Iniciativa do Instituto Ekos Brasil vai restaurar 200 hectares de áreas do Cerrado e Caatinga nas Unidades de Conservação do Parque Estadual Veredas do Peruaçu, Parque Nacional Cavernas do Peruaçu e na Área de Preservação Ambiental Federal Cavernas do Peruaçu, que estão inseridas nas cidades norte mineiras de Januária, Cônego Marinho, Bonito de Minas, Itacarambi e São João das Missões.
Serão investidos aproximadamente 6 milhões de reais, por meio do Edital Corredores da Biodiversidade, gerido pelo FUNBIO (Fundo Brasileiro para a Biodiversidade) e com apoio financeiro da Petrobras e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Nos meses de junho e julho, o Ekos Brasil e a Atlas Florestal, executora das atividades de restauração, realizaram mais uma campanha de campo e firmaram parcerias com instituições locais para operacionalização das ações.
A região onde está planejada a restauração é composta por veredas, mata seca e cerradão, é abrigo de animais e possui uma diversidade de frutos e plantas medicinais que fazem parte da alimentação e da renda de comunidades quilombolas, veredeiras, geraizeiras, vazanteiras, indígenas do povo Xakriabá e pequenos produtores familiares.
Além dessa biodiversidade, a região do Cânion do Rio Peruaçu foi reconhecida como Patrimônio Mundial Natural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), por causa do seu conjunto de cavernas, sítios arqueológicos e arte rupestres pré-históricas.
Mas toda essa riqueza é ameaçada pela escassez hídrica, desmatamento, agropecuária e mineração, intensificando a dificuldade e a relevância de ações de proteção dos biomas.
A coordenadora do projeto, Fabiana Bonani, bióloga e mestra em ecologia e recursos naturais, afirma que é um desafio estabelecer mudas e sementes em regiões com restrição hídrica e degradação proveniente de queimadas, sendo fundamental definir as técnicas e estratégias adequadas para a restauração dessas áreas. Para fortalecer a cadeia produtiva de restauração, que é um dos eixos centrais do projeto, serão implementados 20 hectares de Sistemas Agroflorestais (SAFs) em propriedades selecionadas por edital, que terão apoio técnico e capacitações para planejamento e execução dos arranjos produtivos definidos por cada núcleo familiar.
Executar intervenções desse porte envolve a participação de várias frentes institucionais. Para suporte na operacionalização e gestão de demandas territoriais, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio e o Instituto Estadual de Florestas (IEF) têm sido fundamentais, estabelecendo pontes para o pleno cumprimento das metas.
Fabiana Bonani explica que “a troca de experiências e diálogo com as instituições locais, comunidades e profissionais ligados à cadeia da restauração tem trazido conhecimentos valiosos para a tomada de decisões mais assertivas e para a construção de um projeto de sucesso”. O Núcleo do Pequi oferece suporte técnico para as capacitações e experiência sobre a cadeia produtiva local; já o Instituto Federal do Norte de Minas Gerais - IFNMG tem um papel de consultoria técnica e científica, além de orientar estudantes bolsistas do projeto.
A Associação Rede de Sementes do Cerrado realizará capacitações sobre coleta e beneficiamento de sementes, e a COOPERUAÇU dará apoio estrutural para a coleta de sementes e mudas. A comunicação, mobilização comunitária e ações de educação ambiental nas escolas serão desenvolvidas pelo Instituto Sertão Vereda.
O projeto tem a previsão de quatro anos de duração, sendo os dois primeiros dedicados à implementação e os dois últimos ao monitoramento das áreas.
Por meio da restauração ecológica, será possível aumentar a biodiversidade e contribuir para a manutenção de recursos hídricos.
Para Bonani, as ações terão impacto direto no fortalecimento das comunidades, na valorização dos saberes tradicionais, na geração de emprego e renda de pequenos produtores familiares e na venda de sementes e mudas nativa.
Espera-se ainda assegurar o modo de vida tradicional, com segurança alimentar e bem-estar socioeconômico das famílias.
Por Leyce Luise
Fortalecer ações socioambientais que contribuam para a conservação e valorização do meio ambiente.
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