do solo” é bibliografia indispensável, em particular para quem estuda agricultura orgânica.

“O homem é o que a terra, ou o solo, faz dele”, dizia Primavesi. A pesquisadora colecionou prêmios, lutou pela terra, pela agricultura, pelo espaço da mulher na ciência, pela natureza e revolucionou a agroecologia na América Latina e no mundo.

Seu falecimento foi anunciado com um título inspirador e certeiro: “Um jatobá que tomba, centenário.”

Confira abaixo o texto na íntegra em homenagem a Ana Primavesi.

Reforçamos com ele nossa admiração pela pessoa e pelo legado de Primavesi pela agroecologia e pela natureza do nosso país.

Nossa querida Ana Maria Primavesi faleceu hoje, aos 99 anos de idade. Quase um século de vida, cerca de 80 anos dedicados à ciência no e do campo. Descansa uma mente notável, uma mulher de força incomum e um ser humano raro.

Afastada de suas atividades desde que passou a morar em São Paulo com a filha Carin, Ana recolheu-se.

Quase centenária, era uma alma jovem num corpo envelhecido que, mesmo se tivesse uma vitalidade para mais 200 anos, não acompanharia uma mente como a dela.

Annemarie Baronesa Conrad, seu nome de solteira, desde pequena apaixonou-se pela natureza, inspirada pelo pai. Naturalmente entrou para a faculdade de agronomia, mesmo Hitler tentando fazer com que as “cabeças pensantes” desistissem de estudar. Ela não só era uma das raras mulheres na faculdade como também aquela que destacou-se por seu talento natural em compreender o invisível: a vida microscópica contida nos solos.

Nestes 99 anos de vida, enfrentou todas as perdas que uma pessoa pode sofrer: irmãos, primos e tios na Segunda Guerra. Posteriormente, pai, mãe, marido. E seu caçula Arturzinho, a maior das chagas, que é perder um filho.

Sua morte hoje, causada por problemas relacionados ao coração, encerra uma vida de lutas em vários âmbitos, o principal deles na defesa de uma agricultura ecológica, ou Agroecologia, termo que surge a partir de seus estudos e ensinamentos. Não parece ser à toa que esse coração, que aguentou tantas emoções (boas e ruins) agora precise descansar.

Nosso jatobá sagrado, cuja seiva alimentou saberes e por sob a copa nos abrigamos no acolhimento de compreendermos de onde viemos e para onde vamos, tomba, quase centenário. Ele abre uma clareira imensa que proporcionará ao sol debruçar-se sobre uma nova etapa, a da perpetuação da vida. E dos saberes que ela disseminou.

Antes de tombar, nosso jatobá sagrado lançou tantas sementes, mas tantas, que agora o mundo está repleto de mudas vigorosas, prontas a enfrentar as barreiras que a impediriam de crescer. Essas mudas somos todos nós, cada um que a amou em vida, cada um a seu modo.

Nossa gratidão pelo legado único que nos deixa essa árvore frondosa, cuja luta pelo amor à natureza prevaleceu. A luta passa a ser nossa daqui em diante, uma luta pela vida do solo, por uma agricultura respeitosa, por uma educação que se volte mais ao campo e suas múltiplas relações.

Ana Primavesi permanecerá perpetuamente em nossas vidas.
Como diz nosso querido amigo Fabio Santos, parafraseando Che Guevara:

“Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a Primavesi inteira.”

por Virgínia Knabben

Rio Peruaçu foi destaque do II Seminário de Pesquisas do Vale do Peruaçu

Rio Peruaçu foi destaque do II Seminário de Pesquisas do Vale do Peruaçu

Professores, alunos, presidentes de associações, gestores e trabalhadores do parque participaram, nos dias 27 e 28 de novembro, do II Seminário de Pesquisas do Vale do Peruaçu.

“Além da conservação, um dos objetivos das unidades de conservação é realizar pesquisa científica. Por isso, o Seminário teve como objetivo trazer à tona as pesquisas que acontecem no parque, na Área de Proteção Ambiental e áreas próximas”, destacou Ciça Wey de Brito, coordenadora de relações institucionais do Ekos Brasil.

O evento, realizado pelo ICMBio com o apoio do Ekos Brasil, tratou de temáticas importantes para a região como as matas secas, as veredas, a arqueologia, disseminação de pesquisas e, com certo destaque, da hidrologia do Rio Peruaçu, que a cada ano apresenta dminuição em sua vazão.

Uma das ações conclusivas foi a elaboração de uma carta aberta ao Instituto Mineiro de Gestão de Águas, responsável pela aplicação pela lei de recursos hídricos em MG, para que estabeleça um processo de criação de subcomitê de bacias para o Rio Peruaçu. Hoje, o rio Peruaçu faz parte do Comitê de Bacia Hidrográfica dos Afluentes Mineiros do Médio São Francisco, mas de acordo com os participantes do Seminário, não é suficiente para que as questões do rio sejam tratadas com a intensidade necessária.

O evento foi elogiado pelo compartilhamento dos estudos e qualidade das informações. Para os próximos anos, Ekos e ICMBio devem analisar as propostas de maior periodicidade para o Seminário, maior participação da comunidade e oferecimento de mini cursos.

O Ekos Brasil também apresentou aos participantes como tem atuado no Parque, além de ter conduzido a programação e os convites. “Esperamos que o Fundo Peruaçu consiga criar uma linha de ação de doação ou suporte por parte de investidores privados no apoio à pesquisa e no apoio à bolsas de estudos para a região do parque”, finalizou Brito.

Saiba mais sobre a atuação do Ekos Brasil no Parque Peruaçu.

Ekos Brasil inaugura casa de vegetação no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu

Ekos Brasil inaugura casa de vegetação no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu

Com o objetivo de continuar o trabalho de restauração e reflorestamento do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, o Instituto Ekos Brasil acaba de inaugurar casa de vegetação no Parque, no qual atua em acordo de cooperação mútua com o ICMBio.

Desde o início das atividades, a equipe do Ekos já havia identificado um problema sério com relação à agua: as nascentes estavam secando.

A fim de contribuir com a resolução desse problema complexo, o Ekos está empenhado em  restaurar áreas do parque com espécies nativas. Por isso, a construção da casa de vegetação, que já conta com 600 mudas, tendo capacidade, no entanto, para cerca de 20.000.

A coleta de sementes para abastecer o viveiro é feita dentro do próprio parque pela brigada e também contamos com a parceria do Instituto Estadual de Florestas para a produção das mudas.

O Ekos Brasil está levantando recursos para o projeto piloto de plantação de um hectare em uma comunidade no entorno do parque. Logo teremos mais notícias!

“Vamos plantar as mudas nas áreas dentro do Parque Peruaçu e trabalhar atividades com a comunidade para restaurar as nascentes ao redor. A ideia é envolver a todos e fazer educação ambiental”, afirmou Camila Dinat, técnica do Ekos Brasil.

O viveiro fica ao lado do centro de visitantes do Parque Peruaçu e pode ser visitado.

Science Film Festival em São Paulo terá participação de colaboradores do Ekos Brasil 

Science Film Festival em São Paulo terá participação de colaboradores do Ekos Brasil 

 

Pela primeira vez, o Brasil será uma das sedes do Science Film Festival, promovido pelo Goethe Institut, em parceria com o ComKids.  Festival tem tem o intuito de despertar em crianças, jovens e adultos o interesse e a curiosidade pela ciência. São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis foram as cidades escolhidas para receber o evento, que nesta edição tem como tema: “Humboldt e a Rede da Vida” por ocasião do aniversário de 250 anos do grande cientista Alexander von Humboldt.

O evento de abertura em São Paulo, a ser realizado no próximo dia 6 de novembro, no Goethe Institut SP, a partir das 19h, contará com um debate sobre documentário de Humboldt e será moderado pela jornalista e pesquisadora Mariluce Moura, além de ter a dupla participação do Instituto Ekos Brasil, com a pesquisadora Maria Cecília Wey de Brito e com o cientista Paulo Artaxo. 

O festival ainda percorrerá 14 unidades dos CEUs integrantes do Circuito SPCine de cinema da Prefeitura de São Paulo, além de programações específicas nas outras cidades. 

Sobre Humboldt

Além do Brasil, o festival marcará presença em outros países, seja na América Latina, seja em outros continentes, nos quais o cientista esteve ou naqueles em que sua obra é valorizada.

Seu legado passa pelos temas da sustentabilidade e da multidisciplinariedade, sendo que já em 1800, Humboldt falava sobre mudanças climáticas provocadas pelo homem e seu prejuízo para o planeta. Ele não só foi o cientista mais famoso de sua época, mas um pensador visionário e um pioneiro do ambientalismo. Ele via a Terra como um organismo vivo, onde tudo estava conectado, desde o menor inseto até as árvores mais altas.

Sobre o Festival

O Festival conta com uma MOSTRA de filmes curiosos, instigantes, divertidos e científicos para todas as idades e que adotam as abordagens e temas visitados no passado pelo cientista Alexander von Humboldt com ecos no presente.

As sessões poderão ser vistas nos Goethe-Instituts e em escolas, universidades e instituições de ensino durante o período do festival.

A seleção oficial de 2019 do SFF está no site com trailers de documentários, animações e reportagens que serão mostradas em diferentes países.

O Festival disponibiliza ainda atividades educativas num guia didático exposto no site, que complementa os temas explorados nos filmes através de experiências práticas, projetos ou jogos de aprendizagem oferecidos para professores e o público jovem e infantil. O SFF oferece um ambiente de aprendizado eficaz e agradável através dessa abordagem multidisciplinar com jogos, projetos e práticas que podem ser feitas antes ou depois dos filmes para enriquecer a experiência.

Escolas interessadas nas atividades e que queiram acessar o material podem entrar em contato com o comKids através do endereço mostracomkids@gmail.com. Os filmes ficarão disponíveis em um link privado do Vimeo até o final da mostra.

Saiba mais no site do festival.