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Call to action: por que a sustentabilidade será o diferencial competitivo em 2026?

Ana Moeri 28 jan 2026

O ano de 2026 começa sob o signo do que líderes globais chamam de “ruptura, não transição”. Em um cenário de confrontação geoeconômica, apontada pelo Fórum Econômico Mundial como o risco número um de curto prazo, a sustentabilidade empresarial deixou de ser apenas uma agenda de conformidade para se tornar o pilar central da resiliência estratégica.

Enquanto observamos movimentos de retração em potências como os EUA, que reposicionaram o clima como uma variável de alta volatilidade política e retrocessos relevantes no debate ambiental, no Brasil (como no licenciamento), observo que o papel das empresas brasileiras torna-se ainda mais crítico e, paradoxalmente, vantajoso.

O custo da incerteza vs. a previsibilidade ESG

Foto: Canva Pro.

A reversão de políticas ambientais e o desmonte regulatório em grandes economias têm gerado um efeito colateral técnico: a redução da previsibilidade institucional. Para o mercado, isso se traduz em maior percepção de risco, impactando decisões de investimento e elevando custos associados a operações e ativos intensivos em carbono.

Com segurança, digo que manter-se ativo nas ações de sustentabilidade não é mais uma questão de “filantropia corporativa”, mas de gestão de riscos e de competitividade. Há anos constato que empresas que mantêm métricas claras e compromissos com a descarbonização garantem um horizonte de investimento mais estável em meio ao caos geopolítico. Quando o padrão regulatório mínimo enfraquece, o padrão exigido pelo mercado sobe — e cabe às empresas preencher esse vácuo com governança, rastreabilidade e integridade.

2026: o ano das barreiras e das oportunidades [comerciais]

Foto: Canva Pro.

Este é o ano em que mecanismos como o CBAM (Taxação de Carbono na Fronteira) e a EUDR (Lei Antidesmatamento da UE) entram em uma fase decisiva de implementação e aplicação.

Vantagem possível para o Brasil (desde que haja consistência e prova). Enquanto produtos de países que abandonaram metas climáticas podem sofrer sobretaxas, o Brasil, ao consolidar seu Mercado de Carbono (Lei 15.042/2024), oferece às suas empresas um “esforço de alinhamento regulatório” que pode ajudar a reduzir exposição e fortalecer a competitividade das exportações em mercados exigentes como o europeu.

Diferenciação no Agro

Neste setor, pontuo que o enfraquecimento de programas de conservação em outros mercados pode tornar o agro brasileiro — apoiado no CAR e no Código Florestal — mais competitivo em mercados que exigem rastreabilidade rigorosa.

O acordo Mercosul-UE como âncora estratégica

Foto: Canva Pro.

A recente assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia trouxe uma inovação jurídica a meu ver: o Acordo de Paris agora é um “elemento essencial” do tratado. Isso significa que a sustentabilidade está “ancorada” no comércio bilateral. Para as empresas, isso abre portas para cadeias de valor inter-regionais em setores de alta tecnologia, como hidrogênio verde, minerais críticos para baterias e biocombustíveis sustentáveis. E, nesse contexto, a reputação ambiental do país e a capacidade de comprovação das cadeias produtivas passam a pesar ainda mais.

O papel da liderança: complacência não é opção

Foto: Canva Pro.

Como bem pontuado no último Fórum de Davos, o custo da hesitação é sempre maior do que o custo da liderança. Pode anotar: empresas que retrocederem agora correm o risco de ficarem defasadas tecnologicamente, especialmente frente à rápida expansão de tecnologias limpas em mercados como o chinês.

Acompanhando há décadas este mercado, posso dizer que  caminho para 2026 é claro: a sustentabilidade é a nova métrica da eficiência operacional e da segurança jurídica. Manter o curso não é apenas “fazer a coisa certa”; é garantir que sua empresa seja vista como um parceiro confiável em cadeias e mercados cada vez mais exigentes e orientados por critérios de risco, rastreabilidade e transição climática.

Sua empresa está pronta para liderar nesta ruptura ou será apenas um espectador da nova ordem comercial?

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