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Parque Estadual do Rio Doce: um Sítio Ramsar em Minas Gerais e o terceiro maior complexo de lagoas do Brasil

Cibele Lana 30 jan 2026

Pouco conhecidas, as Zonas Úmidas comumente impressionam pela beleza e biodiversidade. Esse é o caso, por exemplo, do Parque Estadual do Rio Doce (PERD), na região do Vale do Aço de Minas Gerais, que abriga uma das Zonas Úmidas de maior importância estratégica para o Brasil. Criado em 1944, o PERD é a primeira Unidade de Conservação de Minas Gerais. Mas não só. O Parque reúne mais de 40 lagoas de água doce, formando o terceiro maior complexo lacustre do Brasil, atrás apenas do Pantanal e da Amazônia. Este sistema lacustre, aliado à grande floresta de Mata Atlântica, conferiu ao parque o título de Sítio Ramsar em 2010, reconhecendo suas zonas úmidas como prioritárias para a biodiversidade global.

O que são os Sítios Ramsar?

Foto: Por Evandro Rodney.

O nome Ramsar vem da Convenção sobre Zonas Úmidas de Importância Internacional, também conhecida como Convenção de Ramsar.  É um tratado multilateral assinado em 1971 na cidade iraniana de nome homônimo. O objetivo da Convenção é promover a cooperação entre países para conservar e usar de forma racional as áreas úmidas do planeta.  Um dos compromissos assumidos pelos países signatários é identificar e inscrever zonas úmidas representativas, raras ou únicas na Lista de Zonas Úmidas de Importância Internacional, conhecida como Lista Ramsar. 

Atualmente a Lista Ramsar é a maior rede de áreas protegidas do planeta, com mais de 2 500 sítios espalhados por 172 países, cobrindo quase 2,5 milhões de km². A visão da Convenção, reafirmada em 2005, é “desenvolver e manter uma rede internacional de áreas úmidas importantes para a conservação da diversidade biológica global e para sustentar a vida humana por meio da manutenção de seus componentes, processos e serviços ecossistêmicos”.  

O reconhecimento como sítio Ramsar faz com que a área úmida passe a ser objeto de compromissos oficiais para manter sua biodiversidade, serviços ecossistêmicos e funções ecológicas e garante prioridade na implementação de políticas públicas de conservação.  Ao se tornar um Sítio Ramsar, essas áreas ganham mais atenção do governo, têm mais possibilidades de cooperação e de acesso a pesquisas e recursos financeiros e, podem, inclusive, abrir mercados para produtos com procedência ambiental certificada. 

Por este reconhecimento e por outros contextos importantes, o Parque Estadual do Rio Doce, nosso exemplo aqui, pôde contar com um Termo de Parceria firmado entre o Instituto Estadual de Florestas (IEF) e o Instituto Ekos Brasil para apoio à sua consolidação, garantindo ações que vão da melhoria e conservação da  infraestrutura à proteção e preservação dos recursos naturais, inclusive com a revisão do Plano de Manejo do parque. 

Por que as áreas úmidas são importantes?

Foto: Canva Pro.

Áreas úmidas são ecossistemas na interface entre ambientes terrestres e aquáticos, continentais ou costeiros, permanentes ou temporariamente inundados, com solos saturados e comunidades de plantas e animais adaptadas à dinâmica hídrica.  Esses ecossistemas são cruciais para a regulação do ciclo da água, recarga de aquíferos, filtragem de água e estabilização de zonas costeiras.

As áreas úmidas abrigam grande parte da biodiversidade global. Estima-se que 40 % de todas as espécies vegetais e animais dependem desses habitats. Além disso, são fundamentais para controlar enchentes e secas, oferecer alimento, sustentar comunidades tradicionais e mitigar os efeitos da mudança climática.

O PERD, por exemplo, abriga a maior área contínua de Mata Atlântica preservada no estado de Minas Gerais, com uma rica biodiversidade e árvores centenárias que fazem parte de um universo de florestas altas e estratificadas. Na Unidade de Conservação é possível encontrar, por exemplo, o jequitibá, a garapa, o vinhático e a sapucaia.

É por lá que também encontramos um dos ícones da fauna brasileira, a onça-pintada. Além de bonita e imponente, a presença da onça indica a qualidade ambiental e o equilíbrio do ecossistema do PERD. Além disso, o número de espécies encontradas no parque corresponde a 50% de todas as aves registradas em Minas Gerais e 1/5 do total de espécies de aves registradas no Brasil, sendo algumas bem raras e endêmicas, como o bicudo (Sporophila maximiliani), espécie reencontrada após 80 anos sem registros em Minas Gerais.

Quantos sítios Ramsar existem no Brasil?

Foto: Por Fernando Marino – Panoramio, CC BY-SA 3.0.

O Brasil aderiu à Convenção de Ramsar em setembro de 1993. De lá para cá, o país inscreveu 27 sítios na Lista Ramsar. Desses, 24 correspondem a Unidades de Conservação (ou partes delas) e três são sítios Ramsar regionais, formados por Unidades de Conservação, Terras Indígenas e Áreas de Preservação Permanente.

Fontes: 

https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/biodiversidade-e-biomas/biomas-e-ecossistemas/areas-umidas/sitios-ramsar-brasileiros

https://www.ramsar.org/our-work/wetlands-international-importance

https://www.ramsar.org

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