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Pouco conhecidas, as Zonas Úmidas comumente impressionam pela beleza e biodiversidade. Esse é o caso, por exemplo, do Parque Estadual do Rio Doce (PERD), na região do Vale do Aço de Minas Gerais, que abriga uma das Zonas Úmidas de maior importância estratégica para o Brasil. Criado em 1944, o PERD é a primeira Unidade de Conservação de Minas Gerais. Mas não só. O Parque reúne mais de 40 lagoas de água doce, formando o terceiro maior complexo lacustre do Brasil, atrás apenas do Pantanal e da Amazônia. Este sistema lacustre, aliado à grande floresta de Mata Atlântica, conferiu ao parque o título de Sítio Ramsar em 2010, reconhecendo suas zonas úmidas como prioritárias para a biodiversidade global.

O nome Ramsar vem da Convenção sobre Zonas Úmidas de Importância Internacional, também conhecida como Convenção de Ramsar. É um tratado multilateral assinado em 1971 na cidade iraniana de nome homônimo. O objetivo da Convenção é promover a cooperação entre países para conservar e usar de forma racional as áreas úmidas do planeta. Um dos compromissos assumidos pelos países signatários é identificar e inscrever zonas úmidas representativas, raras ou únicas na Lista de Zonas Úmidas de Importância Internacional, conhecida como Lista Ramsar.
Atualmente a Lista Ramsar é a maior rede de áreas protegidas do planeta, com mais de 2 500 sítios espalhados por 172 países, cobrindo quase 2,5 milhões de km². A visão da Convenção, reafirmada em 2005, é “desenvolver e manter uma rede internacional de áreas úmidas importantes para a conservação da diversidade biológica global e para sustentar a vida humana por meio da manutenção de seus componentes, processos e serviços ecossistêmicos”.
O reconhecimento como sítio Ramsar faz com que a área úmida passe a ser objeto de compromissos oficiais para manter sua biodiversidade, serviços ecossistêmicos e funções ecológicas e garante prioridade na implementação de políticas públicas de conservação. Ao se tornar um Sítio Ramsar, essas áreas ganham mais atenção do governo, têm mais possibilidades de cooperação e de acesso a pesquisas e recursos financeiros e, podem, inclusive, abrir mercados para produtos com procedência ambiental certificada.
Por este reconhecimento e por outros contextos importantes, o Parque Estadual do Rio Doce, nosso exemplo aqui, pôde contar com um Termo de Parceria firmado entre o Instituto Estadual de Florestas (IEF) e o Instituto Ekos Brasil para apoio à sua consolidação, garantindo ações que vão da melhoria e conservação da infraestrutura à proteção e preservação dos recursos naturais, inclusive com a revisão do Plano de Manejo do parque.

Áreas úmidas são ecossistemas na interface entre ambientes terrestres e aquáticos, continentais ou costeiros, permanentes ou temporariamente inundados, com solos saturados e comunidades de plantas e animais adaptadas à dinâmica hídrica. Esses ecossistemas são cruciais para a regulação do ciclo da água, recarga de aquíferos, filtragem de água e estabilização de zonas costeiras.
As áreas úmidas abrigam grande parte da biodiversidade global. Estima-se que 40 % de todas as espécies vegetais e animais dependem desses habitats. Além disso, são fundamentais para controlar enchentes e secas, oferecer alimento, sustentar comunidades tradicionais e mitigar os efeitos da mudança climática.
O PERD, por exemplo, abriga a maior área contínua de Mata Atlântica preservada no estado de Minas Gerais, com uma rica biodiversidade e árvores centenárias que fazem parte de um universo de florestas altas e estratificadas. Na Unidade de Conservação é possível encontrar, por exemplo, o jequitibá, a garapa, o vinhático e a sapucaia.
É por lá que também encontramos um dos ícones da fauna brasileira, a onça-pintada. Além de bonita e imponente, a presença da onça indica a qualidade ambiental e o equilíbrio do ecossistema do PERD. Além disso, o número de espécies encontradas no parque corresponde a 50% de todas as aves registradas em Minas Gerais e 1/5 do total de espécies de aves registradas no Brasil, sendo algumas bem raras e endêmicas, como o bicudo (Sporophila maximiliani), espécie reencontrada após 80 anos sem registros em Minas Gerais.

O Brasil aderiu à Convenção de Ramsar em setembro de 1993. De lá para cá, o país inscreveu 27 sítios na Lista Ramsar. Desses, 24 correspondem a Unidades de Conservação (ou partes delas) e três são sítios Ramsar regionais, formados por Unidades de Conservação, Terras Indígenas e Áreas de Preservação Permanente.
Fontes:
https://www.ramsar.org/our-work/wetlands-international-importance